Notas iniciais
Prontinho, pessoal. Aí está. Se houver algum erro me avisem. Obrigada pelos comentários.Boa leitura!

Daisuke possui um tipo agressivo de linfoma não Hodgkin.

Lembro claramente das primeiras evidências do monstro em seu corpo. Havia um pequeno inchaço em seu pescoço, que a princípio, não dei muita atenção, já que a inchação das glândulas linfáticas, causada por infecção, é bastante comum. Mas, infelizmente, o inchaço veio acompanhado de febres e sudorese noturna, o que me fez ficar extremamente preocupada e levá-lo ao hospital em que eu trabalhava para fazer alguns exames. Os resultados não foram nada bons.

Shizune, nossa oncologista, aconselhou-nos a iniciarmos imediatamente o tratamento com quimioterapia. O tratamento é exaustivo para o paciente, mas poderia curá-lo. Então, estamos tentando. E tem sido horrível ver ele sofrer com essa terapia agressiva.

Tsunade, a chefe da área cirúrgica, liberou-me das minhas funções quando soube do diagnóstico do meu filho. Ela tem sido uma boa pessoa, assim como todos os colegas do hospital. Todos conhecem Daisuke, sempre que ele está no hospital transforma-se no centro das atenções das enfermeiras e médicos. Eles fazem de tudo para que o processo seja o menos doloroso possível. Tentam me fazer ter esperanças e acreditar que ele vai ficar bem. Mas só estão sendo gentis. Eles sabem e eu também, que os últimos resultados dos exames não foram animadores de maneira alguma.

Há momentos que ser médica é a pior coisa do mundo. Esse é um deles. Não posso ter esperanças quando olho para os exames do meu filho e tenho a confirmação de que seu corpo não está respondendo à terapia. Essa foi a primeira vez, em anos, que chorei. E, desde então, escondida de Daisuke, tenho o feito com frequência.

Ao constatar que a quimioterapia não estava tendo o efeito desejado, Shizune, diante da piora do quadro clínico de Daisuke, sugeriu um transplante de medula óssea. Todos fizeram o exame para verificar compatibilidade, mas ninguém conhecido era, nem eu. É claro, havia a fila para transplante, mas a compatibilidade para não aparentados era muito baixa, mesmo assim, tentamos.

Sei que Daisuke não terá muito tempo. Uma fila de transplante pode demorar. Eu não posso esperar, muito menos ele.

Na família, a chance de haver um doador compatível é de aproximadamente 30%. Se Daisuke tivesse um irmão, era muito provável que eles fossem compatíveis. O problema é que não há. Preciso trabalhar com o que eu tenho agora. E sou eu, mais uma pessoa não compatível, e Uchiha Sasuke, o pai de Daisuke que eu não vejo há oito anos.

Desde que fugi de Sasuke, nunca soube mais nada sobre ele, nem procurei saber. Sempre quis manter distância. Foi por isso que mudei de país, deixei todos os meus amigos mais próximos, com exceção de Ino e Gaara, e parti com destino a uma vida nova onde Uchiha Sasuke fazia parte de um passado sombrio, que eu fazia questão de ignorar a existência. Descobrir a gravidez só me fez ficar mais determinada ainda a me manter o mais distante possível de suas mãos.

Uchiha Sasuke, com certeza, não é uma boa pessoa. Ele é perigoso. Não é uma pessoa com a qual se deve procurar encrenca. Na melhor das hipóteses, mexer com o pessoal de Sasuke resulta em algumas costelas quebradas e morte. Na pior delas... Bem, é realmente recomendável nem procurar descobrir.

Mas então, surge a pergunta de um milhão de dólares: “Por que raios você tem um filho com ele?”

Eu tentei, durante muito tempo, não pensar na resposta. Mas um dos principais motivos, bem fúteis na verdade, é que Sasuke é um homem que chama a atenção. Ele é incrivelmente lindo, todo aquele porte atlético, os músculos, os cabelos negros rebeldes, as roupas escuras sofisticadas e caras, faz qualquer mulher olhar duas vezes para ele antes de prosseguir com qualquer coisa que estava por fazer. E nem vou mencionar os tributos do homem quando ele está nu.

Sasuke sempre teve a mulher que quis, na hora que quis. Sempre conseguiu. E aquele seu ar misterioso, sério e sarcástico, silencioso, exalando sedução e testosterona muito contribuiu para suas conquistas. A verdade que o fato de Sasuke ser um cretino, mulherengo insaciável, apenas atraía mais as mulheres. Ele adorava isso. Possuí-las e depois descartá-las. Era famoso por isso.

Porém, o motivo que me levou a fugir dele não foi a sua incrível fama de cafajeste entre as mulheres. Uchiha Sasuke é um dos grandes traficantes de armas e drogas do mundo camuflado por uma carreira exuberante e lucrativa no mundo dos negócios. Ninguém desconfia dele. Seu rosto é famoso por todo o globo. Suas empresas especializadas no ramo petrolífero rendem bilhões. Ele sempre terá um álibi perfeito. Além de que, a influência que ele possui é infinita. Se sabem de seu envolvimento com o mercado negro, o temem o suficiente para não incriminá-lo. Sasuke pode ser bem vingativo e cruel quando o desagradam. Experiência própria. Não é nada agradável presenciar seus ataques de fúria. Nem saudável.

Eu não sabia de toda essa sujeira quando o conheci, exceto a fama do seu apetite sexual. Eu tinha acabado de me formar em medicina, estava em uma casa de shows, divertindo-me com Ino e Hinata, entortando doses de tequila em uma aposta, que ganhei, quando o vi pela primeira vez. Ele estava junto de Gaara, o mais novo, e promissor, namoradinho de Ino. Eu gostava dele, de Gaara. Ele tinha pulso firme, não deixava Ino fazer dele seu capacho. Era muito bonito e atraente, como todos os companheiros que Ino já tivera, mas o seu diferencial é que ele possuía um cérebro além do pênis, e sabia usá-lo, estou falando do cérebro. Sempre soube que Gaara era o cara certo para dar um jeito nas loucuras sem limites da Ino. E ele deu. Pelo menos, no quesito homens.

Sasuke chamou minha atenção na hora. A minha e de todas as mulheres ao nosso redor. Ele pousou os olhos no meu corpo por alguns instantes, deu uma leve batidinha no ombro de Gaara, o que estava livre do enlace de Ino, e sumiu entre a multidão.

Não pensei mais nele pelo resto da noite. Gaara e Ino sumiram em alguma hora da madrugada, provavelmente para um motel. Eram cinco da manhã, eu estava meio bêbada pela primeira vez na vida, e Hinata segurava firmemente meu pulso, com medo de que eu fizesse alguma besteira. O que, logicamente, dado ao meu histórico tenebroso de noitadas que deram errado, aconteceu.

Esbarrei sem querer em um cara. Apenas consigo me lembrar da cor de seus cabelos, eram ruivos. A taça com o drink que ele segurava caiu sob sua camisa de tom escuro, ouvi ele praguejar e erguer o rosto para mandar para a puta que o pariu o babaca causador do estrago, nesse caso, eu. Ele não disse nada quando me viu. A carranca se desfez em um sorriso sarcástico e malicioso com os olhos engolindo descaradamente o meu decote.

– Ei, você é bem gostosa! – pronunciou ele, a voz falhando miseravelmente com a tentativa de sedução.

Eu odiava aquela palavra. Eu não era um pedaço de carne. Ignorei-o e tentei seguir em frente, já que Hinata me puxava desesperada, não sabia o por quê. Mas o engraçadinho puxou o meu braço, me impedindo de prosseguir. Olhei bem para ele, até que era bem bonito. Que desperdício ser um completo idiota.

– Eu falei com você, gata. – sussurrou ele em meu ouvido.

Afastei-me o máximo que seu agarre permitia e o olhei com desprezo. Eu podia estar bêbeda, mas ainda sabia dispensar caras como ele.

– Não sou sua gata.

Ele riu, o que me deixou ainda mais irritada.

– Me solta. – disse calmamente olhando diretamente em seus olhos. Avelã. Seus olhos eram avelãs.

Senti Hinata tremer levemente quando percebeu que o homem ainda segurava meu braço.

– Acho que não. Gostei de você, gata. – ele tentou acariciar meu rosto com a mão livre, mas segurei a sua mão com força.

– Eu disse para você me soltar. – eu estava perto do limite. Paciência nunca foi uma das minhas virtudes. Mas eu tinha um ótimo gancho de direita.

– Hum, a gatinha é feroz, gosto disso. – Meu Kami, aquele homem me enojava.

Ele tentou me beijar a força e aquilo foi o estopim para eu dar um basta em toda aquela palhaçada. Era exagero, eu sei, culpo o álcool. Dei um soco tão forte nele que ele chegou a dar um dois passos para trás. A multidão que ainda restava nos observava como leões ávidos por sangue. Meus dedos raquíticos gritavam de dor e Hinata estava apavorada.

– Ah, porra, isso doeu. – gemi, flexionando meus dedos.

– Sakura, sua louca, você não sabe o que você fez! – ela sussurrou, a voz estrangulada de medo. – Você não tem ideia de quem ele é! Não devia ter feito...

Ela gritou. Voltei a olhar para o idiota que agora vinha em minha direção, completamente irado, surpreendendo-me quando Sasuke parou na minha frente e apenas olhou para o babaca conquistador o fazendo parar imediatamente.

– Já chega, Sasori, a garota não quer saber de você. Acho que ela já deixou bem claro.

Prendi a respiração. A tensão entre os dois era evidente. Algo me dizia que aquilo nada tinha a ver com a intervenção de Sasuke em minha defesa. O tal Sasori me deu uma ultima olhada e voltou a fixar seus olhos em meu defensor.

– Isso não vai ficar assim, Uchiha. – grunhiu ele e saiu andando calmamente, as pessoas abriam espaço para lhe dar passagem, só então percebi que ele podia ser alguém importante.

Hinata puxou meu braço novamente. Não sei por quê ela estava com tanto medo. Afinal, o perigo já tinha passado.

No mesmo instante Sasuke se virou para nos observar. Seus olhos pousaram em Hinata e ele deu um leve sorriso. Não gostei dele. Era maldoso.

– Arrumando confusão, Hinata? O que Neji diria disso? – ele nem esperou ela dar uma resposta e voltou a sua atenção para mim. – E você, belo soco de direita.

Seus olhos negros me prendiam. Eles eram cheios de luxúria e mistério.

Mas havia algo nele, ou em mim, que dizia que era melhor manter distância.

Desviei de seu olhar e segurei a mão de Hinata, agora estava mais sóbria do que nunca.

– Vamos embora.

Hinata me encarou, totalmente pasma, e começou a me seguir. Senti uma mão firme na base das minhas costas, era quente e possessiva.

– Eu levo vocês. – disse Sasuke, guiando-me pela porta de saída, com Hinata ao nosso lado.

Eu parei imediatamente. Eu não o conhecia. Não tinha ideia de quem ele era. Ele não ia me levar para casa.

– Não, você não vai. Nós temos um carro e somos bem crescidinhas, sabemos o caminho de casa.

Ele olhou no fundo dos meus olhos, buscando algo que eu não tinha a menor ideia do que era, e seus lábios formaram uma linha rígida, eu o havia irritado.

– Não foi uma sugestão.

Hinata segurou minha mão firmemente.

– Faça o que ele disse, Sakura. – sussurrou ela novamente. – Você acabou de arrumar confusão com um cara perigoso, é melhor que Sasuke nos leve. Apesar de eu não gostar nenhum pouco disso.

– Mas o meu carro...

– Um dos meus funcionários o levará para você. – interrompeu-me Sasuke, parando na frente de um carro de luxo preto, que eu não reconheci.

Ele abriu a porta para mim e Hinata entrarmos, fazendo questão de que eu sentasse no banco do passageiro, ao seu lado. Antes de dar a partida, percebi que ele deu uma boa olhada nas minhas pernas, avaliando-as com aqueles olhos tão profundamente tentadores. Estremeci. Ele percebeu e sorriu, novamente aquele sorrisinho sarcástico.

– Qual é o seu endereço?

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Hinata fechou a porta e trancou-a imediatamente. Suspirando aliviada.

Havia algo errado. Percebi durante o percurso até minha casa, que Hinata tinha pavor de Sasuke.

– O que está acontecendo, Hina? Por que você está tão assustada?

Ela desabou no sofá, já tirando as sandálias de salto altíssimos.

– Ah, Sakura, fique longe dele, para o seu próprio bem.

Olhei para ela, totalmente confusa. Sentei ao seu lado, também tirando os sapatos de salto, e massageando-os. Porcaria de torturadores de mulheres.

– Não estou entendendo.

– Ah, não se faça de inocente. Vi como você olhou para ele. Você não quer isso, Sakura. Uchiha Sasuke não é flor que se cheire.

Foi só então que me dei conta de quem era Sasuke, o famoso empresário cretino que tratava as mulheres como descartáveis.

– Tudo bem, já entendi.

Ela suspirou e segurou minhas mãos.

– Espero que tenha entendido mesmo, Saky. Ele virá atrás de você.

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Aquele foi o meu primeiro contato com Uchiha Sasuke. Jamais pensei que Hinata falava sério quando disse que ele viria atrás de mim. Devia tê-la ouvido. Mas um Uchiha não gosta de ser ignorado e eu fora fraca. A verdade era que Hinata sabia mais do que muitos sabiam sobre a verdadeira face de Sasuke. Ela apenas queria me proteger. Mas não posso lamentar minhas escolhas, elas me trouxeram Daisuke e sou extremamente grata por isso.

Termino de arrumar minha pequena mala de viagem. Daisuke ficará na casa de Ino na minha ausência. Ele está no sentado no sofá, esperando-me para irmos.

Sento ao seu lado e o puxo para meu colo.

– Vou voltar o mais rápido possível. – digo beijando sua cabeça, já sem os fios negros que eu tanto amava. – Não apronte nada, está bem?

Ele me encara, seus olhos são tão brilhantes, tão vivos.

– Eu não apronto, mãe. Sou um bom menino.

Eu rio e o abraço mais forte, com cuidado para não machucá-lo. Ele está tão frágil, perdeu tanto peso.

– Eu sei. – distribuo beijos por todo o seu rosto. Sei que ele detesta.

– Ah, mãe, para, que nojo! – ele resmunga, mas sorri, e para mim, aquele é o sorriso mais lindo do mundo.

Notas finais
E aí, o que acham?