Surpresas da vida
4 Explicações
Notas iniciais
Desço da cama com cuidado. No menor descuido Sasuke pode virar o jogo. Não movo a arma um milímetro, ela ainda está apontada em direção do crânio de Sasuke.
Ele apenas me observa, nenhum pouco intimidado.
– Vocês duas, — falo para as garotas nuas que me encaram surpresas. – para o banheiro. Não saiam de lá.
A de cabelos curtos parece bem assustada. Ela acata minha ordem imediatamente. Mas a ruiva permanece no mesmo lugar, indiferente a sua nudez, me olhando em desafio.
– Você é surda? – minha voz tem uma pontada de irritação. Definitivamente não gostei daquela piranha.
Ela olha rapidamente para Sasuke e depois volta seus olhos para mim.
– Karin, faça o que ela diz. – a voz dele ecoa pelo quarto. Exatamente como eu me lembrava. É fria e forte, há algo nela que faz com que você queira ouvi-lo.
A ruiva vai para o banheiro também, não antes de me dar uma boa encarada. Tive tanta vontade de meter um tiro na fuça dela... Porém, não estou ali para arrumar confusão.
Assim que ela sai Sasuke levanta da cama calmamente. Gloriosamente nu. Evito olhar para o que há abaixo da sua cintura e mantenho meus olhos nos dele. Ele vai até um pequeno sofá e pega a calça que estava ali jogada. A veste sem nem ao menos se preocupar se posso estourar seus miolos. Sabe que não vou fazer isso. Ele sabe que estou ali por algum motivo. Sabe que preciso dele.
Após abotoar a calça, ele volta a me encarar. O tronco nu. Extremamente tentador. Não posso negar, Sasuke é um maldito demônio sexy. Seus olhos voltam a analisar os meus. Esperando que eu fale alguma coisa.
– Precisamos conversar.
Ele sorri, um sorriso de escárnio, um sorriso maldoso. Eu vacilo por um segundo, conheço muito bem aquele sorriso.
Ele é mais rápido do que eu. Ele vem para cima de mim e consegue tirar a arma de minha posse, dando uma cotovelada no lado direito de meu rosto. Trinco os dentes pela dor e sinto o sabor metálico de sangue eu minha boca. Revido dando outro soco nele atingindo-o em cheio. Aquilo o deixa muito irritado. Tento socá-lo novamente, mas dessa vez ele desvia imobilizando meu braço no processo. Quando menos percebo já estou no chão e suas mãos grandes e quentes agarram meu pescoço famintas. O oxigênio se torna escasso. Meus pulmões gritam desejosos por uma lufada de ar. Merda, isso dói. Minha visão começa a perder foco. Provavelmente estou ficando roxa. Vou morrer, sinto que estou morrendo. Mas não posso permitir que isso aconteça. Daisuke precisa de mim. Meu filho precisa de um maldito transplante de medula óssea e o homem que está me matando sufocada é minha última esperança de encontrar alguém compatível. Avisto com dificuldade um sapato de salto altíssimo meia pata. Não hesito ao pegá-lo e acertar Sasuke com meus últimos resquícios de força. Parece o suficiente, porque isso faz ele afastar minimamente suas mãos de mim, dando-me uma brecha para escapar de sua ira assassina. Empurro meus quadris para cima e junto meus cotovelos acertando em cheio o peito de Sasuke, fazendo-o sair de cima de mim. Mas assim que tento me afastar dele, ele alcança meus cabelos batendo minha cabeça com força no chão, me deixando desnorteada.
Ouço a porta abrir com brusquidão e então alguém grita o nome de Sasuke.
Ele continua a bater minha cabeça no chão. Está concentrado nessa tarefa. Não vai parar até que eu morra.
– Sasuke! Kami, pare, você vai matá-la! – a voz grita desesperada. – Teme, seu filho da mãe, pare com isso, você não quer isso nas suas costas!
Repentinamente, Sasuke para com o ataque. Sei que estou sangrando. Sinto um zumbido irritante na minha cabeça e nem vou mencionar a dor. Estou ofegante e o sangue em minha boca está me dando náuseas.
Levanto-me do chão com dificuldades. Mas acho que não quebrei nada. Olho para a pessoa que interveio ao meu socorro. Só podia ser Naruto. Seus cabelos loiros estão bagunçados e seus intensos olhos azuis me olham preocupados. Ele segura o braço direito de Sasuke com força.
O Uchiha está ofegante, há um pouco de sangue saindo de sua boca também. Ele olha para mim intensamente, parece desejar me matar apenas com aquele olhar.
– Tire essa cadela daqui, Naruto. – sua voz rouca está carregada de ódio e nojo.
Naruto vem até mim e tenta me tirar do quarto. Sasuke está indo para o banheiro, sequer olha para trás. Percebo que se sair daquele quarto nunca mais terei a chance de falar com ele. Não poderei salvar meu filho. Não. Não. Não.
– Sasuke! – grito indo em direção a ele. Naruto me segura com força. Ele não vai permitir que eu me aproxime.
– Por Kami, Sakura! Pare com isso! Ele vai te matar, sua idiota!
Debato-me em seu enlace. Sasuke está chegando ao banheiro e Naruto está me arrastando para porta.
Preciso falar com ele. Não posso falhar. Cheguei tão perto.
Respiro fundo e grito. Preciso que ele me escute. Tenho que salvar meu filho.
– Eu estava grávida! – Naruto congela no mesmo instante. Estou ofegante. Minhas palavras fazem Sasuke parar de andar imediatamente. – Quando fui embora, eu estava grávida, Sasuke. – minha voz agora sai ainda ofegante, mas já não estou mais gritando
Eu encaro suas costas definidas. Os músculos bem desenhados. O enorme dragão negro tatuado desde seu ombro esquerdo até a base da sua coluna. Ele está tenso.
– Solte-a, Naruto.
– Sasuke...
Ele se vira lentamente, os olhos negros estão sérios.
– Karin, Rin, saiam.
Na mesma hora as duas mulheres saem do banheiro, ainda estão nuas. Elas param na frente de Sasuke esperando suas ordens.
– Sumam daqui.
As duas na mesma hora buscam por suas roupas e saem do quarto sem dar um pio. Até mesmo a ruiva. Vadia, quer dizer que Sasuke você obedece?
Naruto lentamente solta meus braços. Minha respiração finalmente normalizou.
– Nos deixe sozinhos, Naruto.
– Sem chance.
Olho para Naruto. Sei que ele está preocupado, ele teme que Sasuke termine o serviço e acabe comigo. Entretanto, é minha única oportunidade. Consegui fazer ele hesitar. Ele quer ouvir o que tenho a dizer.
– Naruto, por favor. Vai ficar tudo bem. – digo para ele, mesmo não tendo ideia do que Sasuke vai fazer comigo. Esse assunto, o que tenho para falar para Sasuke, é só meu e dele.
Naruto suspira e dá um soco na porta, claramente irritado.
– Merda! Se ele fizer alguma coisa contra você a culpa é toda sua!
Ele sai, batendo a porta atrás de si. Volto minha atenção para Sasuke. Ele me observa.
– Grávida? – ele vai até uma pequena mesa retrô no quarto onde há um litro de uísque e alguns copos. Ele enche um pela metade e o bebe. Nunca desvia seus olhos dos meus. – Posso saber quem era o pai?
Ele está com aquele sorrisinho novamente. Tenho que cuidar com as palavras. Mas como assim “quem é o pai?”, ele só pode estar brincando.
– Você sabe muito bem quem é o pai, Sasuke. Não se faça de desentendido. Não tenho tempo para isso.
Ele toma mais um gole da bebida. Totalmente calmo. O sangue ainda está no canto de sua boca.
– Não, eu não sei. Você é uma vadia, dissimulada, falsa. Não confio em você. Então me diz logo porque você está aqui, porque está falando sobre essa porra de gravidez para mim, antes que eu quebre esse seu maldito pescoço.
Kami, ele nem acha que é o pai. Como ele pode dizer isso?
– É claro que você é o pai. Transamos varias vezes sem proteção alguma. Era óbvio que isso ia acabar acontecendo. – respiro fundo. – Você sabe que só transei com você.
Seus dedos apertam o corpo com força, até eles ficarem brancos.
– Ah, é mesmo?
Eu o encaro. Não estou entendo porra nenhuma. Da maneira que ele fala, ele faz parecer que eu o trai. Kami, ele está me testando, torturando psicologicamente, só pode ser isso.
De repente, me sinto exausta. Começo a sentir todos os ferimentos daquele confronto. Passo minha mão pela boca e quando olho para ela vejo sangue. Todo meu corpo começa a tremer. E parece que toda a tensão do ultimo mês finalmente me alcançou.
Sento no pequeno sofá, o mesmo em que Sasuke pegou a calça, e coloco as minhas mãos no rosto. Tudo está dando tão errado. Kami, por que comigo? Por que meu filho? Imagens de Daisuke invadem meus pensamentos. Já estou com tanta saudade. Tremo ainda mais ao pensar que nesse momento ele pode estar no hospital tendo mais uma de suas frequentes recaídas, sentindo dores terríveis e tentando mostrar que aquilo não é nada. Que ele aguenta, porque ele é um menino forte. Mas ele é apenas uma criança. Ele é o meu menino. Isso tudo é tão injusto. Tão cruel. Ele é só uma criança.
– Ele está morrendo. – sussurro. Minhas lágrimas deixam o sangue em minhas mãos em um tom rosado.
– Você está chorando? – ele parece quase perplexo. – Você nunca chora.
Sei o que ele quer dizer. Antes da descoberta da doença de Daisuke, eu nunca mais havia chorado. Fazia anos que as lágrimas não banhavam o meu rosto. Sasuke sempre falara que aquilo era uma das minhas qualidades. Ele não suportava mulheres chorosas.
– Ele está morrendo, Sasuke. – repito, dessa vez minha voz soa mais firme. – Meu filho está morrendo. Por isso estou aqui.
Vejo um pequeno brilho de surpresa em seus olhos, mas ele some tão rápido que começo achar que o imaginei.
Enxugo meus olhos e respiro fundo algumas vezes.
– Ele tem linfoma não Hodgkin. Um tipo agressivo. Tentamos quimioterapia, mas o corpo dele não está respondendo ao tratamento. – minhas mãos estão tremendo. – Então a oncologista sugeriu uma ultima alternativa, transplante de medula óssea. Mas não sou compatível. Conheço o banco de transplante, sei que eles não vão encontrar alguém compatível a tempo. Ninguém é. Mas há uma pequena chance...
– De que o pai seja.
Seu olhar é profundo. Ele está sério. Está prestando atenção no que eu digo.
– Sim, o pai pode ser compatível.
– E Itachi?
Suspiro.
– As chances são ainda menores. Itachi é seu irmão, se nós que somos os pais não somos, duvido muito que ele seja.
Ele toma mais um gole do uísque.
– Você está falando sério.
– É a vida do meu filho que estou discutindo com você, Sasuke, é claro que é sério.
Ele toma o resto da bebida em um só gole. Está calmo, é o que ele aparenta, mas o conheço bem o suficiente para saber que seu cérebro de gênio está a mil. Anda até a mesinha novamente, enche o copo e bebe tudo em uma só vez. Sempre achei incrível sua capacidade de beber muito e nunca ficar embriagado. Vira-se para mim e sua energia é novamente assassina.
– Mas que porra, Sakura, um filho! – seus olhos faíscam e sei exatamente por quê. Sasuke odeia crianças. Tremo ao ouvir ele pronunciar pela primeira vez o meu nome. – Por que escondeu isso de mim?
– Você sabe exatamente porque eu fiz isso.
Levanto e ando lentamente até onde ele está. Chego bem perto. Ele não se move, apenas me observa com aqueles olhos perturbadores. Tão negros. Sinto seu cheiro. Tem sua essência máscula, mas também cheira a bebida cara, sangue e sexo.
– Pedi uma única vez algo para você e você nunca me deu ouvidos. – minha voz é baixa, calma. Preciso convencê-lo. – Peço algo que para mim é muito mais importante agora. Preciso que você faça o exame de compatibilidade. Preciso saber se você é compatível. E se for, imploro que você o salve.
Ele me analisa. Estamos tão perto que nossas respirações se misturam. Ele procura algo em meus olhos. Seu olhar é tão intenso. E sei que ele encontrou alguma coisa, não tenho ideia do que seja, mas isso o faz tomar uma decisão.
Sasuke vai até o criado mudo ao lado da cama e pega o celular. Digita alguns números e faz a chamada.
Seu olhar ainda está cravado no meu. Não desvia nem por um instante.
– Juugo, prepare o avião. Preciso dele.
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