Sure, Why Not?
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Um grunhido sofredor acordou Arthur que, ao chegar à consciência, levou de imediato a mão á sua testa, que palpitava com uma dor aguda. Tinha a boca a parecer um deserto, de tão seca que estava, e sabia a esgoto.
Estava deitado numa superfície dura e incrivelmente desconfortável. Com um gemido, rolou para o lado e tentou abrir os olhos.
A claridade do dia quase o cegou e a dor de cabeça parecia berrar a sua existência. Algures na distancia ouvia-se o pleno som de alguém nos tronos do vomitar.
Com um suspiro sofredor, Arthur lá se levantou. Constatou que não era só a sua cabeça que lhe doía. Tinha os joelhos arranhados, as mãos esfoladas e as costas doridas de ter ficado tanto tempo deitado numa superfície rija. No rosto, sentia o lábio latejar e mal conseguia manter o olho direito aberto, de tão inchado que este estava.
Olhou em volta. Estava num daqueles quartos de motel que tinham sido feitos nos anos sessenta e não tinham sido retocados desde então. O papel de parede era asqueroso, com o pior padrão florido que o diabo alguma vez cagara, gasto pelo tempo e sujo pelo mau uso. A cama de casal, que não parecera ter sido utilizada durante a noite, estava coberta por um cobertor de renda, já amarelado, e umas almofadas com nódoas suspeitas.
Ao lado de um armário antiquado, encontava-se a porta da casa de banho. Esta estava aberta e revelava o corpo de Scott debruçado na sanita.
Arthur voltou a deitar-se no chão, massajando a cabeça.
_ Scott. — Tentou chamar, mas a voz estava rouca e ele tinha a certeza que o deserto do Sahara tinha-se movido para a sua boca. — Scott!
Scott lançou um som primitivo como reconhecimento mas rapidamente foi substituído por outro vómito.
Arthur tentou levantar-se, no intuito de ajudar o seu irmão em sofrimento, mas mal se conseguiu meter em cima das suas pernas bambas foi tomado por suores frios, os sons tornaram-se distantes e o quarto começou a andar à roda.
Geez, estava mesmo mal.
Sentou-se na cama vazia e esperou que o tecto parasse de se mexer. O seu estômago pedia comida mas ao mesmo tempo revirava-se com o pensamento de ingerir alguma coisa.
Água! O que eles precisavam agora era de água, muita água.
Levantou-se outra vez e cambaleou até à casa de banho. Segurou-se à ombreira da porta e tentou focar os olhos no irmão.
Scott estava sentado no chão, agarrado à sanita. Estava extremamente pálido, meio verde, e parecia que as suas entranhas ainda não se tinham acabado de esvaziar, porque mal Arthur chegara, ele debruçou-se novamente para continuar a sua actividade.
Arthur reprimiu a repulsa e sentou-se ao pé do irmão, parte para lhe dar conforto, e outra parte porque mal se conseguia manter em pé.
_ Eu devia trazer-te um copo de água. — Murmurou baixinho enquanto afagava o cabelo ruivo do irmão.
_ Eu não sei se consigo aguentar alguma coisa no estômago agora.
_ Sê forte.
_Ugh! Acho que vêm aí mais um! — Ele quase enfiou a cabeça dentro da sanita — Eu pensava que já não tinha nada cá dentro.
Enquanto Scott tentava libertar-se dos seus males, Arthur encostou-se a um armário que se encontrava ao lado do lavatório.
Ouviram a porta do quarto abrir-se e Arthur, por entre olhos enevoados, viu Brody entrar com três copos de Starbucks e um saco de plástico nas mãos.
Brody suspirou ao espreitar para casa de banho e ver o estado deplorável dos irmãos. Colocou os copos em cima da mesa velha ao pé da janela e caminhou até eles.
_ Olhem para vocês.
Scott respondeu ao vomitar novamente.
_ Onde é que estamos? — Perguntou Arthur baixinho. Fechou os olhos para ver se a sua enxaqueca diminuía.
_ Num motel perto do clube. — Respondeu brody. A sua voz parecia estar mais afastada e passos ouviam-se a andar pelo quarto — A culpa foi minha, suponho eu. Encontrei uns velhos amigos e tivemos a meter a conversa em dia. Tenho que admitir que não esperava que vocês ficassem tão bêbedos num espaço de duas horas.
Os passos de Brody aproximaram-se e uma mão tocou no ombro de Arthur. Este entreabriu ao sentir algo húmido nos lábios.
Era uma garrafa de água.
_ Toma lá, bebe. Se vocês ficarem operacionais num futuro próximo, podemos ir para casa cedo para descansar.
Arthur tomou a água em pequenos goles para não perturbar o seu estômago. A ultima coisa que queria era juntar-se a Scott ao pé da sanita.
_ O que é que aconteceu ontem à noite? — Arthur mandou outro gole antes de continuar — Eu lembro-me do inicio, mas depois bebi uma coisa qualquer que tinha sumo de melão lá dentro e... — E a partir daí apenas apareciam na sua mente borrões confusos e sons demasiado altos.
_ Bem, quando me despedi dos meus amigos, fui à vossa procura. Tu foste fácil de encontrar, felizmente, geralmente és um pesadelo quando te embebedas, mas ontem estavas só sentado ao balcão a murmurar coisas sem nexo. Aqui o nosso Scott — Brody deu-lhe uma palmada nas costas e recebeu um grunhido como resposta — Foi mais difícil. Encontrei-o a discutir a possibilidade da existência de vida extraterrestre com um travesti na parte de trás do clube, mesmo ao lado de dois tipos a foderem.
_ Hei! — Fez Scott roucamente — Eram os amigos da Charlotte e ela estava à espera que eles terminassem para depois irmos ao Golden Shot. Eles já estavam a meio quando chegamos, seria rude interromper.
_ Que simpático da tua parte.
_ Meh, estava demasiado bêbedo para me importar. Mas acho que me lembro de que um deles tinha uma pila enorme e eu só pensava: Como raio é que o outro consegue com aquela merda enfiada pelo cu a cima?
_ Fica mais fácil com a experiencia. — Respondeu-lhe Arthur.
_ É bom saber. — Scott achou que já estava menos enjoado o suficiente para se afastar da sanita e encostou-se ao lado de Arthur. Brody passou-lhe uma garrafa de água — Espera, se me foste buscar, quer dizer que eu nunca fui ao Golden Shot com a Charlotte!
_ Não, não foste. — Disse Brody — E ainda bem, se não nunca mais te encontrava. — Meteu a mão no bolso e retirou lá um guardanapo meio sujo — A Charlotte deu-me o numero dela para poderes ligar-lhe mais tarde, por isso não perdeste tudo.
_ Oh, boa! — Scott pareceu mais animado ao ouvir a noticia — Guarda isso por mim, está bem? Tenho medo de o perder.
Houve um silencio na casa de banho.
_ Tens consciência de que a Charlotte não deixou de ser um travesti de ontem para hoje, não tens?
_ E isso tem importância a onde?
_ Tens razão, não tem. Bebe mais goles de água, e tu também Arthur, vocês precisam de se hidratar. Queria sair daqui por volta das quatro para chegarmos a casa a uma hora decente. A mãe já me ligou três vezes para perguntar se vocês ainda estavam vivos.
_ Nós estamos óptimos! — Fez Scott como se a casa de banho não cheirasse a vomitado e ele e Arthur não estivessem os dois sentados no chão, pálidos, com olheiras até aos joelhos e olhos vermelhos.
Brody suspirou outra vez e obrigou-os a beber mais água.
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O caminho para casa foi feito em silencio. Scott ia a dormir no banco de trás, deitado, todo torto, porque as suas pernas eram demasiado longas para se esticarem completamente. Arthur ia no lugar do passafeiro, com o banco meio virado para trás e por vezes mandava goles do chocolate quente (que agora já tinha arrefecido) que Brody lhe tinha trazido de manhã.
A neve continuava espessa e as estradas, apesar de limpas, ainda eram consideradas perigosas graças à camada fina de gelo que as cobria, por isso Brody conduzia com um cuidado extra, o que iria fazer com que demorassem mais tempo a chegar a casa.
Arthur bebericou o seu chocolate que, apesar de já não o aquecer, pelo menos confortava-o com a sua doçura. Aconchegou-se ao seu casaco, suspirou e ficou a olhar para a paisagem branca que corria lá de fora da janela.
De repente o telemovel de Brody tocou e o som fez Arthur grunhir com desprazer, mas pegou no aparelho e atendeu, pois o seu irmão tinha regras muito rigidas no que dizia respeito a conduzir e atender telemoveis ao mesmo tempo.
_ Sim? — Gemeu ele.
_ Arthur, amor? — Era Helen — Oh, querido, estás bem?
_ Estou optimo. — Mentiu ele, pois a enxaqueca ainda não tinha passado e o seu corpo parecia particularmente pesado.
_ Ainda estão no motel?
_ Não, já estamos a caminho.
_ Graças aos céus. Diz ao Brody para vos trazer a todos ao Jones. Hoje não me aptece cozinhar e acho que mereço um jantar de familia.
Arthur sentiu-se levemente enjoado com a prespetiva de não ir de imediato para a sua cama. Além disso, a possibilidade de encontrar Alfred não lhe agradava muito, especialmente estando no estado em que ele estava.
_ Mãe, sem ofensa, mas nem eu nem o Scott estamos propriamente apresentáveis para um jantar num restaurante.
_ É o restaurante dos Jones, por isso é praticamente família. E eu já te vi em estados piores. Tenho que te lembrar daquela vez em que comeste as ostras estragadas quando tinhas quinze anos?
_ Eu prefiro fingir que isso nunca aconteceu.
_ Bem então estas a ver as coisas do meu ponto de vista. Anda lá amor, vem passar algum tempo connosco. Eu não trabalho contigo como o teu pai e os teus irmãos, já estou a ficar com saudades tuas.
Arthur sentiu um pouco de culpa por não ter ido visitar a sua família na ultima semana depois do que acontecera com o Alfred e a Eireen, mas achou que seria melhor dar um tempo a toda a gente. Era claro que também sentia falta da presença da sua mãe e também queria passar tempo com ela, mas nenhum filho gostava que a sua mãe o visse de ressaca.
_ Está bem, está bem. Nós vamos ao Jones com vocês. Mas não nos culpes se formos uma companhia de caca.
_ Nós julgaremos isso.
_ Sim, senhora. Até logo.
_ Até logo, amor.
A chamada foi desligada e Arthur pousou o telemóvel. Virou-se para Brody, que tinha os olhos postos na estrada.
_ A mãe quer ir jantar ao Jones, por isso estamos todos condenados.
_ E achas que estás bem o suficiente para isso? Sabes que no Jones terás uma possibilidade bastante alta de encontrares o Alfred.
Arthur encolheu os ombros e levou o copo de Starbucks à boca.
_ Se o encontrar, paciência. Somos adultos, por isso vamos ter que agir como tal.
Caíram novamente no silencio, salvo aos roncos suaves de Scott.
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A família toda já lá estava quando eles chegaram ao Jones. Até Sarah e Emma, a mulher e filha de William, olhavam para eles quando entraram pelas portas do restaurante.
Albert ergueu as sobrancelhas ao ver o aspecto horrível de Arthur e Scott, mas não disse nada até os três se sentarem.
_ Eu pensava que vocês iam levar o Arthur para a festa para ele ficar melhor, mas parece-me que foi o oposto, porque, sem ofensa, pareces uma merda.
_ Albert, não digas ao teu filho que ele parece uma merda!
_ Mãe, mãe... — Fez William calmamente — É a crua verdade.
_ William!
Arthur grunhiu e meteu a cara entre as mãos. A sua cabeça ainda latejava com a dor aguda e as vozes da sua família a discutir o seu aspecto momentâneo não estava a ajudar. Quem lhe dera rastejar para a sua cama, embrulhar-se no meio dos cobertores e só sair de lá depois de mil anos.
Lançou um olhar a Eireen, que estava sentada entre Sarah e Peter, mas esta estava convenientemente a mexer no seu smartphone com um ar desinteressado.
Com um suspiro, voltou a depositar o seu olhar na mesa.
´_ Arthie! — Veio a voz de Elizaveta enquanto esta se aproximava — Como foi a tua noite, seu va... wow, parece que ultrapassaste o apocalipse! E o Scott também não me parece lá muito bem. O que raio andaram vocês a fazer? — Ela estava jovial como sempre, bochechas coradas e o livrinho de notas na mão.
_ Margaritas são fruto do diabo. — Murmurou Scott contra o ombro de Brody, onde se tinha encostado.
_ Estou a ver que sim! — Disse ela, obviamente divertida com a miséria de ambos — E o que é que a minha familia de britânicos favorita vai comer hoje?
Todos pediram o desejado e Helen franziu o sobrolho quando Arthur pediu apenas um chá de tília e Scott pediu um prato de panquecas. Elizaveta anuiu e apreçou-se a saltitar até à cozinha.
_ Só vais beber chá, Arthur? — Perguntou Helen naquele tom de mãe. Virou-se para Brody — Ele já comeu alguma coisa hoje?
_ Bebeu água e tomou um chocolate quente a caminho daqui.
_ Vais ter que meter alguma coisa sólida aí dentro, meu menino!
_ Mãe, não tenho fome, está bem? — Murmurou Arthur, embaraçado por ter a sua mãe em cima de si como se ele tivesse seis anos.
_ Mas tens que comer alguma coisa!
_ Céus, eu partilho as minhas panquecas com ele, pára de o moer! — Explodiu Scott.
_ Não fales comigo nesse tom!
Arthur suspirou.
Conversavam todos enquanto esperavam pela comida, com excepção a Arthur e Scott, que sentiam ambos os corpos demasiado pesados e exaustos para dizerem algo que se aproveita-se, e Eireen, que continuava a brincar com o smartphone.
A comida chegou e com ela veio o chá de Arthur e as panquecas de Scott. O jovem arquitecto foi bebericando em pequenos goles e apreciou a forma de como era aquecido gradualmente por dentro. De vez em quando, Scott trazia-lhe um pedaço de panqueca à boca, e Arthur mastigava-o até à exaustão antes de engolir.
_ Eu hoje vi o Matthew e o pequeno Dorofey! — Disse Helen animadamente enquanto acabava o seu jantar — Estavam a passear no parque mais o irmão da Katyusha, aquele moço alto e largo, como é que ele se chama...?
_ Ivan?
_ Sim! Um rapaz meio intimidante, mas a Katyusha é um amor, por isso ele também deve ser.
_ Não era esse que andava sempre às cabeçadas com o Alfred durante o liceu? — Perguntou William.
_ Era. — Respondeu Brody — Rivalidades infantis. Quem diria que se tornariam cunhados.
_ Por vezes a vida dá voltas surpreendentes. — Helen virou-se para Arthur — E como está o Alfred, amor?
Arthur fixou os olhos no seu chá e encolheu os ombros.
_ Não sei. Já não falo com ele há algum tempo.
Ninguém disse nada durante algum tempo. Todos pareciam estar um pouco desconfortáveis e Arthur nunca se sentira tão exausto em toda a sua vida.
Ele já tivera ressacas antes. Deus sabe a desgraça que tinha sido o tempo de Universidade. Mas nenhuma das vezes em que ele acordara em cima do seu próprio vómito o tivera assim, tão em baixo como se o seu cachorro tivesse sido atropelado por uma debandada de gnus. E estar ali, num restaurante, a sofrer enquanto poderia muito bem-estar na cama embrulhado num casulo quente, não estava a ajudar.
Foi distraído dos seus pensamentos por Scott, que quase lhe enfiou o garfo com um pedaço de panqueca pelo nariz a cima.
_ Eireen, porque é que não largas essa coisa? — Ralhou Helen.
Eireen baixou um pouco o seu smart phone e lançou um olhar desagradado à sua mãe.
_ Estou a mandar mensagens à Steff, mãe, é importante.
_ Diz à Stephanie que agora estás com a tua família. Podem muito bem conversar mais tarde.
_ Estamos a planear fazer uma espécie de noite de cinema. — Disse ela secamente — Estamos a combinar quem leva as bebidas, pipocas e etecetera. — Eireen mexeu os dedos rapidamente sobre o ecrã — E não se preocupem, ao contrário de certas pessoas, não tenho qualquer intenção de fazer sexo com as minhas amigas.
Houve um silencio desconcertante entre a família, aparte do pequeno "oh, snap" que Scott murmurou contra um pedaço de panqueca repleto de doce.
_ Talvez devesses. Se te viesses toda pelas pernas abaixo de vez em quando, não estavas aqui a ser uma cabra com comentários "subtis". — Retorquiu Arthur com frieza.
Obviamente ninguém esperava que Arthur dissesse alguma coisa, pois todos tinham um ar de choque estampado no rosto, excepto Scott, que apenas mostrava uma surpresa animada por detrás das olheiras. Até Arthur estava meio chocado pelo que lhe sairá da boca.
Eireen colocou o smart phone na mesa e olhou-o com desprezo.
_ Queres levar outra vez?
_ Tens mesmo o desejo de fazer uma cena aqui no meio do restaurante?
_ Tudo se resolve se formos lá para fora.
_ Não há nada para resolver. — Disse Arthur — Tu insultaste-me e eu retribui. Não vale apena fazer demasiado drama por causa disso. — Bebeu um pouco de chá, só para ter um ar mais melodramático — Se bem que fazer demasiado drama sobre assuntos insignificantes é o que fazes melhor.
_ "Assuntos insignificantes"?! Achas que descobrir que o homem que eu gosto anda a comer o meu irmão é um "assunto insignificante"? Por causa de ti nunca terei uma chance com ele!
_ Não me culpes pelas tuas pobres artes de sedução.
_ Não há nada de errado com a minha sedução!
_ Bem, um de nós chupou a pila de Alfred F. Jones, e o outro passou a vida olhar de longe para ele. Se em vez de olhar tivesses feito alguma coisa por ti abaixo, não estavamos nesta situação. — Arthur pousou a chávena em cima do pires. Virou-se para Eireen e sorriu de forma meio mesquinha — Agora sabes que ficar a olhar não te leva a lado nenhum e a próxima vez que gostares de outro gajo qualquer tens que o apanhar de imediato, se não eu vou lá e durmo com ele.
_ Seu pequeno... — Rosnou ela e pareceu estar à beira de lhe atirar com o smart phone na cara.
_ Parem com isso, vocês os dois! — Ordenou Helen num tom alto, e lançou-lhes um daqueles olhares de mãe que fez com que eles se comportassem de imediato.
Arthur praguejou na sua mente. Na verdade, nem sabia o que lhe deu. Apenas sabia que estava com uma enxaqueca, não havia comentários possíveis para o estado em que o seu corpo se sentia, e, para dizer a verdade, aquele chá estava-lhe a dar alguns vómitos. E depois a Eireen faz aquele comentário irritante, e Arthur viu-se sem paciência para a sua infantilidade.
E agora estava sob a mira furiosa da sua mãe.
Yay.
_ Digam-me que os nossos momentos de família não vão ser assim, a partir de hoje!? — Helen parecia falar de coração partido e Arthur sentiu a culpa preencher a irritação. Pela expressão que Eireen estava a fazer, ela passava pelo mesmo — Não podem simplesmente... sei lá... esquecer isto tudo e voltarem a ser os meus meninos felizes?
Ninguém lhe disse nada, ainda que Albert tentava acalma-la ao acariciar-lhe o ombro com a mão. Helen fungou.
_ Eu não quero que uma coisa tão parva como lutar por um gajo arruíne a nossa família! Eu não quero... vocês... — A voz dela começou a tremer e todos os seus filhos ficaram a olhar com pleno horror — A última semana foi horrível e... e eu já não aguento...
Maravilha, pensou Arthur sarcasticamente enquanto via Helen a começar a soluçar baixinho com a cabeça escondida pelas mãos.
O resto do jantar decorreu num silencio pesado enquanto Albert acalmava Helen. No final, ninguém pediu sobremesa, nem mesmo Peter, que adorava o pudim de chocolate que se servia naquele restaurante, Albert pagou a conta e retirou-se com a sua esposa e os filhos mais novos.
Brody levou Scott e Arthur para as suas respectivas casas e a viagem foi igualmente constrangedora.
Mal Arthur chegou ao seu apartamento, dirigiu-se ao quarto e caiu na cama, exausto pela ressaca, o jantar que acabou de forma terrível e todo o sofrimento emocional a que fora sujeito naquela semana.
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Arthur acordou com alguém a bater na sua porta e sentiu-se de imediato mal disposto com a vida em geral. Ainda tinha vestido as roupas do dia anterior, já que simplesmente se deitara e desligara do mundo num piscar de olhos.
Rastejou para fora da cama e cambaleou pelo seu quarto fora. O seu apartamento estava um bocado desarrumado, visto que na ultima semana ele simplesmente saia do trabalho para continuar a trabalhar. Papéis amarrotados espalhavam-se pela alcatifa bege, materiais de desenho e de escala estavam todos numa desordem em cima da secretária e os seus desenhos estavam todos numa pilha no sofá.
Talvez não era o melhor ambiente para se ter visitas, mas Arthur realmente não queria saber naquele momento. Também não era como se ele tivesse convidado alguém para passar tempo com ele, por isso quem quer que fosse teria que lidar tanto com a desarrumação, como com o seu mau humor.
A resmungar para si mesmo, Arthur abriu a porta e paralisou.
Eireen olhou para ele com algum espanto, mas rapidamente se recompôs e clareou a garganta. Passou uma mão pelos seus cabelos flamejantes, gesto que aproveitou para ajeitar o gancho florido que atormentava a sua cabeça.
Arthur ficou a olhar para ela durante um período de tempo que talvez fosse demasiado longo para ser confortável, mas ele simplesmente não podia compreender a razão da sua presença naquele momento. Porque é que ela estava ali? Queria continuar a discutir?
_ Posso entrar? — Perguntou ela com uma timidez que Arthur nunca antes tinha presenciado.
_ Uhh... sim, claro. — Soltou ele meio confuso. Deu um passo atrás para lhe dar passagem.
Eireen entrou e passou os olhos pela desarrumação sem grande interesse. Colocou a mala dela, uma coisinha bonitinha com um padrão de multiplos gatos impresso no tecido, em cim do sofá, e começou a brincar com o fecho do casaco, obviamente nervosa por estar ali.
Arthur fechou a porta e encarou-a.
_ Eireen... — Começou ele com cuidado.
_ Queres chá? — Interrompeu ela muito depressa, apressando-se para a cozinha. Arthur foi atrás dela — Apetece-me um chá bem quentinho. — Eireen começou a andar às voltas, a abrir tudo o que era armário em buca do bule — Está um frio de rachar lá fora, e eu preciso de ingerir algo quente! Nevou bastante esta madrugada, mal consegui sair de casa com o carro. As estradas estão um perigo, espero que não aconteça nada a ninguém.
Ela estava a vomitar conversa e Arthur já estava a ficar sem paciencia.
_ Eireen. — Fez ele num tom decisivo e ela calou-se, virando-se na sua direcção ainda com a mão na porta do armário esquerdo — Porque é que estás aqui? E o bule está na gaveta grande de cima.
Ela suspirou e foi buscar o que queria. Começou a verter água para dentro do bule e meteu-o em cima do fogão.
_ Ontem fizemos a mãe chorar. — Murmurou ela enquanto acendia o lume.
Arthur sentiu a culpa voltar. Ele raramente vira a sua mãe chorar em toda a sua vida, e quando tal coisa acontecia era sempre um choque abalador. Eireen mostrava o mesmo sentimento de ressentimento, com as sobrancelhas ruivas curvadas para baixo e um pequeno beicinho a salientar-se nos seus lábios.
_ E se fizemos a mãe chorar, então temos mesmo que resolver a nossa situação. — Continuou ela.
Sem cerimónias, Eireen puxou uma cadeira e instalou-se. Arthur ficou a olhar, espantado, durante algum tempo, até decidir sentar-se à sua frente. Deu uma olhadela em direcção da janela da cozinha. Continuava a nevar, e a luz fria e cinzenta do dia dava à divisão um ar pesado e melancólico. De momento, só o cabelo vermelho de Eireen entregava alguma cor ao local e Arthur sentiu-se estranhamente reconfortado ao olhar para ela.
_ Eu ainda estou chateada. Não foi uma noite que me fez mais calma, mas... mal consegui dormir ao pensar nisto... em nós e... e nele. — Ela parecia relutante em pronunciar o nome de Alfred, como se a palavra fosse uma espécie de maldição imperdoável. — Mas nós não podemos continuar a ralhar um com o outro, ou não reconhecer a presença de um do outro quando estamos todos juntos, especialmente quando o nosso comportamento obviamente vai afetar o resto da familia e... bem...
As palavras desvaneceram-se e ela ficou em silencio a olhar para a mesa. Arthur não contribuiu, porque, sinceramente, não sabia o que dizer. Tudo o que ele fizera durante a semana tinha sido dar-lhe espaço, para que ela pudesse libertar todas as suas energias negativas em paz. A noite anterior não tinha corrido como os planos, mas um Arthur em ressaca raramente agia da forma mais sensata.
No fogão, a água começou a borbulhar. Arthur levantou-se, retirou o bule do lume e desligou o fogão. Foi ao armário e retirou lá duas saquetas de chá com o intuito de as mergulhar na água a ferver.
Atrás de si, Eireen começava a ficar inquieta.
_ Porque é que não dizes nada?
Arthur deixou as saquetas boiar e observou a água a ser lentamente tingida com correntes curvas de um castanho avermelhado.
_ Eu não sei o que te dizer. Não há nada que eu possa fazer que te vá fazer sentir melhor. — Arthur deixou o chá para este apurar durante alguns minutos e virou-se para a irmã — Eu queria dormir com o meu melhor amigo, e, por alguma razão, ele também quis dormir comigo. Nenhum de nós se lembrou que tinhas sentimentos por ele. Agora vocês estão os dois chateados comigo e eu sou tão patético que preciso do Scott, de todas as pessoas possíveis, para me animar e dar-me conselhos sobre como viver da minha vida. — Para se ocupar enquanto falava, pois dizer aquilo tudo já era embaraçoso o suficiente sem ter nada para fazer, foi buscar umas bolachas de manteiga para poderem ir mordendo enquanto tomavam o chá. Além disso ele tinha acabado de acordar e estava em jejum.
_ O Alfred está chateado contigo? Porquê?
_ Porque eu disse-lhe que íamos acabar com o sexo.
Verteu o chá para duas canecas, ambas coloridas, uma que ele comprara na Universidade, com uma "snitch" de Harry Potter e outra que Alfred lhe oferecera no seu vigésimo primeiro aniversário, com um pirata impresso e as palavras "British Booty" a ocuparem maior parte da superfície.
Colocou a caneca em frente de Eireen e ela tomou-a nas mãos com alguma curiosidade no olhar.
_ Mas... — Começou Eireen, com o seu sobrolho levemente franzido — Eu não sei como é que vocês começaram as vossas... aventuras... mas julgo que era tudo entre amigos.
_ E era. Ambos sabíamos que iria acabar um dia.
_ Então porque é que ele está chateado por acabares tudo.
Segundo o Scott, era porque o Alfred estava apaixonado por ele, coisa que era absolutamente ridícula, mas Arthur não disse tal teoria à irmã, pois ela já estava magoada o suficiente sem ouvir que o homem que ela amava já tinha o coração nas mãos de outra pessoa.
_ Não interessa a razão. — Arthur molhou a ponta de uma bolacha no chá e levou-a á boca — Ele é um homem livre agora, ou merdas parecidas. Por isso, diverte-te.
O sobrolho de Eireen franziu-se ainda mais.
_ Eu não quero ficar com ele agora, seu imbecil, ele dormiu contigo, qualquer relação que tivéssemos estaria condenada.
_ Porque ele é bissexual? — Perguntou Arthur com alguma irritação, pois o preconceito de que bissexuais eram demasiado promíscuos eram parvos e ainda era demasiado cedo para ele aturar merdas dessas.
_ Não, porque ele dormiu contigo. Se fosses outro homem qualquer, eu iria encarar-te apenas como outro ex, mas tu não és outro homem qualquer.
_ Que diferença faz?
_ Faz toda a diferença, seu idiota! Ele é o teu melhor amigo! Ele já te conhece há uns vinte anos, vocês já têm uma relação para uma vida inteira! E se vocês sentem desejo um pelo outro, quem é que me garante que se eu começasse um namoro com o Alfred, não vos apanharia os dois a foder pelos cantos.
Arthur sentiu-se particularmente ofendido.
_ Eu nunca faria isso a ninguém, e se o Alfred sugerisse sexo enquanto estivesse numa relação eu partia-lhe o focinho.
_ Eu sei que... eu sei que não farias isso. Tu até consegues ser um gajo decente, quando queres. — Murmurou Eireen com os lábios encostados à caneca — Mas... mas desde que eu te vi em casa dele e percebi o que é que se passava entre vocês eu... eu sinto que mesmo que alguma coisa romântica acontecesse entre mim e o Alfred, eu nunca seria a Kirkland que ele realmente queria.
_ Isso é ridículo, porque é que não haverias de ser?
_ Melhores amigos não dormem um com o outro, Arthur.
Arthur não estava a perceber o que é que ela estava a tentar insinuar.
_ Existem excepções, obviamente.
Eireen tentou abordar outra estratégia.
_ O Alfred é um homem muito atraente, não é?
_ Bem... sim... o que é que isso tem...
_ E ele é gentil, doce e trabalhador.
_ É por isso que te apaixonaste por ele?
Eireen corou muito e escondeu-se atrás da caneca.
_ Talvez.
_ Ugh, ouvir-te descrevê-lo é a mesma coisa que ouvir alguém a falar de um Golden Retriever. O Alfred não é gentil. A maior parte das vezes vai contra os moveis da casa porque anda com a cabeça na lua, ou começa a falar muito depressa e a gesticular com os braços e bate-me sem querer na cara porque não está atento ao que anda a fazer. E ele ri-se muito alto, torna-se doloroso quando estás perto dele e ele manda uma gargalhada mesmo ao teu ouvido.
Arthur comeu outra bolacha, algo frustrado.
_ Ele por vezes telefona-me para ir mudar as lâmpadas dos candeeiros. Quem é que não consegue mudar uma lâmpada? Não é preciso ser muito cientifico para isso! E sem falar das vezes em que eu tive que desentupir os canos do lavatório da cozinha. Ele já deveria saber que os restos do jantar vão para o lixo antes de se lavar os pratos, já lhe disse milhões de vezes, mas no entanto, de quatro a quatro meses lá estou eu de joelhos na cozinha dele para arranjar a merda que ele fez.
Eireen não disse nada nem parecia ter qualquer intenção de o interromper.
_ Ele consegue ser tão frustrante! — Continuou ele a resmungar — É sempre tão energético em tudo e está sempre a criticar as coisas que eu cozinho. — Arthur fungou — Nem toda a gente tem talentos para isso. Ao menos sei mudar o caralho de uma lâmpada. E o pior... o pior é que ele consegue ser tão querido como é frustrante. Em quantidades iguais. Ele... ele sempre esteve lá para mim, mesmo quando eu o mandava foder. Ele abraça-me quando estou triste e recentemente beija-me na nuca da cabeça quando ele cozinha e eu faço um chá ou um café. Ele por vezes canta quando cozinha. É horrível. Mas depois começa a dançar e obriga-me a dançar com ele e é tudo tão embaraçoso, mas ao mesmo tempo é adorável da parte dele.
Quando ele dirigiu o olhar de novo para o rosto da irmã, viu que ela tinha, o que se podia chamar, "estrelas" nos olhos. E um grande sorriso nos lábios.
_ B-bem... — Gaguejou Arthur, embaraçado — No final até percebo porque é que te apaixonaste por ele, apesar de ele ser incrivelmente irritante.
_ Arthur... eu não me apaixonei por esse homem!
_ O... o quê?
_ Eu nunca conheci esse Alfred. O Alfred que eu gosto é o cozinheiro simpático que faz comida excelente e tem o maior sorriso do mundo e uns olhos lindíssimos. Tu, por outro lado, estás perdidamente apaixonado pelo Alfred verdadeiro, o Alfred que tem defeitos. Deus do céu, sou tão burra! Como é que não vi isto antes, é tão obvio!
_ Eu não estou apaixonado pelo Alfred.
_ É claro que estás.
_ Não, não estou.
Eireen lançou-lhe um olhar irritado.
_ O que é que sentes quando pensas poderias perdê-lo, de qualquer forma.
_ É como se alguém estivesse a esfaquear-me os rins.
_ Vês! Apaixonado!
_ Mas eu também sinto isto por vocês!
_ Arthur, encara os factos! Tu já fodeste com o gajo, danças com ele, vocês passam metade da vida juntos, dão beijos, ele dá-te flores, partilham refeições, obviamente já dormiste na cama dele, o que faz as vossas escapadelas algo mais intenso do que um simples "booty call", o que é que achas que se passa aqui? Oh, meu deus — Ela bateu com a mão na testa — Como é que eu alguma vez pensei que tinha alguma hipótese?
_ Eireen, para de romantizar tudo, nós não estamos apaixonados um pelo outro.
_ Vocês são dois imbecis. Especialmente tu.
_ Eu!? Porque é que eu sou um imbecil?
_ Estás apaixonado e nem sequer dás por isso!
_ Porque é que estás a insistir tanto nisto?
_ Porque muda tudo, não vês!? Eu estava chateada porque sempre tive ciúmes da tua relação com ele. Eu queria que ele olhasse para mim como olhava para ti. E quando te vi lá em casa dele, quando percebi o que andavam a fazer, foi como se eu tivesse acordado para a vida e visto que isso nunca iria acontecer. O Alfred nunca me iria amar da forma que eu queria. Ele já estava caidinho por ti, e naquele momento senti tanta raiva e ciúme que... que simplesmente explodi.
Ela suspirou, derrotada. Então Arthur notou nas olheiras e no ar pálido. Eireen tinha mesmo passado a noite em branco.
_ Por momentos pensei que vocês nunca se tinham importado do que eu sentia. — Murmurou ela baixinho — Pensei que vocês não queriam saber se me magoavam ou não, mas isso era só a fúria e a inveja a falar. Andei a semana toda a remoer-me porque tu tinhas o que eu queria e eu sentia-me tão estúpida por não ter reparado antes. Mas aparentemente a estupidez é genética, porque tu nem sequer reparaste que o amas.
_ E não. Não dessa forma.
_ Pára de te mentir a ti mesmo.
_ Eu não estou a mentir. Eu não estou apaixonado, eu nunca estive apaixonado. — Arthur cruzou os braços — O que raio é suposto sentirmos quando estamos apaixonados?
_ Bem... eu acho que é diferente para toda a gente. Mas a mãe e o pai têm aquela coisa de olharem um para o outro e parecer que conseguem comunicar sem palavras. E o William, sempre que pode, entrelaça os dedos com os da Sarah. Achas que tu e o Alfred poderiam partilhar isso? Momentos em que olham um para o outro e sabem o que fazer sem trocar qualquer palavra? Tocar-se inocentemente nos momentos mais absurdos apenas porque precisam de sentir que o outro está ali?
Arthur sentiu as bochechas ruborizar.
_ Eu... eu acho que já fazemos isso... de vez em quando.
Eireen lançou-lhe um grande sorriso, e para alguém que quase lhe partira a cara no dia anterior, ela estava bastante animada.
_ Vês! E o que sentes quando olhas para ele?
_ Não sei? O que sempre senti? — Arthur estava muito longe da sua zona de conforto naquele momento — Sempre me senti mais calmo ao pé dele. Mas nunca sentia as "borboletas" ou o "coração a palpitar" e essas porras. Simplesmente... não sei, sempre senti que ao pé dele, poderia ser eu mesmo, e ele nunca me julgaria por isso. Eu... sinto conforto.
Ugh, falar daquilo era tão embaraçoso. Arthur nunca gostara de falar sobre o que sentia. Nenhum homem Kirkland gostava de falar sobre sentimentos. O seu rosto estava a arder de vergonha e ele teve que ocupar as mãos com a caneca de chá para não as levar à cara e esconder-se do mundo.
Mas talvez falar fosse bom.
_ Na manhã... na manhã em que descobriste... nós... bem, nós fizemos "aquilo" — Disse ele ainda mais mortificado. Eireen anuiu em compreensão, as também ela ficava escarlate — E... e foi tudo muito intenso. Não, tipo, não intenso fisicamente, mas... na noite anterior eu tinha passado um mau bocado e o Alfred esteve lá para mim e na manhã seguinte ele tocou-me como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, e tudo o que eu conseguia pensar era que talvez aquilo é que era amor... mas... eu não quero pensar dessa maneira.
_ Porque não?
_ Ele merece melhor que eu.
_ Não sejas parvo.
_ É verdade! Olha para mim! Olha para ele! Ele é o sonho molhado de metade da população feminina daqui da terra, e eu sou o gay esquisito que de vez em quando desenha casas e repara cadeiras antigas. — Ele franziu o sobrolho — Eu não sou interessante, porque é que ele haveria de querer envolver-se dessa forma com alguém como eu?
_ Uh, porque, se tirarmos a parte em que és um idiota, és um homem atraente, trabalhador e, quando queres, simpático?
Arthur lançou-lhe um olhar irritado.
_ Ele não está apaixonado por mim.
_ Como queiras. — Fez ela num tom descontraído — Só há uma coisa a fazer. Tu e eu vamos almoçar, depois tomas um banho, vestes algo jeitoso e vamos a casa do Alfred e tu vais declarar o teu eterno amor.
O pânico foi extremo e Arthur quase não conseguia respirar.
_ Não, não vamos.
_ Vamos sim. Se ele retribuir os teus sentimentos, como eu sei que sim, vocês os dois podem ir cavalgar sob a luz do por do sol e serão gay e felizes para o resto das vossas vidas. Se ele não retribuir os teus sentimentos, e te partir o coração, eu própria parto-lhe a cara.
_ Ninguém vai partir a cara a ninguém, porque eu não vou a lado nenhum.
_ Isto já não é uma questão de escolha, Arthur. — Disse Eireen num tom que lançou um arrepio pela espinha de Arthur — Lá por estar mais calma, não quer dizer que ainda não esteja em fúria com esta história toda. Por isso sê um bom irmão, e faz o que eu te digo, ou eu juro que te vais arrepender.
Arthur engoliu em seco.
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