Surpresas da vida
5 Sonhos
Notas iniciais
Estou dançando. Meus quadris balançam no ritmo da música e com a mão direita seguro meu terceiro copo de bebida. Faz uma semana desde o meu primeiro encontro com Uchiha Sasuke. Hinata quase teve um ataque quando Ino anunciou que iríamos sair para encher, deliberadamente, a cara em um novo barzinho que estava em inauguração perto do nosso apartamento. Ela havia brigado feio com Gaara e, consequentemente, eu fora intimada a acompanhá-la. Bom, era isso ou comermos os dois potes de sorvete no congelador e virarmos três orcas encalhadas no sofá rosa shoking chorando rios de lágrimas com um filme romântico e triste e se perguntando por que a vida é tão injusta. Como eu e Ino éramos a maioria, vencemos e fomos afogar as mágoas de Ino a base de muita tequila e gim tônica.
Mas Gaara acabou indo atrás de Ino e, depois de Ino fazer ele admitir que era ele que estava errado e prometer se dedicar mais ao relacionamento, Gaara nos convidou para irmos a uma festa particular de um de seus amigos. Topamos, afinal, os potes de sorvete ainda estavam no congelador e ainda podíamos cair na tentação de devorá-los.
É uma festa na piscina. A maioria dos convidados já está bêbada ou quase lá, ou estão transando em um dos vários quartos daquela casa enorme. Entretanto, há ainda muitos dançando e eu sou uma deles. Meu vestido verde musgo de tecido colante está ainda mais grudado ao meu corpo devido ao suor da dança, se é que isso ainda é possível, Ino não me deixou em paz até eu colocar aquela coisa verde tão curta que eu me recusava a chamar de vestido. Porém, agora o maio/vestido não parece assim tão ruim, já que está um calor infernal e eu não trouxe um maldito biquíni para me refrescar na enorme piscina que há perto da pista.
Observei a todos para ver se encontrava alguém conhecido, mas até agora nada. Ino e Gaara devem estar se atracando em algum lugar, aqueles dois são pior que coelhos, e até mesmo Hinata sumiu. Resumindo, estou sozinha.
Saio da pista e vou até o bar. Está tão quente que é o inferno. Penso em beber mais um drink, mas mudo de ideia e resolvo tomar uma água. Não sou muito tolerante a ressacas.
Quando estou saindo, corro os olhos pelo cômodo e um tremor passa por meu corpo ao avistar meu suposto salvador da última semana. Ele está sentado de uma maneira totalmente sexy e uma loira peituda está em seu colo tentando chamar, desesperadamente, sua atenção. Mas ele nem parece perceber seus silicones pulando para fora daquilo que ela supostamente chama de blusa. Os olhos deles estão focados em mim. De uma maneira tentadora. Não consigo desviar o olhar. Aqueles olhos escuros... Há algo neles que me deixa curiosa para saber o que escondem. Ele está todo de preto. Os primeiros botões da camisa estão abertos e revelam, mesmo que discretamente, um físico invejável. O sobrenome Uchiha me vem a memória e, de repente, sei que é problema continuar aquela troca de olhares. Ele não presta. É um mulherengo de primeira. Não é um homem com o qual eu queira me envolver.
Desvio o olhar e saio da sala. Preciso encontrar Hinata, já está na hora de ir para casa. Subo as escadas que dão acesso ao segundo andar. Chega a ser constrangedor ouvir os gemidos e barulho de corpos se chocando naquele corredor. Bem, se Hinata está em algum lugar daquela casa, com certeza não é ali. Viro-me para voltar para a pista e ver se tenho mais sorte, mas meu corpo bate contra algo extremamente rígido. Ergo a cabeça para avistar o estranho que me atingiu e congelo. Maldição.
Os olhos negros penetrantes me observam divertidos. É pior ainda agora, estamos muito próximos, posso sentir seu perfume e, droga, é maravilhoso. Tudo nele é atraente.
Tento relaxar. Afinal, ele é ainda apenas um homem.
– Desculpe, eu não vi você. – graças a Kami minha voz saiu firme.
Olho para os lábios dele, são finos, porém, extremante tentadores.
Quero beijá-lo.
Agora entendo porque as mulheres não conseguem resistir a ele. Uchiha Sasuke é um perigo para a sanidade de qualquer mulher. Principalmente para aquelas que não fazem sexo já faz algum tempo. Alguém como eu.
– Com licença. – falo tentando me afastar.
Ele não deixa, é claro. Segura meu braço com uma força contida, apenas o suficiente para não me machucar. Uma corrente elétrica passa por nossos corpos. Nossos olhares se cruzam. Que merda! Preciso sair, tenho que ficar longe desse homem, ele é problema. Minha consciência grita, está desesperada para que eu me afaste do Uchiha.
Mas há esse perfume maravilho e aqueles olhos.
Quando ele puxa meus cabelos com a mão livre e me beija, sei que já estou entregue. Quero Uchiha Sasuke, nem que seja por uma noite. Hinata vai me matar quando souber, porém, nunca ninguém me beijou assim, nunca me senti tão atraída por um homem.
A mão que segurava meu braço enlaça minha cintura e aproxima nossos corpos. Ele é quente. Sua língua é ousada e experiente. Abraço seu pescoço e me entrego definitivamente àquele desconhecido, sabendo que é errado. Ele aperta ainda mais meu corpo contra o dele e sinto sua ereção pulsante na minha barriga. Ele também me deseja, não sou apenas eu que fui afetada. Meus cabelos sendo puxados por aquele homem apenas me deixam mais excitada. Quando ele prensa meu corpo na parede gemo entre seus lábios e sinto ele sorrir satisfeito. Suas mãos apertam minhas coxas com força. Provavelmente, ficará roxo, já que minha pele é extremamente pálida e sensível. Elas estão me enlouquecendo. São atrevidas e sabem excitar uma mulher. Os bicos de meus seios estão rígidos ao seu toque. Estou ofegante. E sem pensar muito minhas mãos passeiam por seu peito firme e desejável. Estou sob algo macio. Kami, estou tão entretida que nem reparei que Sasuke me puxou para um dos quartos vagos. Mordo seu lábio inferior e ele corresponde com um aperto ousado no meu seio esquerdo. Ouço o som de tecido sendo rasgado, o tecido do meu maiô/vestido, mas não dou a mínima, pois os dedos de Sasuke roçam a minha intimidade me deixando louca.
Tiro a camisa dele as pressas, jogo-a em algum lugar qualquer daquele quarto. Nossos toques são urgentes. Aproximo-me de seu pescoço e sinto seu cheiro de perto. Ele é tão viril. Meus lábios trilham um caminho incerto por sua mandíbula e sinto seus músculos reagirem aos meus lábios.
Antes de me penetrar ele olha profundamente em meus olhos, são poços negros consumidos de luxúria, a mesma que me consome. Ele beija meus lábios com fervor, o toque da sua língua na minha resulta em um calor gostoso em meu ventre.
Os dedos dele passam pela minha intimidade, constatando que estou pronta para recebê-lo.
Os lábios dele vão até a minha orelha. Arrepio-me. Sua voz é rouca e sexy ao pronunciar suas primeiras palavras da noite para mim.
– Fica de quatro.
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Estou apoiada em algo macio. O perfume que acaricia minhas narinas é viciante. Meu corpo fica tenso de imediato. O problema é que conheço esse perfume.
Levanto a cabeça rapidamente, alarmada. Mas por que raios estou com a cabeça apoiada no ombro de Sasuke?
Olho a minha volta. Estou no avião particular dele. Seu sofisticado e luxuoso avião. Estou voltando para casa. Convenci Sasuke a fazer o teste de compatibilidade. E, aparentemente, peguei no sono e acabei babando em seu terno caro. Que ótimo.
Ele me observa com aqueles olhos tão perturbadores. Parece levemente irritado. Lembro do sonho que tive. Droga, sonhei com a nossa primeira noite juntos. A primeira de uma vasta coleção de noites de sexo maravilhosas e duradouras.
Suspiro perturbada.
Ótima hora para ter sonhos eróticos com o seu ex no avião dele, ao lado dele, quando ele quer você, definitivamente, morta.
Olho para ele. Estou claramente constrangida.
– Desculpe. – minha voz sai sonolenta. – Não tenho dormido muito ultimamente.
Ele me avalia. Parece ponderar o tipo de abordagem que deve ter comigo.
– Eu imagino. – ele suspira também. – Me fale sobre o garoto.
Minhas mãos fecham-se em punho, estou na defensiva. Nunca quis que Sasuke soubesse da existência de Daisuke. Mas devido às circunstâncias, não há mais como evitar que ele não saiba nada sobre o filho. É hora de jogar as cartas na mesa.
Sorrio. Sempre gostei de falar sobre Daisuke, mesmo na situação em que me encontro.
– Ele é um bom menino. É muito inteligente e nunca foi chorão, graças a Kami, não suporto crianças birrentas. – olho para Sasuke. Ele parece interessado nas informações que lhe ofereço. – Ele é bem silencioso e reservado às vezes, o que me lembra você.
Os olhos deles se estreitam. Algo que eu disse o irritou. Mas não me importo. Agora que comecei a falar de Daisuke, não consigo parar.
– Ele é idêntico a você quando era criança. – ele arqueia a sobrancelha em uma pergunta silenciosa. – Vi algumas fotos suas e de Itachi quando crianças antes de você me achar e me expulsar do quarto dos seus pais.
Ele sorri minimamente com a lembrança. Mas logo fecha a cara.
– Você sempre foi uma maldita curiosa.
Contenho o impulso de agir como criança, mostrar a língua e dizer que não é verdade.
– Bem, continuando... O nome dele é Daisuke. Ele tem sete anos. – sorrio ainda mais ao lembrar de mais uma semelhança entre pai e filho. – Ele ama carros. Principalmente os antigos e os modelos modernos esportivos. Ele tem uma coleção em miniatura na nossa casa. Valem um bom dinheiro.
Dessa vez ele não consegue conter o sorriso. Tenta disfarçar, mas sei que está orgulhoso dessa característica do filho. Sasuke sempre teve uma paixão incontida por carros, principalmente os velozes. Pagava uma fortuna por eles e adorava ultrapassar o limite de velocidade. Sem contar nas vezes em que apostava rachas com Naruto por pura diversão. Admito que eu também gostava, a adrenalina da corrida era contagiante, sem contar que eu adorava olhar para Sasuke discretamente, pensando em como ele ficava extremamente sexy na direção.
Repentinamente, o sorriso dele morre. E agora são suas mãos que estão fechadas em punho.
Resolvo terminar nossa conversa por ali e não conversamos mais até chegarmos ao nosso destino.
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