Notas iniciais
Uma pitadinha de surpresas da vida para vcs. Obrigada pelas lindas recomendações. O próximo capítulo prometo que será grande e será também inteirinho sobre o que aconteceu depois que Sasuke traiu Sakura.

Quando minha mãe deixou meu pai, ela não o disse que me levaria, até chegarmos ao outro lado do país.

Naqueles dias, era chamado de problema em família. Hoje seria chamado de sequestro.

Você acha que o amor verdadeiro é a única coisa que pode quebrar seu coração. A coisa que vai iluminar sua vida. Ou destruí-la. E então... Você se torna mãe”.

Grey’s Anatomy

Folheio o álbum de fotografias lentamente. Todos os momentos da vida de Daisuke ali registrados. Seu nascimento, primeiro banho, primeiros passos. E outros episódios que, para quem é de fora, não tem nenhum significado aparente, mas para mim é um mar de lembranças que vale a pena mergulhar de cabeça. Como a foto em que ele está todo lambuzado de uma espécie de papinha nutritiva, o dedos gorduchos de bebê todos melecados, a cara emburrada, evidência de que aquela comida saudável para bebês era realmente horrível, que fora tirada minutos antes de sua primeira palavra: Eca. Ou esta em que ele está ainda deitado na cama, fingindo dormir, enquanto insisto para ele levantar e ser um bom menino já que era seu primeiro dia de aula.

São tantas fotos, tantos momentos únicos. Simples, mas para mim eternos, e não consigo evitar que meus olhos fiquem umedecidos pelas lágrimas contidas. Ter um filho nos faz mudar de maneira permanente. É um sentimento tão sublime, uma entrega tão grande, um amor tão maior que o mundo, como se aquela pessoinha, desde a primeira vez que você a pegou nos braços, fosse uma parte de seu próprio corpo. Uma parte essencial. Uma parte que não tem como viver sem. Um coração.

Daisuke era meu coração. O melhor de mim. Não podia deixá-lo partir. Seria doloroso demais. Cruel demais.

– Sakura?

Uma voz hesitante desperta-me e viro-me em sua direção.

– Sim, Shizune. – enxugo as lágrimas e fecho o álbum de fotografias, temerosa de olhar para o rosto da minha amiga de trabalho e descobrir o pior.

– Ele acordou.

Levanto rapidamente e, desastradamente, derrubo o álbum em meu colo. Shizune me ajuda a ajuntar as fotos que escapuliram do álbum na queda enquanto a interrogo apressadamente.

– E como ele está?

– Fraco. Perguntou por você. – ela hesita, em um dilema sobre o que deve ou não falar.

– O que foi?

Ela suspira, percebo que está exausta.

– Perguntou pelo pai também.

Ajunto o restante das fotos com pressa e levanto rapidamente.

– Vou vê-lo.

– Er... Sakura?

A voz dela me para quando estou prestes a abrir a porta do quarto.

– Sim...

– Acho que seria melhor se soubesse que Sasuke já está lá com ele.

Meu corpo imediatamente fica tenso, um mecanismo de defesa despertado sempre que ouço o nome dele.

– Como assim ele está lá com ele?

Shizune cora, os olhos escuros envergonhados.

– Deixamos ele entrar. Não se preocupe, ele está usando tudo que é necessário para evitar que Daisuke seja infectado.

Estou em choque. Magoada e com raiva. Fecho os olhos e tento evitar que minha frustração me faça ter mais um ataque de choro, dessa vez com platéia.

– Sakura... Você sabe que é a única visita que ele terá no dia... Desculpe. – a voz dela é baixa, tenta me trazer algum conforto, mas é inútil. Sinto-me traída. – É que Daisuke pediu. Sabe como é, não conseguimos dizer não.

– Mas deviam ter dito. Ele é meu filho. Meu. Deviam ter perguntado para mim antes.

Saio do quarto transtornada. Não posso acreditar que eles deixaram Sasuke entrar. Eu era a mãe. Eu que estive o tempo todo com ele. Sasuke só o conhece há duas semanas, isso era tão injusto.

Quando chego na área de isolamento, posso ver meu filho conversando alegremente com o pai. É claro, ele está fraco, mas há um sorriso em seu rosto e sinto ciúmes por ser Sasuke o causador daquele sorriso. Sasuke segura a mão de Daisuke, enquanto fala através da máscara com ele sobre coisas que não posso ouvir, pois estou do outro lado do vidro. Consigo ver as covinhas no rosto magro quando Sasuke fala algo e o sorriso do meu menino se alarga.

– Não sinta ciúmes, Sakura. É normal o interesse de Daisuke no pai.

Sinto a mão de Tsunade em meu ombro, enquanto nós duas observamos a cena que se desenrola do outro lado do vidro de isolamento.

– Eu o amo tanto, Tsunade. Tanto. – coloco a mão no vidro, como se esse ato me deixasse mais próxima de Daisuke. – Por que isso tinha que acontecer com o meu menino?

Ela afaga meu ombro, obviamente, não há respostas para a minha pergunta.

– Daisuke parece gostar do Uchiha.

– É, ele gosta. – suspiro. – Acha que fiz a coisa certa? Não deixar Sasuke saber da existência dele?

Ela observa os dois a sua frente, imersa em pensamentos. Demora tanto tempo que penso que ela nem faz questão de responder.

– Acho que naquela época era a coisa certa a se fazer. Era perigoso para você e para a criança permanecer em Tóquio. Não fique se culpando, Sakura. Já passou.

Daisuke desvia os olhos de Sasuke e analisa o quarto. É um olhar cansado. Mesmo tendo dormido a maior parte do tempo, seu corpo frágil ainda está exausto pelo tratamento. As manchas escuras em baixo dos olhos apenas evidenciam seu aspecto doentio.

Os orbes negros infantis finalmente me localizam e o brilho que desperto neles enche meu coração de alegria. Ainda sou a pessoa mais especial de seu mundo. Mesmo não podendo ouvir leio em seus lábios quando ele diz “é a mamãe”, o que faz com que Sasuke se vire e me encare. Mas minha atenção ainda está voltada para o meu pequeno lutador. Sempre estará. Ele sempre será mais importante.

Deus, queria tanto abraçá-lo e livrá-lo de tudo isso.

– Eu te amo. – sussurro.

Ele sorri, entendendo o que digo e devolvendo-me um “eu também”.

Ele fecha os olhos, sei que está lutando, mas a medicação é forte e ele logo é vencido pelo sono.

Notas finais
E aí? O que acharam?