Sure, Why Not?
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Arranjo coisas mais tarde.
Still no sexy times. Mas estamos lá perto!
Capitulo 3
Eireen andava fria para com ele e Arthur não a culpava, mas também não se arrependia do que tinha feito. Ele não queria ser o irmão mais velho mau que não a deixava namorar com quem ela queria, mas Alfred era demasiado velho para ela.
A única culpa que sentia era pela discussão que tivera com o melhor amigo. Ele nunca quis insinuar que Alfred era um garanhão insensível que só pensava com a pila, mas os seus instintos fraternais para com Eireen falaram mais alto e ele não conseguira conter as palavras.
Arthur nem sequer sabia porque é que estivera tão zangado por ver a sua irmã e o seu melhor amigo tão juntinhos. Eireen tinha vinte anos e ele já a vira a fazer flirt com uns quantos rapazes. É claro que quis partir a cara a todos eles, mas não sentira aquela raiva ardente e esfomeada, nem sentira aquela necessidade quase destruidora de a afastar de alguém.
Ele não queria pensar em ciúmes. Não queria pensar que se calhar tinha sido a visão de Alfred a ser tão íntimo com alguém que o tivesse posto raivoso. Não. Esse raciocínio não continha qualquer lógica. Apesar de nunca o ter visto com ninguém em particular, Arthur sabia que o americano era concorrido pelas meninas. Sempre achara que o mau estar que sentia quando Alfred lhe vinha contar os seus momentos picantes fosse proveniente no facto de que o americano tinha sexo com frequência e Arthur raramente tinha sucesso em sacar um pénis que estivesse remotamente interessado nele.
Ciúmes de Alfred? É claro que sentia. Todos sentiam até a um certo ponto. O americano estava longe de ser perfeito, mas as suas qualidades abafavam os defeitos. Ele era um homem bonito, gentil e simpático. Todas as mulheres gostavam dele, atraídas fisicamente ou não e os homens, apesar de um pouco ressentidos pela atenção que ele roubava do género feminino, respeitavam-no e apreciavam uma boa conversa com ele.
Houvera uma altura na vida de Arthur, nos seus anos de rebeldia adolescente, que ele quisera imenso ser tão atraente e adorado como Alfred, falhando miseravelmente no assunto. Chegara até a afastar-se do amigo, chateado com a raiva e a inveja que sentia pelo outro. Mas Alfred, com a sua eterna teimosia, chegava-o mais de perto de cada vez que Arthur se atrevia a distanciar-se. E discutiram. Discutiram tanto, que Arthur achara que seria o fim daquela amizade.
Mas tinham ultrapassado as dificuldades. Arthur finalmente conseguiu confessar as suas inseguranças a Alfred; Como não se achava atraente, que se sentia ignorado pelos pais a favor dos irmãos, que as suas notas de matemática nunca tinham estado tão más. E mais tarde, depois de Alfred lhe ter assegurado que ele estava a ser um idiota por pensar o que pensava, Arthur revelou-lhe que jogava na outra equipa.
Tal revelação fez Alfred um bocado pouco à vontade durante algum tempo, mas ele lá ultrapassou o que quer que tenha sentido na altura e voltou tudo ao normal.
E agora Arthur tinha novamente um problema com o melhor amigo. Exceto que em vez de ser inveja e ciúmes, era o ardente desejo que lhe queimava as entranhas a cada pequeno toque dos longos e experientes dedos de Alfred.
Arthur sentia-se indignado. Tanto homem jeitoso por aí, e ele tinha logo que se sentir atraído por Alfred? É que nunca sairia nada dali. Mesmo que o americano se tivesse outrora metido com o Ivan Brangisky, nunca olharia para Arthur duas vezes. Julgando que Alfred só gostava de homens extremamente altos, fortes, peludos e maníacos, então o nosso inglês estava longe da sua mira. Para não falar dos laços afetivos entre os dois, que provavelmente, no lado de Alfred, não passavam de carinho fraternal.
Por isso, analisando todos os factos, podíamos chegar à conclusão que Arthur iria eventualmente conseguir muita coisa na vida, mas a pila de Alfred F. Jones não seria uma delas.
_ Está a ficar muito bom. – Soou uma voz calma atrás de si.
Arthur mandou um salto, quase deixando cair o rolo de pintar ao chão. Olhou para trás, encarando quem tinha quebrado o seu trilho de pensamentos e deparou-se com Matthew, que lhe lançava um pequeno sorriso.
Sentindo culpa por ter sido apanhado a pensar no pénis do irmão gémeo do homem que se encontrava à sua frente, Arthur deu meia volta e voltou á parede que pintara antes de ser abordado.
Os Kirkland tinham sido contratados por Matthew e Katyusha Williams para lhe decorarem o quarto de bebé. Arthur tinha, como sempre, tratado do projeto enquanto o seu pai e irmãos iriam encarregar-se de construir o mobiliário.
Como era tradição da família de Katyusha só saberem o sexo da criança uma vez que ela cá estivesse fora, Arthur sugeriu que pintassem o quarto com um suave tom de verde jade. O casal concordara e ainda quiseram que fosse feita uma leve decoração com padrões delicados e floridos nos cantos da parede.
De momento, Arthur ainda se ocupava com a primeira camada de tinta. Como era um sábado de manhã, Peter tinha estado com ele antes de se ter escapulido para um sítio qualquer.
_ O teu irmãozinho está lá em baixo a comer torradas. – Disse Katyusha, como se tivesse lido a sua mente – É um rapazinho tão adorável.
_ É uma dor de cabeça, é o que ele é. – Resmungou Arthur, mau humorado. Molhou o rolo na tinta e rapidamente esfregou-o pela parede – Podia estará ser útil e em vez disso está a enfardar-se.
Katyusha franziu o seu sobrolho delicado.
_ Mas ele é só uma criança. Não o deviam forçar a trabalhar.
_ Não é trabalho, são momentos de família. – Retorquiu o inglês secamente.
_ Bem, eu gosto muito desta cor. – Comentou ela com suavidade, obviamente mudando o assunto de conversa – Tens sempre tão boa visão para estas coisas.
Arthur lançou-lhe um olhar agradecido.
_ Têm a certeza quanto aos padrões floridos? Podíamos esperar que o bebé nasça antes que os façamos.
_ Não quero que o meu filho ou filha passe as suas primeiras noites neste mundo num quarto a cheirar a tinta. – Katyusha afagava carinhosamente a barriga dilatada enquanto falava – E estava a pensar nuns padrões mais vitorianos, assim é mais unissexo e intemporal.
_ Como queiras. – Respondeu Arthur – Depois eu mostro-vos vários padrões e escolhem um. Mas algo me diz que a vossa criança, seja ela de que género for, vai querer isto tudo mudado quando chegar à adolescência.
Matthew e Katyusha riram-se em uníssono. Eram ambos risos leves e agradáveis e Arthur não pode deixar de reparar que aqueles dois eram provavelmente o casal mais calado e tímido à face da terra. Era de admirar que algum deles tenha tido coragem de abordar o outro em namoro, quanto mais casar e já terem um descendente a caminho.
Bem, eles diziam que os piores eram os mais quietos. Talvez Matthew e Katyusha fossem todos cheios de fetiches estranhos e selváticos na cama.
Estremeceu de horror só de pensar nisso.
Ouviram Peter dizer qualquer coisa lá em baixo e Katyusha foi logo lá ter com ele em passinhos pequeninos mas apressados, deixando Matthew e Arthur sozinhos.
O inglês retomou a sua pintura, apreciando a forma de como o verde jade ia lentamente consumindo o branco original da parede.
_ O Alfred tem andado calado ultimamente. – Comento Matthew algures ao seu lado. Pelo canto do olho, Arthur viu o outro agarrar no rolo que Peter tinha abandonado –É estranho.
_ É. – Concordou o mais velho dos dois secamente.
Matthew começou a ajudá-lo a pintar a parede, mas sempre olhando-o de esguelha.
_ Aconteceu alguma coisa?
Arthur hesitou. Sempre gostara de Matthew. Não partilhava uma amizade tão chegada como com o seu irmão gémeo, mas também não poderia dizer que não eram amigos. Mas não sabia se queria falar das discussões que tinha com Alfred. Principalmente sobre uma discussão onde ele tinha agido de forma irracional e ligeiramente retardada.
_ Para dizer a verdade, tivemos uma pequena disputa. Mas está tudo bem entre nós. – Respondeu Arthur num tom calmo, fingindo alguma indiferença na matéria de conversa.
_ Disputa? Sobre o quê?
Ah, raios. Arthur não queria afirmar que tivera ciúmes… herm, bem, quer dizer; que tivera um vaipe raivoso de irmão mais velho quando vira Eireen toda coladinha a Alfred. Seria embaraçoso e iria ferir o seu orgulho.
_ Comida. – Disse o inglês aparvalhadamente.
_ Comida? Vocês tiveram uma disputa sobre comida? – Fez Matthew, incrédulo.
_ Sim. Sabes como é que o Alfred é protetor com a comida que ele prepara. Foi só uma briga pequenina, nada de mal aconteceu! – Sentia-se a pior escumalha a vaguear na face da terra por mentir a um ser tão doce e gentil como Matthew, mas naquele momento o seu orgulho falava mais alto.
_ Hum. – Pela expressão do homem mais novo, notava-se que ele não estava totalmente convencido pelas palavras e sorriso de Arthur. No entanto, Matthew largou a conversa e mudou de assunto – Eu gostei muito do teu projeto para o quarto do bebé. Mal posso esperar que esteja pronto… e que o meu filho durma nele.
_ Não era uma menina? Porque tenho a certeza que me disseram que ia ser menina.
_ Decidimos que só iriamos descobrir quando a criança estivesse cá fora. – Explicou Matthew calmamente – A Kat diz que vai ser menina, mas o meu instinto diz-me que será rapaz.
_ É claro. – Disse Arthur secamente e revirou os olhos – Seja o que for, tenho a certeza que vai ser adorável e barulhento. Isso e vais andar uns meses enfiado em fraldas sujas.
_ Nem me lembres disso. Ainda não me preparei psicologicamente.
_ Foi ao que te sujeitaste. Que nomes lhe vão dar?
_ Ah, não sei. Eu queria dar-lhe um nome normal, sabes? Como Ian ou Steve. Mas a Kat quer dar-lhe o nome do avô dela e eu nem sequer o consigo pronunciar corretamente.
_ E se for menina? – Perguntou o Inglês.
_ Não vai ser menina. – Respondeu Matthew com toda a certeza.
_ Mas se for! – Céus que o rapaz tinha mesmo na cabeça que os seus soldadinhos só geravam machos.
_ Não sei. Talvez Amanda ou Mathilda. A Kat quer chamar-lhe Natacha, o que é melhor do que aquela maldição de nome que quer dar ao nosso futuro menino.
_ Ou menina.
_ Não impliques comigo, Arthur, isto é tudo instinto paternal. Volta quando engravidares alguém e depois diz-me se o teu palpite sobre o género da tua criança não é praticamente uma certeza.
_ Isso é ridículo, não há forma de saber sem ajuda de máquinas. E como é que achas que eu vou engravidar alguém? Sou gay e gosto mais de pénis do que aprecio rabos. – Fez o inglês bruscamente.
Matthew corou com as palavras do outro.
_ Eu não preciso de saber sobre as tuas… preferências, digamos, na cama. – Resmungou baixinho.
_ Bem, em todos os casos, seria eu a engravidar. – Continuou Arthur, sentindo um estranho prazer sádico ao ver a expressão desgostosa do amigo – E tenho quase a certeza que os meus intestinos são demasiado hostis para gerar um feto.
_ Meu Deus, Arthur, o que diria a tua mãe se te ouvisse a falar dessa forma?
_ Concordaria comigo.
_ Ugh.
_ Pára de ser tão ingénuo. – E Arthur aprontou-se a tocar-lhe to braço com a ponta do dedo – Não podes ser assim tão inocente, ou a tua mulher não estaria tão dilatada como está agora.
_ Eu sei o que é sexo, Arthur, e já o faço há uns anos. Mas não preciso de ouvir o que os outros fazem nos seus momentos íntimos.
_ Eu não te disse nada de mais.
_ Acabaste de me dizer que gostas de… — Matthew ficou vermelho – De… de levar no cu. – O pobre homem disse tais palavras num tom tão baixo que Arthur mal percebeu.
E o inglês partiu-se a rir com o embaraço do outro. Riu-se ás gargalhadas sob o olhar desaprovador de Matthew, que continuava com a cara do mesmo tom que um tomate.
_ Não te rias! Só acho esquisito, está bem! Não sei como… como é que alguém pode gostar de ter uma pila enfiada pelo rabo acima.
_ Eu também não percebo onde está a fascinação de enfiar o pénis dentro de uma vagina, mas não me vez a queixar. – Comentou Arthur secamente.
_ Hei, não descartes as vaginas! Elas são maravilhosas.
_ Discordo. Prefiro pénis.
_ Bah, para quê discutir contigo! És tão gay que quase vomitas arco-irís!
_ Já lá estive perto uma vez, mas só saiu uma quantidade astronómica de cerveja.
Matthew riu-se baixinho e com a mão livre afagou o cabelo de Arthur, que grunhiu coisas incompreensíveis por ter o seu penteado desalinhado ainda mais arruinado do que já era normalmente.
_ E mamas? Tens alguma coisa contra elas? – Perguntou Matthew com um sorriso matreiro no rosto enquanto se voltava para a parede para lhe dar a advida atenção.
_ Poderia dar-te um testamento sobre o que eu não gosto nelas, mas digo-te apenas que nada bate uns bons e velhos peitorais definidos acompanhados por uns belos abdominais salientes e atléticos.
_ Discordo.
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_ Peter, não te afastes muito ou arranco-te as orelhas! – Ameaçou Arthur enquanto se sentava na manta que estendera na relva.
Após ter terminado o serviço na casa de Matthew e Katyusha, Arthur viu-se a ser obrigado por dois grandes olhos azuis a conduzir a sua velha carrinha até ao lago que ficava mais a sul da cidade, perto da casa de Alfred.
Peter adorava lá ir e ainda que estivesse demasiado frio para mandar uns valentes mergulhos, o rapazinho iria deliciar-se a dar pão a patos ou a subir árvores.
Arthur, por sua vez, estendera uma manta que tinha sempre na bagageira da sua carrinha, por nenhuma razão lógica, e relaxara em cima desta com um livro na mão. Depois ocupava-se com a leitura, sempre com um olho nas páginas e outro no irmão.
Era um local calmo. O lago não era muito grande e também não possuía uma profundidade extrema, por isso era extraordinariamente querido pelos pais, que deixavam as suas crianças banharem-se naquelas águas cristalinas durante o verão.
Naquela altura, em meados de Outubro, as árvores que rodeavam o círculo de água coloriam-se de laranja, vermelho, amarelo e castanho, aquecendo visualmente o lugar para contrastar com a temperatura ambiente.
Uma brisa gelada atravessou Arthur, que se arrepiou todo e encolheu-se. Deu mais uma olhadela a Peter, que tinha encontrado uns amigos e mandavam rochas lisas para a água, competindo entre si para ver quem as fazia saltitar mais.
_ Viva Artie!
Arthur congelou e quase deixou cair o seu romance homossexual entre um capitão naval e um pirata. Lançou uma olhadela por cima do ombro e sentiu um corpo largo e quente sentar-se ao seu lado.
Alfred sorriu-lhe calorosamente.
E Arthur deduziu que aquela era a prova que Deus existia, e que Ele o odiava profundamente.
_ Boa tarde Alfred. – Disse Arthur polidamente, dirigindo os olhos de novo para o seu livro e fingindo estar a dar atenção ao objeto.
_Ah, tão formal! – Fez Alfred com um sorriso no rosto e deu-lhe um pequeno encontrão com os ombros – E o que fazes por estas bandas?
_ Estou a cuidar de pestes. – E apontou secamente para Peter, que discutia alguma coisa com uma rapariga cujo nome Arthur desconhecia.
Alfred lançou um olhar vago ao mais novo da ninhada dos Kirkland em forma de reconhecimento antes de se fixar novamente no outro Kirkland que estava mesmo ao seu lado.
_ Podias ter-me ligado e eu vinha aqui fazer-te companhia. Se eu não estivesse farto de estar enfiado em empadas de carne, estarias aqui sozinho a tarde toda!
_ E porque é que assumes que isso é um problema? – Perguntou Arthur casualmente, virando a página do livro. Teria que, eventualmente, voltar atrás, pois a leitura que fazia de momento não era a melhor.
_ Eu gosto de passar tempo contigo. Além disso, adoro esta altura do ano, esta zona fica particularmente bonita. É tão romântico que chega a ser nojento.
Arthur corou ligeiramente ao ouvir as palavras do outro e o seu cérebro evocou a imagem de si mesmo enroscado ao peito de Alfred enquanto observavam o laranja, vermelho, amarelo e castanho das árvores que se refletiam na superfície calma do lago.
Não! Não! Arthur mau! Mau! Muito mau!
Respirando fundo, o nosso inglês passou a mão pelo cabelo e tentou fixar a sua atenção em Peter, pois já não valia a pena fingir que lia o que quer que seja.
Alfred , aproveitando a sua distração, tirou-lhe o livro e passou os olhos pela contra capa. O seu sobrolho ia-se franzindo mais á medida que o significado das palavras lhe ia chegando ao miolo e quando terminou tinha um pequeno rubor embaraçado no rosto.
_ A sério, Arthur? Um romance gay com piratas?
Arthur pestanejou e só então é que reparou que o seu livro tinha sido roubado.
_ Hei! Que raio! Para de mexer nas minhas coisas! – Escarlate com embaraço, o mais baixo dos dois arrancou o objeto de leitura da posse do americano e abraçou o livro como se a sua vida dependesse da sua segurança – Foi a Elizaveta que mo comprou quando eu me queixei que só lia romances eróticos heterossexuais.
_ Queixas-te à Elizaveta sobre isso? Porque é que nunca te queixas a mim? – Perguntou Alfred num ciúme quase infantil.
_ E o que é que isso te iria interessar?
_ Eu sou o teu melhor amigo! Deveria ser eu a ouvir os teus problemas!
_ A falta de romances gays na minha vida é um problema? E onde raio é que me ias buscar um livro destes? – Abanou o que tinha na mão – Nem consegues encontrar um dicionário na biblioteca!
_ Eu fiquei distraído na secção da banda desenhada! E isso aconteceu aos anos, porque é que ainda te lembras deste tipo de coisas embaraçosas!?
_ Alguém tem de o fazer. – Disse Arthur com um sorriso mesquinho.
Alfred fungou e voltou o seu olhar novamente para o livro de Arthur.
_ Ao menos é sexy? – Perguntou, ainda um pouco mal-humorado.
_ O quê?
_ O livro.
_ Oh! – Arthur sentiu as suas bochechas aquecerem e folheou as páginas com um pequeno curvar de lábios matreiros — É sim. Ainda não cheguei a nenhuma cena de sexo propriamente dito, mas já estou nas partes das fantasias das personagens principais. São bastante picantes. E… — Lançou um pequeno olhar sonhador para ninguém em particular – O capitão naval é descrito de forma tão sensual que quase quero matar o pirata para ficar no lugar dele.
Alfred resmungou qualquer coisa sobre “estúpidos”, “navais” e “não há nada sexy em uniformes”. Arthur ignorou-o, lançando outra olhadela ao irmão. Peter e os seus amigos ocupavam-se a olhar para algo que se encontrava no chão e não era bem visível daquele angulo graças à quantidade de criancinhas curiosas que estavam à sua volta.
_ O Matthie ligou-me. – Disse Alfred num tom descontraído. Mas Arthur podia ouvir pelo leve rugido do outro que iria haver algo mais que uma conversa animada – Disse que estava a gostar de como o quarto do bebé estava a ficar bonito.
_ Ainda bem que ele gosta.
_ Também me disse que vocês tiveram uma discussão alegre sobre quem vencia: Se pénis ou vaginas.
_ Tivemos sim. Chegamos à conclusão que concordamos em discordar do que achamos mais interessante. Foi produtivo.
_ Vês! Vês! – Alfred ergueu um dedo acusador em direção do amigo – Falas de sexo com toda a gente! Exceto quem realmente importa! Eu! – Lançou-lhe um olhar desagradado – Eu digo-te tudo! Não é justo não retribuíres da mesma forma.
_ Hei, não ponhas as culpas em mim, eu nunca te pedi para me contares o que quer que seja. Eu nem sequer dou pormenores, ao contrario de certas e determinadas pessoas que eu conheço. – E Arthur dedicou-se a lançar um olhar óbvio ao amigo.
_ Eu pensava que os melhores amigos contavam tudo uns aos outros!
_ Se fossemos mulheres, talvez.
_ Mas eu conto-te tudo o que se passa no meu quarto! Ou no meu carro! Ou na minha sala!
Não me contaste sobre o Ivan Braginsky. Pensou Arthur com um misto de amargura e alívio, porque, com toda a sinceridade, ele detestava ouvir as aventuras íntimas do amigo.
_ Se bem me lembro, não te pedi para me contares o que quer que seja. – Disse Arthur levemente.
_ Mas tu és meu amigo! E eu quero saber como é que os outros meninos brincam contigo no vale dos lençóis.
_ Porquê? – Perguntou o inglês, ligeiramente perturbado pelo interesse do outro na sua vida sexual.
_ Porque se algum deles for um sacana, tenho que ir lá e partir-lhe a cara toda!
_ Eu sou bem capaz de partir uma cara sozinho, muito obrigado.
_ Eu sei que és, mas não podes dar esse privilégio de vez em quando?
_ Não.
_ És tão cruel para mim. – Queixou-se Alfred com um drama fingido, suspirando pesadamente enquanto virava o rosto até aos céus – E eu aqui com ideias de proteger a tua honra.
_ Eu não tenho uma dessas.
_ E piedade, compaixão, carinho, amabilidade, doçura e gentileza também não devem estar na ementa.
_ Nunca estiveram, nem nunca estarão.
_ És tão boa pessoa. – Fez Alfred sarcasticamente.
_ Eu sei.
Entraram num silêncio confortável, observando Peter e os amigos brincarem no outro lado do parque. Arthur levou os joelhos ao peito e respirou a brisa gelada do Outono, estremecendo ligeiramente enquanto o frio penetrava o seu corpo.
Aproximou-se um pouco de Alfred, tanto pelo calor humano, como para saciar aquela atração estupida e inútil que tinha vindo a sentir. Deu-lhe uma olhadela pelo canto do olho, absorvendo os traços angulares do rosto do outro, desde o queixo firme e definido, a passar pelo nariz longo e direito, até chegar aos olhos azuis.
Alfred era um homem atraente. Sempre partira e conquistara corações de meninas alheias. E como ele tinha a boa combinação de beleza e simpatia, mais elas o adoravam.
Mas Arthur não queria ser como uma dessas raparigas. Ele era suposto ser o melhor amigo gay que só está lá para trocar conversas, ver filmes de terror, ser cobaia de culinária e ouvir aventuras sexuais com mulheres. Nunca deveria querer meter-se nessas ditas cujas aventuras!
Sem a parte das mulheres, como era evidente.
Ew.
Arthur sentia que estava a ser um péssimo melhor amigo. Amigos não querem dormir com amigos. Era uma das leis mais severas da natureza.
Ele acabara de inventar isso.
Mas continuava a ser errado.
Dormir com amigos só trazia problemas. Haviam sentimentos e emoções, coisas irritantes e desnecessárias que só existiam para arruinar uma boa relação de sexo.
A não ser que fossem amigos coloridos.
Mas Alfred nunca iria concordar a ser seu amigo colorido. Pelo menos, Arthur achava que não.
Também não custava nada tentar. Era provável que, se Alfred dissesse que não, ele ficassem um bocado abalados ao pé um do outro e não dissessem mais que uma palavra durante uma semana ou duas, mas depois voltavam ao normal.
Se Alfred dissesse que sim, bem… Era só levar o Peter para casa e preparar-se mentalmente que não iria andar direito durante um dia ou dois.
Pelo menos manquejaria todo satisfeito da vida.
Respirou fundo, recolhendo todos e mais alguns bocadinhos de coragem que tinha no corpo. Virou-se para Alfred, que continuava com os olhos fixos nas criancinhas desmioladas lá do fundo, mas, a julgar pelo olhar vago que tinha estampado no rosto, o americano deveria ter a mente noutro sítio qualquer.
_ Alfred. – Chamou Arthur cautelosamente.
_ Hum? – Alfred dirigiu as suas retinas azuis em direção do amigo e fez uma expressão interrogativa.
_ Eu… eu vou sugerir uma coisa e tu tens que me prometer, quer concordes ou não, que não ficas chateado comigo.
Alfred pestanejou, admirado pelas palavras do outro. Sentou-se mais direito e inclinou levemente a cabeça. Parecia um golden retriever confuso e Arthur sentiu uma vontade imensa de lhe apertar as bochechas.
Mas não o fez. Isso seria esquisito. Quase tão esquisito como o que iria sugerir dali a um pouco.
_ O que foi? Queres roubar uma das maçãs do senhor Miller? Raios, Arthur, já falamos disto, eu sei que as maçãs são boas, mas tudo o que temos que fazer é pedir! Não precisas de roubar!
_ O quê? Não sejas ridiculo, isso nem sequer faz sentido! Eu já tenho permissão para tirar maças há anos! Não é nada disso. Mas promete que não te chateias.
_ Mas eu nem sequer sei o que é!
_ Promete!
Alfred grunhiu, de sobrolho franzido.
_ Está bem, está bem. Prometo não ficar chateado. – Disse, um pouco relutante.
Arthur hesitou. Como sugerir tal coisa sem parecer um idiota? Parecia uma tarefa impossível. Passou a mão pelo cabelo, olhou para todos os cantos do parque só mesmo para evitar encarar o americano até ganhar tomates, respirar fundo e declarar:
_ Eu acho que deveríamos ter sexo um com o outro!
Pronto! Já está! Bom trabalho, Arthur, só pareceste trinta por cento retardado, isso era menos setenta porcento do que estavas à espera! Que orgulho.
Alfred ficara muito quieto, sem qualquer emoção no seu rosto atraente a não ser uma vaga confusão.
_ O… o quê? – Acabou por perguntar baixinho.
Arthur respirou fundo e repetiu.
_ Eu acho que deveríamos ter sexo um com o outro.
O silêncio caiu sobre eles novamente e desta vez não foi agradável ou confortável. Arthur esperava, ansioso, por uma resposta, enquanto Alfred, o pobrezinho, observava o amigo com os dois olhos tão esbugalhados que pareciam que saltariam a qualquer momento.
Seria cómico, se a situação em que se encontravam não fosse tão delicada.
_ O quê!? – Guinchou Alfred horrorizado.
Arthur bufou, assanhado.
_ Tenho que me repetir mais uma vez? Eu disse que achava que nós deveríamos ter…
_ Eu ouvi-te à primeira vez! – Cortou Alfred e a sua expressão chocada sumiu-se para dar lugar a uma enraivecida. – Mas não tenho a certeza se tens consciência do que acabaste de sugerir!
O inglês sentiu a sua confiança desfalecer um pouco, mas franziu as sobrancelhas num gesto de desafio.
_ É claro que sei o que acabei de sugerir. Não sejas tão dramático, é só sexo, não é como se eu te tivesse pedido para seres o pai dos meus filhos.
_ É só sexo!? É só sexo!? O que é que a tua mãe diria se te ouvisse a falar assim!?
_ O que raio é que a minha mãe tem a ver com a minha vida sexual? – Perguntou Arthur secamente. Sinceramente, não poderia Alfred ser um pouco menos dramático? Um simples “não” bastava.
_ Eu… tu… tu não podes simplesmente chegar ao pé de uma pessoa e sugerir, do nada, hei vamos ter sexo! Isso é indecente e vergonhoso!
Arthur sentiu o familiar borbulhar da raiva aquecer-lhe o peito e o rosto. Cerrou os punhos e os dentes e inclinou-se para a frente, numa pose de ataque.
_ Indecente e vergonhoso? – Repetiu ele num leve rugido – Tu é que contas todos os pormenores das tuas fodas e eu é que sou indecente e vergonhoso?! Quem é que pensas que és!?
_ Eu sou o homem a quem acabaste de oferecer o rabo!
_ Foi só uma sugestão! E ainda está aberta, apesar de estares a agir como um imbecil.
_ Eu não posso fazer isto! – Exclamou Alfred, furioso, e levantou-se de repente. – Não posso ficar aqui a ouvir-te a oferecer-te que nem uma vadia. Isto é demasiado para mim.
_ O quê!? O que é que disseste!? – Arthur cambaleou atrás dele – Tu podes foder quem quiseres e sais-te impune com isso, como um garanhão vencedor, mas se eu dou uma simples sugestão, que poderias simplesmente aceitar ou recusar, sou automaticamente um vadio!? Isso é ridículo! Céus, estás a fazer uma tempestade num copo de água, e se continuas a agir assim eu juro que te espeto um murro no focinho!
_ Ah! – Riu-se Alfred sem qualquer alegria – Achas que tens direito a bater-me!? Diz-me, a quantos gajos já fizeste essa proposta? Hum? Agora estou curioso.
_ Não vejo como isso é da tua conta. Eu nunca te perguntei quantas mulheres já levaste para a cama.
_ Isso é diferente!
_ Não, não é! Para de agir como se tivesses acabado de descobrir que eu vendo o meu corpo, ou coisa parecida! Ainda à pouco querias saber todos os detalhes da minha vida sexual! – Ralhou Arthur, cada vez mais furibundo.
_ Eu não esperava que realmente tivesses uma!
_ Como é que podes achar uma coisa dessas!? É claro que já tive sexo antes! Já tive e adorei, como qualquer pessoa normal. E, se queres saber, planeio em fazer sexo outra vez. Seja contigo, ou com outro tipo qualquer, pouco me importa.
O vermelho raivoso da cara de Alfred foi completamente sugado e ele ficou tão branco que pareceu ir desmaiar a qualquer momento. Se Arthur não estivesse tão consumido pela raiva, até poderia ter-se preocupado.
_ Tu.. tu… tu não vais andar por aí a oferecer-te a qualquer um só porque eu não quis ter sexo contigo!
_ Tens cá uma lata! Até parece que preciso da tua permissão para fazer o que quer que seja. Se quiser ter sexo, tenho. Fim da história.
_ Arthur…!
_ Queres ter sexo comigo ou não? – Cortou Arthur impaciente. Já estava farto de estar ali, e ainda por cima a ser insultado de forma tão rude.
Alfred paralisou, e pareceu indeciso durante algum tempo. Houve um momento em que Arthur até teve esperança que o outro fosse aceitar, mas o olhar firme e frio que o americano lhe lançou acabou com ela rapidamente.
_ Não. – Disse Alfred firmemente.
_ Está bem então. – Respondeu Arthur com frieza. Sentia-se estupido, humilhado e magoado pelas palavras do outro. Quase deu meia volta para pegar nas suas coisas, chamar Peter e sair dali para fora.
Mas ele era o Arthur Kirkland.
E o Arthur Kirkland não perdia uma guerra sem uma pequena vingança.
Foi rápido. Tão rápido que Alfred nem sequer soubera o que lhe atingira até ter levado com o ataque.
Num ápice, Arthur estava colado a ele, de braços finos enrolados ao seu pescoço e com a boca quente colada á sua.
Alfred ficou petrificado durante algum tempo. Se foi por horror, choque, medo ou uma mistura de todas, Arthur nunca iria saber. Mas também pouco se importou, pois rapidamente se apressou a invadir a boca do outro com a sua língua e os seus dedos embrenharam-se no cabelo dourado do americano.
Então, como por milagre divino, Alfred respondeu. E não foi com violência. Se não tivesse tão ocupado a ter a língua enfiada pelo esófago do outro, Arthur teria feito uma pequena dança de vitória.
Mãos grandes e hábeis percorreram as suas costas, tateando suavemente o seu corpo e Arthur estremeceu com deleite. Alfred beijou-o de volta, expulsando a língua invasora para ser ele próprio a invadir a boca do inglês, que o deixou cumprir a sua vontade alegremente.
Arthur beijou, lambeu e mordeu os lábios do outro até sentir as mãos de Alfred no seu traseiro. Aí decidiu que já se tinha vingado o suficiente e afastou-se com um empurrão.
Limpou a cara com as costas da mão enquanto via com satisfação o ar atordoado do americano.
_ Era só uma amostra do que perdeste. – Disse, mesquinho, e virou-lhe costas. Olhou em direcção de Peter, de repente com medo que o seu irmãozinho os tivesse visto naquelas vidas, mas as crianças continuavam nas suas brincadeiras infantis.
Pegou na manta e no livro, lançando mais um olhar a Alfred, que não se mexera do sitio, ainda estonteado com o que acontecera.
_ PETER! – Berrou Arthur, irritado – Pete,r vamos embora!
Ouviu-se grunhidos coletivos pela parte dos miúdos e Peter despediu-se dos amigos com tristeza, antes de correr em direção do irmão.
Disse um olá animado a Alfred e ficou confuso quando este se limitou a continuar a olhar para o vazio como se tivesse a reviver o trauma da sua vida.
Notas finais
Bjs,
Evil.
Fale com o autor