Surpresas da vida
21 Faz tanto tempo
Notas iniciais
Eu ainda suava quando o elevador chegou ao térreo. Estava confusa demais com toda aquela conversa. Com todo aquele turbilhão de sentimentos que, de uma hora para a outra, resolveram dar o ar da graça e me enlouquecer ainda mais.
O que eu estou sentindo?
No entanto, quando as portas se abrem e saio que nem uma destrambelhada, definitivamente, dou de cara com o imprevisto. Porque, com certeza, eu não esperava encontrar um Sasuke levemente suado e ofegante do lado de fora do elevador, não mesmo.
– Ainda não terminamos nossa conversa.
E sem dizer mais nada, e ainda com aqueles olhos negros que faziam minhas estruturas definitivamente tremerem, ele matou a distância que havia entre nós, puxou meus cabelos com força, e me beijou. Beijou-me daquele jeito que apenas ele sabia fazer. Fazendo-me sentir coisas que apenas ele conseguia fazer-me sentir.
E de repente, tudo parecia certo.
Quando minhas costas bateram bruscamente contra as paredes do elevador, não me importei. Nem mesmo quando Sasuke clicou no botão que nos levaria novamente para o seu apartamento. Eu só queria senti-lo, porque no momento em que nossos lábios se encontraram novamente, eu percebi quanta saudade eu tinha sentido. Que o tempo que passara fora tempo demais. E o gosto de sua boca na minha era maravilhoso o bastante para eu não voltar a pensar nas consequências.
Ele abraçou meu corpo com força e encostou sua testa na minha. Seu olhar era cheio de desejo e promessas.
– Diga de novo. – sua voz ainda estava ofegante, mas o tom era de comando.
– Dizer o quê?
Ele franze os lábios e puxa meus cabelos de leve.
– Não se faça de estúpida.
Eu rio e abraço suas costas, roçando meus lábios nos seus.
– Sem chance, Uchiha. Aquela foi a primeira e última vez que disse aquilo para um homem. Já teve sua declaração. Meu orgulho só vai até aí.
Ele me beija novamente. Com fome. E Kami, com tanta saudade. A língua quente e sagaz se enfia na minha boca e meu corpo inteiro treme com a sensação. Puxo seus cabelos sedosos e rebeldes e ele aperta minhas coxas com força, puxando-as para cima e enlaçando-as em sua cintura quando o elevador finalmente chega em seu andar.
Ele me leva até seu quarto. Suas mãos apertam minha bunda com força, e eu gemo e me esfrego contra sua ereção já aparente e mordo seu lábio inferior, chupando-o em seguida.
Meu corpo bate com força contra o colchão, mas nossos corpos continuam grudados. Eu tiro sua camisa enquanto ele chupa a pele sensível do meu pescoço. E não dou a mínima se amanhã eu estiver toda marcada. O que me importa agora é sentir.
– Seu cheiro continua o mesmo. – ele sussurra rouco contra a minha pele.
Giro nossos corpos e fico por cima dessa vez. Aproximo meu rosto do seu, tão perto que nossos narizes se encostam. Nossas respirações misturam-se, enquanto nossas almas se reconhecem, e nossos corpos se saúdam depois de oito anos.
– Eu não fiz aquilo, Sasuke. Eu juro.
Seus olhos ônix me fitam com intensidade. Estranhamente não há raiva ali. Ainda há mágoa, luxúria e fome. Mas o ódio homicida de antes sumira. Tinha partido e eu gostei disso. Realmente.
Sinto suas mãos apertarem minha cintura. O toque é quente e seguro.
– Eu sei. Agora eu sei.
Olho para ele confusa. Ele acredita em mim? É isso mesmo?
– A Sakura que eu conheço não diria aquilo. – ele suspira. – Mas mesmo assim você disse. Acredito em você.
Coloco minhas mãos em seu rosto e quase não posso acreditar no que estou ouvindo.
– Ah, Sasuke-kun...
Beijo-o com sede. Louca para senti-lo. Desço meus lábios pelo seu corpo e beijo e mordo seu pescoço com vontade, sentindo sua pele se arrepiar sob meus dedos, e seu pau ficar ainda mais duro em suas calças. Meus lábios ainda descem, minha língua acaricia seu mamilo e sinto ele se contorcer abaixo de mim. Suas mão grandes e fortes apertam minha bunda e puxam meus quadris para que se esfreguem com mais força contra seu membro inchado. O atrito faz nós dois gemermos.
Tiramos nossas roupas com pressa. Já faz tempo demais. E a saudade que perpassa nossos corpos é de enlouquecer. E quer sucumbir à loucura.
Já faz tanto tempo...
Sasuke chupa meu seio esquerdo com força e aperto os lençóis devido ao prazer direcionado diretamente para o meio de minhas pernas. Minha mão vai até o seu membro duro e grosso e sinto-o estremecer com meu aperto.
Ele parece não aguentar mais. Sua mão vai até a minha intimidade e ele respira fundo quando sente que estou mais do que pronta para recebê-lo.
Sua perna separa com rapidez as minhas enquanto ele encaixa seu quadril entre elas. A cabeça de seu pênis acaricia meu clitóris e eu quase gozo com aquele contato.
– Ah, Sasuke... Por favor...
Sinto seu sorriso sob minha pele. Ele volta a fixar seus olhos nos meus e me beija. Com carinho. E então me penetra com uma estocada rápida e precisa, que me faz ficar sem fôlego e depois gemer em êxtase. A sensação é... Inexplicável.
Ele não se move e sei que assim como eu ele está desfrutando a sensação de ter nossos corpos novamente conectados. É indescritível. Sinto-me queimar.
– Porra, como é bom sentir isso de novo. – ele respira com dificuldade. Sei que não precisará de muito para gozarmos, porque é a primeira vez de muito tempo e não vamos conseguir nos controlar. Não queremos nos controlar. Não agora. E quem sabe, talvez nunca mais. – Ah, Sakura, você me fodeu quando fugiu...
Beijo seus lábios com desespero.
– Eu sei, me desculpe. Me desculpe. – digo ainda entre os beijos. – Eu estava tão apavorada... Eu... Ah, Sasuke, eu nunca pensei que... Droga, me desculpe. Fui covarde. Eu sou covarde. E medrosa. E...
– Shiuuu. – ele sussurra nos meus lábios, beijando-os em seguida. – Você sabe como foder a vida de um homem, isso é verdade. Você detonou a minha, Sakura. E fugiu. Droga! – ele suspira, e eu gemo quando seu corpo se mexe levemente e seu pênis acaricia meus tecidos sensíveis. – Você sempre foge. Mas você é mais forte do que imagina. E está aqui agora. Depois de tanto tempo, você finalmente veio.
– Me desculpe...
Ele me beija com uma paixão desenfreada. Aquele tipo de beijo que deixar qualquer mulher de pernas bambas e momentaneamente desorientada.
Então ele começa a se mover. Com força. Quase brutalmente. Como antes, e, ainda assim, parece melhor. Metendo com necessidade, apertando minha bunda e trazendo meu corpo para mais junto do seu, para senti-lo em toda sua extensão, em toda sua fome. Porque agora sabemos que machucamos e fomos machucados. Agora sentimos e sabemos como nos sentimos. Sabemos como foi. Eu arranho suas costas e aquilo parece excitá-lo ainda mais. Ele vai fundo e seu saco pesado bate na minha bunda, elevando a minha temperatura e descarregando toda sua eletricidade em meu sistema já em colapso. E o impacto entre nossos quadris balança meu corpo e os meus seios, que ele beija e morde tão faminto quanto eu. Tão necessitado do meu corpo quanto o meu por ele.
– Caralho, caralho, caralho! – repete ele enquanto mete em mim com agilidade e precisão, deixando-me a beira do orgasmo.
Ele sai de dentro de mim bruscamente e gemo frustrada. Mas ele apenas fica de pé puxando-me junto com ele para depois prender meu corpo contra a parede com brusquidão, erguendo minha perna e voltando a me penetrar com ainda mais força. Com mais afinco. Com tudo. Seu pau desliza para dentro de mim com uma rapidez absurda, com violência, como uma punição por fazê-lo esperar tanto. Suas estocadas são profundas e sua pélvis batendo em meu clitóris faz meu interior pulsar, ficando ainda mais molhada para receber suas investidas, todo meu corpo tremer e minha perna presa à sua cintura firme puxá-lo para mais perto. Mais para dentro. Ainda mais desejosa. Estou em meu limite, falta tão pouco...
– Isso... Ah, Sasu...
Eu gozo, não aguentando mais. O orgasmo é tão intenso que minha mente fica nublada por alguns segundos e arranho suas costas com vontade, sem me importar se isso machucará a sua pele. No momento, não consigo controlar meu corpo e, muito menos, meus atos. Meus músculos vaginais apertam o membro de Sasuke com força, estrangulando seu pau que está mais duro do que nunca, extremamente inchado e quente. E ele também se deixa levar, gozando dentro de mim, derramando-se quente e forte, intensamente enquanto nossos corpos suados caem sobre a cama exaustos. Mas não saciados. E, quem sabe, jamais.
Abraço seu corpo ofegante em cima de mim. E espero até nossas respirações normalizarem. Ele não se move, mostrando que não afastará nossos corpos, que continuará enterrado em mim, sentindo nossos fluídos escorrerem pelas minhas pernas. E minha intimidade ainda pulsar ao redor de seu membro. Eu não me importo com seu peso sob meu corpo, nunca me importei. Ele sabe que eu aguento, que gosto disso, de estar conectada a ele mesmo depois de tudo acabar. E ele também gosta. Tudo fica tão mais íntimo. Tão mais nosso.
Acaricio suas costas e sinto os vergões que minhas unhas deixaram em sua pele sob meus dedos. Mas também não me importo. Sempre fiz isso quando chegava ao meu limite e Sasuke nunca reclamou. Na verdade, suspeito que ele até apreciava me ver tão louca de tesão ao ponto de machucá-lo.
Puxo seus cabelos de leve, fazendo com que ele levante a cabeça o suficiente para que eu possa beijar seus lábios. Ele corresponde no mesmo ritmo. Sua língua explora a minha boca e me estremeço toda, e a sensação é ainda melhor quando sinto seu pau ainda dentro de mim. Mas entre os beijos, consigo raciocinar por um momento, e lembro-me de um pequeno, mas relevante detalhe.
– Sasuke...
Ele não deixa de me beijar. Seus braços estão ao lado da minha cabeça, dando-me uma bela imagem de seus bíceps flexionados, enquanto seus lábios exploram a minha boca.
– Sasuke... Droga... Pare... Seu pé...
Ele suspira e desgruda seus lábios dos meus. O sorriso de canto estampa seus lábios inchados pelos meus beijos.
– Estou nu em cima de você, Sakura. Meu pau ainda está dentro de você. Duro. Pronto para a próxima. Então, por que raios, você está falando sobre o meu pé?
Pisco, meio aturdida por suas palavras diretas e quentes. Quase me esquecendo porque interrompi seus beijos.
– Você desceu aquelas escadas, provavelmente correndo, para me agarrar quando saí daquele elevador. – ele me olha confuso, não entendendo onde quero chegar. — Seu pé, imbecil! Você cortou o seu pé. Deve estar sangrando de novo, e doendo para cacete. E sujando todo o lençol. Deixe-me dar uma olhada...
Ele balança a cabeça, nem um pouco preocupado.
– Meu pé está bem, Sakura. – ele desce a cabeça e chupa o meu mamilo com uma lentidão torturante. – Mas outra coisa está doendo.
Sasuke move-se um pouco, fazendo-me sentir seu pênis ereto novamente ainda dentro de mim. Não consigo evitar e gemo.
– Entende? – ele ainda ousa perguntar. Claramente divertido, porém, cheio de luxúria nos olhos.
E, então, eu decido livrá-lo daquele tipo de dor.
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– Sasuke... – murmuro algum tempo depois. Estou suada e exausta, o suficiente para finalmente fechar os olhos e dormir de verdade por algumas horas, para depois voltar ao hospital.
Estamos abraçados. Minhas costas estão apoiadas sob seu peito forte e seus braços envolvem a minha cintura. Sua mão acaricia a curvatura de meu seio esquerdo enquanto a outra entrelaça meus dedos.
– Hum...
– Você teria... Você realmente teria me matado se eu tivesse ficado?
Ele suspira, mas não para suas carícias.
– Eu não sei. Talvez. Eu... fiquei louco quando soube.
Aperto sua mão com força.
– Armaram para mim, Sasuke. Aquelas fotos... Não sei o que tem nelas. Mas eu nunca faria isso com você.
Sinto Sasuke roçar seus lábios em meu cabelos e suspirar novamente.
– Agora eu sei. Mas antes... Eu não tinha certeza. Você era tão independente... Um desafio completo. Eu não podia te controlar. Você nunca foi submissa, isso me enlouquecia. E motivava. Porque eu queria domar você. Achava que assim aquilo que eu sentia passaria. Que essa necessidade passaria. Mas não aconteceu. Nunca soube o que você pensava.
– Desculpe.
Seus braços me apertam com mais força.
– Mas ainda estou puto por você ter me escondido Daisuke. Está certo que o que faço não é certo, mas eu tinha o direito de saber que ele existia. Eu sou o pai dele. Você não me deu a porra da oportunidade.
Estremeço com sua repentina explosão e frieza, mas eu merecia. Todos tem sua parcela de culpa, e eu também tinha a minha, é claro.
– Eu nunca soube que você queria ter filhos.
– E eu não queria. Mas... Queria ser pai dos seus.
Viro meu corpo e abraço seu pescoço. Sinto seus cheiro, nossas essências misturadas, o cheiro do sexo intenso que tivemos.
– Ah, Sasuke-kun... Estraguei tudo, não foi?
– É, você fez. Escolheu ser assim.
Minhas mãos acariciam seus cabelos enquanto ele ainda abraça meu corpo, me aquecendo e me acariciando.
– Ah, Sasuke, estou com tanto medo. Daisuke... Os exames chegarão a qualquer momento... tenho medo dos resultados... – já estou chorando. Molhando a pele quente e suada de Sasuke. Mas ele não se importa e, de alguma forma, sei que agora ele sente a mesma coisa. Ele também é pai de Daisuke. – Eu amo tanto meu menininho, Sasuke. Tanto. Não posso, não aguento mais vê-lo sofrer tanto. Ele é tão forte. Tão corajoso. Tão valente. Mas está tão doente... Eu... Ah, Sasuke, por que tudo tem que ser tão cruel? Por que o meu menininho?
Eu soluço e sinto Sasuke beijar meu pescoço, tentando passar algum conforto. Porém, sinto que agora ele compartilha de minha dor. De alguma forma, sei que ele também já o ama. E sofre ao ver Daisuke sofrendo.
Sasuke não diz nada, apenas continua mantendo seus braços firmemente ao meu redor. O que é ótimo, porque sinto que posso me despedaçar a qualquer momento e agradeço por ele evitar que isso aconteça.
Sasuke não diz nada. Porque não há nada a ser dito. Conheço as probabilidades. E Sasuke nunca foi um homem de fé. Serei eternamente grata por ele não tentar me animar com palavras vãs, só para que eu pare com o derramamento de lágrimas. Então ele apenas permanece ali, amparando o meu pranto, tão perdido quanto eu, tentando ter esperanças e acreditar que nosso filho encontre a cura e se recupere. Porque é isso que os pais fazem. Eles acreditam. Mesmo que neguem e tentem, como eu, se apegar às probabilidades. Eles acreditam.
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