Surpresas

6 de volta à torre


Ciborgue e Mutano continuavam na sala. Ravena tinha sumido há quase uma hora e eles não faziam idéia de seu paradeiro. Por isso agora estavam jogando uma pequena partida de videogame.

“Terraço?”

“Não... já olhei e ela não tava lá...” Mutano respondia, sem desgrudar os olhos da tela.

“Quarto??”

“Não... senão a porta estaria trancada...”

“Peraí, você foi lá?!!”

O carro de Mutano bateu e capotou.

“Bom... eu tava preocupado com o sumiço dela e... fui dar uma checada.”

“Sorte sua que a Ravena evaporou, senão quem ia sumir mesmo era você...”

Os dois voltaram a atenção para o jogo.

“O que será que o Robin faria se soubesse?” Mutano recomeçou.

“Do quê?”

“Ora, da Estelar!”

“O que eu preciso saber sobre a Estelar??” Robin entrava na sala. Os dois congelaram assim que ouviram a voz. “Falem logo, o que eu preciso saber?!”

Ciborgue se aproximou do metamorfo e cochichou algo como ‘fala você’. Este teve que obedecer, afinal, não queria sofrer uma ameaça do robô. Ele pausou o videogame, se levantou e ficou frente a frente com o líder, que esperava respostas imediatamente.

“Bom... você pode saber que... a gente... acredita que você a viu!”

Ciborgue deu um tapa na própria cara. Não acreditava no que Mutano falou.

“Sei...” Se não fosse pelo imobilizador, Robin cruzaria os braços agora. “A verdade, já!!”

“Tá legal!! Não foi minha culpa!!! Eu tava atrás da árvore e ela começou a falar qu-mmmnfh...” Ciborgue interrompeu o berreiro do amigo tapando sua boca com a mão enorme e metálica. Na verdade o que queria era enforcá-lo, mas isso poderia ser depois. Mutano ficou se debatendo e balançando os braços sem parar, tentando, inutilmente, se libertar de Ciborgue.

Robin se assustou com a cena e começou a achar que, com tanto trabalho que tiveram durante duas semanas, acabaram ficando um tanto... estranhos.

“Na verdade, Robin, a gente viu uma pessoa muito parecida com a Star lá no parque, mas não tivemos certeza porque ela foi embora na hora. Talvez não tenha sido apenas uma impressão sua, não é Mutano??”

Ciborgue largou-o no chão e olhou com raiva para ele. A única coisa que o metamorfo pôde fazer foi concordar com a cabeça.

“Ah...” Robin voltou a ficar deprimido. “Eu vim aqui tomar um copo d’água, mas perdi a sede.”

Ele se virou e caminhou de volta a seu quarto. Achava que ouviria algo como ‘vi a Estelar hoje’, mas se enganou. Assim que as portas se fecharam, Ciborgue agarrou Mutano pelos ombros e o sacudiu.

“Você é idiota ou o quê?!! Quase que bota tudo a perder!!!

“Foi mal, eu tava nervoso!!”

“Você tem dezessete anos e ainda age como se tivesse quinze! Ainda bem que ele acreditou e se foi!”

“Estranho, ele não acreditaria tão fácil assim...”

“Sabe como é, ele tá deprimido com a história de ter visto a garota, então nem se deu esforço pra pensar.”

Os dois então sentiram o ar esfriar um pouco e logo voltar ao normal. Não era preciso olhar para trás para saber sua origem, eles já estavam acostumados com os poderes dela.

“Ravena! Onde você se meteu?” Mutano disse ao se virar. “Não tava em nenhum lugar da torre! Nem mesmo no seu quarto!”

“Eu saí da torre em busca de Estelar. E como você sabe que eu não estava no quarto?!”

“Eu... erm...”

Mutano ficou pasmo e Ciborgue tentou segurar o riso.

“Quer saber, vamos discutir isso depois! Você a viu?”

“Não só vi como fui até sua casa atual, ficamos conversando por lá.”

“E aí?”

“Ela tem muito medo do Robin, quer evitar que tenha alguma notícia sua ou... vocês sabem.”

“Viu só, cara? Você quase estragou tudo!” Ciborgue disse, mas Mutano respondeu apenas com um olhar enraivecido.

“Tá, já entendi. Mas e a gente?”

“Bom, Estelar adoraria vê-los também, o que ela não quer é se encontrar com Robin outra vez... mas deixaremos isso para outro dia, agora está quase anoitecendo e temos que descansar desse dia corrido.”

Eles concordaram e foram em caminhos diferentes. Ravena foi meditar um pouco, Ciborgue ia fazer uns ajustes na segurança da torre e Mutano ficou assistindo tv, evitando outra crise de tédio.

Mas os titãs nem desconfiavam da figura que os vigiava enquanto levitava a menos de dois metros da janela, sorrindo de modo perverso...