Surpresas
1 Decepção
Notas iniciais
Era tarde, o sol estava desaparecendo por trás da cidade e dando lugar às primeiras estrelas da noite. Em meio a essa transição havia a Torre Titã, onde quatro super-heróis aproveitavam o tempo livre na sala comum.
“Ei Ci, topa uma partida de videogame??” O metamorfo dizia num baque enquanto pulava no sofá e agarrava o console. Mutano podia ter crescido, mas continuava sendo o mais infantil do grupo.
“Você não se cansa de perder, né cara? Aliás eu já to cheio desses jogos, sou bem crescidinho pra isso!”
“Então acho que vou ter que jogar ‘Viajantes do Espaço 3’ sozi--” Mutano não pôde terminar já que, no mesmo instante, o titã metálico praticamente mergulhou no sofá e tomou posse do segundo console. O metamorfo acabou sendo lançado dois metros adiante por causa do impulso gerado pelo amigo. Nesse instante era possível ouvir duas baixas risadinhas femininas pela sala...
Ravena tentava ler seu livro com atenção, mas era difícil com aqueles dois no videogame. Ela, que não ria ou se divertia com nada, até sentiu um leve rastro de felicidade ao ver mutano cair no chão como um saco de pedras. Estelar prestava atenção na janela, vendo o pôr-do-sol. Ela ainda se encantava com as belezas da Terra. Mas por um momento notou que só havia quatro titãs no recinto e a magia que a paisagem causava desapareceu.
“Onde está Robin?” Perguntava a Tamaraniana, temendo a resposta que teria.
“No mesmo lugar dos últimos três dias, Star, na sala de crimes” Mutano não tirava o olho do videogame para não perder um detalhe sequer. Somente quando uma de suas naves se foi numa explosão ele olhou para a amiga para terminar a resposta “Sabe que ele continua obcecado pelo Slade, não vai sair de lá até encontrá-lo e acho que isso vai demorar a acontecer...”
“É... concordo...”
Estelar então se retirou da sala. Não se conformava com Robin. Ele mal falava com os amigos na Torre, dizia que Slade poderia atacar a qualquer momento e que não tinha tempo para amizade. Nem com ela, que era sua namorada, era diferente, pelo contrário, era ainda mais frio e ignorante. Não era mais o Robin que conhecia, esse achava que romance dava apenas mais trabalho. Os titãs achavam que isso era passageiro, que seu líder logo voltaria ao normal... pelo menos era isso que desejavam.
Estelar caminhava distraída até parar em frente à sala de crimes. Pensou em ter uma conversa com ele, mas tinha suas dúvidas. Até que finalmente criou coragem e bateu na porta.
“Robin? Robin, por favor abra, eu gostaria muito de ter uma conversa com você...”
“Estou ocupado, Estelar.”
“Assim como nos últimos três dias?”
A porta então se abriu e os dois se viram frente a frente.
“Eu estou tentando encontrar Slade, então me chame quando for algo importante!” Robin ia fechar a porta novamente, mas Estelar a segurou firmemente.
“Por acaso seus amigos não são importantes para você?! Há dias você só se importa com Slade e nos trata com desdém!” Sua voz se alterou enquanto falava, agora até os outros titãs podiam ouvi-la.
“Ele é um criminoso e precisa ser detido, não tenho tempo para amizades ou algo assim, essas coisas só me atrasam!”
“Coisas... como eu?”
Robin emudeceu.
“Então, Robin... se não passo de um mero atraso... não sei o que estou fazendo aqui.”
Estelar saiu correndo dali, queria chegar no seu quarto o quanto antes. Só então Robin percebeu a besteira que tinha acabado de cometer. Nesse momento, os outros três titãs vieram o mais rápido possível para ver o que acontecia no corredor.
“Robin, ouvimos a Estelar berrando, o que houve??”
“Eu fui um idiota, Ciborgue, foi isso...”
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Estelar nunca pensou que faria isso algum dia. Com os olhos cheios de lágrimas, guardava numa pequena mochila apenas o necessário para ela. Quando terminou, olhou para uma fotografia encima de sua penteadeira. Ela e Robin estavam juntos enquanto os outros se divertiam num piquenique logo atrás, algo que nunca mais se repetiu desde o retorno de Slade.
Ela não guardou a foto na mochila, queria que ficasse com Robin, para que visse o que havia perdido com tanta obsessão. Assim, Estelar colocou a mochila e se virou para dar uma última olhada no quarto... e na fotografia que deixara no chão. Só lhe restou limpar as lágrimas e abrir a janela do aposento...
Robin abriu a porta rapidamente, mas era tarde demais. As janelas estavam abertas e o quarto estava vazio. O vento que entrava remexeu a fotografia do chão até faze-la rodopiar pelos ares em frente ao jovem, ele a pegou e leu uma pequena frase escrita as pressas no verso. Algo como ‘nunca te esquecerei’...
“NÃO!!” Ele gritou.
Robin se ajoelhou e socou o chão com os punhos. A máscara impedia que uma lágrima escorresse de seu olho enquanto sua mão segurava a foto com força. Em poucos segundos, sua ira o abandonou e uma forte tristeza tomou conta de si.
“Me desculpe, Estelar... me desculpe...” Ele murmurou para si o resto da noite, chorando silenciosamente...
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