Notas iniciais
Olá, leitores. Obrigada pelos comentários. Capítulo dedicado a Megumi chan pela linda recomendação. Comentem muito, sintam-se completamente a vontade para recomendar e boa leitura!

"Um homem sábio uma vez disse: "você pode ter tudo na vida se estiver disposto a sacrificar todo o restante para isso". O que ele quis dizer é que tudo tem seu preço. Então antes de entrar numa batalha, é melhor você decidir o quanto você está disposto a perder. Muitas vezes, ir atrás daquilo que faz a gente se sentir bem significa abrir mão do que você sabe que é certo. E deixar uma pessoa entrar significa abandonar a muralha que você passou uma vida inteira erguendo."

Grey’s Anatomy

Durante oito anos, eu construí muralhas. Foi um trabalho árduo. Pedras e mais pedras para construir uma bem suprida fortaleza. Fortaleza que eu pensava que manteria, eu e meu filho, longe de Uchiha Sasuke.

Escondi-me atrás dessas muralhas acreditando que poderia começar tudo de novo. Uma vida diferente. Pensei que poderia passar uma borracha nas páginas anteriores do livro da vida, mas fui tola, como muitos. As passagens de toda a minha história até descobrir minha gravidez foram cravadas à tinta. A borracha tornou-se inútil. Entretanto, insisti. Fui teimosa. Persistente. Construí as muralhas ao redor do meu filho acreditando que nada as abalaria. Ninguém cruzaria a minha muralha.

Como os seres humanos apreciam criar ilusões.

Sempre pensei que seria Sasuke que viria ao meu encontro. Sempre esperei que seria ele que tentaria abalar os alicerces da minha fortaleza. Nunca imaginei que o que fragilizasse minha muralha fosse um câncer. Jamais cogitei tal ideia. Quando ouvimos falar sobre o câncer, um tema que se torna a cada dia mais corriqueiro, nunca imaginamos que acontecerá com alguém que conhecemos. Com alguém que amamos. Jamais uma mãe vai pensar na hipótese que aquele nódulo no pescoço do seu filho de sete anos é câncer. Mesmo ela sendo médica e conhecendo o corpo humano melhor do que ninguém. Mesmo ela sabendo que aquele pode ser um possível sintoma. Porque não esperamos que coisas desse calibre acontecessam conosco. Acho que possuímos um sistema de defesa que evite pensarmos sobre as possibilidades. É uma maneira de evitar a loucura. Nunca conseguiríamos dormir se pensássemos em um terço dos males que podem atingir aqueles que queremos proteger.

Ainda assim, eu continuei atrás das minhas abaladas muralhas. Porque sentia-me segura sabendo que, pelo menos, Sasuke não estava atrás de mim. O tratamento de Daisuke, porém, não saiu como esperávamos, e o que eu imaginava impossível aconteceu. Eu tive que deixar ele entrar. Tive que deixar Sasuke passar pelas minhas muralhas na esperança de que ele salvasse minha única e mais rara riqueza. Meu filho.

Agora não posso mais me lamentar por pai e filho se encontrarem. Era inevitável. Sempre fora. Eu que quis, deliberadamente, esquecer-me desse detalhe.

Há dois dias que pai e filho se conhecem. Sob minha supervisão, Sasuke e Daisuke conversaram constantemente, com Sasuke intercalando as horas que Daisuke passava dormindo com os exames necessários para a realização do transplante.

Tenho os resultados em mãos. Está tudo certo. O transplante poderá ser feito. Daisuke está apto para recebê-lo e Sasuke está mais do que disposto agora para doar.

Daqui a duas horas Sasuke dará entrada no hospital. Ele será preparado, receberá uma anestesia geral e menos de 15% de sua medula óssea será retirada do interior de ossos de sua bacia, por meio de punções. Para Sasuke esse transplante será apenas um desconforto de duas semanas. Para meu filho, é sua única esperança de cura.

– Mãe, onde está o meu pai?

Ainda não me sinto confortável com Daisuke chamando Sasuke dessa forma. Oito anos de negação são difíceis de esquecer.

– Eu não sei, campeão. – caminho até a sua cama e sento-me na minha costumeira poltrona de acompanhante. – Escute. Shizune vai explicar para você novamente, mas eu prefiro dizer eu mesma agora. – seguro a mão dele e o observo. Seu olhar é atento. Ele quer saber o que tenho a dizer. – Sasuke, o seu pai, vai ter dar um presente. Um presente maravilhoso. Esse presente vai fazer você, se der certo, nunca mais ir nas quimioterapias. Nunca mais ficar tanto tempo no hospital. O que acha?

Os olhos dele brilham. Parecem não acreditar na hipótese de nunca mais ficar preso por aquelas paredes brancas.

– Parece bem legal.

Eu rio.

– É, sim, pode ser bem legal. Mas tem regras que devem ser cumpridas para que isso aconteça e você tem que nos ajudar. O seu pai ficará uns dias sem poder ver você.

Quando falo isso o sorriso dele morre. Disso ele parece não gostar. Está alarmado, claramente com medo.

– Calma, campeão. Eu não disse que ele iria embora. É que ele também vai estar descansando aqui no hospital, assim como você.

Daisuke parece confuso. Não o culpo. O processo de transplante é complicado, seria um milagre uma criança de sete anos entender imediatamente.

– Mas eu posso visitar ele, como a tia Ino faz comigo?

– Não, querido. O presente que Sasuke vai te dar vai fazer você ir para um quarto especial. Lá você não poderá receber visitas porque se não você pode ficar bem doente.

Explicar o processo de isolamento pós-transplante deixa-me temerosa. Mesmo que tudo dê certo durante o transplante, Daisuke ficará mais exposto a processos infecciosos e hemorragias. Tudo dependerá das duas ou três semanas que ele passará internado para que a nova medula desenvolva células capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade.

Ele franze a testa, contrariado.

– Não parece mais legal.

Afago sua mão.

– Agora não parece, mas esse presente do seu pai pode fazer você ficar bem. Você não quer melhorar?

– Quero.

– Quer saber o nome desse presente?

Ele balança a cabeça afirmativamente respondendo a minha pergunta. Beijo sua face pálida.

– O nome é transplante. Sasuke vai tirar um pedacinho dele para dar para você. Mas você tem que me prometer que vai desejar muito melhorar para que esse pedacinho faça o que precisamos e você volte a ficar bem. Combinado?

Ele estende a mão direita para mim em oferecimento.

– Combinado. – a sua voz infantil ressoa no quarto enquanto aperto sua pequena mão fechando o nosso acordo.

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– Foda-se, Kiba. Quero o carregamento pronto até amanhã. Dá um jeito nisso. Zabuza está esperando por elas em La Paz. Terminem essa porra!

Ele sabe que entrei no quarto. Sasuke sempre possuiu os sentidos aguçados. Ainda assim, não se importa que eu ouça o conteúdo da sua conversa ao telefone. Mesmo sabendo que provavelmente eu saberei do que se trata o carregamento e quem é Zabuza.

Sasuke desliga o telefone claramente irritado.

– Você não se cansa disso? – pergunto referindo-me ao significado de sua conversa. – Pessoas inocentes são atingidas pelos seus trabalhos sujos, Sasuke. Não sente remorso?

Ele me encara. Os olhos negros em brasa. O terno negro assentando perfeitamente em seu esculpido corpo.

– Você sabe que não.

Como se fosse a coisa mais natural do mundo ele pega uma carteira de cigarros e tira um. Coloca-o na boca e o acende. Dá uma boa tragada e volta a me observar. A fumaça se espalha pelo quarto que Sasuke ficará internado imediatamente.

– Você está em um hospital, Sasuke. Não pode fumar aqui, pelo amor de Deus!

Vendo que ele não dá a mínima para minhas palavras aproximo-me dele rapidamente com a intenção clara de tirar aquele maldito cigarro de sua boca sexy e dar um basta as suas inconsequências.

Ele não me impede. Vou até o banheiro anexado ao quarto e jogo o motivo da discórdia no vaso puxando a descarga.

– Por favor, não faça nada inconsequente – digo enquanto retorno ao quarto para enfrentar sua presença fria e indiferente. – Pelo menos, não antes de fazer o transplante.

Seu olhar percorre meu corpo, avaliando-me. A calça jeans que coloquei pela manhã parece ser ainda mais colada ao corpo diante de seus olhos perturbadores. A blusa branca de alcinhas parece transparente quando seu olhar pousa em meus seios. Sasuke não precisa me tocar para me deixar arrepiada.

– Haverá seguranças na porta dos quartos meu e de Daisuke. – a voz rouca quebra o feitiço que seu olhar causava.

Seguranças?

– Por que haverá seguranças na porta do quarto do meu filho?

– Por precaução. Já sabem que estou aqui. Podem muito bem descobrir que o menino é meu filho.

Estremeço. O principal motivo para eu não querer Sasuke perto de Daisuke vem à tona.

Sasuke tem inimigos. Como todo bom criminoso.

– Com quem você mexeu agora, Sasuke?

Estou preocupada. Estava tão focada no transplante e em Daisuke que esqueci quem era realmente Uchiha Sasuke.

– Isso não é assunto seu.

– Porra, nenhuma! Você acabou de dizer que sabe se lá quem pode vir atrás do meu filho por você ser o pai dele! É claro que é assunto meu. – coloco as mãos na cabeça, percebendo o perigo da situação. – Quando Daisuke receber a medula ele será posto em isolamento. Tudo dependerá disso. Ninguém pode interferir na recuperação dele, Sasuke, ninguém.

– Eu sei. – ele anda pelo quarto calmamente. Totalmente alheio ao meu desespero de que alguém faça mal ao meu filho. – São medidas de precaução, Sakura. Isso não significa que alguém vira aqui e apontará uma arma na cabeça de Daisuke. Não vai acontecer nada. Meus homens estão aqui apenas para deixar isso bem claro. E vou resolver as coisas com esse filho da puta, então não seja irritante.

– Quando você diz que vai resolver as coisas é porque você vai matar essa pessoa que te ameaça.

Seus olhos negros fixam-se em mim.

– Ele não me ameaça, Sakura. Ele é apenas um incômodo. E para esse tipo de pessoa eu sempre tenho uma bala a mais.

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Sinto os suaves lençóis envolverem a minha pele desnuda. Sinto frio, por isso sei que Sasuke não está mais na cama comigo.

O quarto está mergulhado em escuridão e pelo radio relógio ao lado da cama vejo que ainda é madrugada. Penso em voltar a dormir, mas estou completamente desperta. E o cheiro másculo de Sasuke no quarto faz-me lembrar do que realmente preciso.

Vou até o banheiro. Ainda não estou acostumada com todo o luxo que envolve Sasuke. Todo o cômodo é de mármore claro, a banheira de hidromassagem é imensa, e os espelhos, que vão do chão ao teto, dão uma visão panorâmica do banheiro todo.

Pelo meu reflexo posso ver a presença de Sasuke em meu corpo. Há marcas de mordidas no interior das minhas coxas e seios. Por minha pele ser extremamente clara e sensível, a marca dos dedos de Sasuke em minha cintura provam o quão feroz ele foi na nossa ultima transa. Mas não me importo com essas marcas. Elas podem ser escondidas por minhas roupas. A única mancha que me irrita de verdade é a que está em meu pescoço. Os dias têm sido quentes ultimamente e andar de lenço por mais duas semanas me deixava furiosa.

Volto ao quarto a procura de algo para vestir. É claro que o que encontro é a camisa negra de Sasuke.

Procuro Sasuke pelos outros quartos, mas não o encontro. Quero deixar marcas tão profundas em sua pele quanto as que ele fez em mim. Se ele quer deixar clara a sua posse, eu posso muito bem fazer o mesmo.

Desço as escadas. Aquele mármore todo é gelado sob meus pés. A casa é silenciosa e está mergulhada em penumbra. Vou até a cozinha sofistica e moderna, mas ele também não está lá. O que me leva a concluir que ele só pode estar no escritório ou na biblioteca.

Enquanto caminho pelos imensos corredores e penso como aquela casa pode ser tão fria ouço murmúrios que vem do escritório. Diminuo meus passos e sinto um instinto enorme de ocultar minha presença e me aproximar para saber o que está acontecendo.

A porta do escritório está levemente aberta, o que me dá um pequeno campo de visão para saber o que acontece ali dentro. Sasuke está de pé, sem camisa, veste apenas uma calça negra que está frouxa em seu firme quadril. Há um homem na sua frente. Ele está ajoelhado na frente de Sasuke. Apesar da falta de iluminação, posso ver que ele está bem vestido. Os cabelos claros são longos e os olhos azuis estão fixos em Sasuke. Em desafio. Colo uma mão contra minha boca para abafar meu susto, porque só agora percebo que Sasuke está apontado uma arma diretamente na cabeça do homem ajoelhado.

– Espero que você vá para o inferno, Deidara.

Sasuke dispara, a bala acerta em cheio a testa do homem. Os olhos azuis parecem surpresos, não acreditavam que Sasuke realmente atiraria. A arma na emitiu som nenhum, porém, sou eu que quebro o silêncio gritando horrorizada com a cena que acabei de presenciar. Com o grito, Sasuke imediatamente olha em minha direção. Seu olhar é encoberto pela escuridão, mas não preciso ver seus olhos para saber que ele está com raiva.

– Porra. – exclama ele, a voz tão fria como uma nevasca na antártica.

Toda sua musculatura fica tensa ao me ver. Vejo que há outra pessoa com ele, que vai até o tal de Deidara morto enquanto Sasuke abre mais a porta e se aproxima de mim. Ele ainda segura a arma.

Imediatamente ando para trás, tentando manter a maior distância possível entre mim e Sasuke.

– Sakura...

– Não chegue perto. – sussurro, mas sei que é o suficiente para ele ouvir.

Ele para e parece pensar. Soltando a arma no chão, ele parece ignorar meu pedido e volta a se aproximar.

– Sasuke, por favor... Não me toque! – grito quando ele chega extremamente perto e faz exatamente o contrário.

Tento bater nele, mas ele imobiliza meu corpo com facilidade.

– Fique calma, Sakura. Não vou machucar você.

A voz dele em meu ouvido faz eu ficar arrepiada.

Minha respiração é tão alta que quase posso ouvi-la ecoar pela casa.

– Ficar calma é o caralho! Você matou um homem, Sasuke! – debato-me, tentando livrar-me de seu enlace.

– Eu tinha motivos. – ele aperta ainda mais seus braços meu redor. Seu peito está contra as minhas costas e não consigo me mexer.

– Não há motivos para matar alguém, Sasuke!

– Esqueceu do kun.

– Ah, vá para o inferno!

Ele gira nossos corpos e faz com que minhas costas fiquem agora contra a parede. O impacto é duro e eu arfo de dor.

– Escuta, eu não vou machucar você, então não seja irritante.

Ele lentamente solta meus braços. Penso em dar um soco nele e tentar fugir, mas agora que meus braços estão livres sinto que eles ganharam a consistência de uma gelatina.

– Há coisas sobre mim que você não sabe, coisas...

– Sim, claro, como matar pessoas enquanto durmo.

Seu olhar brilha de irritação.

– Fica quieta e me escuta. Aquele homem era Deidara, ele fazia parte da Akatsuki. Consegue entender agora?

Eu sabia o que era a Akatsuki. Era uma organização procurada pela Interpol que ganhou o noticiário nos últimos dias. Essa organização era movida por objetivos claros. Matar. Matar para quem pagasse mais.

Olho melhor para Sasuke, analiso seu rosto irritado. Só agora vejo que há um pequeno corte em seu lábio inferior.

– Você está machucado. – automaticamente minha mão vai até seu rosto e limpa o sangue seco que ali estava. Isso parece deixar Sasuke surpreso.

Respiro fundo. Franzo o nariz. Sinto um cheiro metálico que conheço muito bem. Olho para porta do escritório, mas ela agora está fechada. Entretanto, sinto o cheiro de sangue tão perto...

Minhas mãos passam pelos braços de Sasuke em um exame silencioso e congelo. O braço esquerdo dele está escorregadio e ele estremece levemente com o meu toque.

– Ah, meu Deus, você levou um tiro!

– Não foi nada.

– Claro que não. – pego em sua mão, a do braço que não está machucado, e começo a andar. Só posso estar louca. – Onde está a caixa de primeiros socorros?

– Na cozinha.

Enquanto limpo a ferida de Sasuke, suturo e faço um curativo, evito olhar nos olhos dele. Sasuke esconde-me coisas. Coisas grandes.

– Pronto, terminei. – falo mecanicamente enquanto coloco o ultimo esparadrapo.

Vou até à pia e deixo ali os utensílios que usei.

– Sakura, olhe para mim.

Não consigo fazer o que ele pede.

Quem realmente é Uchiha Sasuke?

Sinto as mãos dele em minha cintura. Pulo, assustada.

Ele vira lentamente o meu corpo, fazendo ficarmos frente a frente. Ergue meu queixo, obrigando-me a encontrar os poços profundos que são seus olhos.

– Está tudo bem?

– Eu não sei, Sasuke. – suspiro. – Por que aquele cara da Akatsuki estava aqui? O que ele queria com você?

Sasuke parece pensar. Ele está escolhendo o que vai me dizer, percebo.

– Ele não queria nada comigo. Era com você.

Eu rio.

– Comigo? Conta outra, Sasuke. Quem sou eu? Sou só uma residente de medicina, não sou ninguém importante.

As mãos dele seguram meu rosto. Kami, como aqueles olhos mexem comigo.

– Você está comigo, sai comigo, transa comigo. Vai em eventos como minha garota. – ele franze o cenho. – Nunca fiz isso com mulher nenhuma. Isso chamou a atenção dos meus inimigos. Eu não sou o mocinho, Sakura. Não sou bom, não mesmo. Há homens bem piores do que a Akatsuki desejando a minha morte, desejando me afetar de alguma forma. Querem machucar você achando que assim vão me atingir.

– E vão?

Os olhos negros são intensos ao me responder.

– Você não faz ideia.

Notas finais
E aí, o que acharam?