Surpresas da vida

11 De que lado você está?


Notas iniciais
Eu sei, sei. Duas semanas sem escrever. Desculpa. Sei como é horrível, mas realmente não estava com animo para escrever e nem sabia como fazer esse capítulo. Já vou avisando, é pequeno (sei que vocês odeiam), mas é necessário, pois nesse capítulo surgirão o começo de algumas das respostas de todo o mistério que envolve o passado de Sakura com Sasuke, portanto, capítulo decisivo. Deixem seus comentários, sugestões e me deixem bem animada para escrever com uma linda recomendação. Por favor. É isso aí. Boa leitura! Ah, o próximo capítulo promete!

– Ele está febril.

– Sim, Sakura. Mas, você sabe, é normal que isso...

– Eu sei, Sihizune. – suspiro, nem sabendo porque estou tão irritada. – Desculpe. Estou nervosa. – ótimo, agora estou sendo uma ogra com as pessoas que só querem ajudar a mim e ao meu filho. – Sei como funciona o procedimento. Só estou nervosa. Preocupada. Desculpe mesmo, Shizune, estou descontando em você. É que estou contando com os resultados desse transplante.

Minhas mãos estão apoiadas no vidro de isolamento. Estão levemente suadas e deixam o vidro com um aspecto nojento, mas não me importo. Através dele vejo meu gigante lutador com o pequeno e delicado rosto infantil molhado de suor. A medicação para a febre já foi ministrada, porém, meu coração ainda está apertado. Odeio vê-lo nesse estado e não poder fazer absolutamente nada. É tão frustrante, tão difícil. Sinto-me de mão atadas, uma completa inútil naufragando em um oceano gelado de incertezas.

A mão de Shizune acaricia meu ombro. Seu toque é suave, quer reconfortar.

– Todos nós estamos, Sakura.

Ela parte, deixando- me só, afinal ela está trabalhando.

Meu filho está dormindo, totalmente dopado pelos remédios. Já faz dois dias que ele está assim. Eu sei como funciona o processo pós transplante. Seu corpo cansado precisa de repouso. O tratamento é lento e os resultados incertos.

– Como estamos?

Viro-me para a voz que é uma das poucas capazes de desviar-me dos meus pensamentos cheios de preocupações.

– Na mesma, Gaara.

Ele passa o braço pelos meus ombros frios e observa comigo o nosso bom menino. Apoio minha cabeça em seu peito e pensa como seria bom se meu garotinho fosse uma criança como as outras. Saudável. Brincando em um parquinho e ralando o joelho no cascalho. Subindo em árvores e indo dormir na casa de algum amigo da escola. Sinto-me revoltada quando vejo que esse câncer, que pegou a todos de surpresa, acabou com todas essas possibilidades.

– Ele vai ficar bem. – a voz do meu amigo é baixa, não sei ao certo se ele diz aquelas palavras para convencer a mim ou a ele.

Analisei Daisuke, o corpo ligado a aparelhos que monitoram seu quadro clínico. Ele parece tão vulnerável. Não parece bem.

– Estou com medo, Gaara. Essa é a última carta que tínhamos na manga. Se não funcionar...

Os braços fortes de Gaara viram meu corpo, fazendo com que eu fique frente a frente com ele.

– Pare agora. Temos que ser positivos.

Eu sorrio. É um sorriso horrível, amarelo, aquele sorriso triste de quem está cansado, mas ainda assim, um sorriso.

– Você está falando como a sua esposa. Acho que finalmente ela conseguiu te dobrar.

Ele franze o cenho.

– Não mesmo. – mas não parece acreditar muito no que diz.

Estou brincando, é claro. Se existe alguém no mundo que consegue fazer Ino hesitar em suas costumeiras loucuras, esse alguém, com certeza, é Gaara.

Ele passa as mãos nos meus braços e olha para mim irritado.

– Kami! Você está gelada, Sakura. – ele suspira, claramente cansado das minhas imprudências comigo mesma. – Vamos tomar um café, já que ir para casa dormir você se recusa.

– Não é bem assim...

– Ah, não? – pergunta ele cinicamente enquanto caminhamos em direção à cantina do hospital. – Sabe, você pode até conseguir enganar Ino dizendo que está bem, que tem ido para casa todos os dias e dormido por pelo menos quatro horas, mas a mim, Sakura, você não engana. Sei que só tem passado em casa para tomar banho e trocar de roupas. Isso vai acabar com você.

– É meu filho ali, Gaara. – fico brava por sua repreensão. – Se fosse Yume no lugar de Daisuke você faria a mesma coisa.

Ele paga por nossos cafés e vamos até uma mesa que está desocupada.

– É, talvez. – ele parece pensar bem no que dizer. – Mas se eu agisse assim sei que teria você para me mostrar o caminho certo, para me dizer que o que estou fazendo não é saudável e que preciso ficar bem para que quando meu filho melhorar eu esteja inteiro.

Tomo um gole de café. Está um pouco menos doce do que eu gosto. Mas é quente o suficiente para espantar o frio.

– Tudo bem. Entendi. Cuidar de mim. – suspiro vencida. Sei que ele tem razão. – Pode deixar, farei isso. – descanso os braços na mesa e apoio a minha cabeça neles. – E quando ele melhorar ainda terei que lidar com Sasuke.

Gaara bagunça meus cabelos, deixando-os ainda mais embaraçados, se isso ainda é possível, desfazendo o coque mal feito. É um gesto fraterno e carinhoso. Para falar a verdade, não sei o que faria sem ele e Ino ao meu lado.

– Nem todos podem ter o que querem, garota.

– Sinceramente, se Daisuke sair dessa dou tudo o que Sasuke quiser. Posso até beijar os pés dele.

– Duvido que ele aceite. – olhando para mim irritado ele continua. – Julgando pela quantia de maquiagem para esconder os hematomas que ele causou em seu rosto, acho que beijar os pés de Sasuke não é muito saudável.

Passo a mão em minha face por instinto. Ino ficou furiosa ao ver meu rosto sem todos os disfarces. Com certeza, Uchiha Sasuke não faz parte de sua lista de pessoas mais queridas no mundo.

– Ele é bom no corpo a corpo.

– Eu avisei. Você é ótima, Sakura, realmente é muito boa. Seu gancho de direita então... Meu queixo dói só de pensar. Mas contra Sasuke não havia muito a ser feito.

– Pude perceber. – fecho os olhos e imediatamente penso em meus outros problemas. – O que você pensa que ele irá fazer agora?

– Quem? Sasuke?

– É.

Gaara fica quieto. Ele era um dos homens de confiança de Sasuke antes de tudo acontecer há oito anos. Talvez ele saiba o que a mente perigosa do Uchiha está tramando para cima de mim.

– Sinceramente, achei que ele nem viria. Fiquei surpreso quando soube que ele estava aqui e ia fazer os exames.

– Ele me odeia.

– Provavelmente.

– Odeia mesmo. Ele me olha com tanto ódio, tanta amargura, mesmo depois de tanto tempo. Achei que oito anos poderiam aplacar um pouco a ira de um Uchiha, mas acho que fui muito otimista.

Gaara toma um gole do seu café. Ainda veste as roupas costumeiras de trabalho, terno escuro e a caminha azul claro, sinal que veio direto do trabalho para o hospital.

– Vocês dois cometeram erros, Sakura. É claro, Sasuke ultrapassou um pouco os limites... Mas oito anos se passaram e Daisuke existe, é real e Sasuke, inacreditavelmente, quer ser o pai dele. Já está na hora de vocês resolverem as suas diferenças e descobrirem um modo de conviverem juntos pelo bem de Daisuke.

Suspiro. Gaara fala sempre o que é preciso ouvir, porém, nem sempre é o que queremos escutar.

– Você sempre soube o que eu pensava sobre manter Daisuke afastado do pai. Mesmo o pai sendo Sasuke.

Deus, lá vamos nós novamente!

– Gaara, se eu ficasse Sasuke ia me matar. Depois de oito anos ele ainda quer. Há três dias ele apontou uma arma para minha cabeça enquanto o nosso filho dormia em um quarto de hospital. Você acha mesmo que eu devia ter ficado em Tóquio? – pergunto ironicamente, levemente irritada pelo assunto mal resolvido entre mim e Gaara durante anos.

– Duvido que Sasuke realmente mataria você, ainda mais se soubesse que estava grávida dele.

Eu rio. Totalmente incrédula por ele pensar daquela maneira tão ingênua.

– Ah, é mesmo? Então por que você concordou em um fugir comigo?

– Por que eu não tinha certeza.

– É claro que não tinha. Sabe por quê? Porque ele teria feito. É o que Sasuke faz, Gaara. Ele mata e resolve depois. Você soube dos negócios sujos dele melhor do que eu, você fez parte disso também. – coloco as mãos na cabeça, claramente exausta e tento organizar meus pensamentos confusos. – Afinal, por que estamos discutindo sobre isso?

– Porque Sasuke está novamente em nossas vidas. E ele não é alguém que passa despercebido. Ele era e é perigoso, eu sei. Mas pensa comigo, Sakura... Se Sasuke quer mesmo você morta, por que ele ainda não fez? Por que você continua respirando? – os olhos verdes de Gaara não deixam os meus, são profundos e intensos. Vejo naquele brilho convicto que ele já sabe as respostas para as suas perguntas. – Nós sabemos que quando Sasuke quer alguém morto, esse alguém já está morto. Por que com você foi diferente? Por que ele desistiu de procurar por você há oito anos atrás e enfiar um bala na sua cabeça?

– Porque Naruto implorou.

– Por favor, Sakura. Nós sabemos que quando Uchiha Sasuke quer uma coisa, nem mesmo Naruto faz ele parar.

Lembro de uma semana atrás, quando Sasuke batia minha cabeça violentamente contra o chão, quando Naruto gritou ao meu socorro e o fez parar antes que ele conseguisse me matar. Gaara está errado. Sasuke ouve Naruto.

– Você está errado. Se não fosse por Naruto eu já estaria morta há uma semana. – bufo, cansada daquela conversa sem fim. – Gaara, por Kami, por que ainda estamos discutindo sobre isso? Sasuke me odeia, esse é o ponto. Conspirei com o irmão dele, o traí, é claro que se não fosse por aquele loiro estúpido eu não estaria mais aqui. Sasuke não perdoa quando quebram sua confiança.

– Você também foi longe demais.

– Ah, por favor! Eu fiz o que foi necessário, não o que era mais fácil. Não me arrependo disso. Afinal, de que lado você está? Você fala como se eu fosse o monstro da história.

– Não há lados, Sakura. Não mais. Já está na hora de vocês se resolverem.

Levanto-me, decidida a me afastar de Gaara antes de realmente começarmos a discutir.

– Sei aonde você quer chegar, Gaara. Mas como eu disse antes, você está errado. Sei o que você pensa ser o motivo que fez Sasuke parar, mas não é isso. Ele não me ama, Gaara. Nunca amou. Ele fez questão de me provar isso e, pode ter certeza, ele foi bem claro.

Dou as costas a Gaara, deixando-o sozinho, completamente magoada por ele me fazer pensar em assuntos dolorosos do meu passado com Sasuke.

Notas finais
E aí? Comentários? Recomendações?