Surpresas
3 Algo inesperado
“Robin... Robin?” Uma voz feminina chamava. Robin abriu os olhos com certa dificuldade e encarou uma luz forte, que queimava o pouco de visão que tinha. Logo, pôde enxergar três borrões rodeando-o. Um deles, quem o estava chamando, parecia examinar o seu ombro esquerdo.
“Ravena?... onde est-argh!!” Ele tentou se levantar, mas seu ombro parecia ‘gritar’ de dor naquele momento.
“Não faça esforço, Robin, você deslocou o ombro quando caiu. Consegui reduzir o dano, mas ficará longe das missões por um longo tempo.”
Ele queria responder algo, queria contraria-la, mas não pôde. Seu corpo inteiro latejava de dor e qualquer movimento pioraria a situação. Foi nesse instante que percebeu que estava na enfermaria da torre, seu tórax estava todo enfaixado, assim como o braço ferido e parte de sua cabeça. Ciborgue então se aproximou e começou a colocar um imobilizador no braço do líder.
“O que houve com Plasmus?” Robin perguntou.
“A Ravena fez ele voltar ao normal de novo.” Mutano dizia enquanto fazia uma dobradura de papel, sem prestar atenção alguma no que acontecia.
“E por quanto tempo fiquei desacordado?”
“Umas duas horas...” Ciborgue respondeu ao terminar de ajustar o imobilizador. “Mas por que o interrogatório, cara?”
“Antes de desmaiar, eu vi... algo...”
“Especifique ‘algo’.”
“... Estelar.”
Os três encararam o líder na hora, até Mutano que, por um momento, nem ouvia a conversa.
“O QUE?!!” Eles disseram em uníssono.
“Isso mesmo, eu a vi em meio à multidão, pouco antes de apagar.”
“Tem certeza, tipo assim, certeza mesmo??”
“Não, Mutano, pode ter sido apenas impressão. Afinal, eu tava praticamente morto naquela hora. *suspiro* Acho que preciso descansar, isso está me dando dor de cabeça!”
“Então te deixaremos em paz e nos preocupamos com esse assunto depois, vamos!” Ravena completou. Ciborgue e Mutano não tiveram outra opção a não ser segui-la até a sala comum e deixar Robin para trás.
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Uma jovem atravessava a rua sem pressa alguma, voltando do trabalho que tanto gostava. Seu nome era Wendy, cabelos escuros e olhos bem azuis. Embora tivesse tido um dia ótimo, o que mais queria naquele momento era chegar na sua casa. Mas não demorou achegar, morava muito próximo dali.
“Star, cheguei!” Exclamou ao entrar. Sem respostas, decidiu repetir. “Star?”
“Aqui...” Uma voz baixinha e tremida respondeu, vinha do quarto de Wendy.
Wendy foi até lá, só de ouvir a tom da voz da amiga já percebeu que ela não estava bem. Logo se deparou com uma jovem ruiva e de olhos verdes-esmeralda, quase vermelhos de tanto chorar, sentada na cama e cabisbaixa.
“O que houve? Por que está assim?”
“Hoje... eu estava andando passeando por uma praça e ouvi um estrondo... quando me aproximei era... ele.” Disse, deixando cair uma lágrima.
“O Robin?!” Disse, sentando ao lado dela.
“Uhum... estava muito ferido por causa de uma batalha com Plasmus. E o pior... é que...*suspiro* eu acho que ele me viu.”
Wendy queria conforta-la, mas não sabia como. Ela e Estelar se conheciam há muito tempo, começou logo quando a tamaraniana tinha salvado sua vida, daí por diante se tornaram boas amigas. Por isso, quando Estelar abandonou os titãs, Wendy deixou que morasse em sua casa, era uma forma de agradecer. Sempre ajudava com seus dilemas, mas agora a situação era diferente. Então só pôde pensar numa coisa, e até deu um leve sorriso ao ver a situação de outra forma.
“Sabe... talvez seja melhor assim.” Estelar se assustou com as palavras de Wendy e ao ver seu sorriso enquanto falava. “Você, Estelar, sabe mais do que ninguém que, mais cedo ou mais tarde, ele vai saber...”
Ela entendeu o sentido daquela conversa, mas preferiu ficar calada. Lá no fundo, sabia que era verdade.
“Não pode esconder isso pra sempre, você ainda o ama, não?
“Claro... mas tenho medo... que ele saiba disso”
“Medo? Por quê? Acho que ele ia ficar feliz em saber que logo será pai...”
“Robin já humilhou e machucou a mim e meus amigos diversas vezes quando se tratava de Slade. Não quero que se repita com o filho...”
“Tá, tá. Você já disse isso diversas vezes... mas se continuar adiando a verdade, Star, poderá ser pior...” Wendy disse, se levantando.
“O que você quer dizer com isso?”
“Você já está terminando o sétimo mês. Se esperar até o bebê nascer pra contar, Robin poderá pensar que o pai seja outro, e nunca te perdoará...”
Estelar engoliu seco ao ouvir tais palavras. Wendy por sua vez foi até a cozinha para preparar seu almoço e ao mesmo tempo para deixar a amiga refletir um pouco. A última coisa que a tamaraniana queria na vida era perder a pessoa que ela mais amava, e pior, por um motivo desses!
Ela só havia descoberto sobre sua gravidez três semanas após abandonar os titãs. Naquela época, ainda sentia as últimas palavras de Robin ecoarem na sua mente. Só de pensar que ele poderia magoar o filho tanto quanto a magoou, ou ainda, machucá-lo durante outra obsessão por Slade, a fez temer que Robin soubesse da verdade.
Mesmo com remorsos por guardar tal segredo, ainda se mantinha séria sobre a decisão. Não queria arriscar a sorte. Para ela, Robin nunca mais voltaria a ser como antes, quando ele a tratava apenas como sua amada e demonstrava preocupação com o bem estar dos amigos. Estelar gostaria muito de acreditar que ele poderia ter mudado de atitude depois de todo esse tempo se vê-la, mas não conseguia.
Quem dera se ela soubesse o quanto Robin estava arrependido...
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