Sure, Why Not?
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Capitulo 4
_ Senhor Kirkland!
Arthur desviou o olhar da cadeira favorita da dona Macapple e ergueu a cabeça, encarando o sempre pouco expressivo Ludwig… qualquer coisa.
Ele realmente tinha que ser melhor a decorar os apelidos das pessoas.
Ao lado do grande alemão vinha alguém. Era um homem moreno, baixo, magrito e sorridente. O total oposto do intimidante Ludwig Qualquer coisa.
Com um leve grunhido, Arthur colocou cuidadosamente a cadeira de lado. Estava no jardim do prédio onde vivia, a arranjar o objeto, pois a sua vizinha, a senhora Macapple, batera-lhe à porta num frenesim histérico, incomodando-o do seu sono, e choramingou durante meia hora a queixar-se de como a sua cadeira favorita, uma relíquia de cinquenta anos, estava a ficar tão desgastada e velha que começava a ser desagradável à vista.
Arthur não intendera o motivo de tanto alarido, mas a senhora Macapple era uma daquelas velhinhas que gostava de meter bolas de naftalina nos cantos das portas para afastar as bruxas, por tanto o inglês preferia fazer as suas vontades e evitar problemas com pessoas ligeiramente dementes.
Por isso estava ali, sentado no relvado bem cuidado, com todas as ferramentas que uma vez roubara ao Scott é sua volta e uma cadeira semi-restaurada ao seu lado.
Levantou-se, retirou as luvas de trabalho, limpou as mãos suadas às suas calças largas e velhas e estendeu o braço, num gesto de cumprimento.
_ Bom dia. – Disse calmamente. Até teria dito “Senhor… qualquer fosse o ultimo nome dele”, mas seria rude da sua parte.
Sentiu a sua pobre mãozinha ser praticamente comida pela manápula gigantesca daquele individuo alemão. O abanão que trocaram naquele gesto universal de macho a saudar macho quase provocou náuseas ao inglês, que sentiu o seu corpo aos solavancos violentos durante breves segundos e depois foi solto, graças a todos os deuses que a mente humana alguma vez criara.
_ Senhor Kirkland, liguei ao seu pai no pretexto de falar consigo, mas este disse-me que era o seu dia de folga. Teria esperado até estar disponível, mas o Feliciano não é uma pessoa paciente. – E apontou para o homenzinho ao seu lado.
_ Estou a ver. – Disse Arthur calmamente e reparou então que o outro homem, Feliciano ou lá o que era, trazia no ombro o rolo que o Kirkland utilizava para transportar os seus trabalhos.
_ O seu pai foi simpático o suficiente para nos dar a sua morada. Espero que não haja problemas. – Continuou Ludwig.
_ Não, não! Não há qualquer problema! – Apressou-se Arthur a dizer. E era verdade. É claro que se sentia um pouco irritado por ter que pensar em trabalho nos seus dias de descanso, como se restaurar a cadeira da senhora Macapple não fosse o suficiente, mas Ludwig era um cliente que poderia trazer bastante dinheiro à família, Arthur não poderia simplesmente mandá-lo embora.
_ Maravilhoso. – Apontou novamente para o homem que o acompanhava – Este é o meu parceiro, Feliciano Vargas.
_ Bom dia. – Começou Arthur num tom polido e estendeu novamente a mão – Eu sou…
_ Olá! – Interrompeu o homem com uma alegria extrema. Ignorando a mão estendida, agarrou Arthur pelos ombros e beijou-lhe ambas as faces – É um prazer conhecê-lo!
_ Pois…! Prazer…! Arthur afastou-se um pouco, ligeiramente perturbado pela súbita amostra de afeto por parte de estranhos – O meu nome é Arthur Kirkland, eu sou o vosso arquiteto.
_ Oh, mas eu sei isso! Grande talento, adorei o projeto! – O homem lançou-lhe um grande sorriso – É como se tivesse olhado para a minha alma e desenhado a casa dos meus sonhos!
_ Oh… bem… obrigado. – As faces pálidas do inglês ruborizaram com satisfação – Ainda bem que gosta.
_ Mas queria perguntar-lhe se não poderia fazer uma mudança pequenina, nada demais.
_ Eu faço as mudanças que quiser, a casa é sua. – Olhou para a sua volta – Mas neste momento não dá muito jeito.
Os outros dois analisaram a cadeira e as ferramentas que estavam na relva. Feliciano lançou um leve som de apreciação.
_ Oh, mas é lindíssima. – O parceiro de Ludwig agachou-se em frente da cadeira – Tanto detalhe! Hum… está a restaurar, certo? – Arthur anuiu – Fantástico! Quanto é?
_ Perdão? – Perguntou Arthur estupidamente.
_ A cadeira. Quero comprá-la uma vez que esteja pronta.
_ Oh! Ela, ela não está à venda! É da vizinha, a senhora Macapple. Ela pediu-me para a restaurar.
_ Que pena, é tão bonita. – Suspirou Feliciano e lançou outro olhar sonhador á cadeira – Ludy! – Chamou ele, virando-se para o alemão. Arthur conteve o sorriso, achando cómico alguém chamar aquele gorila louro gigante de “Ludy” – Achas que podemos contactar esta senhora Macapple e comprar-lhe a cadeira?
_ Feliciano, não podemos simplesmente abordar uma pessoa e exigir que esta nos venda algo. É rude e indelicado.
_ Mas eu quero-a!
_ Não sejas mimado, estás a fazer uma figura de imbecil em frente do nosso arquiteto.
Feliciano pareceu comportar-se então, ainda que algo relutante. Arthur lançou escapar um leve sorriso e colocou as mãos na cintura. Suspirou, vagamente divertido.
_ Eu devo acabar isto em duas horas. Duas horas e meia no máximo. – Disse enquanto se sentava novamente no chão e pegava na cadeira – Se voltarem aqui por essa altura, podemos discutir o projeto sem problemas.
_ Ou podemos fazer-lhe companhia enquanto trabalha! – Sugeriu Feliciano que, sem pedir qualquer tipo de permissão, abancou-se na relva, mesmo em frente de Arthur.
_ Feliciano, não vamos incomodar o trabalho do homem!
_Eu não me importo. – Assegurou-lhe Arthur – Até gosto de companhia quando faço coisas mais práticas.
Feliciano lançou um sorriso vitorioso na direção de Ludwig, que franziu o sobrolho.
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Alfred estava mal disposto. Na verdade, estava com uma disposição tão ruim que poderia insultar toda a gente simplesmente pelo facto de existirem. Tal comportamento fez com Elizaveta quase lhe enfiasse uma frigideira pela goela abaixo.
Cozinhar geralmente acalmava-o e relaxava-o, tirando a sua mente dos problemas irritantes da vida. Era a sua paixão, afinal, e ele sempre apreciara os momentos que tinha na cozinha, até mesmo aqueles mais tarefados e exaustivos.
Mas aquele “problema” que afetava a sua vida de momento era tão grave que nem cozinhar o removia do seu cérebro.
Arthur queria ter sexo. Não só queria ter sexo, como queria tê-lo com Alfred.
Ele não sabia o que fazer com tal informação. Estaria a mentir se dissesse que nunca pensara nisso, mas sempre que a sua mente vagueava para fantasias picantes envolvendo um inglês de olhos verdes, Alfred ocupava-se logo com outra coisa qualquer.
Também sabia que a sua reação tinha sido algo exagerada. Poderia ter simplesmente aceitado ou recusado, como Arthur lhe tinha dito. Mas Alfred não queria por “Arthur” e “Sexo” na mesma frase, especialmente se fosse Arthur a fazer sexo com outras pessoas.
O americano não era ingénuo o suficiente para achar que o seu melhor amigo nunca se envolvera fisicamente com ninguém. Seria retardado estar convicto de tal coisa, sobretudo sendo Arthur um homem adulto, saudável e relativamente atraente, se uma pessoa estivesse metida em baixinhos pálidos, violentos e algo traquinas.
Mas a imagem de Arthur enrolado com um homem qualquer sem rosto, pois Alfred recusava-se a dar-lhe um, repulsava-o e enfurecia-o de tal forma que chegava a ser doentio. Sempre reclamara com Arthur por este não lhe contar as suas aventuras, mas, com toda a sinceridade, Alfred nunca quisera realmente saber.
Ele sempre temera reagir de maneira violenta se Arthur alguma vez arranjasse um namorado. Felizmente, ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, tal coisa nunca acontecera, pois na mente de Alfred nenhum homem era bom o suficiente para o seu melhor amigo. Ninguém iria tratar do inglês com a devida eficiência.
Arthur era uma pessoa independente e decidida, mas Alfred sabia bem que o outro adorava ser mimado e lisonjeado, apesar de não o mostrar com frequência, não ia ele ferir o seu orgulho.
E Alfred também sabia que ele era o único homem em toda a porra do planeta que sabia cuidar e mimar Arthur Kirkland como se deve ser e nenhum outro macho existente no universo alguma vez igualaria tais qualidades.
Por isso não, nenhum sujeito alguma vez teria o caracter necessário para ser namorado do Arthur.
Mas isso não queria dizer que estava correto em fazer sexo com Arthur só porque este pediu.
Céus!
Como raio é que ele iria voltar a olhar o amigo nos olhos depois de uma sugestão daquelas?
Como raio é que ele iria voltar a olhar qualquer Kirkland nos olhos depois de ter sido beijado pela quarta cria da ninhada!?
As memórias daquele momento particularmente estimulante fizeram as suas mãos tremerem, o que não era bom, visto que elas estavam ocupadas com frigideiras ao lume.
No momento em que a boca de Arthur se fechara sobre a sua, a mente de Alfred ficou totalmente em branco. Qualquer raiva, ultraje e indignação desapareceram para dar lugar ao vazio e nem um único músculo ou órgão se mexeu no seu corpo. Diabos, até o seu coração parou momentaneamente.
Depois veio o desejo. Foi quente, vivo e destruidor. Deixara Arthur dominar a sua boca em favor em tocar no corpo delgado do inglês. Percorreu costas estreitas, cinturas finas e traseiros firmes. Tinha a certeza que, se lhe tivesse sido permitido mais um pouco de tempo para explorações, teria fodido Arthur ali mesmo na manta estendida na relva, acompanhado pelo livro erótico de Piratas.
E depois iria preso por traumatizar criancinhas.
Mas Arthur travara o beijo. Olhara-o daquela forma fria e malvada que geralmente lançava a outras pessoas que não eram Alfred, e fora-se embora, chamando o seu irmãozinho consigo. Deixou o americano ali, sozinho, confuso e extremamente excitado.
_URGH! – Rugiu Alfred, frustrado com a sua vida, e esmagou um ovo que iria estrelar, sujando a mão toda.
O que iria fazer? Ele queria Arthur, céus, se queria, mas não se atrevia a avançar. Era uma amizade que estava em risco, uma amizade que provavelmente já estava a caminhar sobre linhas finas graças á discussão que ambos partilharam.
Céus, aquilo era uma embrulhada. Provavelmente tinha ferido o orgulho de Arthur por ter reagido daquela forma, mas tudo o que passara na sua mente tinha sido choque, horror e a raiva de imaginar Arthur a sugerir tal coisa a outra pessoa qualquer.
Respirou fundo, limpando as mãos. Talvez fosse melhor encontrar-se com Arthur, pedir-lhe desculpa e dizer-lhe que simplesmente não estava interessado em envolver-se com ele dessa forma.
Sim… era isso. Era meio que mentira, mas haviam coisas que simplesmente tinham que ser feitas. Dormir com Arthur não era uma opção a tomar. Havia demasiados aspetos negativos que se sobrepunham sobre os prazerosamente positivos. Em primeiro, claro, estava a amizade de antes e a ideia de que, uma vez envolvidos dessa forma, nunca mais poderiam voltar ao mesmo e a relação dos dois seria mudada mesmo depois de terminarem com as cambalhotas no vale dos lençóis. Em segundo era o medo que Alfred tinha, pois o único homem com quem alguma vez dormira tinha sido Ivan Braginsky, e Alfred não queria tratar Arthur na cama da mesma forma que tratara Ivan. Ainda traumatizava o inglês para o resto da vida.
E apesar de serem as únicas razões que ele se lembrava de momento para não meter as mãos no corpo delgado de Arthur Kirkland, eram suficientes para o meterem no sítio.
Elizaveta, abençoada fosse, entrou na cozinha, interrompendo a sua luta complexa.
_ Alfred, tenho dois pedidos de hambúrgueres com queijo, uma mini pizza de pepperoni e um… Boo… boaaf… herm… — A jovem semicerrou os olhos para ler bem o papel que trazia na mão com os pedidos dos clientes – Beaf boorbigon.
_Boeuf Bourguignon? – Corrigiu Alfred, visivelmente admirado – Essa é uma das poucas receitas francesas que pusemos na ementa. Nunca ninguém a pediu.
_ Isso é porque não há ninguém neste fim do mundo com requinte o suficiente para pedir comida francesa. – Fez Elizaveta com desdém. – Limita-te a trabalhar, está bem?
_ Está bem, está bem, não sejas rude.
Elizaveta pegou nos pratos já preparados (um com um hambúrguer de frango com batatas fritas e outro com massa e carne picada) e removeu-se da cozinha. O seu andar era saltitante e o longo rabo-de-cavalo que usava de momento baloiçava a cada movimento.
Alfred fez-se logo ao trabalho, subitamente animado com a perspectiva de fazer outra coisa que não comida de plástico. Não o levem a mal, o americano adorava comer no MacDonalds, mas depois de uns seis anos a fazer comida semelhante, já estava um pouco farto.
Tratou do Hambúrguer e da mini pizza com experiencia e rapidez, já habituado ao tipo de comida. Já o Boeuf Bourguignon levou mais tempo. Não só era mais complexo, mas como Alfred deu o seu melhor para tornar o prato tanto saboroso como apresentável.
Quando terminou sentia-se satisfeito pelo seu trabalho. Era uma obra prima. Num prato redondo, pusera massa temperada com especiarias num circulo perfeito que ia desde o centro até ao extremo do objeto. A carne, que emanava um cheiro delicioso, foi posta no meio, cuidadosamente centrada para que ficasse tudo perfeito. Mais uns retoques e um pouquinho de salsa por cima e estava pronto.
Elizaveta levou prato com um ar admirado e deixou mais um pedido de hambúrgueres com queijo.
Ainda satisfeito com o seu Boeuf Bourguignon, Alfred continuou a cozinhar animadamente. O dilema que o atormentara durante dias foi momentaneamente esquecido e até chegou a cantarolar algumas músicas dos Beatles enquanto cozia algumas almondegas em molho de tomate.
Estava a desligar o forno, pois já passavam das três da tarde e os clientes apreciavam mais o bar do que o restaurante a partir dessa hora, quando Elizaveta voltou a entrar na cozinha, parecendo bastante animada.
_ O senhor que pediu o beaf barbigon ficou muito satisfeito.
_ Boeuf Bourguignon. – Corrigiu Alfred com um sorriso no rosto.
Ela fez um gesto de indiferença.
_ Ele quer dar os parabéns ao chefe. – Disse com um pequeno sorriso – Pessoalmente.
Alfred pestanejou, pois tal coisa nunca lhe acontecera, especialmente quando a maior parte dos seus clientes já o conheciam desde criança.
Lisonjeado por terem apreciado assim tanto a sua comida, Alfred tirou o chapéu e o avental no intuito de se mostrar mais apresentável. Ajeitou o cabelo, o que fez com que Elizaveta revirasse os olhos, e marchou para fora da cozinha.
Uma vez na zona da restauração, Elizaveta conduziu-o por entra as mesas. Cumprimentou uns quantos clientes que estavam a rodear a televisão com umas cervejas e pires de amendoins e ainda conseguiu travar uma batalha intensa entre rapazinhos de cinco anos que disputavam por um camião de brincar.
Foi guiado até ao extremo do restaurante, um local mais reservado e romântico e ergueu as suas sobrancelhas claras ao dar caras com o rosto arrogante e sorridente de Francis Bonnefoy.
_ Franny! – Soltou Alfred alegremente e abriu os braços num gesto convidativo para um abraço, ainda que estivesse uma mesa entre os dois.
_ Ah, anos depois e ainda me chamas isso. – Resmungou o outro, mas o sorriso ainda lhe rasgava a boca – Pelos Deuses, rapaz, como é que ainda cresceste depois de eu ter saído daqui? Eras um homem feito!
Francis ergueu-se enquanto falava, contornou a mesa e abraçou o primo com uma gargalhada divertida.
Alfred acompanhou-o com o seu próprio riso.
_ São segredos meus, meu amigo, segredos meus!
Sentaram-se. Francis contou-lhe a história da sua vida em França, o seu percurso como chef amador até finalmente ter atingido o sucesso e ficar mundialmente conhecido. E ainda que já soubesse tudo aquilo, pois lera todas as biografias e livros de culinária do outro, Alfred ouviu cada palavra com uma avidez curiosíssima.
_ A variedade de ingredientes, Alfred! É uma maravilha! Eu juro que encontrei lá algumas coisas que nunca tinha visto antes! Nunca fiz tantas experiencias na minha vida! Algumas saíram um total horror, mas outras…! Ah! Que delicia!
E começou a discutir os pratos que descobriu, os outros chefs famosos que conheceu, as viagens que fez pelo mundo para descobrir novos sabores.
Eram tudo coisas maravilhosas e Alfred estava encantado por ouvir tudo aquilo. Até notou que os anos em que Francis estivera na Europa tinham-lhe dado um vago sotaque francês.
Era fantástico.
_ Devias vir comigo quando eu lá voltar. – Acabou Francis por dizer no seu tom calmo.
_ Hum?
_ Vir comigo. Ver o mundo. Explorar sabores exóticos, saborear comida de requinte e criar novas iguarias.
_ Ah, eu não sou assim tão bom para subitamente tornar-me num chef de um restaurante de cinco estrelas, Franny.
_ É claro que és. Eu treinei-te, conheço as tuas capacidades. É claro que existem umas arestas que precisam de ser afinadas, mas estás praticamente pronto! – Incentivou Francis – Só não te levei comigo há anos atrás porque o meu próprio futuro era incerto, mas agora não tens nada a perder! Constrói o teu próprio império no mundo da cozinha, Alfred!
Alfred sorriu tristemente e suspirou.
_ Não posso. Eu sou feliz aqui. Gosto do meu emprego, dos meus clientes e da minha família.
_ Eu sei que sim, querido, mas não queres nada mais?
_ Quando era mais novo, sim. Queria o mundo. Agora estou bem com o que tenho. Além disso não posso simplesmente ir embora assim sem mais nem menos. O Matthie já tem preocupações suficientes com a chegada do bebé sem ter que procurar um cozinheiro bom o suficiente para me substituir.
Francis pestanejou, admirado. Encostou-se à cadeira e colocou as mãos no colo.
_ Bebé? Que bebé?
_ Não te dissemos? A mulher do Matthew está grávida. Já está quase no fim, para dizer a verdade.
_ O Matthew casou-se? O nosso pequeno Matthie, todo tão tímido e calado está casado e tem um filho a caminho? – Soltou Francis, chocado e algo horrorizado – Como é que isso aconteceu? Com quem? Porque é que ninguém me disse?
Alfred corou com culpa, e coçou o couro cabeludo.
_ Eles casaram mais ou menos há um ano ou ano e meio. Não me lembro bem. E a mulher dele é a Katyusha, a irmã mais velha do Ivan Brangisky.
_ Aquela rapariga silenciosa com uns melões enormes? – Perguntou Francis com os olhos arregalados – Céus, Alfred, o Matthew tem cá uma sorte! – Depois tomou uma expressão safada – Quem diria que ele tinha estofo para esse tipo de coisas. Mas ainda não percebi porque é que ninguém me disse que o meu priminho mais novo tinha casado, quanto mais engravidar dita esposa.
_ Desculpa! Mas nunca estás no mesmo sítio! E eu liguei-te! Uma mulher qualquer atendeu e disse que não estavas disponível! Também me disse para nunca mais ligar, porque, segundo ela: “O Francis não tem tempo para rapazinhos americanos. Vai atrás doutro, por aqui só perdes o teu tempo!” e desligou-me o telefone na cara!
_ Hum… essa seria a minha antiga secretária. Tive que a despedir quando descobri que ela tinha uma obsessão pouco saudável por mim. Andava a ameaçar amigos e tudo! – Bufou, irritado – Era um pesadelo. Se não fosse tão boa a gerir o meu horário, teria despedido mais cedo. Agora apetece-me processá-la só porque me impediu de tomar conhecimento do casamento do meu priminho.
Elizaveta aproximou-se subtilmente com uma caneca de cerveja em cada mão e colocou-as à frente de ambos.
_ Tomem lá. Estão aí à conversa e nem sequer bebem nada. É deprimente. Não se preocupem, fica por conta da casa.
_ Sabes bem que o Matthie odeia quando fazes isto. – Reclamou Alfred, mas deu um gole pela sua caneca.
_ E desde quando é que eu quero saber da opinião dele? – Respondeu Elizaveta enquanto dava meia volta e ia dar atenção a clientes.
_ É ele que te paga o ordenado! – Retorquiu Alfred um pouco mais alto e foi retribuído por um gesto algo grosseiro pela cortesia da jovem rapariga.
_ Quem é? – Perguntou Francis, parecendo interessado – Não me lembro dela.
_ É a Elizaveta. Veio viver para cá uns dois anos depois de te ires embora. Vem da Hungria. Era casada com um músico austríaco, mas ele dava mais atenção ao teclado do que à própria mulher, por isso ela fez as malas e partiu para a aventura.
_ E veio parar a este aborrecimento de cidade? – Perguntou Francis num tom cínico.
_ Ela gosta. Também gosta das pessoas e nós gostamos dela. E não é a única a vir parar aqui, sabes? Os Kirkland estão a ver se fazem contrato com um Alemão para construir uma casa. Parece que este aborrecimento de cidade, como tu lhe chamas, é mais concorrido pelos estrangeiros do que pensas.
_ Mas nada acontece por aqui! – Grunhiu o seu primo, atirando a cabeça para trás num gesto exasperado – Só há pouco tempo é que fizeram uma sala de cinema!
_ E é muito boa!
_ E nem temos um centro comercial!
_ Daria prejuízo às lojas locais.
_ O único restaurante que temos sem ser este é o MacDonalds!
_ E é muito bom, se queres a minha opinião.
_ Alfred! – Fez Francis sem folego, olhando-o com algum desespero – Nada acontece por aqui. Não há vida nesta cidade. Nunca acontece nada que dê o mínimo de excitação a alguém!
Mal dito aquilo, Albert Kirkland entrou de rompante pelo restaurante a dentro. Olhos brilhantes e peito inchado de orgulho, o patriarca da família inglesa mais famosa da zona virou-se para Elizaveta.
_ Lizzie, meu amor, dá uma rodada por minha conta a todas as damas e cavalheiros presentes! – Gritou ele alegremente e Elizaveta ergueu uma sobrancelha interrogativa, mas fez o que ele lhe pediu. Atrás de Albert vinham os seus primeiros quatro filhos – O meu Arthur conseguiu! Vamos construir a primeira casa que ele desenhou! Elizaveta, mais rápido, querida, não vês que é motivo de celebração!?
Os Kirkland foram rodeados por pessoas, até mesmo aqueles que tinham estado embrenhados nas cervejas e desporto televisivo. Alfred ajudou Elizaveta a servir as cervejas, para que esta tivesse menos trabalho.
Uma vez todos servidos, o americano voltou a sentar-se em frente de Francis.
_ Parece que estava enganado. Afinal tudo aqui é motivo de festa. – Fez o seu primo com algum desdém.
_ Não sejas assim, isto é importante para eles. É a primeira casa que o Arthur desenhou de raiz e é um projeto complexo que lhes dará bastante trabalho. Assim como vai dar emprego a mais uns quantos por aqui. Quando os Kirkland se metem num grande projeto, juntam-se mais meia dúzia para os ajudar.
_ E os Kirkland são sempre os causadores de excitação neste sítio, certo? Construções novas, fazem barulho, o filho mais velho foi um arruaceiro, o segundo toca harmónica nas festas e o quarto é homossexual. Sinceramente, só numa terra como esta é que algo tão mundano pode ser motivo para tanto alarido.
_ Tu também és, sabes? Nasceste e cresceste aqui, toda a gente te conhece. Cada vez que um dos teus programas de culinária passam pela televisão, a cidade praticamente fica parada só para te ver.
Francis pestanejou, admirado. Um leve rubor de satisfação e algum espanto aqueceu-lhe o rosto longo e atraente.
_ A sério? – Fez ele suavemente – Talvez este sítio não seja assim tão mau, afinal.
_ É claro que não é.
O seu primo virou os olhos azuis para o grupo de homens alegres no meio do estabelecimento e pareceu fixar-se em algo durante algum tempo. Alfred olhou por cima do ombro, seguindo o olhar do outro e reparou que Francis mirava Arthur com interesse.
O inglês estava ocupado a falar com Brody, que o ouvia atentamente. Mexia muito os braços e fazia gestos geométricos, por isso Alfred calculou que conversavam sobre o trabalho.
_ Ele não mudou muito, pois não? – Perguntou Francis ainda no seu tom suave – Continua baixo, pálido, despenteado, com um gosto terrível de vestuário e com aquelas sobrancelhas gigantes. – Sorriu com uma espécie de nostalgia amarga – Não me admira nada. – Virou-se novamente para Alfred – Vocês ainda são os melhores compinchas de sempre?
_ É claro. – Respondeu o americano automaticamente, mas num ápice o seu cérebro foi invadido com memórias daquela tarde de sábado que passaram à beira do lago e ele já não teve tanta a certeza da sua resposta.
_ Mais uma vez, não me admira. Tu sempre andaste atrás dele como um cãozinho de guarda. Era cómico.
_ Não andava nada!
_ É claro que andavas. Ainda me lembro quando ele fez dezoito anos e eu arranjei-vos identificações falsas para podermos entrar naquele bar gay que existe a quilómetros de distância daqui, porque tu achavas que ele merecia conhecer pessoas da mesma espécie como presente de aniversário.
_ E o que é que isso tem?
_ Alfred, ninguém falou com o pobre rapaz.
_ E como é que eu tenho culpa disso?
_ Para além de teres estado colado a ele como uma sombra e mandares olhares de puro ódio a qualquer marmelo que se aproximava, não tens culpa nenhuma. – Respondeu Francis com um sorriso mesquinho.
Alfred sentiu-se ruborizar.
_ Eles tinham todos olhares suspeitos! Via-se logo que queriam roubar a inocência dele!
Francis lançou uma gargalhada sonora, atirando a cabeça para trás e atraindo alguns olhares. Alfred manteve uma expressão irritada. Boca numa linha fina e sobrolho franzido.
_ Oh, meu caro Alfred, achas mesmo que ele tinha um pingo de inocência na altura? Eu apanhei-o semanas antes nos balneários do liceu, todo espalmado contra a parede e com uma mão enfiada nas calças do Mathias Køhler.
Alfred apressou-se a fazer uma nota mental: Destruir Mathias Køhler.
Mas depois lembrou-se de algo.
_ O Mathias não é gay! Ele já é casado e tem uma filha!
_ O que ele fez com a vida pouco me interessa. – Respondeu o chef – Não muda o facto de que ele andou entretido com o nosso pequeno arquiteto no passado.
Oh, Alfred ia mesmo acabar com aquele estupido imbecil! Nunca gostara muito dele, especialmente porque conseguia roubar todas as raparigas com aquele seu ar de cagão e descendência dinamarquesa, mas agora… agora que o americano soubera que Mathias se atrevera a meter as suas patas em cima de Arthur…
Ugh, porque é que o irritava tanto? Tinham passado anos desde que isso se passara, certo? Arthur certamente já não andava enrolado com aquele idiota, pois Alfred conhecia-o bem o suficiente para saber que o seu melhor amigo nunca se meteria com um homem casado. Mas raios, não conseguia conter a raiva ou parar de imaginar os dois colados um ao outro.
Maravilhoso.
Agora queria partir alguma coisa. De preferência a cara estúpida de Mathias.
_ Uhg! – Grunhiu, descontente, e lançou um pequeno olhar acusador ao seu melhor amigo, que continuava ignorante ao facto que estava a ser assunto de conversa entre Alfred e Francis.
_ Para quê a cara infeliz? – Perguntou o seu primo – Não me digas que achavas que ele nunca fodera na vida.
_ É claro que eu sei que ele já fez sexo! Só não gosto de pensar nisso!
_ Porquê? É algo completamente normal. O Arthur é um homem jovem e saudável e não é feio, ainda que podia levar uns retoques. Ninguém pode de facto achar que alguém como ele nunca se envolvera com outras pessoas.
Alfred passou uma mão pelo cabelo. Parecia que cada vez que conversava com alguém ultimamente, acabava sempre com temas como Arthur, sexo e Arthur a ter sexo.
Era algo contra ele? Os deuses decidiram castiga-lo por algum pecado que ele cometera e não se lembrara? Ele sabia que de vez em quando poderia ser um bocado despassarado, mas isso não parecia ser merecedor de castigo!
Extinguiu o resto da sua cerveja e suspirou pesadamente, embatendo com a caneca na superfície da mesa, utilizando alguma força desnecessária.
_ Vejo que ficas particularmente sensível com este tipo de conversa. – Comentou Francis, erguendo uma sobrancelha – Nem quero saber como reagirias se eu te dissesse que o teu Arthie-kins andou na pura curtição com o Antonio Carriedo por detrás das bancadas do campo de futebol quando vocês tinham dessásseis anos,
_ Oh meu Deus – Grunhiu Alfred, levando as mãos à cara – Como é que sabes isso tudo?
_ Eu também gostava de usar esse sítio para as minhas brincadeiras com as meninas da claque.
_ Alfred? – Chamou alguém por detrás do americano. Dito homem olhou por cima do ombro, encarando Elizaveta.
_ Que foi? – Perguntou, mal disposto.
_ Estás assim outra vez? Eu juro que te dou uma carga de porrada da próxima vez que falares assim para mim. – Ameaçou ela enquanto semicerrava os seus olhos verdes. Retirou a caneca vazia das mãos dele e colocou-a num tabuleiro que trazia na outra mão – Queria saber se tens alguns planos com o Arthur nesta sexta-feira.
Alfred não queria fazer qualquer plano com Arthur num futuro próximo.
_ Não, porquê?
_ Nada que te diga respeito. – E com aquilo era virou-lhe costas, encaminhando-se na direção do inglês.
Alfred virou-se para Francis e fez um falso ar magoado.
_ Já viste bem como ela me trata?
_ Parece-me uma autêntica tirana.
_ E é. Chega ao pé de nós com um olhar adorável e inocente e BAM! Perdemos qualquer virilidade que possuíamos.
_ Hum. Um monstro com cara de anjo.
_ Ainda bem que me entendes.
Francis riu-se baixinho, abanando ligeiramente a cabeça. Alfred reparou que o seu primo agora tinha o cabelo mais longo, uma cascata ondulada que lhe chegava até aos ombros e no seu queixo pontiagudo encontravam-se um amontoado de pelos dourados.
Parecia mais velho, requintado e profissional.
Alfred suspirou.
Como os anos mudavam.
_ Porque é que não vamos jantar na sexta, já que não tens planos com o anão. Tu, eu, o Matthew e a mulher dele.
_ O Arthur não é um anão. Ele nem é assim tão baixo. E não sei se dá. Tenho que falar com o Matthie primeiro.
_ Tenta convencê-lo, sim? Quero conhecer melhor o novo membro da minha família.
_ Podes encontrar-te com eles a qualquer hora, sabes?
Francis lançou-lhe um olhar irritado.
_ Eu gostaria de levar a minha família a jantar a um lugar requintado, se não te importas.
_ Oh. – Fez Alfred estupidamente e pestanejou, meio abananado – Está bem, eu vou tentar convencê-lo. Podemos fechar o restaurante nessa noite.
_ Ótimo! – Sorriu o chef – Agora diz-me, meu querido primo, como anda a tua vida amorosa?
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_ Não sei, Elizaveta, parece-me um bocado repentino. – Disse Arthur, indeciso.
Olhos cortantes semicerraram-se na sua direção.
_ Não é nada repentino. Para de se picuinhas. Não é como se tivesses tido alguma sorte nos últimos meses.
Dizer “meses” era simpático, visto que Arthur já não tinha outro homem na cama há dois anos e meio.
Estavam os dois a um canto do restaurante, afastados dos ouvidos cuscos dos clientes. Elizaveta tentava convencer Arthur a participar num encontro duplo com ela, mas o nosso inglês ainda não se tinha decidido.
Aparentemente a jovem empregada tinha conhecido um ricaço qualquer e já tivera uns quantos encontros com ele. Descobrira, numa conversa, que ele tinha um amigo e sócio gay que andava em busca de parceiro já há algum tempo e não tinha tido qualquer sucesso.
Elizaveta teve, então, a maravilhosa ideia de juntar o seu amigo gay com o amigo do seu novo provavelmente futuro namorado.
_ Vá lá! Já vi fotografias dele! É bem bonito! E rico! É de aproveitar!
_ Estou-me a cagar se ele é rico ou não. Não sei, vou estar cheio de trabalho, agora que temos contrato. E ainda tenho que acabar o quarto do bebé do Matthew e…
_ Não arranjes desculpas imbecis, Arthur Kirkland! É só uma noite! Vá lá, vá lá, vá lá! – Implorou ela, abrindo muito os olhos e fazendo beicinho.
Arthur tentou resistir, a sério que sim. Mas o olhar de cachorrinho abandonado da Elizaveta era praticamente imbatível.
Com um grunhido desesperado, ele lá anuiu.
_ Está bem, está bem, eu janto contigo e com o teu novo brinquedo!
_ E o amigo gay dele!
_ E o amigo gay dele. Sinceramente, Elizaveta! Não podes simplesmente marcar planos para um dia sem saber se eu já tinha coisas a fazer! E se eu tivesse uma noite de família ou uma noite de cinema com o Alfred na sexta?
_ Perguntei tanto ao Brody como ao Alfred se tinham planos contigo na sexta e eles disseram-me que não. Por isso és meu.
_ Falaste com o Alfred? Mas nem sequer foste à cozinha.
_ Ele não está na cozinha. Está ali ao fundo com aquele homem. – Apontou para o outro extremo do restaurante.
Arthur virou a cabeça nessa direção, sentindo-se estupido por não ter reparado no amigo antes e congelou ao ver a companhia do americano.
Francis Bonnefoy.
A porra do Francis Bonnefoy.
Foda-se.
Merda.
Caralho.
Era o Francis Bonnefoy.
_ Oh meu Zeus, eu odeio aquele palerma! –Rugiu Arthur num tom animalesco. Mas lá fez um esforço para se acalmar, pois tinham passados anos desde que aquele imbecil tinha saído da cidade e, quem sabe, até poderia estar mais maduro e menos arrogante.
_ Hã? O que é que o Alfred te fez? – Perguntou Elizaveta confusa – Ele tem estado insuportável, sempre de trombas, e calculei que tivesse algo a ver contigo, mas ninguém me diz nada! Discutiram com alguma coisa?
Uma onda de culpa, humilhação e alguma raiva invadiu cada pedacinho do corpo de Arthur, que baixou ligeiramente a cabeço num gesto de relativa submissão.
_ Pelos céus, vocês discutiram mesmo, não foi?
_ Talvez… mas não é nada que não resolveremos. Espero eu. Adiante, eu não estava a falar do Alfred, estava a falar do Francis.
_ Francis? Quem é o Francis?
_ O homem sentado em frente ao Alfred.
_ Oh. E qual é o teu problema com ele?
Memórias de um passado repleto de insultos e confrontos físicos apoderaram-se do cérebro de Arthur. Não gostava de se lembrar dessa etapa da sua vida, apesar de tão ter sido muito extensa ou intensa, comparada com alguns pobre adolescentes sofredores de Bulling.
Mas tinha que responder à Elizaveta.
_ Ele gostava de enfiar a minha cabeça em sanitas.
_ O quê?! Oh, não, não, não! Ninguém tortura o meu Arthiezinho e come no meu restaurante sem levar com uma frigideira na cara! – Sibilou Elizaveta toda assanhada.
_ Relaxa, já passaram anos. Ele ficam melhores com o tempo, acho eu. Espero eu. E se ele continuar o cabrão que era na nossa adolescência, posso sempre partir-lhe os queixos. Ou mandar o Scott partir-lhe os queixos. Qualquer um dos dois serve.
_ O Alfred dá-se bem com alguém que te tratava assim?
_ Ele… ele não sabe. Nunca soube. – Disse Arthur, embaraçado – O Francis é primo dele, sabes? E o Alfred sempre o idolatrizou. Não queria estragar isso. E não te atrevas a contar-lhe!
_ Mas…!
_ Elizaveta, por favor não lhe contes! Eu… eu até te deixo escolher a minha roupa para o encontro!
Ela não pareceu convencida durante algum tempo, mas lá suspirou e anuiu. Forçou um sorriso encorajador e passou-lhe um braço finito pelos ombros.
_ Então, vamos falar sobre roupas!
Arthur rolou os olhos, insatisfeito pela conversa. Lançou mais um olhar à mesa onde se encontrava Alfred e deixou-se mais uma vez ser remoído pelo ressentimento.
Sabia que tinha que falar com o amigo e resolver as coisas entre eles.
Mas desde aquele sábado à beira do lago que já não se sentia muito corajoso.
Além disso ainda se sentia magoado pelas palavras do outro. Quem diria que Alfred pensaria tais coisas sobre ele! A chamar-lhe vadio! Arthur podia não era propriamente monógamo, mas também não era assim tão promiscuo para ser chamado de vadio!
Uhg!
Elizaveta foi chamada por um cliente e eles viram-se obrigados a separarem-se. Arthur caminhou até aos irmãos, fingindo estar atento à conversa enquanto roubava uns quantos olhares a Alfred e a Francis.
Por enquanto ia focar a sua atenção no trabalho e na Elizaveta, depois tentaria ser um homem decente e dizer alguma coisa ao americano.
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