Notas iniciais
Olá, minhas lindas. Pessoal, vamos combinar assim. Todo domingo ou segunda, no máximo, eu posto um capítulo. Acho que assim ficará melhor para vocês e para mim. Espero que gostem do caps e deixem seus comentários sobre as coisas que ficaram no ar... Enfim. Boa Leitura.

Sakura? Sakura?

Estremeço ao ouvir a voz preocupada de Ino. Sei que algo aconteceu.

Tínhamos acabado de pousar quando meu celular começou a tocar desesperadamente, quebrando o silêncio que tinha se instalado entre mim e Sasuke.

Já estou andando apressada em direção à saída. Nem ao menos olho para ele.

Algo aconteceu.

Respiro fundo e encontro a minha voz.

– Ele está no hospital? – pergunto inutilmente na vã esperança de que Ino negue e diga que só ligou para saber se eu sobrevivi a Uchiha Sasuke.

Foi uma febre, você sabe como ele está frágil. Ele acabou de dar entrada. Onde você está?

Já estou praticamente correndo pela pista de pouso, quando um carro negro esportivo exalando dinheiro para a minha frente. Uma mão quente e firme, que envia correntes elétricas em meu sistema nervoso, segura meu cotovelo e me guia para dentro dele. Não preciso olhar para trás para confirmar que é Sasuke.

– Estou chegando aí em quinze minutos.

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Desde que descobri o monstro que habita o corpo de meu filho sinto estar pisando em ovos. Nada mais é certo. Não possuo mais garantias. Cada vez que o tratamento escolhido falha minhas esperanças são postas à prova. Tornei-me uma chorona de carteirinha, logo eu que sempre odiei lágrimas, lamentando-me escondida enquanto todos dormem. Mas a cada manhã eu forço um sorriso, daqueles que saem difícil, como se seus lábios tivessem começado um lento, porém eficaz, processo de rigidez. Os sorrisos sinceros guardo para Daisuke. Ele é o único que consegue encontrá-los. Ele é o motivo de todos eles.

Apesar de mencionar que não possuo mais certezas desde a descoberta do linfoma agressivo que acomete meu pequeno e intrigante menino, sei que há uma constatação e ela é clara: não vou deixar Daisuke morrer.

Quando entro no quarto ele está dormindo. As mãos estão sobre a manta que cobre o seu corpo. Ele está pálido e ainda posso ver uma pequena transpiração em sua face. Os medicamentos para ministrar a febre alta que o acometeu começaram a fazer efeito. Aproximo-me de sua cama e automaticamente cubro seus pequenos e finos braços. Puxo com cuidado a poltrona ao lado do seu leito para ficar mais próxima e acariciar suas bochechas sem pigmento. A pele é levemente fria, mas a textura é angelicalmente perfeita sob meu toque. Beijo sua face e lentamente meus batimentos encontram seu ritmo costumeiro.

Ino estava a minha espera quando cheguei ao hospital. Pude ver ela empalidecer ao avistar meu acompanhante. Percebi que ela acreditava fielmente que Sasuke não viria. Bem, não posso culpá-la, ele também havia me surpreendido com sua decisão. Pensei que teria que me jogar aos seus pés e implorar que viesse comigo para fazer o exame. Desconsiderando meu rosto completamente carregado de maquiagem para disfarçar a surra que levei dele, até que não foi tão ruim.

Eu estava muito preocupada com meu filho para dar atenção aos dois, por isso passei pelas portas apressadamente sem dirigir qualquer comentário ou esclarecimento à Ino. Sabia que ela entenderia minha grosseria.

Mas quando a porta abre, fico surpresa e temerosa ao encarar quem acabou de abri-la. Eu não esperava que ele quisesse ver Daisuke. Por quê um homem que nunca quis filhos gostaria ficar frente a frente com a criança que contraria suas vontades?

Provavelmente nunca vou saber. E sinceramente, já desisti há muito tempo de tentar entender Uchiha Sasuke.

Volto a acariciar meu filho.

– Febre alta pode ser perigosa no estado dele. – falo calmamente em uma tentativa de aliviar a tensão com a presença dele. Daisuke não acordará tão cedo devido à medicação, o que me deixa mais tranquila devido ao medo que tenho de pai e filho se conhecerem.

A curiosidade é mais forte e resolvo olhar para Sasuke e ver sua expressão ao olhar para o menino enfermo, magro e sem cabelos e sobrancelhas que até doze horas atrás ele não tinha nem a remota ideia de sua existência.

Ele está perto da porta. Como sempre veste o costumeiro terno negro, os cabelos bagunçados de uma maneira sexy e os olhos negros atentos ao menino adormecido ao meu lado. Não consigo entender sua expressão facial, não consigo ler os sentimentos que o corroem. Nunca consegui. Não sei o que se passa na mente daquele homem perigoso e enigmático que esconde suas emoções em uma máscara de frieza constante.

– Ele vai dormir pelas próximas seis ou sete horas. – tento, com minhas palavras, tirar alguma reação de Sasuke, mas percebo que ele está muito longe.

Temo seus pensamentos.

Dou um último beijo em meu filho e com um pequeno sorriso dou um pequeno nó na ponta da manta que o protege do frio.

Vou em direção da porta com o olhar inquisidor de Sasuke me seguindo.

– Aquela é a maneira que encontrei de dizer que mesmo que ele acordasse sem mim ao seu lado, eu estive ali velando seu sono. É uma forma de nos comunicarmos quando as coisas ficam meio corridas aqui no hospital. – explico sua pergunta muda enquanto fecho a porta do quarto.

– Ele não parece bem. – a voz rouca de Sasuke resolve dar o ar da graça, depois de seu longo período de “não quero falar com você”.

– Ele não está. – minha voz sai triste, ainda é difícil falar sobre como o tratamento não deu certo. – Por isso que fui atrás de você. O transplante é nossa última alternativa, já esgotamos todas as outras. É bem arriscado, mas não há outra saída.

Ele passa a mão no queixo bem barbeado, um gesto simples que nele fica extremamente sedutor.

– Já falei com os responsáveis pelo exame de compatibilidade. Disseram que estarão prontos para coleta em uma hora.

Não consigo não me sentir grata. Ele foi extremamente direto e eficiente, não perdendo tempo. O que é ótimo, porque tempo é algo que já não temos.

– Obrigada. Mesmo. É muito importante.

Ele me fuzila com o olhar. Engraçado, eu havia esquecido por alguns instantes do quanto aquele homem deseja minha morte.

– Não agradeça. Não faço por você. O garoto não tem culpa da mãe ser uma cadela.

– Sasuke, por favor, aqui no hospital não. Vamos tentar manter nossas diferenças longe do meu filho. Pelo menos aqui vamos agir como dois adultos civilizados.

– Adultos é? – ele está com aquele sorrisinho novamente o que me deixa imediatamente na defensiva. – Você é uma covarde.

Passo a mão pelos meu cabelos tentando inutilmente alinhá-los.

– Sasuke, agora não é o momento.

Ele me olha friamente. Analisando-me e planejando sua próxima jogada. Sasuke é um predador nato. Extremamente calculista e sem resquícios de piedade em seu sistema. Eu não o temo mais, porém, agora não é apenas eu que posso sair machucada com sua presença.

– Preciso falar com Ino. Você precisa de alguma coisa até fazer o exame?

Ele me ignora completamente, dando-me as costas e seguindo pelo corredor. O terno de corte caro destaca suas costas fortes e sexy. O andar é lento, mas cheio de confiança. As roupas negras lhe dão um ar misterioso. Observo que os olhares femininos o seguem. Sasuke sempre chamou a atenção das pessoas. Ele exala virilidade, é impossível ignorar sua presença. As pessoas são atraídas para ele assim como insetos são atraídos pelas lâmpadas. Elas nunca imaginam o perigo oculto, estão maravilhadas demais pela luz que as cerca para perceberem qualquer outra coisa.

Enquanto caminho pelo corredor a procura de Ino para contar-lhe tudo o que aconteceu em Tokyo, lembranças do meu passado com Sasuke retornam suavemente. Parece que depois daquele sonho no avião, elas simplesmente resolveram se mostrar, tentando provar que meu cérebro defeituoso, que tem certa avalanche para cretinos, ainda armazena intactas as memórias e os por quês de um dia eu ter me apaixonado por Uchiha Sasuke. E mais lembranças do que aconteceu após nosso primeiro contato mais íntimo me envolvem.

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Minha cabeça dói. Porcaria. Ainda não aprendi a maneirar nas doses alcoólicas para evitar uma dor de cabeça constante pela manhã. E eu nem fiquei bêbada.

Lentamente abro os olhos. Graças a Kami o quarto está mergulhado na penumbra, restando-me apenas uma leve luminosidade no quarto estranho no qual me encontro, poupando meus olhos hipersensíveis de luz direta.

Com cuidado, tento me sentar. Mas paro no processo. Sinto-me enjoada. Droga. Bebi vodca de novo. Só pode ser isso. Sinto um gosto amargo na boca, salgado, e, imediatamente, volto a me deitar. Kami, acho que vou vomitar.

Flashes das ultimas horas me vem à mente e congelo. Só pode ter sido um sonho. De muito mau gosto, aliás. Minhas mãos vão imediatamente aos meus seios e constato que alguém roubou meu sutiã. Não posso admitir qualquer outra solução para o seu sumiço. Desço mais um pouco e... Cacete! Estou nua. E julgando a respiração constante próxima a mim, acho que transei.

Olho para o lado esquerdo da cama...

Merda, merda, merda.

Se fosse uma mulher nua ao meu lado eu não estaria tão apavorada.

Transei com Uchiha Sasuke.

Que porra eu tenho na cabeça no lugar do meu cérebro?

Agora faço parte da incrivelmente longa lista de mulheres que o Sr. Uchiha já azarou. Ótimo!

Simplesmente perfeito.

Volto a olhar para seu corpo adormecido. O tronco perfeito, cheio de músculos na medida certa. O braço esquerdo repousa abaixo da sua cabeça, enquanto o direito está sobre sua barriga tanquinho de dar inveja. Totalmente relaxado. Totalmente másculo. Ele está descoberto. Meu olhar desce imediatamente. Certo, sou uma tarada. Mas ele está dormindo. Dane-se. Ninguém vai saber.

Kami-sama, como aquilo tudo entrou...

Bem, pelo menos isso explica o desconforto no meio das minhas pernas.

Certo. Tenho que sair daqui antes que ele acorde.

Deixo para reclamar da minha ressaca para depois e levanto da cama rapidamente, tomando cuidado para não despertá-lo.

Roupas. Certo. Preciso achá-las.

Começo a procurá-las. Entretanto, isso tornou-se uma tarefa extremamente difícil. Não as encontro em lugar algum.

Mas, espere... Não. Não. Não.

Perto do parapeito da janela há retalhos do que algum dia foi o meu vestido/maiô. Totalmente inutilizável.

Maravilhoso. Meu dia está ficando cada vez melhor.

Pensa, Sakura... Você não pode sair daqui nua, tem que haver outro jeito.

Meus olhos vasculham o quarto a procura de uma solução.

Olho para a camisa negra jogada perto da cama. Bem, julgando a altura de Sasuke comparada a minha, a camisa ficará, tomara, um vestido para mim.

Visto-a rapidamente. Nem me preocupo em procurar minhas roupas íntimas. Se meu vestido ficou naquele estado, prefiro nem saber que fim deu-se para meu lingerie.

Cretino. Devia processá-lo. Aquela peça íntima custou os olhos da cara.

Procuro minha bolsinha de mão e, graças a Kami, encontro ela perto da porta. Sem olhar para trás e já procurando o número de Ino para me socorrer, Deus me livre ligar para Hinata (ela certamente me mataria se soubesse com quem passei a noite), saio do quarto a passos rápidos vestindo apenas a camisa de manga longa do Uchiha. O tecido negro tem o cheiro característico dele. Senti-lo faz-me lembrar do que fizemos naquele quarto. Imediatamente sinto uma pontada em meu ventre. No meu caminho de fuga passo por um espelho e não consigo não parar e observar o meu estado. Estou com cara de quem teve uma noite e tanto de sexo intenso. Há marcas bem visíveis em meu pescoço que se revezam entre mordidas e chupões, que, provavelmente, estão no resto do meu corpo coberto pela camisa. Porcaria de pele extremamente clara e sensível.

Quando Ino para o carro na frente da casa abrindo a porta para eu entrar, saio do arbusto no qual estava escondida ainda mais viciada pelo aroma viril de Uchiha Sasuke. A única coisa que penso enquanto Ino nos leva para casa é que aquele homem sabe como fazer uma mulher gozar.

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Estou com o resultado do exame de compatibilidade de Sasuke em minhas mãos. Ino praticamente saltita ao meu lado curiosa para saber o que ele diz. Estou tão apreensiva com seu conteúdo que temo abrir o envelope.

– Vamos lá, testuda! Sabemos que ele será compatível!

– Ino, pare com isso. Sabemos que a probabilidade é menos da metade.

Ela me belisca. Visivelmente irritada.

– Não seja tão negativa.

Olho para ela, também irritada.

– Não estou sendo negativa. Isso se chama ser realista, Ino. Eu sei quais são as chances dele.

Ela cruza os braços. Seu olhar fica triste.

– E acha que eu não sei? – ela toca meu ombro. – Estamos nessa juntas, Sakura. Eu também amo aquele menino. O que tem ai dentro desse envelope vai mudar as nossas vidas independendo do resultado. Então abra logo isso e acabe com a nossa angustia.

Ela tem razão. Sei que tem. É só que...

– Estou com medo, Ino.

– Tudo bem, eu faço.

– Não seja idiota.

Irritada abro o envelope e pego os papéis contidos nele.

Meus olhos os vasculham avidamente.

Que porra é essa?

Teste de DNA, Paternidade...

Uchiha Sasuke...

Mas que merda! Sasuke pediu um teste de paternidade? O quê?

Mas todas as minhas indagações são esquecidas quando leio as últimas constatações do exame.

Meu corpo todo treme. Minhas mãos fazem o papel balançar incansavelmente. Há um bolo na minha garganta. Minha respiração da para ser ouvida há quilômetros. Não acredito.

Olho para o corredor. Sasuke vem em minha direção. Está sério e frio, o de sempre, e observa a mim e os papéis que estão em minhas mãos instáveis.

Sem pensar, totalmente irracional, corro ao seu encontro e o abraço. Ele imediatamente fica tenso ao meu toque. Mas eu não me importo com seu desconforto.

– Vocês são compatíveis! – falo com uma voz esganiçada. – Vocês são compatíveis.

E, então, começo a chorar.

Notas finais
E ai? O que acharam?