Sure, Why Not?
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Arthur Kirkland podia ser praticamente um furacão quando queria. Saiu do carro com um salto e este ainda nem sequer tinha parado totalmente. Alfred resmungou ao ver que a porta do lado do passageiro estava só encostada e fez uma ginástica que poderia ter sido evitada para a fechar. Quando acabou de estacionar o seu automóvel, Arthur já tinha desaparecido por além das portas de entrada da maternidade.
Alfred estremeceu com frio ao sair do carro. Deveriam estar graus negativos. Só de pensar que de momento poderia estar quentinho na sua cama, enterrado dentro de Arthur numa dança carnal enquanto ambos sucumbiam ao prazer. Mas estava ali, na rua, com o nariz quase a pingar graças às temperaturas baixas de uma noite de Outono.
Pelo menos estava um ambiente agradável dentro da maternidade, constatou ao entrar no edifício. Estava quase vazio, aparte de umas quantas enfermeiras, mas apesar disso o silêncio não reinava.
Talvez fosse porque Arthur parecia estar a ter um concurso de gritos enraivecidos com a senhora que estava por detrás do balcão da recessão. Alfred quase quis voltar para trás, enfrentar o frio e fingir que não conhecia o inglês, porque estava embaraçado pelo comportamento do amigo.
Mas fez-se homem, porque era óbvio que Arthur precisava da sua ajuda, nem que fosse para parar de gritar na cara da pobre mulher, ainda que esta também retribuísse da mesma forma. Aproximou-se de ambos com passos cautelosos, como se fosse intervir na luta de dois animais raivosos.
_ … das suas energias negativas durante o parto! – Bramou a mulher num tom decisivo – O bebé ainda absorvia esse seu feitio de parvalhão e tornava-se um imbecil como o senhor.
_ Olhe-me aqui, sua…!
_ Há algum problema? – Interrompeu Alfred num ápice, lançando um olhar de aviso ao seu amigo.
Arthur girou nos calcanhares e encarou-o. Apontou um dedo acusador em direção da rececionista.
_ Esta cabra não me diz onde é que a Sarah está!
_ Se não agisse como se fosse o meu dono, talvez até diria. Apenas só a família mais próxima pode ficar à espera no corredor das salas de parto.
_ Eu sou o tio da criança!
_ Pelo que vi, a criança já tinha pelo menos três tios e uma tia presentes. Não precisa de mais nenhum.
_ Por favor… — Pediu Alfred, colocando a mão no ombro ossudo de Arthur para que este não saltasse por cima do balcão e estrangulasse a senhora – Isto é muito importante para ele. O sobrinho dele está a nascer e os seus pais e irmãos estão todos juntos e não seria justo que ele não estivesse lá com eles.
_ E quem é o senhor? Outro tio da criança?
_ Herm… não, não, sou um amigo de família.
_ Claramente. – Disse ela, maldisposta, apesar de já parecer mais calma – Não tem um pinto de parecença com este marmelo aqui. – Acenou com desdém para Arthur, que rugiu levemente.
_ Pode-nos deixar entrar, por favor? – Pediu Alfred no tom mais suave que conseguiu de momento. Encostou-se ao balcão e inclinou-se para a frente. Lançou o seu sorriso mais charmoso e acariciou levemente as costas da mão da rececionista, que ruborizou. Bingo, já a tinha no anzol – Este é um momento maravilhoso, não é verdade? Aqui os Kirkland são uma família numerosa e unida e neste instante um novo membro irá nascer neste mundo. Vai destruir a felicidade do meu amigo e dos seus familiares ao negar a sua presença?
A senhora abriu e fechou a boca, parecendo perdida nos olhos azuis de Alfred. Ao lado deste, Arthur lançava-lhe um olhar incrédulo.
_ Eu… eu acho que pode ser… — Gaguejou a pobre mulher, encantada – Mas… mas só ele. Você não é da família direta, vai ter que ficar aqui. Eu faço-lhe companhia. – E lançou-lhe um sorriso sedutor. Alfred pestanejou, desconfortável. A rececionista virou-se então para Arthur, que ainda tinha uma aura assassina à sua volta – A sua cunhada está no piso dois. Deve encontrar a sua família algures no corredor.
_ Obrigado. – Disse Arthur secamente. Olhou para Alfred – Vens?
_ Mas eu não sou da família.
_ Não sejas ridículo, é claro que és! Anda lá!
_ Desculpe, senhor – Disse a rececionista, lançando-lhe um olhar irritado – Só a família direta é que pode entrar. A não ser que este rapaz aqui tenha alguma relação amorosa com a sua irmã, ele não pode entrar.
_ Ele tem uma relação amorosa comigo. – Respondeu Arthur num tom superior, enrolando o seu braço ao de Alfred. Empinou o seu narizinho e lançou um olhar desdenhoso à rececionista – Estamos juntos à cinco anos e não falta muito para darmos um salto até Las Vegas para casar e depois adotamos umas cinco criancinhas mexicanas.
_ O quê?
_ Eu disse que ele é da família porque tem um belo pénis.
_ O quê!?
_ Muitíssimo obrigado por nos dizer onde em que piso é que eles se encontram. – Fez Alfred num tom apressado, arrastando Arthur para longe do balcão. Sentia o rosto em chamas, e um leve pingar de humilhação flutuava no seu peito – Estou eternamente agradecido! – Carregou freneticamente no botão do elevador – Perdoe o incómodo! – As portas de metal abriram-se e, sem quaisquer cerimónias, atirou o inglês para lá para dentro. Arthur praguejou alguma coisa, mas foi ignorado – Tenha uma boa noite.
E as portas metálicas fecharam-se, de uma maneira tão suave como se fossem penas, e, com um brando “click”, deram lugar ao puro dos silêncios.
_ Eu tenho quase a certeza que tudo o que queres fazer esta noite é embaraçar-me! – Queixou-se Alfred, amuado, de bochechas tingidas de vermelho, enquanto Arthur premia o botão que os levaria ao segundo piso. Passou a mão pelo cabelo, num gesto de frustração, e despenteou-se ainda mais.
_ Não sejas parvo, porque haveria eu de fazer isso?
_ Primeiro gritas na cara de uma mulher que não conheces de lado nenhum e depois finges que temos uma relação, o que não seria assim tão chocante, se não tivesses trazido o meu pénis para a conversa! E, sinceramente, cinco crianças mexicanas? Vais ser tu a cuidar delas, não?
_ Foi só uma estimativa. E devias agradecer-me, se eu te deixasse aqui em baixo, aquela víbora consumia-te todo até não restar mais nada a não ser os teus óculos. – Disse Arthur como se estivesse a apresentar factos reais. Não mostrava quaisquer remorsos pelo seu comportamento selvagem, ainda que o seu olhar de jade mostrasse umas brasas de um sentimento que estivera a arder em total fúria momentos antes, um sentimento que Alfred não conseguiu decifrar logo.
Ficou confuso durante alguns segundos, pois a senhora não lhe pareceu assim tão má, mas depois fez-se luz no seu cérebro e ele sorriu com malicia. Ele conhecia Arthur. E conhecia-o bem.
_ Tu estavas com ciúmes!
O inglês ergueu uma sobrancelha com arrogância.
_ E porque haveria eu de possuir tais sentimentos de meros mortais?
_ Porque eu sou sexy e na verdade amas-me com todo o teu coração?
_ Vai sonhando, Jones.
_ Diz a verdade! – Brincou Alfred, animado agora que o embaraço já se tinha dissipado. Rodeou os ombros de Arthur com o braço e puxou-o contra si, deliciando-se com o leve estremecer que sentiu vindo do corpo do outro quando este foi encostado ao seu – Tu amas-me e sem mim, estarias morto numa valeta qualquer.
_ É isso que pensas todos os dias para te sentires bem contigo mesmo?
Alfred riu-se baixinho e beijou a nuca de Arthur, que grunhiu alguma coisa, mas não rejeitou o toque. Inalou o aroma do cabelo dourado do amigo até ouvir o “ping” que os avisava da chegada ao destino desejado, e afastou-se enquanto as portas de metal abriram-se novamente, revelando um corredor vazio à parte de um grupo de ruivos e louros que se encontravam lá ao fundo, uns em pé, outros sentados nas cadeiras e uma figura solitária deitada no chão.
Arthur arquejou e apressou-se a correr até à sua família. Alfred seguiu-o, mas com mais calma, de mãos nos bolsos e com um ar descontraído. Ao aproximar-se, apercebeu-se que quem estava no chão era William e este parecia ter perdido os sentidos. Por alguma razão, ninguém parecia muito preocupado com o desmaio do prestes a ser pai.
A não ser Arthur.
_ O que é que ele tem? – Perguntou, frenético. Alfred nunca o vira tão preocupado com qualquer um dos seus irmãos em toda a sua vida. Quando se tratava de exibir carinho uns pelos outros, os irmãos Kirkland pareciam mostrar tantas emoções como uma casca de amendoin.
_ Oh, Arthur, já chegaste! – Exclamou a senhora Kirkland com um sorriso carinhoso. Ela abraçou o seu recém-chegado filho e deu-lhe um exíguo beijo na testa. Afagou-lhe o braço, então, de forma de consolo pelo estado do irmão – Está tudo bem, ele só não aguentou a visão da sua mulher a ter um bebé. O Scott está lá dentro com ela. Cada vez que ela grita, ele também.
De facto, após ditas tais palavras, ouviram um grito feminino de genuína agonia ecoar pelo corredor, seguido pela voz chorosa de Scott.
_ Acho que ele lhe está a dar a mão. – Completou Helen naquela sua voz suave e doce, como a brisa de Verão, que trazia consigo a essência de flores selvagens e livres. Ao afastar-se de Arthur, Helen reparou que a sua quarta cria não tinha vindo sozinha – Alfred! Que bom ver-te, querido, já não apareces lá em casa há semanas!
Alfred sempre gostara de Helen Kirkland. Gostara muito, quase como uma segunda mãe. Não que a sua própria progenitora não fosse boa no que fazia, porque ele amava profundamente a Amelia, mas havia algo em Helen que sempre o acalmara e o fazia sentir-se em casa.
Talvez tivessem sido os scones e bolos que ela lhe tinha dado durante a infância e adolescência, ou o carinho que ela mostrava a fazer todas as tarefas. Talvez tenha sido a delicadeza e amor com que Helen tratara dos seus joelhos sempre que ele os esfolava a andar de bicicleta, talvez fosse pelo facto de ela o tratar como se ele também fosse um dos seus filhos.
Talvez fosse porque quando a sua mãe, Amelia, estava de fora em trabalho, Helen Kirkland estivera lá para a substituir.
Uma coisa era certa, ele adorava aquela mulher.
_ Humm… sim, boa noite, ugh! – Foi envolto pelos bracinhos finos mas fortes da mãe do seu melhor amigo e ficou momentaneamente sem folego. Ainda assim, não conseguiu impedir de sorrir.
_ O Arthur obrigou-te a vires com ele, não foi? Arthur, não podias deixar o rapaz quieto? Ele provavelmente já estava na cama! – E ela lançou ao filho aquele olhar acusador que só as mães sabiam fazer.
_ Ele é que quis vir! – Defendeu-se Arthur, mas possuía uma postura bastante submissa. Alfred entendia-o, amigo de filho ou não, já tinha sido alvo dos famosos “olhares” de Helen. Não era uma experiencia agradável – E ele não estava deitado. Nós estávamos a ver um filme quando o Scott me ligou.
Era mentira. Quando tal chamada foi feita, Alfred e Arthur tinham estado embrenhados noutra sessão de beijos quentes e explorações encostados ao balcão da cozinha, ambos de tronco nu, prontos a levar a festa para o quarto no andar de cima.
Mas Helen Kirkland não precisava de saber isso.
Deus do céu, Helen Kirkland não podia mesmo saber isso!
_ Bem, bem, deixa-me olhar para ti! – Disse ela com um sorriso carinhoso e maternal, dando um passo atrás para contemplar Alfred, que sentiu-se ruborizar – Céus, ainda não acredito que aquele rapazinho magricela que andava sempre a perder um dente se tornou num homem tão bonito e jeitoso como tu!
_ Mãe, dizes-lhe isso sempre que o vês. – Comentou Brody secamente. Ele estava sentado numa das cadeiras, acompanhado por Peter, que adormecera encostado ao corpo avantajado do irmão apesar dos gritos agoniantes que cortavam o silêncio, e Eireen, que ficara tão vermelha como o seu cabelo flamejante, e ia lançando olhares tímidos a Alfred.
_ Mas é verdade não é? – Fez a única rapariga da ninhada dos Kirkland. Falara baixinho e suavemente, como se tivesse medo que mais alguém a ouvisse – Ele é um homem bonito.
Arthur e Brody rolaram os olhos com as suas palavras e Peter lançou outro ronco, com um fio de baba a cair-lhe pelo queixo. Albert, que ainda não proferira qualquer palavra, ergueu uma sobrancelha e a sua expressão não era muito animadora. Alfred voltou a sentir aquela horrenda sensação de estar a fazer algo de errado, e a sua mente reviveu aquela noite, na festa da Lily Zwingli, e a discussão deveras desagradável que tivera com Arthur, granças à paixoneta que Eireen parecia possuir.
Paixoneta essa que, a julgar pelo olhar verdejante e sonhador que a rapariga lhe lançava, ainda não tinha desaparecido.
_ Está excitada, senhora Kirkland? – Perguntou o americano. Um sorriso calmo rasgou o seu rosto e colocou uma das suas mãos sobre o ombro delicado de Helen – Vai ser avó!
O rosto bonito mas já marcado pelo tempo de Helen Kirkland iluminou-se. Ela parecia nas nuvens, radiava um deleite quente e acolhedor, uma felicidade que atingia todos os que a rodeavam e Alfred sentiu-se mais leve só de a observar.
_ Oh, eu sei! É um sentimento maravilhoso! Até me dá vontade de chorar! – Os seus olhos estavam, realmente, brilhantes com lágrimas – Mas faz-me sentir velha. Avó! Eu! Dá para imaginar? Ainda parece que foi ontem que agarrei no meu Williamzinho, coisinha mais pequena que ele era, e agora está ele a dar-me um neto. – Fungou e tirou um lenço já usado do bolso, assoando-se de seguida.
_ Ah, se quer a minha opinião, é uma avó muito jeitosa.
_ És um amor. Sempre foste. – Murmurou ela com um rubor de agradado no rosto — Como é que ainda não arranjaste uma rapariga?
_ Ah… — Alfred hesitou e mirou Arthur, que se ocupava a bater gentilmente no pé esquerdo do William numa tentativa de o acordar, antes de se virar novamente para Helen, que ainda lhe lançava aquele sorriso tão característico de uma mamã – Acho… acho que ainda não encontrei a rapariga certa.
Era verdade. Nunca sentira um verdadeiro amor por nenhuma mulher. Apaixonado? Claro! Várias vezes, até, mas nada criou raízes, nenhuma o deixou desesperado, ou mesmo magoado quando as relações terminavam.
De momento também não estava à procura da mulher certa. Andava demasiado ocupado a tentar levar Arthur para a cama para ver se este não andava por aí a comer toda a gente.
Era um pensamento um pouco exagerado, pois sabia muito bem que Arthur não era assim tão promiscuo, mas não conseguia evitar.
_ Não devia ser muito difícil! Um homem bonito, gentil e trabalhador como tu! És tal e qual o meu Arthur… ainda que lhe falte a parte da “gentileza”… — Comentou Helen e olhou de esguelha para o dito filho que era desprovido de “gentileza”.
_ Hei! – Soltou Arthur num tom indignado.
_ … Mas já têm vinte e sete anos e nem sombras de uma relação a sério. O meu Arthur até tem a desculpa de não haver muitos homens… como ele, digamos, pelas redondezas, mas tu, meu menino… — Espetou um dedo no peito de Alfred, a arma mortal de qualquer mulher com ares maternais – Tu não tens desculpas.
_ O Scott tem trinta e dois anos e também não tem uma mulher na sua vida. – Disse Brody secamente.
_ Isso é porque nenhuma mulher é estupida o suficiente para ficar com ele. – Respondeu Arthur com um sorriso mesquinho.
_ Arthur, não fales assim do teu irmão! – Helen virou-se novamente para Alfred, que lhe sorriu inocentemente – Nem sei como é que aturas um rapaz como aquele! – E apontou para o seu quarto filho, que lhe lançou uma careta.
_ Anos de prática. Além disso, ele é bastante dócil quando quer.
_ Ai é? – Perguntou ela com um brilho perigoso no olhar e Alfred sentiu-se logo intimidado – Então diz-me, meu querido, porque é que andaram os dois a partir uma casa de banho pública?
Ah, foda-se. Ele devia saber que Helen Kirkland iria querer saber sobre isso. Pelo canto do olho, viu Arthur ficar muito quieto e tenso, provavelmente tão aterrorizado como Alfred estava de momento.
Clareou a garganta numa tossidela sonora e olhou para todo o lado menos para Helen.
_ B-bem, com toda a sinceridade, só partimos um jarro. E já o pagamos. Foi caro, para uma coisa que fica tão perto de urinóis.
_ Que lindo. E queres dizer-me porque é que partiram o jarro?
_ Não foi de propósito!
_ E o que é que andaram a fazer para partir o jarro?
Ela já sabia porquê. Alfred via isso no seu olhar, e aquilo era uma tortura. Sentia-se com doze anos outra vez, quando ele e Arthur fizeram uma das suas partida, já não se lembrava bem o quê, e levaram um sermão de Helen.
Foi horrível.
_ Porque… — Alfred murmurou as últimas palavras, tornando-as indecifráveis e quase inaudíveis.
_ “Porque” o quê? – Premiu Helen, de olhos semicerrados e mãos nas ancas.
_ Porque eu e o Arthur estávamos numa briga e um de nós bateu no jarro, que caiu no chão.
_ Exatamente, tu e o Arthur andaram à bulha, como duas crianças! Estou muito desapontada com vocês os dois! Já têm idade para se comportarem! Já têm quase trinta anos e andam aí à pancada? Numa casa de banho pública? Eu pensava que agora que todos os meus filhos estavam homens feitos e bem-criados, que já não teria problemas destes, imagina o horror que senti quando a Elizaveta me contou!
Alfred amaldiçoou mentalmente a sua querida e amada Elizaveta.
_ Eu sei que o meu Arthur pode ser… um bocadinho rude de vez em quando, mas pensava que te irias controlar melhor ao pé dele! Se ele começa uma briga, tens que o ignorar, não fermentar a violência!
_ Espera, espera, espera! – Interrompeu Arthur bruscamente – Se eu começar a briga? Eu? Eu não comecei coisa nenhuma! A culpa foi dele!
A expressão que Helen lhe lançou mostrava que ela não acreditava em uma única palavra.
_ Ele está a dizer a verdade. – Disse Alfred calmamente, o que fez com que todos os conscientes na sala olhassem na sua direção com espanto – Nós andávamos a ter uns desentendimentos nessa altura, principalmente por minha causa, e magoei os sentimentos do Arthur.
_ Aw, o Arthie-kins teve os seus sentimentos magoados! – Brincou Brody num tom de falsa doçura – Queres um abraço, Arthie-kins?
Arthur abriu a boca para lançar um insulto particularmente desagradável.
_ Brody, não irrites o teu irmão. – Comandou Helen. Virou-se de novo para Alfred assim que se assegurou que os seus filhos não começavam a enfurecer-se mutuamente – E que desentendimentos foram esses?
_ Perdoe-me, mas isso é um assunto entre nós.
_ Mas…!
_ Mãe, deixa estar! – Pediu Arthur, aproximando-se dos outros dois. Tinha o sobrolho franzido e as bochechas pálidas afogueadas – A briga já passou, nós já fizemos as pazes e ele faz-me muffins como recompensa. Está tudo bem!
Helen mostrou-se indecisa. Parecia que queria continuar a pressionar sobre o assunto e espremer até ter todas as informações, mas deve ter visto algo nos olhos do filho que Alfred não foi capaz, lançou um pequeno olhar a Eireen, que os observava com interesse, e suspirou, derrotada.
_ Muito bem, se vocês acham que estão bem, então acredito. Era por isso que andavas tão em baixo à umas semanas atrás, Arthur? Por causa destes… “desentendimentos” vossos?
_ Talvez sim, talvez não, se te der uma resposta positiva a cabeça do Alfred explode com o seu ego.
_ Ah, não iriamos querer que isso acontecesse, pois não? – Murmurou ela de forma brincalhona, ainda que a raiva e desapontamento fossem evidentes no seu rosto.
Não houve muitas conversas a partir daí. Arthur e Alfred sentaram-se ao lado um do outro e iam trocando algumas palavras em sussurros quase inaudíveis. Peter continuava adormecido com a cabecinha encostada ao ombro de Brody, Eireen lançava alguns olhares desejosos a Alfred, que fazia o seu melhor para a ignorar, Albert e Helen falavam um com o outro baixinho, encostados à parede, lançando olhares aos filhos de vez em quando.
Foi então que William acordou.
Começou com um som que parecia ter nascido de outro mundo, um grunhido desumano e y. O seu corpo baixo mas corpulento estremeceu e ele abriu os olhos, atordoado, antes de murmurar algo incompreensível e rolar para o lado.
Helen estava ao seu lado num ápice.
_ Bem-vindo ao mundo dos vivos, meu doce. – Disse ela animadamente. Afagou-lhe os cabelos ruivos com afeto.
_ O que é que se passa? Onde é que eu estou? – A voz dele estava rouca e arranhada. Ergueu a cabeça para encarar a mãe, olhos meio abertos para se habituarem à luz. Ainda estava especialmente pálido, mas as suas faces já começavam a tomar um tom mais vivo.
_ Desmaias-te no início do parto, amor. – Esclareceu Helen – Já estás aí há algum tempo.
Ele sentou-se de repente com uma expressão de pânico estampada no rosto.
_ A Sarah? Como é que ela está? O bebé já nasceu?!
_ Ainda não, o Scott está lá dentro com ela, está tudo bem. Eireen, vai buscar um copo de água ao teu irmão, está bem, fofinha?
A única rapariga da ninhada Kirkland anuiu, levantou-se e correu pelo corredor fora, longos caracóis ruivos baloiçavam freneticamente com o movimento.
Brody abanou a cabeça.
_ Seu pobre sacana, nem o nascimento do teu próprio filho aguentas.
William lançou-lhe um olhar mortiforo.
_ Um dia saberás o quão horrível é!
_ Vou ter que concordar com o teu irmão, Will. – Disse Albert com um sorriso – Assisti aos nascimentos de todos os meus filhos e nunca desmaiei. Tenho que te lembrar que sou pai de cinco diabos e um anjinho.
_ Esse anjo não é a Eireen, pois não? – Perguntou Brody secamente. Meteu a mão no bolso, retirou de lá um lenço e limpou o fio de baba que escorria pela boca de Peter, que não dera sinais de que ia acordar num futuro próximo.
_ É claro que é. – Uma expressão de pura adoração apareceu no rosto de Albert – Ela é a minha princesinha! Sempre foi tão bem comportada e delicada enquanto vocês passavam a vida a fazer esterco.
_ Só dizes isso porque ela é uma rapariga. – Respondeu William, ainda de voz rouca – Nenhum dos teus filhos é flor que se cheire, todos nós já fizemos bastante merda na nossa infância, incluído a querida e delicada Eireen. – Sorriu com mesquinhez, então — De facto, acho que a única princesa na nossa família é o Arthur.
_ Oh sim, não há princesa mais delicada que o nosso Arthie-kins. – Concordou Brody, envergando o mesmo sorriso traquina.
_ Esta princesa dá-vos olhos negros se não se calarem. – Foi o rosnar que veio de Arthur. Alfred afagou-lhe o ombro num gesto de conforto ao mesmo tempo que Eireen regressava com um copo de plástico na mão.
A jovem agachou-se ao lado de William e entregou-lhe o objeto, que foi aceite de bom grado.
Alfred gostava de ver as interações entre os irmãos Kirkland, porque num momento podiam estar quase a arrancar as cabeças uns aos outros, e nem um minuto trocavam gestos afetuosos.
Era fofo, de forma estranha.
Eireen, Scott e William tinham herdado os cabelos flamejantes de Albert, assim como as sardas que salpicavam as suas peles alvas. Arthur, Brody e Peter ficaram com o cabelo dourado de Helen. Todos os rapazes pareciam ter a mesma estrutura corpulenta e musculosa do pai, exceto Arthur e Peter que, apesar de criança, parecia ter o mesmo físico que o seu quarto irmão mais velho tivera com a mesma idade. Apenas Eireen e Arthur tinham recebido os olhos verdes de Helen, enquanto todos os outros possuíam olhos azuis.
E depois havia as sobrancelhas. Todos tinham as sobrancelhas grossas de Albert. Até Eireen, ainda que ela agora as arranjasse e arrancasse os excessos para as fazer mais apresentáveis, Alfred lembrava-se muito bem que na infância, ela tivera um sobrolho tão carregado como os irmãos.
Eram uma família colorida, concluiu ele, colorida e variada. Na sua, toda a gente era louro e tinham olhos azuis. Alfred julgava que os seus antepassados tinham feito questão de casar com outros louros de olhos azuis apenas para terem descendência com as mesmas características.
Bem, a tradição iria ser quebrada porque Katyusha tinha cabelos platinados e não louros… ok, a mudança não era assim tão grande.
Mas pensar nisso fez com que Alfred se questionasse: Será que o seu futuro sobrinho seria louro, ou teria o cabelo platinado? Seria mais parecido com os da família Jones ou com os Braginsky? Deus do Céu e se herdasse aquele olhar super estranho do seu tio Ivan? Ou a psicose da tia Natália? Pela sanidade de Matthew, Alfred esperava que o seu sobrinho fosse mais parecido com o seu lado da família.
Nesse momento um choro de bebé ecoou pelo corredor, acompanhado por um último grito de agonia, chamando a atenção de todos os presentes. Levantaram-se todos os que se tinham sentado num gesto de reflexo, acordado Peter com brusquidão porque o seu suporte, Brody, acabara de se mover.
Passados uns minutos de cristalino sofrimento para os Kirkland e Alfred, uma enfermeira apareceu, suada mas radiante, e saltitou até eles.
_ É uma menina! – Disse ela alegremente – Parece estar bem, tem uns belos pulmões!
_ Nós já sabíamos que era uma menina! – Exclamou William – Posso vê-la?
Alfred virou-se para Arthur, franzindo o sobrolho.
_ Nunca me disseste que era uma menina!
_ Não me lembrei.
_ O senhor, como é o pai, pode entrar, mas cuidado, ainda estamos a cozer a sua mulher, por isso tente não olhar muito para as suas intimidades, ou ainda desmaia outra vez. – Disse a enfermeira com doçura apesar do tom ríspido com que o recente pai lhe falara.
William anuiu e seguiu a enfermeira para a sala de parto. Após um minuto ou dois, cambaleou de lá Scott que, pobrezinho, parecia transportar um ar bastante doente e pálido.
_ Oh, amor, pronto, senta-te aqui. – Disse Helen na sua eterna voz maternal e guiou o seu filho mais velho para uma cadeira, onde o sentou – Queres um copo de água?
Scott anuiu com lentidão. Nem forças para falar parecia ter.
Como por magia, Eireen apareceu ao seu lado com outro copo de plástico na mão. Ninguém tinha reparado no seu desaparecimento momentâneo. Scott bebeu tudo num só gole e estremeceu, encostou-se à cadeira e arfou durante um bocado.
Quando pareceu mais calmo, entre abriu os olhos e olhou em volta, meio desnorteado.
_ Arthur! – Grunhiu ele, de voz estrangulada – Onde está o Arthur.
A pequena multidão afastou-se para dar passagem a Arthur, que rapidamente se sentou ao lado do irmão mais velho, preocupado. Scott atirou o seu braço em volta dos ombros do arquiteto e puxou-o contra si, num abraço estranho e desconfortável.
_ A partir de hoje, és o meu irmão favorito. Eu sei que tu, pelo menos, não vais engravidar ninguém e não me vais obrigar a assistir ao parto do teu filho no caso de seres um sacana sem tomates o suficiente para ver a tua mulher parir.
Foi notável a forma rápida de como a expressão de Arthur passou de preocupada para aborrecida.
_ És um idiota.
_ A minha mão direita está feita num caco. Cum catano, quem diria que alguém com dedinhos tão pequeninos pudesse ter tanta força!? – Queixou-se Scott. Não largara Arthur, parecendo encontrar conforto na sua presença.
_ Ah, quando o Brody nasceu a tua mãe partiu-me um dedo. – Comentou Albert alegremente – Não a culpo, ele era praticamente um bezerro. Nunca vi um bebé tão grande.
_ E não tínhamos aquelas drogas todas finórias que existem hoje em dia! – Acrescentou Helen – Só passei a ter direito a essas depois do Arthur nascer. Fez com que tudo ficasse mais fácil.
_ Hum, eu acho que já fomos um bocado tarde para a o medicamento fazer total efeito, por isso acho que a Sarah sentiu muita coisa. – Scott ginasticou os dedos da não direita – Ugh, ainda doi! Oh, hei Alfred, também estás aqui? O Arthur obrigou-te a vires com ele, não foi?
_ Hmm, não, eu vim por iniciativa própria.
_ Bem, reza para que o Matthew tenha mais fibra que o William, e que não sejas tu a presenciar o parto do teu sobrinho. É melhor guardar uma experiencia tão intensa para a nossa própria mulher. – Fez um ar desgostoso – Acho que nunca mais vou conseguir olhar para a Sarah da mesma forma agora que vi um Alien a sair-lhe pela vagina.
_ É um bebé, não um Alien! – Corrigiu Eireen, chocada.
_ Não estiveste lá, não sabes o quão assustador aquilo foi! Meu Deus! – Estremeceu — Brody, se engravidades a tua namorada, estás por conta própria, e o mesmo digo de ti, seu pirralho – Apontou para Peter, que pestanejou inocentemente – Também não vou estar presente quando tu parires um alien, Eireen…
_ Bebé!
_ E Arthur, por todos os santos, se, por alguma vontade divina, conseguires gerar um feto no teu organismo, eu também não quero lá estar quando a coisa nascer.
_ Eu também não quero um feto em parte alguma do meu organismo, muito obrigado.
_ Ótimo, estamos todos de acordo.
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No final, nenhum deles pode ver a criança ou a mãe. Tinham ambos que ser limpos e descansar, dissera a enfermeira que lhe entregou a notícia. Apesar de desapontados por não poderem dar uma olhadela ao novo membro familiar, os Kirkland continuaram com um espirito leve e animado quando se despediram para ir cada um para as respetivas casas.
_ Foi uma noite atribulada. – Comentou Alfred enquanto ele e Arthur entravam no carro após dizerem os últimos adeus a Helen e Albert.
_ Hmm.
Não trocaram grandes palavras no caminho para casa Alfred, ambos presos nos seus próprios pensamentos. O frio continuava, mas pelo menos a época da chuva ainda não viera, e Alfred esperava que assim continuasse até depois do Halloween. Ele e Matthew faziam sempre uma grande festa no restaurante nessa noite, e, para além da animação e convívio, era uma excelente forma de ganhar lucro.
A sorte estava no lado dele, porque nenhum dos gatos da senhora Collins se atravessara à frente do seu carro num atentado suicida enquanto ele passava pela rua principal.
Estacionou em frente do seu jardim e desligou o motor com um suspiro. Lançou um olhar a Arthur, que ainda parecia perdido no que quer que se passava na sua mente. Ali, sentado ao seu lado, apenas iluminado pelo fraco candeeiro publico que se erguia a uns dois metros de distância do carro, Arthur parecia fantasmagórico.
_ Alguma vez pensaste em criar família? – Perguntou Alfred baixinho, como se não quisesse destruir o clima.
Arthur mostrou-se surpreso pela pergunta.
_ Não sei. – Respondeu com sinceridade – Nunca Pensei muito nisso. Quando era mais novo pensei que um dia encontraria um homem jeitoso e depois adotávamos um miúdo ou dois. – Suspirou, cansado – Mas até agora não tive sorte nesse negócio de relações. Acho que me tenho que contentar a ficar sozinho, ou adoto um bebé e crio-o por mim mesmo. Então e tu? Porque é que estás a perder tempo com um desgraçado como eu em vez de ir à procura da futura mãe dos teus filhos?
_ Ah… eu… eu não ando à procura de relações. Ainda só temos vinte e sete anos, vamos aproveitando a vida. E não te preocupes, Arthie. Esse homem jeitoso ainda vai aparecer.
_ Achas mesmo? – Perguntou Arthur num tom de brincadeira.
_ Mas é claro! Um rapaz todo bonitinho como tu não pode ficar sozinho para sempre.
_ Se agires como um idiota de cada vez que alguém se aproxime de mim, talvez até fique.
_ Ele não era o homem certo para ti!
_ E como é que sabes isso?
_ Apenas sei! Um dia o homem ideal para ti irá aparecer e aí terá a minha aprovação.
_ Lá estás tu com a mania que mandas na minha vida. – Comentou Arthur secamente, colocando o queixo no ombro de Alfred – Não tenho opinião a dar acerca do meu futuro parceiro amoroso?
_ Não.
_ Hum. – Com isso, Arthur acariciou-lhe a face e puxou-o para um pequeno beijo. Alfred retribuiu com grado, movendo os lábios com doçura contra os do outro, puxando-o desajeitadamente contra si.
Arthur afastou-se um pouco e lançou-lhe aquele sorriso de lado que Alfred gostava. Mãos delicadas traçaram um caminho pelos seus ombros, omoplatas e um pouco de coluna, até se assentarem juntas atrás da sua nuca, brincando com cabelos dourados.
_ Sabes, acho que a minha mãe tem razão. – Sussurrou Arthur contra os lábios do americano – És mesmo um amor. É pena que de vez em quando sejas um imbecil.
_ Estás a ser mau para mim. Mais uma vez. É como se fizesses disso um objetivo de vida. – Mordiscou o queixo do amigo, provocador, antes de lamber aquele lábio inferior, que estava ali a implorar para ser abusado pela boca de Alfred – Queres… queres vir lá para dentro e acabar o que começamos?
Arthur riu-se, beijou-o mais uma vez, abanou a cabeça e afastou-se. Alfred observou-o com confusão enquanto ele tirava o cinto e saia do carro. Desesperado, o americano tentou o mais depressa que pôde remover-se do sistema de segurança que o prendia ao banco e removeu-se do seu veiculo.
_ Hei! – Fez ao ver Arthur encaminhar-se para a sua carrinha – Onde é que vais?!
_ Vou para casa, dormir. – Respondeu Arthur no seu tom calmo e, céus, irritava Alfred.
_ Mas…! Mas…! E o nosso “assunto”!?
_ Pode esperar. São quase quatro da manhã, tem dó. Além disso, acho que estávamos a agir um bocado repentinamente naquela altura. Vamos dar mais um tempo, está bem?
_ Mas Arthur, eu quero!
_ Ugh, estás agir como um bebé, o que quer dizer que estás a bêbedo de sono. Sugiro que vás dormir. – Disse Arthur após um rolar de olhos.
_ E vens comigo? Podes aconchegar-me. – E abanou as sobrancelhas de forma sugestiva, aproximando-se de Arthur.
_ Não.
_ Aww, vá lá! Nunca fazemos o que eu quero! – Num ápice, agarrou Arthur, que soltou um ganido não muito viril pelo susto. Os seus dedos encontraram as frestas da roupa do inglês e serpentearam pela camisola a cima, gesticulando repetidamente sobre a pele alva, no intuito de o torturar com cocegas.
_ Não! Alfred… gah…! Para! – Pediu Arthur sem fôlego graças ao riso que lhe escapava pelos lábios. – Alfred, eu juro que te dou uma carga de porrada!
_ Hum-hum. – Fez Alfred. Parou com a tortura mas não largou o inglês, colando-o a si como se fosse doloroso tê-lo afastado – És quentinho.
_ E tu vais estar mortinho daqui a pouco. – Ameaçou Arthur sem grande garra. O seu rosto estava vermelho, fruto do misto de frio e riso e os seus olhos brilhavam com uma vaga irritação.
_ Como é suposto eu resistir a uma coisinha tão adorável como tu? – Perguntou Alfred antes de lhe pregar um beijo molhado na bochecha.
_ Ugh, estás insuportável.
_ Mas eu gosto de ti! Ama-me!
_ Vai dormir, sua coisa chata, e tira as patas de cima de mim!
_ És mau. Primeiro seduzes-me com o teu corpo sexy e depois negas-me carinho e sexy times. – Queixou-se Alfred e finalmente largou o outro. Sentiu de imediato falta daquele calor agradável e resistiu à vontade de o abraçar outra vez.
_Não te armes em vítima, não seduzi ninguém. – Comentou o inglês – Agora, se não te importas, vou para casa, tomar um banho e enfiar-me na cama.
_ Como queiras. – Alfred enfiou as mãos nos bolsos do casaco, tanto para as aquecer como para se impedir de tocar na pele deliciosamente branca de Arthur. – Mas digo-te já que na próxima vez que ficarmos todos “felizes” contra o balcão da minha cozinha, eu não te deixo escapar.
_ Veremos.
Oh, aquilo era um desafio. Alfred gostava de desafios. Foi por isso que, depois de pedir um beijinho de boa noite antes de Arthur se enfiar na sua carrinha e arrancar pela noite fora, Alfred jurou que não iria mesmo deixar o inglês escapar novamente e, nascesse quem nascesse, não toleraria ser interrompido de novo.
Ou ainda explodia de tensão sexual.
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