Notas iniciais
Olá, estou de volta. Fic universo alternativo. Espero que gostem e comentem muito. Boa leitura!

Quando olho para meu filho tão serenamente dormindo em sua cama de lençóis azul claros, sei que fiz a escolha certa. Seus cabelos cor de ébano, tão intensamente negros e sedosos, estão bagunçados e emolduram a pequena face infantil.

Ele dorme tranquilamente, perdido no mundo encantado dos sonhos, imune às perversidades do mundo real. Conheço os seus sonhos, ás vezes, ele os compartilha comigo, nos raros momentos em que ele decide falar sobre ele mesmo. Comparado às outras crianças, ele é um menino silencioso. Não é que não goste de brincar com os outros meninos da sua idade, ou tenha um complexo caso de timidez. Ele é apenas mais reservado, e observador.

Para uma criança de sete anos, Daisuke observa demais. Ele tenta disfarçar, mas sei o que exatamente o que ele observa. Ele analisa as famílias. Todas as formas de famílias. Olhando-as com aqueles olhos tão incrivelmente negros e profundos, mantendo suas considerações para si. Ele já percebeu que esse assunto me incomoda. Assim, ele continua as observando, achando, em sua completa inocência, que eu não sei o que lhe aflige, que eu ainda não percebi do que ele sente falta. Entretanto, mães, na maioria das vezes, não precisam que seus filhos digam em palavras o que os incomodam, do que eles têm medo. Conheço meu filho tão bem quanto conheço todo o funcionamento do corpo humano, cada célula e cada órgão. E sei que há algo que o deixa triste. O que me mata, é que não posso fazer nada.

A primeira vez que percebi que Daisuke sentia falta da presença paterna, foi em uma, das inúmeras e frequentes, visitas de Ino a minha casa. Ela estava lá, com sua presença enérgica e feliz, me ajudando a preparar um jantar decente e comestível, enquanto Gaara, seu marido enigmático e babão, brincava com a filha deles, Yume, e com Daisuke. Meu pequeno menino, com apenas dois anos, sentado no tapete cinza felpudo da sala de estar, encarava Gaara de uma maneira extremamente peculiar, quase adulta. Aquilo me assustou. Então ele levantou-se, daquela maneira característica de crianças daquela idade, foi até Gaara e o abraçou. Aquela cena era linda, sem dúvidas, porém me incomodou. Trouxe em pauta uma questão que até aquele momento eu não havia pensado em como resolver. Uma hora ele perguntaria pelo pai, era claro. Ele cresceria e veria como Yume tinha um pai presente que a levava para a escola todos os dias e se perguntaria onde estaria o dele, porque raios ele não tem um. O que, logicamente, aconteceu mais cedo do que eu esperava.

Mas aquela pequena cena de Daisuke abraçando Gaara, meu menino tão receoso de contato e carinho de outras pessoas com exceção de mim, foi minha primeira lembrança e afirmação de que um dia, poderiam levar anos, ele teria o desejo de saber quem era o seu pai e cabia a mim contar a ele a verdade. Tarefa, para mim, dificílima e incômoda. Entretanto, como sempre acontece quando o assunto é meu filho, ele me surpreendeu. Quando perguntou, com quatro anos “por que a Yume tem um papai e eu não?” e eu arregalei os olhos, estupidamente surpresa com a seriedade dele, e não consegui responder de imediato, ele analisou-me por um instante e então voltou para o lado de Yume como se aquela pergunta, que me dá arrepios, nunca tivesse sido pronunciada.

Não sei se naquele dia ele observou algo em meus olhos, o que acho quase impossível para uma criança daquela idade, ou achou que era mais interessante brincar com sua eterna amiga. Só sei que aquela foi a única vez que ele me perguntou sobre o pai.

Acaricio seus cabelos macios e agradeço a Deus por meu filho ter um sono pesado e não ouvir meus soluços. Naquele corpo pequeno e delicado de menino, um monstro habita enjaulado e ansioso para se libertar. Eu sou sua mãe e sou médica, mas agora, diante das circunstâncias que me encontro, não posso proteger a minha criança desse monstro.

Ele é silencioso, porém, sei que está lá.

Continuo a acariciar seus lindos cabelos, pensando em como meus últimos dias foram uma sucessão de decepções quando um tufo de fios negros ficam emaranhados e soltos em minhas mãos. A mão esquerda, a livre, vai a minha boca e sufoco um grito. Já começou a acontecer. Sei que é exagero da minha parte, já que como médica conheço as consequências do tratamento, mas ainda assim, acima de qualquer coisa, eu sou mãe.

Sou mãe de um menino de sete anos, com uma inteligência acima da média, e que está morrendo. Não posso permitir isso. Não vou deixar isso acontecer. E é por isso que estou indo atrás do pai dele.

Notas finais
E aí? Espero realmente que tenham gostado. Se houver boa aceitação posto o próximo capítulo.