Sure, Why Not?
11 Capitulo 11
Notas iniciais
Quando o seu cérebro começou a acordar para a realidade, Alfred ficou consciente de duas coisas: Toda a parte traseira do seu corpo estava completamente congelada mas, no entanto, a dianteira sentia-se confortável e quentinha.
Era o preço que sofria por adormecer em cima da cama todo nu sem qualquer cobertor em cima, em meados de Outono e deixar o aquecimento da casa desligado. A coisa que lhe entregava algum calor de momento era o corpo adormecido de Arthur, ao qual Alfred se abraçara apertadamente durante o sono numa busca de escapadela às garras do frio.
Apetecia-lhe movê-los aos dois para debaixo dos lençóis mas não sabia como o fazer sem acordar Arthur. Tinha que se lembrar, para a próxima, que não podiam adormecer sem estarem devidamente depositados dentro da cama e bem cobertos por dezenas de cobertores.
Decidiu então encostar-se mais ao outro. Enroscou o rosto ao cabelo do amigo e inalou, o aroma familiar do seu próprio champô e o cheiro cru a sexo invadiram-lhe as narinas e ele sentiu-se estremecer, desta vez não pelo frio, mas pelo arrepio de luxúria que lhe atravessou o ser.
Arthur grunhiu qualquer coisa no seu sono, mexeu-se um pouco e voltou a ficar quase imóvel, à parte do subir e descer profundo do seu peito. Não parecia incomodado pelo frio, já que tinha um homem mais largo praticamente em cima dele a protege-lo de qualquer temperatura mais baixa que se fizesse dentro do quarto.
Memórias da noite anterior surgiram e Alfred sentiu o rosto borbulhar com timidez e um prazer desconhecido. Tinha sido tudo muito agradável, ainda que deveras embaraçoso. Agira quase como um virgem desajeitado, e agora prometia-se a si mesmo que no futuro iria fazer de tudo para ter uma performance mais aceitável.
Não conseguiu impedir-se e depositou um pequeno beijo no ombro do inglês adormecido, e com ternura saboreou toda aquela expansão de pele suave. Não era usual ser tão romântico no dia que se seguia a uma boa noite de sexo, mas aquele era Arthur, o seu melhor amigo, o homem que cresceu ao seu lado e que partilhara todas a fazes estranhas e confusas da sua adolescência, merecia algum carinho.
Além disso, o ombro de Arthur estava praticamente a implorar para ser beijado, ali todo fofo e macio e suave e delicioso e…
Aquilo era o seu telemóvel a tocar?
Sentou-se de repente e olhou para o relógio digital que se encontrava na sua mesinha de cabeceira. Praguejou ao ver a hora tardia que se fazia e saltou da cama. Arthur gemeu qualquer coisa, rolou no colchão e lançou um olhar confuso e endrominado ao americano que se removia do quarto e corria todo nu pela casa fora.
Alfred conseguiu chegar à cozinha a tempo antes de quem quer que fosse que o telefonava desligasse. Levou o aparelho de comunicação de imediato à orelha assim que carregou no botão que atenderia a chamada.
_ Sim? – Fez ele sem fôlego.
_ Alfred, onde raio é que andas?
Era o Matthie e ele não parecia minimamente alegre. Alfred encolheu-se por instinto, da forma que fazia sempre que alguém apontava uma raiva particular em direção da sua pessoa.
_ Desculpa… — Começou a dizer, mas foi interrompido com rudeza.
_ Já são quase onze horas! Não tens comida para fazer?! O teu turno já começou à meia hora atrás!
_ Adormeci!
_ Isso não é desculpa! O que raio é que andaste a fazer?
Alfred hesitou, pois não havia maneira delicada de informar o nosso irmão que adormecemos porque andamos a foder o nosso melhor amigo na noite anterior. E ele não sabia se era algo que queria já anunciar ao planeta, pois não tal situação não era muito normal para si, e desconhecia a opinião de Arthur quanto à publicidade daquele caso.
Por isso decidiu ir por:
_ O Arthur passou por cá e vimos um filme.
_ Diz ao Arthur para mudar as noites de cinema para quando não tens trabalho no dia seguinte! – Resmungou Matthew do outro lado – Agora despacha-te!
Alfred rolou os olhos. Era óbvio que o seu querido e adorado irmão estava num dos seus dias irritadiços. Eram raros, mas conseguiam ser uma pedra no sapato quando ocorriam.
_ Está bem, está bem, vou só comer alguma coisa e depois vou logo para aí.
Desligou a chamada antes que Matthew começasse a gritar na sua orelha e suspirou ao passar a mão livre pelo cabelo desalinhado. Deveria ter ligado o despertador na noite anterior para não ter que aturar a raiva do irmão. Mas, sinceramente, esperaria algo desse género vindo de Elizaveta, não do seu gémeo.
Virou-se e deu um salto ao ver que Arthur tinha-se levantado e entrado sorrateiramente na cozinha durante a chamada. Usava apenas uma camisa de Alfred que lhe ficava larga e grande o suficiente para lhe tapar as intimidades. Ficava-lhe bem. Trazia nos seus braços o roupão que fora abandonado na noite anterior e tinha os seus pezinhos descalços sobre o azulejo frio que cobria todo o chão.
_ Quem era? – Perguntou com a voz ainda empastada pelo sono.
_ O Matthie. Queria ralhar comigo porque estou atrasado. – Alfred colocou o telemóvel em cima do balcão e lançou-lhe um sorriso repleto de doçura – Começo a achar que a minha roupa fica-te melhor a ti do que a mim.
_ Hmp. – Arthur ergueu os braços na sua direção num gesto para lhe entregar o roupão – Não que tenha algum problema em ver-te andar nu pela casa, muito pelo contrário, mas está frio e ainda me morres de hipotermia.
De facto, certas partes da sua anatomia estavam a minguar graças às temperaturas baixas e tal acontecimento não era dignificante. Pegou na peça de vestuário que lhe foi entregue e vestiu-a de imediato, satisfeito por sentir o tecido grosso aquecer-lhe a pele glacial.
_ Queres que te faça alguma coisa para comer, Arthie-kins? – Inquiriu, agora mais confortável e animado ainda que os seus pés estivessem lentamente a perder qualquer sensibilidade graças ao chão gelado.
Arthur encolheu os ombros, abafou com a mão um bocejo algo sonoro e arrastou uma cadeira para se sentar. Quando o fez, um esgar formou-se no seu rosto e ele lançou leve arquejo de dor, o que alarmou de imediato Alfred.
_ Que foi?
_ Nada. – Disse Arthur com indiferença – Só estou um bocado dorido.
_ Dorido? – Ele não gostava nada do som daquilo – Lá… lá em baixo?
_ Onde é que querias que fosse?
_ Mas…! Mas…!
Aquilo era a ultima coisa que ele queria. Já tinha ouvido todas aquelas piadas sobre sexo anal e os andares novos que os seus praticantes possuíam depois do atos, mas tal coisa não lhe passara pela cabeça na noite anterior. Tudo indicava que Arthur tinha dores de momento, dores que tinham sido provocadas por Alfred. Ainda não se perdoara pela briga na casa de banho, semanas antes, e agora era isto? Causara agonia ao seu melhor amigo pelo seu próprio prazer!
Ele era um homem mais horrível do que pensava!
_ Oh, que Thor seja louvado, já deves estar a fazer um filme ridículo na tua cabeça. – Soltou Arthur exasperado – Eu já sabia que ia doer. Fica sempre um bocadinho… sensível, mas hoje dói mais porque já não o usava para estes fins há muito tempo. Sem contar com o Jonathan e o Ian, mas esses não são grandes o suficiente para provocar algum dano.
_ Estou a ver. Espera aí, quem são o Jonathan e o Ian? – Perguntou Alfred indignado – Não conheço nenhum Ian, mas também não deve ser o Jonathan Smith… esse tem uma anaconda no meio das pernas.
Arthur riu-se e Alfred decidiu ocupar-se a fazer algo para comer. Pegou na frigideira e colocou-a ao lume. Retirou manteiga, ovos e bacon do frigorífico.
_ Um homem como o Jonathan Smith nunca perderia o seu tempo com um desgraçado como eu.
_ “Um homem como ele”? Para além da sua pila colossal, não vejo o que há de fascinante nele.
_ Ele é muito mais que uma pila gigante, Alfred, mas não é o meu tipo. Além disso, estou demasiado ocupado de momento a aturar cozinheiros louros e balofos que têm ataques de ciúmes.
_ Eu não sou balofo! Estás a começar a magoar os meus sentimentos. E ainda não me disseste quem são o Jonathan e o Ian.
_ Isso é comigo.
_ Mas Arthur…!
_ Hmm.
Continuaram a falar um com o outro enquanto Alfred cozinhava, mas não diziam nada que fosse de extrema importância. Arthur acabou por levantar os pés e metê-los na cadeira, encostados ao corpo, num fim de os proteger do frio. Depois de uma espécie de omelete com bacon estar feita, o americano dividiu-a em dois pratos e serviu-a de imediato antes de ir buscar o sumo de laranja.
Comeram a trocar palavras, a discutir o quão adorável Emma era e de como Arthur iria à cidade do lado para ir comprar vestidinhos e peluches no fim de mimar a sua sobrinha. Por sua vez, Alfred sentia o nervosismo e excitação de quando o seu próprio sobrinho/a nascesse, e de como a vida de Matthew, e a sua, por consequência, mudaria a partir desse dia.
_ O Scott e o Brody acabaram a mobília do quarto do bebé na semana passada e já montaram o quarto. – Disse Arthur após engolir um grande pedaço de omelete – Já lá foste ver?
_ Não. Mas o Matthew disse-me que estava super bonito e o Francis também gostou bastante.
Ignorou a minúscula careta que Arthur fez ao ouvir o nome do grande chef, e mandou um gole do seu suco. Nunca soubera bem quais eram os problemas entre o seu melhor amigo e o seu primo, mas pareciam-lhe coisas onde não deveria meter o nariz. Ainda que na sua mente tudo o que envolvesse Arthur, envolvia-o também, obrigações de melhor amigo e coisas dessas, nunca teve coragem de perguntar sobre aquela guerra que já se estendia à anos.
Talvez não queria ser obrigado a escolher entre amizades e família.
_ Disseram-me que os padrões da parede estão muito bem-feitos. – Disse Alfred enquanto levava novamente o copo à boca – E que penduraste uns enfeites de algodão pelo teto abaixo para simular nuvens. Tens mesmo mãos talentosas.
_ E tu podes um dia saber pessoalmente o quão talentosas elas podem mesmo ser, se não desmaiares durante o processo. – Comentou Arthur num tom aborrecido enquanto Alfred se engasgava com o sumo que bebia de momento.
_ Isso foi desnecessário!
_ E tens que me comer ali no balcão da cozinha. Parece-me sexy. – Arthur olhou para o dito espaço e um sorriso sonhador apareceu-lhe no rosto. – Limpava-mos tudo no fim, como é evidente, não somos nenhuns porcos selvagens com falta de higiene.
_ Para de fazer planos embaraçosos para fodas futuras. – Reclamou Alfred sem grande irritação – Pelo menos sem termos a minha opinião incluída. E não sei se quero fazer esse tipo de coisas no meu balcão. Ele é o meu bebé. Talvez no capô do carro, ou à beira do lago. Mas tinha que ser no verão, ou ficávamos com os rabos congelados.
_ Isso seria desagradável. – Concordou Arthur – Se continuarmos com esta aventura até ao verão, então estou a bordo.
_ Porque é que não haveríamos?
O inglês lançou-lhe um olhar óbvio, mas Alfred manteve uma expressão confuso estampada no rosto.
_ Podes encontrar o amor da tua vida, ou porra parecida, e não me apetece meter-me em dramas desnecessários com senhoras psicóticas que acham que quero roubar o homem delas.
_ Não me parece que isso vá acontecer num futuro próximo.
_ Porque não? Pode de repente aparecer uma jovem beldade que te encante só com um olhar e ficas perdidamente apaixonado dois minutos depois de a conheceres.
_ Eu não ficaria perdidamente apaixonado por alguém que só conheço há dois minutos, Arthur. – Disse Alfred secamente, e encostou-se para trás ao encarar o amigo, que retribuiu com um olhar interessado – Apaixonar-me por alguém só porque essa pessoa é bonita parece-me ser bastante fútil. Atração? Claro, é normal, mas amor? Não, nunca.
_ Bem, as pessoas devem apaixonar-se de alguma forma.
_ Nunca tiveste apaixonado?
_ Não. – Retorquiu Arthur, indeciso se tal resposta era considerada normal – Podia gostar muito deles, mas nunca me sentir particularmente desesperado para estar com eles, nem me sentia assim tão triste quando as relações terminavam, por isso suponho que não era amor. – Apoiou o queixo na sua mão e olhou para a janela, fitando o nevoeiro pesado que se fazia lá fora – Talvez não seja capaz de amar alguém dessa forma.
Seria por aquela razão que Arthur nunca lhe apresentar nenhum dos seus namorados? Porque esses nunca chegavam a ser considerados tal coisa? E que história era aquela de não ser capaz de amar e tretas? Alfred sabia muito bem que não havia família mais unida que os Kirkland e que Arthur amava profundamente os pais e os irmãos, ainda que de vez em quando andassem todos às cabeçadas. Lá por não ter encontrado um homem qualquer com o qual sentisse ternura e carinho o suficiente para chamar de “amor”, não queria dizer que nunca viesse a sentir.
Um pensamento miudinho e proibido roeu-lhe no fundo da mente e sussurrou-lhe “não era bom que fosses tu?” e Alfred ocupou-se de imediato a comer o resto do seu pequeno-almoço tardio, chamando-se de idiota por se lembrar de tais coisas. Arthur era seu amigo, já era estranho agora andarem a partilhar uma relação física, não precisavam que um deles começasse a fazer declarações românticas.
E, a julgar por o caminho por onde andavam, não seria Arthur o primeiro a fazê-lo.
_ Um dia o teu príncipe encantado vai aparecer e vai roubar-te o coração. – Disse Alfred num tom jovialmente forçado – E depois se ele te magoar, vou lá e parto-o todo.
Arthur retirou os olhos da janela para o encarar e ergueu uma sobrancelha. Alfred ruborizou um pouco sob o seu olhar e clareou a garganta enquanto limpava a boca com um guardanapo.
_ Eu não preciso de um príncipe encantado. Também não vejo ninguém talentoso o suficiente para me “roubar” o coração.
_ É por isso que não te apaixonas, não deixas que um pobre homem se aproxime o suficiente para te deixar apaixonado.
_ Eu deixo-os meter os seus pénis em certas partes do meu corpo, acho que esse argumento é ridículo.
_ Abrir as pernas é diferente de abrir o coração, Arthie-kins! Tens que os deixar conhecer o teu verdadeiro “eu”, e só assim ficarás confortável o suficiente para te entregares emocionalmente ao teu futuro marido… quando o casamento gay for legal neste estado.
Arthur franziu o sobrolho e encolheu-se na cadeira onde se sentava. Tal gesto, acompanhado com a camisola demasiado grande que vestia, dava-lhe uma aparência particularmente vulnerável.
_ E se eles não gostarem do meu verdadeiro “eu”?
_ Então que vão à merda. E eu gosto do teu verdadeiro “eu”, porque é que não haveriam eles de gostar?
_ Mas tu és diferente.
Alfred sentiu o coração bater mais depressa e a sua respiração acelerou. Lembrou-se mais uma vez que eram apenas amigos, que a noite anterior tinha sido só diversão entre ambos e que aquele calor que sempre sentira quando estava perto do inglês não passava da afeição proveniente de uma amizade com quase vinte anos.
_ Diferente? – Teve que controlar a voz para que ela não tremesse como a sua alma fazia de momento – Diferente, como?
_ Bem… não sei. És o Alfred.
_ Eu sei, Arthur, não sofro de amnésia.
_ Eu não…! Não era isso que eu queria dizer, imbecil! – As bochechas de Arthur tomaram um agradável tom avermelhado e as suas sobrancelhas aproximaram-se num gesto embaraçado. Alfred sorriu – É que, para mim, és o Alfred…
_ Eu sou o Alfred para toda a gente.
_ Deixa-me acabar! O que eu quero dizer é: Que para mim és o Alfred, no sentido que sempre lá estiveste para mim. Acho que ninguém me conhece tão bem como tu, nem os meus irmãos. Quando dizes que eu tenho que abrir o meu coração, ou merdas do género, e revelar o verdadeiro “eu”, fica tudo um bocado confuso na minha mente, porque és o único com quem ajo dessa forma, e parece-me traição para contigo, porque tu és o Alfred, o meu melhor amigo, que já conheço desde que tenho onze anos, e parece-me errado mostrar esta parte de mim a alguém que só conheço, hipoteticamente, há uns meses.
_ Estás-me a culpar pela tua falta de vida amorosa? – Perguntou Alfred aparvalhadamente. No seu peito o seu coração parecia que ia rebentar de emoção.
_ É claro que não, não sejas estupido. Se não aconteceu, é porque não aconteceu. Só te estava a dizer que era esquisito para mim andar por ai a mostrar o verdadeiro “eu” a toda a gente.
_ Eu não disse a toda a gente. Só ao tipo certo.
_ E como é que eu sei que é o homem certo?
Era uma boa pergunta, mas se tal resposta dependesse de Alfred, então esta seria sempre negativa, pois a sua mente continuava com a teima de que nenhum homem à superfície deste planeta, céu ou Inferno era merecedor do amor de Arthur.
Encolheu os ombros em resposta, pois não se atrevia a falar com o risco de algo obtuso lhe escapar pelos lábios. Sentia uma estranha possessividade ao pensar em Arthur com alguém, pois essa pessoa roubaria o tempo que os dois partilhavam, incluindo as noites de cinema e as tarde à beira do lago. Ou pior, Arthur traria o seu namorado consigo para aqueles momentos de amizade, e Alfred teria que sofrer ao vê-los a serem fofinhos e românticos um para o outro.
_ Não devias estar a vestir-te para que o Matthew não te mate? – Perguntou Arthur curiosamente.
_ Devia, mas ele ama-me demasiado para fazer muitos estragos.
_ O Matthew faz estragos?
_ Nunca o viste zangado, pois não?
_ Não.
_ Tens sorte.
Qualquer matéria sobre romances e possíveis namoros foi esquecida a partir dali, e passaram para coisas mais confortáveis para ambos. Acabaram o pequeno-almoço sem grandes pressas, sem quaisquer pensamentos na possível ira de Matthew.
Trouxeram a nostalgia ao de cima ao tomarem banho juntos. Não houve tempo para criar um ambiente sedutor, principalmente porque Arthur não queria atrasar mais o Alfred para o seu emprego. Pouco importava, pois o americano já se tinha esquecido do quão adorável o seu amigo ficava debaixo do chuveiro, com uma pequena cortina de cabelo louro descaída sobre os olhos verdes, semicerrados graças à água e ao champô.
Alfred emprestou roupas velhas a Arthur para que este se movesse sem grandes percalços e meteu o vestuário de trabalho do inglês para lavar com o outro monte sujo que tinha num canto da casa de banho. Já era quase meio-dia quando saíram de casa e se despediram com um beijo rápido antes de Alfred voar para o seu carro e conduzir rapidamente para o restaurante.
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Dizer que as coisas não mudaram seria mentira. Não só a relação entre os dois, mas como a vida à volta, especialmente para Arthur.
A construção da casa de Ludwig e Feliciano começara e tomara quase o tempo inteiro dos Kirkland. Contrataram uns amigos para os ajudar e o nascimento da pequena Emma mostrou-se um exíguo problema, pois William tinha que transferir a sua atenção para a mulher, a filha e o seu emprego.
Com tal horário apertado, pois andava sempre a supervisionar a obra e ajudava a mover objetos e levantar pesos, foi difícil arranjar tempo para que ele e Alfred pudessem usufruir do corpo um do outro sem se preocuparem com o dia seguinte. Infelizmente os dias de folga de ambos não coincidiam.
Era difícil também encontrarem-se cedo, pois os dois saiam muito tarde do trabalho e só tinham a cama em mente para dormir.
A melhor altura que arranjaram era de manhã. Arthur chegava a casa de Alfred por volta das oito, comiam o pequeno-almoço e depois comiam-se um ao outro.
Para grande frustração de Arthur, Alfred recusava-se a fazer sexo anal depois da primeira noite. Suspeitava que o americano tinha-se sentido culpado quando ele aparecera na cozinha com o rabo dorido, por isso negou qualquer tipo de penetração naquela aventura sexual que ambos partilhavam. Tal como ainda não deixava Arthur meter a boca perto das suas intimidades.
Na verdade não havia muito que fazer. Arthur não podia ser fodido nem chupar o membro de Alfred. De facto, se a masturbação mutua não fosse a atividade mais usada, Arthur duvidava que teria qualquer acesso aquele glorioso espécimen de pénis. Pénis esse que era desperdiçado em coisas tão básicas e juvenis como bater uma punheta.
Ugh, ele quase queria atar Alfred à cama e usar aquela perfeição de pila até não conseguir andar direito durante duas semanas. Não conseguia o americano ver que o arquiteto gostava de ser comido? Mas, Nãaaaao, o imbecil tinha complexos, porque supostamente ficar com o traseiro dorido durante um dia ou dois era equivalente às lesões provocadas por ser atingido por um bisonte.
Bem, pelo menos era melhor que nada. Fazer esse tipo de atividades sozinho não era tão excitante como ter um parceiro, mesmo que este se recusasse a fazer coisas mais aprofundadas do que um trabalho manual.
Mas irritava-o um bocado, pois ele gostava de sexo penetrativo. Os seus melhores orgasmos aconteciam quando ele tinha um pénis enfiado pelo rabo a cima. Dito assim não parecia lá muito romântico, mas era bom e dava-lhe prazer e isso é que lhe importava.
Seria muito indelicado virar-se para Alfred e dizer: “És capaz de virares um homem e foderes-me como se deve ser até eu não me lembrar do meu nome?”
Mas não diria, porque não queria forçar Alfred mais do que era necessário. O pobre coitado estivera tão nervoso na primeira noite que Arthur chegara a achar que não iria aguentar até ao fim. Mas no final tudo correra bem e ficara com a impressão que o seu amigo tinha gostado do ato tanto quanto ele. Pelo menos Alfred não parecera repulsado e até lhe lançara aquele sorriso preguiçoso e satisfeito que os homens faziam após uma boa sessão de sexo.
Ainda que compreendesse a hesitação de Alfred em fazer coisas que na sua mente seriam dolorosas para Arthur, facto que nem era verdade, o que o arquiteto não percebia era como é que Alfred conseguira ter uma relação sadomasoquista com o gigantesco russo Ivan Brangisky e aparentemente era o dominante da coisa, mas Meu Deus, não pode magoar o pobre Arthur Kirkland porque ele é uma florzinha delicada que murcha a qualquer toque mais forçado! Pff, tenham dó. O melhor sexo que Arthur já tivera foi quando o bom e velho Jack, anos antes, o atirara contra a parede de uma casa de banho pública e aproveitou-se do seu corpo até o então estudante de arquitetura não conseguir pensar em nada a não ser no facto que aquilo era excelente.
Por isso, não, Arthur Kirkland não era nenhuma flor delicada e também não tinha quaisquer problemas se um homem fosse um bocado mais bruto com ele quando se comiam.
Pelos vistos Alfred não tinha qualquer intenção de ser bruto, o que Arthur achava agradável e fofo, mas não usar aquele seu pénis para foder era praticamente um crime.
E Céus era um belo pénis. Arthur nunca soubera que Alfred escondia tal perfeição dentro das calças e já o tinha visto nu dezenas de vezes durante a adolescência, como é que nunca reparara em tal beldade fálica? Não era muito grande, nem era muito pequeno. Era do tamanho ideal para que Arthur o sentir durante e depois do ato, mas sem deixar grandes danos ou sem muitas dores traseiras. Era como se aquela pila tivesse sido feita somente para Arthur.
E tal maravilha da natureza devia ter o direito a mais do que uma mão que não pertencia ao seu dono para a satisfazer e Arthur tinha todas as intenções de fazer algo quanto a isso.
Tinha que ter paciência, mas essa tinha limites e o Alfred já estava a puxá-los com os seus complexos e inseguranças.
Por isso, durante o processo de estacionar a sua carrinha ao pé da casa do amigo, Arthur decidiu ser assertivo e exigir o prazer ao qual tinha direito.
Estava cada vez mais frio, agora que deixaram o Outubro para trás com uma bela e divertida noite de Halloween e o Novembro apareceu carregando consigo vento gélido e até alguma chuva. Por estes andares iria acabar por nevar e Arthur nunca gostara muito de neve.
Encolheu-lhe ao sair da carrinha e enroscou melhor o seu cascol ao pescoço. Depois de uma corrida pelo jardim de Alfred, bateu à porta algumas vezes, impaciente para sair do frio corrosível que se fazia na rua.
_ Oh Céus, sai-me da frente, tenho as extremidades quase a cair. – Disse Arthur mal a porta foi aberta e enfiou-se de imediato dentro de casa.
_ Bom dia para ti também. – Cumprimentou Alfred secamente ao fechar a entrada principal da sua casa. Lançou-lhe um olhar curioso enquanto Arthur se metia em frente da lareira para e tirava as luvas – Vieste mais cedo do que o habitual.
_ Sim, hoje vamos fazer coisas que demoram mais tempo.
_ Vamos? – Ele notou numa nota de hesitação na voz do americano e sorriu com mesquinhez.
_ Yep.
Não divulgou mais nada, decidido a torturar Alfred com o suspense. Esfregou as mãos, gesticulando os seus dedos frios e doridos. Algures atrás de si, o seu melhor amigo trabalhava em qualquer coisa que cheirava extremamente bem.
_ Já comeste alguma coisa hoje? – Inquiriu Alfred por cima do som de comida a ser cozinhada.
_ Uma taça com cereais e leite.
_ Isso não é um pequeno-almoço de homem.
_ Nem todos conseguimos morfar comida como tu, Alfred. – Comentou Arthur sem grande interesse – Qualquer dia ficas numa bola e tens que rebolar para todo o lado.
_ Não sejas exagerado. E eu não vou ficar uma bola, faço demasiado exercício para isso.
_ Tu? Não te vejo a mexer-te desde o liceu.
_ Fica a saber, sua coisa irritante, que todos os dias faço duzentas flexões depois de me levantar! – Declarou Alfred ao levar a espátula ao peito num gesto de orgulho próprio.
_ E depois comes coisas fritas? Onde raio está a lógica disso?
_ Não me questiones, Arthie.
_ Está bem. Depois não digas que não te avisei quando fores parar ao hospital graças a um ataque cardíaco.
_ Preocupa-te com essas coisas quando casares comigo.
_ Porque raio iria eu casar-me contigo?
_ Porque eu sou lindo, cozinho bem e tu amas-me?
_ Não sejas ridículo.
_ Agora o meu coração está partido.
_ Tenho a certeza que vais sobreviver.
Era bom saber que tudo estava normal entre eles apesar de todo o envolvimento físico e aquele fiasco de silêncio e olhares frios que demorou semanas. Já não havia pausas constrangedoras entre as suas conversas nem olhares nervosos.
No que dizia respeito à vida sexual, Alfred tinha também ficado mais confiante comparado com a primeira noite. Ainda que não quisesse fazer nada que envolvesse enfiar o seu pénis dentro de algum orifício de Arthur, o americano já não ficava indeciso nem inseguro em tocar no corpo do amigo e, para grande deleite do inglês, até parecia gostar de explorar toda a extensão de pele branca que lhe era entregue de bom grado.
Arthur sentou-se numa cadeira enquanto Alfred se alimentava e embrenharam-se os dois em conversas mundanas sobre a vida em geral. Ouviu o americano repetir orgulhosamente pela milésima vez a sua história de como tinha assustado cinco criancinhas no Halloween. Tinha sido tão assustador, dissera ele com um sorriso de troça, que uma delas, a que tinha ficado quieta em estado de choque enquanto as outras corriam aos gritos, tinha feito xixi nas suas collants de Homem Aranha.
Com um rolar de olhos, Arthur sorriu secretamente, pais sabia bem que por detrás daquele orgulho todo, Alfred sentira-se culpado no momento em que viu os olhinhos brilhantes e horrorizados do rapazinho. De facto, Arthur apanhara-o, vestido de fantasma sangrento, a apertar um mini homem aranha contra o peito numa corrente de desculpas e a prometer-lhe todos os doces do universo. Depois pegou na criança e os dois foram em busca da mãe desta, a Joan Abrams, que quando os viu colocou as mãos nas ancas e abanou a cabeça, mas não parou de sorrir, ainda que o filho tivesse sido horrorizado até se urinar.
Alfred era bom com crianças. Em dias de festa quando o cozinheiro não estava preso em frente do fogão, tinha sempre uma legião de projetos de pessoa a seguirem-no e a pedirem para serem pegados por ele. E o imbecil fazia sempre tudo o que eles lhe pediam e mimava-os até estes jurarem que gostavam mais dele do que dos pais.
Arthur esperava que Alfred não agisse da mesma forma com os seus futuros filhos, ou as coisas iriam tornar-se nuns diabos. Mas gostava da imagem de Alfred com uma criancinha loura nos braços, ambos a rirem-se às gargalhadas por alguma razão que provavelmente nem fazia sentido, e dois pares idênticos de olhos azuis fitavam-se com ternura parental.
Por alguma razão a sua mente não incluía nenhuma mulher na imagem, mas esse facto não era importante.
_ Já acabaste? – Perguntou Arthur secamente ao ver Alfred meter o último pedaço de salsicha na boca.
Alfred ergueu um dedo num sinal para Arthur esperar e engoliu o resto do sumo que se encontrava no seu copo. Quando acabou, posou o objeto na mesma com um arquejar satisfeito e lambeu os lábios. O arquiteto suspirou com aborrecimento por o outro estar a demorar séculos e cruzou os lábios.
_ Ok, já acabei.
_ Finalmente.
_ Não me apresses, ninguém te mandou vires três milénios mais cedo. Afinal o que é que vamos fazer que “demora mais tempo”?
Arthur não respondeu de imediato, optando por lançar um olhar contemplativo ao melhor amigo. Semicerrou os olhos de forma exagerada e fez um leve “hmmmmmm” pela garganta enquanto Alfred erguia as sobrancelhas com um leve ar confuso e enjoado.
_ Estás a ter um ataque ou o teu cérebro adormeceu? – Perguntou o americano com irritação após ser tanto tempo a ser observado.
_ Onde é que queres fazer coisas? No quarto, na sala, ou aqui?
_ Não vamos fazer nada aqui, seu tarado. Nesta cozinha só se come.
_ Então vamos para o quarto.
Arrumaram a cozinha antes de fazerem o que quer que seja. Arthur ajudou Alfred a lavar a louça, o que gerou uma pequena disputa de espuma e água. No final ficou tudo limpinho e a brilhar e ambos embrulharam-se em beijos ardentes, todos encharcados graças à brincadeira.
Arthur não se lembrava bem de como é que eles subiram as escadas sem cair e partir nada, pois o desejo começara a queimar e a vontade de descolar os seus lábios dos de Alfred era nula. Tudo o que sabia era que num momento estava na cozinha a empurrar o americano contra o balcão e no outro estava a ser deliciosamente esborrachado contra o colchão fofo da cama e Alfred encontrava-se em cima dele a devorar-lhe a boca.
Não tinha quaisquer reclamações quanto à técnica que Alfred mostrava ter na arte de beijar, muito menos quando este começava a atacar-lhe o pescoço e peito. Arthur não sabia que bruxedo é que o outro fazia, mas sentia-se gelatina a cada toque de lábios contra a sua pele, a cada traçar de dentes, que marcavam trilhos apaixonados pelos seus ombros. Como Alfred tinha mais experiencia com mulheres, parecia ter uma fascinação imensa pelos mamilos de Arthur, que também não tinha qualquer intenção de o impedir, visto que era tudo muito agradável. Qualquer outra pessoa diria que Alfred perdia demasiado tempo a lamber e mordiscar o peito do arquiteto, mas Arthur não lhe iria negar tal vontade, era bom e aparentemente fazia o seu amigo feliz, para que reclamar?
Incentivava-o, até, para que Alfred não se sentisse inseguro e desconfortável. Levou uma mão aos cabelos do outro, puxando-o mais para si e estremeceu de deleite quando o seu mamilo direito foi provocado por uma língua matreira. Ele adorava toda aquela atenção que Alfred lhe dava durante o sexo e quase compensava a falta de penetração, mas Arthur gostava demasiado de sentir um homem dentro de si para abdicar dessas sensações durante muito tempo.
Com outro beijo profundo e apaixonado Arthur desapertou a camisa do pijama de Alfred e deleitou-se ao serpentear as mãos pelo tronco apelativo. Não era sempre que conseguia arranjar um moço assim tão atraente e ainda era difícil acreditar que alguém do calibre de Alfred quisesse alguma coisa com um arquiteto inglês baixinho, magrela e rezingão, mas hei, não se ia queixar.
_ Hm… — Fez Alfred, como se tivesse acabado de ler os seus pensamentos – És tão fofinho que só me apetece morder-te.
Arthur rolou os olhos e puxou-o para mais uma série de beijos. Algures durante a batalha de lábios, línguas e dentes, as calças de ambos desapareceram, pernas nuas entrelaçaram-se e membros excitados, cobertos apenas com finos boxers, roçaram-se abrasadamente.
Com um arquejar excitado, Arthur arranhou um trilho pelas costas de Alfred, até chegar aos ombros e fazer pressão, de forma que o outro percebesse a sua intenção. Com um grunhido compreensivo, Alfred cumpriu o seu pedido silencioso e rolou para o lado, puxando-o consigo de forma a Arthur ficar por cima.
Satisfeito com o novo arranje, Arthur beijou e lambeu toda a extensão do tronco de Alfred, que o encorajavam ao afagar os seus cabelos com aquelas mãos largas, e foi descendo e descendo, sempre com um olho avido e atento à sua presa: Aquele alto apelativo que se fazia dentro dos boxers de Alfred.
Talvez se fosse rápido o suficiente, Alfred não notaria até Arthur já estar com a boca onde era preciso.
Beijou o trilho louro de pelos que espreitavam pela roupa interior de Alfred e começou a baixar o tecido dos boxers, tremendo de excitação e salivando com o que iria fazer.
_ Hei, hei, hei! Não, para! – Alfred estava sentado um segundo depois e agarrou-lhe os pulsos, puxando-o para cima. O seu rosto estava intensamente vermelho e mostrava uma desaprovação extrema – Não vais fazer nada disso.
_ Ai isso é que vou. – Resmungou Arthur, teimoso, e libertou as mãos, guiando-as em direção do sexo do amigo.
_ Não!
_ Sim!
_ Arthur!
_ Alfred!
Olharam-se intensamente num desafio interior até Arthur lançar um grunhido de pura frustração e passar as mãos pelo cabelo.
_ Meu Deus, Alfred! Nunca vi ninguém que tivesse tantos complexos por lhe quererem chupar a pila!
Alfred ficou mais corado, o que Arthur não julgava ser possível, e mostrou-se tão frustrado como o inglês.
_ Eu não tenho complexos por quererem chupar-me a pila.
_ Tens formas estranhas de o mostrar.
_ Eu não tenho complexos com pessoas a chupar-me a pila, só os tenho contigo.
Foi como se uma corrente de água gelada atravessasse as suas entranhas e Arthur sentiu-se de repente demasiado despido e vulnerável. O seu primeiro instinto era espetar um murro no focinho de Alfred, levantar-se, vestir-se e sair dali para fora, mas conteve-se pois achava que merecia uma explicação.
_ O que é que é suposto isso querer dizer!? – Perguntou, ofendido e magoado.
_ É que… és tu!
Arthur limitou-se a observá-lo com todo o desdém que conseguiu arranjar de momento. Alfred suspirou, obviamente stressado e em busca de palavras.
_ Arthie, tu és o meu melhor amigo. E eu não quero… eu não quero degradar-te dessa forma.
_ Já tiveste o teu caralho enfiado pelo meu cu a cima, mas aparentemente se te o chupar é “degradante” para mim? – Fez Arthur sem paciência – Claro, é evidente. – Completou sarcasticamente enquanto se arrastava para fora da cama.
_ Espera, espera, Arthur! – Alfred apressou-se a impedi-lo de se levantar, puxando-o contra si apesar dos seus protestos – Eu não… eu não quero ofender-te! Não é que eu não sinta vontade que me faças… essas coisas, eu quero, a sério que sim! Mas…
Arthur parou de se debater contra o outro, e ficou à espera do resto da explicação.
_ Eu… eu não sei se vou conseguir retribuir da mesma forma tão cedo.
_ O quê? – Perguntou Arthur, agora confuso.
Alfred enterrou o rosto entre a junção do ombro e pescoço do inglês, embaraçado.
_ Nunca tive vontade de meter a minha boca perto do pénis de alguém, e por muito sexy que eu ache que sejas, ainda não me sinto muito inclinado para isso. Mas depois sinto-me culpado, porque quero que tu o faças mas eu não quero retribuir da mesma forma. Não que ache que o teu pénis é nojento, nem nada, acho-o bastante adorável, mas não q…
_ Ok, ok, primeira regra, não atribuas adjetivos como “adorável” a um pénis. Parece que queres fazer-lhe um vestidinho pequenino e tirar-lhe fotografias num campo de flores. – Interrompeu Arthur com brusquidão, afastando-se para o encarar – E eu não quero saber se fazes o mesmo ou não. Se não o queres fazer, também não te vou obrigar, mas eu, pessoalmente, aprecio fazê-lo, e neste momento estás a irritar-me. – Hesitou e lançou um olhar indeciso a Alfred –É por isso que também não queres fazer sexo anal comigo?
_ Uh, não, isso é principalmente porque estavas com dificuldade em sentar-te no dia seguinte.
_ Não, não estava, eu estive sentado praticamente o dia todo!
_ Mas doía-te, disseste-me que sim!
_ Doía, mas não era nada que me fizesse querer morrer, ou coisa parecida. Quando cheguei a casa já nem lhe ligava! Consegues ser tão drama queen.
Arthur sorriu e agarrou o rosto ofendido de Alfred para lhe depositar um beijo nos seus lábios meios abertos pela afronta. O gesto foi retribuído com alguma hesitação, olhos azuis observavam-no com cuidado e preocupação, como se tivessem receio que Arthur decidisse de repente destruir o quarto ou coisa parecida.
O que era ridículo, a mobília de Alfred era demasiado pesada para isso.
_ Que tal fazermos assim… — Arthur empurrou Alfred para baixo para que este ficasse meio deitado em cima da meia dúzia de almofadas que se encontravam desajeitadas e estendidas ao longo da cabeceira. Uma vez Alfred instalado, Arthur sentou-se no seu colo, tendo o cuidado para não esmagar acidentalmente a intimidade meio rígida do pobre coitado – Deixas-me fazer o que eu quero durante cinco minutos e se não começares a hiperventilar, tiramos aquele frasco de lubrificante com aroma a pêssego que eu sei que tens aí no outro dia e depois fodes-me até eu não conseguir lembrar-me do meu nome.
_ Eu não hiperventilo. – Resmungou Alfred, mas passou carinhosamente a sua mão pelo peito de Arthur, provocando um mamilo indefeso no processo – Temos tempo para isso? O Matthew vai ficar chateado outra vez.
_ O Matthew pode-se ir foder, porque tens coisas mais importantes para fazer. Como foder-me.
_ Tens a delicadeza de uma princesa e o vocabulário gentil de uma fada. – Disse o americano com sarcasmo, mas o humor nos seus olhos não poderia ser negado – A tua sorte é que eu gosto de ti, ou seria obrigado a castigar-te em honra do meu irmão.
_ Ninguém disse que não o podias fazer. – Arthur tentou parecer o mais sedutor possível, coisa que era algo difícil para si, mas, a julgar pelo súbito escurecer do azul dos olhos de Alfred, estava a ter sucesso – Até gosto de ser castigado de vez em quando. – Baixou-se no intuito de se colar os seus lábios aos dele e depois de uma série de beijos lentos, sensuais e molhados, afastou-se o suficiente para enroscar os narizes de ambos de forma amigável – Estamos bem?
Alfred sorriu ao ouvir a pergunta familiar. As suas mãos, que se encontravam nas ancas de Arthur, percorreram as pernas brancas do inglês com ternura, desde as coxas até aos dedos dos pés, onde fez cócegas com leveza, extraindo um pequeno riso do amigo.
_ Estamos.
E puxou Arthur para baixo no fim de tomar a sua boca com a sua mais uma vez.
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