Notas iniciais
Obrigada pelos comentários. Desculpem a demora, estava viajando e não pude escrever nada. Espero que gostem, boa leitura.

“É mais fácil ficar sozinho. Porque, e se você descobrir que precisa de amor, e depois não o tiver? E se você gostar e depender dele? E se você modelar sua vida toda em volta dele, para então ele acabar? Você consegue sobreviver a tamanha dor? Perder amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é que a morte acaba. Isto, pode durar para sempre…

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Ele dorme serenamente. Ali, deitado, o corpo todo relaxado e nu, coberto apenas pelo grosso cobertor escuro, ele não parece ser o grande Uchiha Sasuke. Parece ser apenas o meu Sasuke-kun, o homem impenetrável que revela seus sorrisos sinceros apenas para mim. Aquele homem desejável e super protetor, que me busca todos os dias após os meus longos plantões na emergência do hospital, com o semblante sério e levemente irritado, mas que eu não ligo porque sei que quando chegarmos em sua casa ele beijará cada pedacinho do meu corpo e me fará sentir a mulher mais desejável do mundo. Far-me-á gritar de prazer, chegará a um orgasmo incrível junto comigo e depois abraçará meu corpo cansado e velará meus sonhos.

É por esses detalhes que parecem tão banais, tão comuns, que continuo ali, com a cabeça apoiada na mão, olhando-o dormir, tão nua quanto ele, mesmo sabendo que Sasuke possui um lado obscuro. Porque, no fundo, mesmo negando-me admitir para qualquer pessoa, e principalmente para ele, eu amo Uchiha Sasuke. Estou completamente apaixonada. Vê-lo matar uma pessoa, mesmo sendo um integrante da Akatsuki, sem remorso nenhum não me fez recuar. Porque sou louca por ele. Não consigo mais me afastar. Quero Sasuke. Quero-o tanto que isso ás vezes me assusta. Não importa o quanto Hinata diga que nosso relacionamento não acabará bem. Não dou ouvidos quando ela diz que Sasuke não se importa com as mulheres que ele transa, que eu, infelizmente, serei apenas mais uma. Não sei exatamente porquê, mas sinto que comigo é diferente. Que eu não sou apenas mais uma das garotas que ele leva para a cama.

Sorrio ao perceber que provavelmente as outras mulheres que foram descartadas por Sasuke pensavam a mesma coisa. Sasuke tem esse efeito quando quer, ele sabe fazer as pessoas se sentirem especiais. Sentirem-se únicas. Entretanto, há aquele olhar. Aquele que, quando ele ainda está dentro de mim, após nossas respirações normalizarem, me faz sentir coisas. Coisas incríveis. Como se naquele momento eu soubesse exatamente o que ele pensa. Como se eu fosse aquela por quem ele colocaria tudo em risco por um beijo. Como se eu fosse a mulher que o faria desistir de tudo apenas para tê-la ao seu lado. É um olhar momentâneo, que sei que ele tenta esconder. Mas eu sempre consigo vislumbrá-lo, e que me enche de esperanças, algo que eu nunca me permito sentir. Por isso sei que não sou mais uma em sua lista de conquistas. Isso e o fato de Suigetsu confidenciar-me que eu sou a primeira mulher a dormir com Sasuke. Não transar, é claro. Dormir. Apenas dormir. Protegida por seus braços fortes e dormir.

Estamos em um chalé de sua família. Sasuke disse, de sua maneira nada romântica, que precisava de um final de semana inteiro me comendo. Então acabamos aqui, nessa casinha isolada do mundo, com uma lareira acesa para espantar o frio, transando a noite inteira, tomando alguns dos vinhos mais caros de Sasuke, totalmente concentrados um no outro, andando nus pela casa, e fazendo sexo onde desse vontade. Porque somos assim. A atração física entre nós é insuportável. Precisamos um do outro. Tudo começou com uma noite de sexo ousado e prazeroso e agora aqui estou, acariciando os cabelos negros daquele homem tão misterioso, com meus seios encostados no braço dele, totalmente apaixonada, completamente entregue àquele homem frio e indiferente.

Sei que ele tem segredos. Segredos terríveis. Porém, não quero saber. Quero ser iludida, deixar-me iludir, apenas uma única vez. Só quero ter Sasuke para mim. Por isso não fiz nenhuma pergunta quando ele ordenou que Gaara me ensinasse defesa pessoal, como empunhar uma arma, como acertar uma faca no lugar certo. Mesmo sabendo que não é para ganhar resistência física para aguentar seu apetite sexual insaciável.

Reconheço que há perigo em Sasuke, mas eu sinto-me tão segura ao seu lado que pensar que Sasuke seja alguém mal de verdade parece-me uma ideia infundada.

Acaricio seu peito trabalhado, os músculos firmes sob meus dedos. Aproximo-me de seu rosto e roço meus lábios nos dele.

– Hora do café, Sasuke-kun. – falo em seu ouvido, sentido o cheiro de seu pescoço.

Ele parece não ouvir. Mas sei que já está acordado.

– Fiz café para você. – eu rio feliz. – Apenas café mesmo. Ino diz que é a única coisa que eu sei fazer direito em uma cozinha.

Os olhos negros agora se mostram. Observam-me.

Pego a xícara com o líquido escuro fumegante e entrego a ele enquanto ele senta.

– Forte e sem açúcar, como você gosta.

Ele toma um gole e imediatamente franze o cenho.

– Essa porra não parece que não tem açúcar. Na verdade, acho que você derrubou a droga do pacote de açúcar aqui dentro.

Eu rio. Completamente divertida com a sua cara de desgosto.

Pego a outra xícara, com o café tão forte quanto e ofereço para ele pegando a outra que estava em suas mãos.

– Desculpe, troquei as xícaras sem querer.

Ele não parece nem um pouco contente.

– Duvido muito.

– Ah, Sasuke-kun, não pode ser possível alguém não gostar de doces!

Ele bebe o café, os olhos ainda me observam. Os olhos negros são quentes. Repletos de luxúria.

– Ah, não. Nem vem. Você pode ser o Homo eternus erectus, mas eu ainda sou humana Uchiha Sasuke. Preciso de um banho bem relaxante antes de iniciar mais uma sessão sexo ardente.

Um pequeno sorriso cheio de malícia adorna seu rosto.

– Por quê? Está dolorida?

Quase cuspo o café em minha boca.

– Ah, claro, depois daquela posição que fizemos eu não ia ficar dolorida. Nem Gaara com seus treinos exaustivos me deixou assim. Estou morta.

Ele arqueia a sobrancelha, está se divertindo com o meu desconforto.

– Preciso daquela sua linda banheira cheia de água quentinha para relaxar meus músculos doloridos.

Sasuke parece não me ouvir. Ele deixa sua xícara vazia sobre o criado mudo ao seu lado e pega a minha, mesmo eu não tendo terminado, e faz o mesmo. Com uma agilidade surpreendente ele está por cima de mim. Ainda sorri, mas em seus olhos vejo que está faminto, nem preciso olhar para baixo para saber que ele está completamente duro. Ele puxa o cobertor que envolve meu corpo e me deita no colchão.

– Sasuke-kun, por favor, depois do meu banho sou totalmente sua. Eu juro!

Ele dá uma gargalhada. Sim, Uchiha Sasuke está rindo de verdade. Despreocupadamente. Estou tão surpresa que nem o empeço de abrir minhas pernas e ficar de joelhos entre elas.

– Sakura, Sakura. Você é irritante. – ele aproxima a cabeça da minha intimidade. Já estou toda molhada apenas com o seu tom de voz. – Vou te deixar tão relaxada que esse seu banho jamais poderá ser capaz de fazer o mesmo. – ele passa a língua lentamente em meu clitóris fazendo quase gritar de tanto desejo. – E quanto aos doces, eu gosto sim, mas é um tipo específico de doces.

Então ele prende meu clitóris inchado entre seus dentes e eu esqueço do meu banho relaxante pelo resto do dia.

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Estou exausta. Muito cansada. Culpo minha enorme exaustão por estar novamente acariciando aqueles cabelos negros macios. Como em minhas lembranças, ele dorme. Ainda está sob o efeito da anestesia geral necessária para o transplante. Ele pode acordar a qualquer momento. Mas não consigo evitar passar a mão em seus fios sedosos. É irresistível e relaxante.

A textura de sua pele em meus dedos é melhor do que eu recordo. Não me preocupo de ser pega. As únicas pessoas autorizadas a entrar no quarto de Sasuke são os médicos, enfermeiros e eu. Os seguranças de Sasuke fazem bem o seu trabalho.

E, se posso justificar meus atos estranhos, estou exausta. Mas não consigo dormir. Estou preocupada demais para fechar os olhos e descansar. E se eu permitir que isso aconteça vou ter pesadelos. Terríveis pesadelos.

Passei horas com a cabeça grudada no vidro que isola Daisuke do mundo para protegê-lo de uma infecção. Horas olhando para seu rosto pequeno e magro, sua cabeça careca e pálida. Não posso dormir, mesmo sabendo que as manchas escuras abaixo dos meus olhos imploram por uma boa noite de sono. Tudo depende daquele transplante. Minha vida depende disso.

– O que você está fazendo? – a voz rouca e baixa de Sasuke me assusta e faz minha mão recuar imediatamente.

Instantaneamente um rubor enorme me tinge a face.

– Desculpa, eu...

Ele parece tão exausto quanto eu, porém, está mais desperto. Sasuke sempre está alerta, não importa as circunstâncias.

– Ino me expulsou do hospital. – comecei, tentando achar uma maneira de justificar minha presença em seu quarto. – Na verdade, Tsunade me mandou sumir daqui e não voltar em pelo menos seis horas. Elas disseram que me avisarão se Daisuke acordar ou apresentar qualquer mudança em seu quadro clínico. Mas eu não consigo me afastar. Não consigo descansar. Estou exausta, mas não consigo voltar para casa. – suspiro, evitando a todo custo o olhar dele. – Então vim para o único lugar nesse hospital que elas jamais vão me procurar. Seu quarto.

Com as forças que me restam olho para ele. Ele ainda me observa. Parece irritado.

– Ah... Você está se sentindo bem? Precisa de alguma coisa? Sente dor? Se quiser mando Juugo chamar uma enfermeira para lhe dar uma medicação. Está se sentindo enjoado?

– Preciso que você cale a boca.

Sei que ele tem razão. Estou nervosa e quando isso acontece não consigo parar de falar.

– Como ele está? – depois de um bom tempo ele resolve quebrar o silêncio por ele imposto.

– Ainda está dormindo.

Sasuke vira a cabeça para o outro lado, evitando assim ter que olhar para mim.

– Ele é um bom garoto.

Sorrio. Lembrando do meu pequeno menino careca e banguela.

– É, ele é sim.

O silêncio volta a reinar no quarto. Sinto, aos poucos, uma sensação estranha. Sei o que é. É a sensação de não ser bem vinda. Sasuke não me quer ali em seu quarto, principalmente com ele naquele estado vulnerável.

Levanto-me da poltrona de estofado creme e ando calmamente até a porta. Talvez eu vá para casa e durma umas duas horas. Dane-se os malditos pesadelos. Meu corpo está gritando por uma cama.

– Sakura? – a voz rouca de Sasuke me faz parar quando estou passando pela porta.

– Sim? – não olho para ele, prefiro evitar seu olhar de repulsa.

– Você é médica. Me disseram que é boa nisso. Acha que ele tem chances?

Fecho os olhos. Kami, estou realmente cansada.

Sei que ele está falando das chances de cura de meu filho. Sei que ele está perguntando se ele vai sobreviver.

Estou paralisada na porta do quarto de Sasuke e não consigo respondê-lo, porque é a pergunta que sempre faço a mim e que também evito pensar na resposta.

– Fale a verdade. Você me deve isso.

Respiro fundo. Sei a resposta, é claro. Mas pronunciá-la parece cruel demais para mim. Doloroso demais. Conheço o caso de meu filho melhor do que a sua própria oncologista. Passei noites estudando possíveis tratamentos, analisando como o monstro age em seu pequeno corpo, pensando em mil e uma maneiras de salvá-lo, procurando avidamente por uma solução, uma cura, procurando por mais tempo. Implorando a Deus que me desse mais tempo. É claro que sei a resposta.

Engulo em seco. As palavras saem sofridas, rasgando minha garganta. Saem sufocadas, revelando o que todos tentam negar, o que todos não se permitem admitir, que eu não me permito admitir nem em meus pensamentos mais profundos, mas que preciso dizer a Sasuke, porque ele tem razão. Devo a ele a verdade. Com os lábios secos, os olhos vidrados no corredor pouco iluminado, as palavras finalmente saem. A confissão pronunciada de maneira sôfrega, o coração rachando. As esperanças esquecidas, por um momento deixadas de lado para revelar o que Shizune não teve coragem de me dizer.

– Acho melhor você começar também a rezar por um milagre.

Notas finais
E aí, o que acharam desse capítulo?