Sure, Why Not?
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Ok, pensava Alfred enquanto andava num lado para o outro na sua cozinha, ele ia conseguir fazer aquilo, não havia qualquer tipo de problema! Já dormira com o Ivan, não era verdade? Pois, o homem gostava de coisas um bocado estranhas e tinha sido tudo muito violento, não que Alfred quisesse, mas Ivan insistira, a mecânica, no entanto, devia ser a mesma, não?
Agh, que o Ivan se fosse foder com a sua cara assustadora e as suas tendências masoquistas, Alfred ia fazer amor com o Arthur como se devia ser e não iria sentir-se culpado e envergonhado depois do ato.
Ele pensou em “fazer amor”? Não! Não! Sexo! Eles iam fazer sexo, não “amor”! “Fazer amor” era para casais românticos que atiravam flores enquanto corriam pela praia sob a luz laranja do pôr-do-sol.
Ele tinha tudo pronto. Era bom que Arthur se sentisse honrado, porque Alfred nunca tomou grandes atenções aos espaços onde comia outras pessoas. Mudou os lençóis da cama, colocando uns sedosos ao toque e fáceis de lavar depois das… atividades. Limpou o pó do quarto para parecer minimamente aceitável e, num momento totalmente lamechas da sua parte, acendeu umas quantas velas aromáticas.
Ah, o Arthur provavelmente ia-se rir à gargalhada quando visse aquilo, mas pouco importava. Alfred queria dar ao seu quarto um ambiente sedutor e confortável, para que ambos pudessem relaxar.
Por falar em relaxar, comprara uns óleos de massagem, esperaria que Arthur não se importasse de receber uma, mas quem é que não gostava de massagens, não é verdade? Comprara também uns sete frascos de lubrificante, de várias marcas e cheiros, pois não fazia a mais pequena ideia de qual era o mais indicado. E deitara os seus antigos preservativos fora, já estavam fora da validade, e arranjara uns novos. Nessa questão, pelo menos, já tinha experiencia.
Debateu de deveria por música, jazz talvez, para obter um meio mais relaxado e cativante, mas achou melhor não exagerar na primeira noite.
E comida? O que faria? Trouxera uns restos de carne e arroz que sobraram do restaurante que dariam para pelo menos duas refeições (Quatro para Arthur, porque Alfred comia como um lobo). Se o inglês tivesse fome, poderiam aquecer tudo no micro-ondas.
Andou num lado para o outro, abananado, sem ter a certeza do que fazer ou como ocupar o tempo enquanto esperava. Nunca na sua vida imaginara que alguma vez estaria naquela situação, com um encontro tórrido marcado com Arthur Kirkland, o rapaz que ficou seu melhor amigo desde os onze anos.
Não se lembrava de alguma vez ter estado tão nervoso antes de fazer sexo. Nem mesmo quando perdera a virgindade com a Anna Green, a menina da claque por quem tivera uma paixoneta quando tinha dezassete anos.
Mas aquilo não era a mesma situação. Alfred já não era o rapaz descoordenado e inexperiente que mal sabia beijar. Ele sabia satisfazer uma mulher, deleitava-se no prazer delas, e esse por vezes era mais importante que o seu, talvez numa tentativa de apagar a memória ardente e marcante da expressão aborrecida que Anna fizera enquanto eles se embrulhavam atrás das bancadas do campo de futebol.
Mas Arthur não era uma mulher. Todos os inúmeros pontos sensíveis, alguns mais secretos que outros, que ele foi encontrando e aprendendo a provocar com experiencias e buscas na internet, não se aplicavam ao inglês. O Ivan certamente não era o caso mais indicado para falar sobre ganhar jeito a satisfazer um homem e os sites onde foi pesquisar faziam-no sentir desconfortável.
Sabia que o aquecimento não seria um problema, a julgar pelas duas vezes em que se encontrou a esborrachar Arthur contra o balcão da cozinha. O seu amigo pareceu apreciar toda a atenção que recebera, por isso, nessa área, Alfred estava confiante.
O problema era noutras áreas. Por exemplo, Alfred nunca praticara sexo oral num homem, nem com Ivan (Sexo e Ivan geralmente não envolviam muito contacto físico, por muito estranho que possa parecer). Já recebera sexo oral inúmeras vezes de companheiras anteriores e retribuíra da mesma forma. Até podia pensar que, como tanto ele e Arthur possuíam ambos pilas, não seria muito difícil descobrir o que estimularia o inglês, pois bastava lembrar-se do que ele gostava que lhe fizessem quando estava na mesma situação.
Mesmo assim, sabia que era uma teoria arriscada, pois sabia bem que os corpos humanos reagiam de formas diversas e o que uma pessoa gostava, outra poderia detestar. A forma de como Alfred gostava de receber sexo oral poderiam ser completamente diferentes da de Arthur.
Além disso, verdade seja dita, a perspetiva de meter a boca na pila de outro tipo qualquer não o excitava muito, mesmo que esse gajo fosse Arthur. Pénis não o enojavam, nem nada parecido, afinal ele tinha um no meio das pernas e gostava muito dele, mas nunca sentira qualquer fascinação pelos falos doutros homens, apenas… indiferença? Nunca pensou muito nisso.
Mas tocaria em Arthur, como era evidente. Não havia razões para se sentir assustado, era só um pénis e Alfred duvidava que fosse muito grande. Já vira outras pilas na sua juventude, quando tomara banhos nos balneários e nunca se incomodou. De facto, o corpo extremamente peludo de Alexander Marx perturbava-o mais do que o festim de pintos flácidos e baloiçantes que se fazia todas as terças e quintas depois de um jogo de futebol.
Arthur, por outro lado, parecera mais contido no balneário do que qualquer outro dos seus colegas. O inglês jogava o outro tipo de futebol, aquele onde pessoas usavam calções e corriam aparvalhadamente atrás de uma bola, Alfred nunca percebera bem o objetivo, e ambas as equipas partilhavam o mesmo tempo de treino e o mesmo balneário.
Ainda que de grupos e desportos diferentes, davam-se todos muito bem, e nenhum se parecia importar com a nudez presente quando mandavam piadas e t-shirts suadas e malcheirosas para cima de uns dos outros. Só Arthur, que lhes lançava um olhar de repulsa de cada vez que uma peça de roupa suja voava na sua direção e metia-se debaixo do chuveiro mais afastado, sempre virado para a parede, todo vermelho pelo esforço físico e pelo embaraço.
Alfred não dera grande atenção às reações do amigo na altura, achando só que ele era tímido ou pouco sociável. Duvidava que esse desconforto se atribuísse à sexualidade do inglês, visto que se este tivesse que encarar um homem nu, fazia-o sem o mínimo dos problemas, a não ser, mais uma vez, o corpo peludo de Alexander Marx.
Alfred já nem sabia para onde é que o seu raciocínio ia. Ah, sim, a existência de pénis. Pois… não os achava particularmente sexys. Mas Arthur era sexy, pelo menos era-o para Alfred. Ele podia afirmar que achava o corpo firme e delgado e sem qualquer curva feminina do inglês atraente. E Arthur tinha um pénis, apesar de Alfred nunca ter desfiado a sua atenção para essa parte da sua anatomia, por isso se achava o Arthur sexy, talvez por consequência também achasse o pénis deste apelativo?
Ugh, o nervosismo estava-lhe a derreter o cérebro.
Bem, se o membro de Arthur o incomodasse muito, poderia sempre concentrar as suas atenções no rabo dele. O arquiteto tinha um bom rabo. Alfred gostava de rabos, rabos eram sexys, fossem eles de que géneros fossem, femininos ou masculinos. E Arthur tinha um belo espécimen de traseiro.
Suspirou e preparou um café para se acalmar. Não valia a pena ficar muito inquieto, Arthur não iria importar-se com a sua inexperiência, se tudo corresse bem. Sim, o inglês era um homem compreensivo quando queria e, se lhe apetecesse, paciente.
Encostou-se ao lavatório e ergueu o braço, no fim de levar a caneca à boca. O cheiro a café inundou-lhe as narinas e ele sentiu uma paz percorrer-lhe o corpo. Nada como uma boa caneca de café, bem forte e amargo, para livrar-lhe dos problemas. Lançou um olhar em direção do relógio que estava pendurado na parede e suspirou.
Eram onze e quarenta e sete da noite, e Arthur sem aparecer.
Talvez se tenha arrependido. Talvez mudara de ideias e preferiu ligar ao Ying, Yai ou lá como o homem de cabelos charmosos se chamava. Oh, Alfred sabia que aquilo tinha sido má ideia. Tinha sido estupido ao pensar que Arthur quereria dormir com alguém como ele, cujas experiências homoeróticas eram quase nenhumas.
Bebeu o resto do café todo de uma vez e estremeceu com a sensação amarga que lhe percorreu o ser até à alma.
Estava a ser dramático. Não havia qualquer problema, se Arthur não pudesse vir, iria ligar-lhe para avisar. O inglês não era homem de faltar aos seus compromissos. Alfred lembrava-se daquela vez em, quando tinham vinte anos e o avô de Alfred morrera, era o seu avô favorito e partira-lhe o coração. Arthur estivera na Universidade na altura, a quilómetros de distância, mas prometera-lhe que iria chegar a sua casa nessa mesma noite. De facto, por volta das três da manhã, apareceu-lhe um jovem estudante de arquitetura à porta, exausto pelas imensas horas de trabalho, que lhe adormeceu nos braços mal se abraçaram no seu gesto pessoal de conforto.
Alfred sorriu com a memória, embebendo-se na ternura, que mal deu conta que lhe estavam a bater à porta. Com um salto, meteu a caneca vazia no lavatório e correu pelo corredor fora. Abriu a entrada principal da sua casa e de logo entrou um Arthur Kirkland a tremer como varas verdes.
_ Hei! Desculpa o atraso, o William levou a Emma para o trabalho e estivemos todos a ser tios babados. – Pediu Arthur enquanto esfregava as mãos numa tentativa de as aquecer – Hoje está um gelo. – Gemeu e lançou um olhar curioso a Alfred – Estás bem? Pareces-me pálido.
_ Estou! Estou ótimo! – Apressou-se Alfred a exclamar, talvez demasiado depressa. Fechou a porta e guiou Arthur até à cozinha para este se aquecer – Não te preocupes comigo. Queres um chá? Eu faço-te um chá.
Arthur tinha o sobrolho franzido e uma expressão de desconfiança estampada no seu rosto adorável. Ugh, lá estava Alfred a chamar-lhe coisas estranhas. Arthur era um homem atraente, lembrava-se vezes sem conta, não adorável. Ficas sem um membro do corpo se lhe chamares adorável, lembrou-lhe o seu cérebro.
_ Não estás nada bem. – Afirmou Arthur no seu tom seco e algo impaciente – O que é que se passa?
_ Nada! É só… – Suspirou, enquanto era atingido por uma exaustão súbita. Sentiu a mão gélida de Arthur sobre a sua e entrelaçou os dedos com os do outro – Estou só um pouco nervoso, não é grave.
_ Hmm. Não temos que fazer nada se… se não te sentires pronto para isso.
_ Não, eu quero fazer isto. Nós vamos lá para cima, fodemos e ficamos felizes com isso!
_ É esse o espirito. – Disse Arthur secamente e deu uma palmada amigável no braço de Alfred – Mas não vais foder nada antes de eu tomar banho. Sinto-me pegajoso e acho que não cheiro lá muito bem. E o Scott limpou as mãos à minha camisola outra vez, não sei qual é o problema dele!
_ Então vamos dar-te um banho. – Alfred, agora mais aliviado, meteu-se atrás de Arthur, segurou-o pelos ombros e guiou-o pela casa fora – Queres que te empreste um pijama?
_ Hmm, dá-me um roupão, não é como se fosse-mos ficar vestidos durante muito tempo. – Retorquiu o inglês ao subirem as escadas. Deve ter reparado no silêncio embaraçado de Alfred, porque disse logo de seguida – Mas se preferires que eu vista um pijama, então eu…!
_ Não, não! Eu empresto-te o meu roupão. Talvez assim seja mais fácil quando eu…
_ Quando o quê?
_ É surpresa! – Empurrou-o para a casa de banho e marchou até ao seu quarto para ir buscar o roupão. Ouviu o eco dos palavrões de Arthur e sorriu agitadamente ao tirar a peça de vestuário do armário. Iria ficar um bocado grande no inglês, mas tinha a certeza que isso só iria contribuir para a sua fofur… aparência atraente!
Quando regressou à casa de banho, Arthur já tinha removido o casaco e as botas de trabalho, revelando umas peúgas pretas e uma camisola cheia de impressões de óleo, feitas por dedos grandes e longos.
Alfred assobiou.
_ Achas que tem salvação? – Perguntou ao apontar para a roupa do inglês – Parece-me bastante porca.
_ Acho que não. – Disse Arthur com um esgar – É a terceira camisola que mando fora em dois meses. Não sei o que é que se passa na cabeça daquele imbecil! Eu não sou feito de dinheiro!
Alfred sorriu e deixou-o nos seus serviços, fechando a porta atrás de si. Ia de caminho para o quarto quando ouviu:
_ Alfred, posso usar a toalha que está aqui quando acabar?
_ Podes!
_ Ok, obrigada!
E ouviu o som metálico do chuveiro a ser ligado, seguido pela soada da água quente cair para cima da porcelana da banheira.
Tentou não imaginar Arthur no banho, porque era uma imagem demasiado apelativa de momento e ele queria-se guardar de excitações para mais tarde.
Ocupou a mente com coisas inúteis, como ver se os seus lençóis direitos estavam completamente lisos, ou ter a certeza que as velas não ficavam em lado nenhum que pegasse fogo, pois isso seria inconveniente.
Sentou-se aos pés da cama a brincar com a ponta dos dedos. Não sabia o que fazer e o seu coração estava a bater tão rápido que ele o ouvia a palpitar contra os tímpanos. Mais um pouco e explodiria, sem duvida.
Era só Arthur, não a rainha de Inglaterra, graças a Deus, sem ofensa à senhora. Já se conheciam há anos, atravessaram imensas etapas na vida, juntos, partilharam momentos de alegria, tristeza e rebeldia, apoiaram-se em coisas que pareciam horrendas e inaceitáveis na altura e nada os separara durante muito tempo.
Esta noite seria só outro evento da relação dos dois.
Mas punha Alfred nervoso, porque sexo era algo que ele não pensava fazer com amigos. Não que ele tivesse tido sentimentos muito profundos por toda a gente com quem se deitou, mas não considerava nenhuma dessas pessoas, suas amigas. Pelo menos, não um amigo como Arthur.
Depois daquela noite tudo mudaria e não voltariam atrás. Não… isso não estava correto. Tudo tinha mudado no momento em que Arthur lhe propôs momentos de prazer, naquela tarde de sábado que lhe parecia tão distante. E já não havia retorno. Todos os momentos que passaram colados um ao outro a trocar beijos quentes ficariam gravados no seu cérebro e voltariam de cada vez que olhava para Arthur.
A água parou de correr no outro lado da parede e Alfred susteve a respiração, pois o inglês tinha terminado o banho, o que significava que estava tudo pronto para começar a festa.
Lançou um olhar para o espelho para se inspecionar e ter a certeza de que tinha bom aspeto, ato que era ridículo, porque ele tinha sempre bom aspeto, e ficou sentadinho onde estava enquanto esperava que Arthur saísse da casa de banho.
Quando este o fez, vinha todo vermelho, macio e fofo, embrulhado num roupão que lhe ficava demasiado grande, enquanto limpava o cabelo à única toalha azul que cozinheiro possuía.
Alfred sentiu as suas entranhas contorcerem-se enquanto o observava, nervosismo, excitação e encanto num frenesim desvairado a nadar na sua alma. Ele estava tão bonitinho, de cabelos húmidos espetados em todas as direções, pele corada pelo calor da água, desde a testa até para além do pescoço. Alfred queria-o agarrar e beijá-lo pela noite fora, mas o seu corpo parecia ter petrificado momentaneamente, e ele ficou ali, sentado na cama, a olhar para Arthur como se este fosse a luz ao fundo do túnel.
Uma sobrancelha grossa foi erguida.
_ Estás bem? – Inquiriu Arthur enquanto pendurava a toalha na maçaneta da porta – Parece que vais desmaiar a qualquer momento.
Alfred lançou um roncado primitivo e encolheu-se um pouco, intimidado por alguma razão que nem ele percebia. Arthur analisou-o durante algum tempo, olhos verdes percorriam o seu rosto, naquela forma que pareciam penetrar-lhe a alma, como se quisesse ler os seus pensamentos.
Bem, boa sorte nisso, porque tudo o que Alfred conseguia pensar de momento era: Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda…!
_ Alfred. – Chamou Arthur baixinho e sentou-se ao seu lado, relativamente afastado – Não precisamos de fazer isto, se não quiseres. Não te deves sentir na obrigação de dormires comigo só porque não queres que eu durma com o Yao.
_ Eu quero fazer isto! — Conseguiu Alfred dizer, agarrando a mão de Arthur durante o processo e encarando-o com firmeza – Eu quero-te.
Mas Arthur ainda não parecia muito convencido das suas palavras. Alfred entrelaçou os dedos de ambos e inclinou-se, depositando um beijo tímido nos lábios do inglês.
Sentiu Arthur relaxar e este levou a sua mão livre até aos cabelos de Alfred, embrulhando-se neles enquanto aprofundava o beijo. Aproximaram-se, mas não se tocaram, não totalmente, ambos ainda indecisos se aquele seria o melhor momento para se entregarem um ao outro de forma tão carnal.
Não fizeram mais nada durante alguns minutos, apenas saborearam a boca um do outro enquanto deixavam a tensão sair-lhes dos corpos e se punham confortáveis. Alfred não parecia conseguir acalmar o seu coração, mas já não parecia que o ia vomitar a qualquer momento. Sentia-se mais calmo, pois por enquanto ainda se encontrava em território familiar. Sim, beijar Arthur não era difícil. Era agradável e deixava-o de cabeça enevoada.
_ Tens mesmo a certeza que queres fazer isto? – Perguntou Arthur após descolar a boca da de Alfred – Eu não quero que tenhas um ataque de pânico no meio do ato e comeces a hiperventilar, ou coisa parecida.
_ Já estou mais calmo, não te preocupes. E hei, o meu roupão fica-te bem. – Tocou na manga cinzenta, feita de grosso tecido de algodão, e admirou o contraste que fazia contra a mão pálida do inglês.
_ Hmm. É confortável. – Disse Arthur. Pareceu tomar coragem e chagar-se um pouco mais de perto, encostando o corpo ao de Alfred. Olhou em volta curiosamente e ergueu as sobrancelhas – Velas, Alfred? Que romântico da tua parte.
Embaraçado, o cozinheiro escondeu o rosto no cabelo do amigo.
_ Era só para dar um ambiente sedutor!
_ Pff! – Fez Arthur antes de ser rir. Alfred afastou-se um pouco para lhe lançar um olhar de desdém e o arquiteto sorriu-lhe – Aprecio o gesto, é fofo.
_ Eu… hmmm… — Alfred levantou-se, foi até à mesinha de cabeceira e tirou de lá o saco com a série de frascos de lubrificante. Depois atirou-o sem qualquer delicadeza para o colo de Arthur, que o agarrou com interesse – Eu comprei lubrificante, mas não sabia qual era o melhor, por isso trouxe várias.
Arthur atirou-lhe um olhar de reconhecimento e abriu o saco. Abstraiu de lá várias embalagens, começou a ler os rótulos e lançou uns quantos sons de apreciação.
_ Sabor a Uva? – Murmurou para si mesmo, de sobrolho carregado – Esquisito. E pêssego também? Hmm. – Mexericou mais no saco e ergueu um único frasquinho num gesto de triunfo – Vamos usar este.
_ Esse é o mais aborrecido que eu comprei!
_ Hei, eu não quero aventurar-me muito hoje, e não me apetece ter o rabo a cheirar a uva. Ou pêssego.
_ Ok, ok. Arruma os outros no saco. – Mandou Alfred sem grande pica e meteu a mão debaixo da cama para retirar outro saco.
_ Mas tens coisas escondidas em toda a casa?
_ Talvez. – Alfred extraiu uma garrafa de plástico e mostrou-a a Arthur, que soltou um grunhido admirado.
_ Óleo de massagem?
_ Quero dar-te uma.
_ Uma massagem? Porquê?
_ Tenho que ter uma razão? – Inquiriu Alfred com um sorriso indeciso.
_ Acho que não… mas nunca ninguém me fez nenhuma massagem, por isso é que estou admirado. – Mas agora Arthur tinha um ar interessado, o que lançou uma onda de alívio pelo corpo de Alfred. Pelo menos a sua ideia não estava a ser rejeitada.
_ Bem… eu, eu queria-te deixar o mais relaxado possível. – Murmurou Alfred com alguma vergonha – Para ser mais fácil… mais tarde.
_ Aw, és um amor. – Brincou Arthur ao apertar-lhe a bochecha – Não preciso disso para relaxar, mas quem sou eu para recusar uma massagem de borla.
Alfred sentiu o seu rosto ser agarrado e recebeu o primeiro beijo apaixonante da noite. Pestaneou, admirado, e percebeu que só o gesto de presentear algo tão banal como uma massagem comovera Arthur verdadeiramente. Colocou a garrafa de lado e aprofundou o gesto, invadindo a boca do inglês com a língua para tornar aquilo tudo mais intimo. Arthur recebeu-o sem qualquer resistência ou protesto, puxando-o contra si com brusquidão e urgência.
Todas as horas de nervos em chamas e questões inseguras desapareceram da mente de Alfred quando Arthur o guiou para baixo, e ambos ficaram estendidos na cama de braços entrelaçados e lábios fundidos. O calor da luxuria começou a borbulhar e Alfred afundou-se mais contra o amigo. A excitação começava a levar melhor e a vontade de tocar tornou-se quase insuportável, como consequência o americano não conseguiu conter-se e serpenteou as mãos pelo corpo de Arthur, tateando-o por de cima do roupão, desde o peito até às pernas e só quando tocou na pele branca e despida do joelho do arquiteto, é que teve consciência que Arthur estava, definitivamente, todo nu debaixo do roupão.
Tal facto não o deveria abrasar assim tanto.
As mãos do inglês, e mãos matreiras que eram, conseguiram desfazer-se da camisola de Alfred sem que este desse conta. Arthur ronronou com uma satisfação imensa ao passar com os dedos pelo tronco dele, uma análise leve, provocadora e intoxicante.
Alfred queria retribuir. Desejava com uma força devastadora desfazer aquele nó que mantinha o roupão no sítio, e revelar todo aquele mundo de pele alva, mas, por alguma razão que não entendia, não tinha coragem para o fazer, pois tudo o que a sua mente lhe dizia era que Arthur estava nu por debaixo do roupão, e que ficaria vulnerável sem ele.
O que era estupido, porque o objetivo daquilo tudo era ficarem sem roupa.
Não devia perder-se nos seus pensamentos, já que, sem contar, viu o cinto que segurava as suas calças voar para o outro lado do quarto.
_ Hei, hei, e a massagem? – Perguntou Alfred num tom estrangulado e olhos muito abertos.
Arthur arrebitou as sobrancelhas.
_ Ainda queres fazer isso?
_ Estava nos meus planos. – Murmurou o cozinheiro timidamente, sentindo-se estupido.
Houve um momento de silêncio constrangedor em que ambos se fitaram sem saber bem o que fazer, até Arthur, abençoado fosse por tomar decisões, obrigar Alfred a ajoelhar-se para que ele pudesse também erguer-se. Levou as mãozinhas até ao nó do roupão e hesitou, também consciente do estado de nudez em que ficaria se o retirasse.
A hesitação sumiu-se e deu lugar à audácia e começou a desfazer o nó. Não se despiu por completo, provavelmente embaraçado, mas deixou o algodão cair pelas costas, deixou-se descoberto até à cintura e lançou um olhar interrogativo a Alfred, que ficara meio hipnotizado a ver o outro despir-se daquela maneira.
_ Como é que me queres? – Perguntou Arthur, inesperadamente acanhado.
Alfred queria-o de muitas maneiras, mas não lhe ia dizer tal coisa. Acariciou-lhe a face avermelhada e apontou para a almofada.
_ Deita-te de barriga para baixo.
Arthur assim o fez. Estendeu-se na cama, de cabeça enfiada na almofada e costas viradas para cima. Alfred engoliu em seco, de olhos postos na extensão alva pela coluna do inglês. Sem qualquer graciosidade, pegou na garrafa com mãos trémulas e, ao abrir a tampa, apertou a base com muita força e um pequeno jato saiu e caiu mesmo no meio das omoplatas de Arthur.
_ Foda-se, isso está frio! – Guinchou o Inglês, que mandou um pequeno salto.
_ Desculpa! – Pediu Alfred apressadamente. Colocou a garrafa no chão e num ápice meteu-se ao trabalho. Passou as palmas das mãos pelas costas de Arthur, espalhando e aquecendo o óleo sobre a pele do amigo.
Arthur lançou um grunhido rabugento antes de fechar os olhos e deixar-se levar pelas sensações. Alfred massajou todos os pontos tensos, aproveitando-se para explorar o corpo do outro enquanto o fazia.
Não era como tocar numa mulher, mas também era diferente do corpo do Ivan (esse era uma montanha autentica). Arthur não tinha músculos desenvolvidos ou endurecidos com exercício físico, mas também não era feminino ou repleto de curvas. Era só… normal, um homem vulgar, magro e pálido, sem qualquer aspeto que o fazia sobressair, fosse pela positiva ou pela negativa.
Mas tudo isso agradava-lhe. Era uma vulgaridade familiar e atraente. Gostava do arco gracioso que as costas faziam, os pequenos altos da espinha vertical, os ombros brancos e algo ossudos, ancas finas e retas, e o seu traseiro. Arthur tinha mesmo um belo traseiro.
_ Gosto disto. – Murmurou Arthur num tom agradado, como um ronronar profundo.
Alfred sentiu o orgulho encher-lhe o peito.
_ Gostas? – Perguntou retoricamente e tateou os músculos agora relaxados com mais veemência.
_ Hmm-hmm. Sabe bem. Mas tenho a certeza que se continuares com isto, acabo por adormecer e não há festa para ninguém.
Alfred não resistiu e perseguiu com os lábios a pequena cordilheira que era a coluna de Arthur. Este arquejou com a sensação e Alfred sentiu-o estremecer debaixo de si.
_ O que é que fazemos agora? – Perguntou Alfred num sussurro secreto contra a orelha do britânico e massajou os ombros deste com meiguice.
_ Podemos começar com remover essas tuas calças. – Arthur ergueu-se e Alfred afastou-se para não levar com ele em cima. O arquiteto deveria pensar que ele era algum tipo de inválido, porque ocupou-se de tirar-lhe as calças sem a sua autorização.
Alfred sorriu nervosamente e ajudou-o, pois calças não eram removidas facilmente quando quem as usava estava ajoelhado. Arrependeu-se de imediato, pois Arthur não parecia brincar em serviço, e ao tirar-lhe as calças, roubou-lhe também os boxers.
_ Hei! – Protestou Alfred indignado pelo ato descarado do outro, mas já era tarde de mais, tanto os seus jeans como a roupa interior encontravam-se agora todos a monte nos seus calcanhares e Arthur lançava-lhe um olhar apreciativo para o meio das pernas.
Intimidado e humilhado, Alfred cobriu a sua intimidade com as mãos.
_ Oh, não sejas tão tímido. – Disse Arthur secamente, agarrando os seus pulsos e retirando-os das virilhas. Beijou-o com suavidade nos lábios – Não tens nada que ter vergonha. Isso é material de qualidade. – Virou a cabeça na direção do sexo do americano e sorriu, manhoso – Bastante qualidade.
_ Meu Deus, Arthur, os meus olhos estão aqui em cima. – Brincou Alfred enquanto o obrigava a fita-lo – É só… geralmente não olham assim para ele. – Como se fosse um naco de carne, quis acrescentar, mas pareceu-lhe de mau gosto – Faz-me sentir nervoso, julgo eu.
_ Mas como é que não queres que eu não olhe para ele? É tão bonito!
_ … Ainda estamos a falar da minha pila, não estamos?
Arthur riu-se e puxou-o contra si. Depois de se livrar da roupa que ainda estava toda amontoada nos seus calcanhares, Alfred abraçou-o e passou para uma das suas partes favoritas, que consistia mordiscar o pescoço do seu parceiro, que naquele momento era o seu melhor amigo.
Arranhou a zona de jugular com os dentes da frente e sugou com leveza a junção entre pescoço e ombro. Arthur gemeu baixinho. Alfred, enquanto marcava a pele do outro, ganhou coragem e removeu o resto do roupão, deixando o inglês tão despido quanto ele. Com apreciação, Arthur rodeou a sua cintura com as pernas e colou-se a ele e Alfred só conseguiu pensar no facto de que tinha o seu melhor amigo todo nu aninhado ao seu corpo, igualmente despido.
Isso e a maneira de como os pénis de ambos se tocavam na altura. Foi um momento estranho e glorioso para o nosso americano, mas não poderia dizer que era desagradável.
E sabia bem mover as ancas contra Arthur. Era uma estranha sensação íntima, beija-lo, toca-lo e roçar o seu membro contra o dele. A sua mente estava enevoada, quase vazia e tudo o que pensava era em Arthur, na suavidade do seu corpo, da mistura do cheiro do champô H&S e o seu aroma natural, os seus lábios deliciosamente beijáveis, as mãozinhas hábeis que tateavam tudo o que se deparavam, e tanta coisa mais que tornavam Arthur praticamente irresistível.
_ Posso tocar-te? – Perguntou Alfred timidamente, descolando-se de um beijo particularmente tórrido.
_ O quê?
_ Posso tocar-te? Sabes? No teu… — Murmurou uma última palavra que nem ele mesmo conseguiu ouvir, mas Arthur parece ter percebido, pois ergueu uma sobrancelha e disse:
_ Se queres tocar-me na pila, vai em frente, mas não precisas de agir como uma virgem para tal.
_ Eu nunca toquei noutra a não ser na minha! – Justificou-se Alfred, embaraçado.
_ Pensava que tinhas dormido com o Ivan Braginsky.
Oh. Ele não tinha consciência que Arthur sabia disso. Onde raio é que ele foi buscar essa informação? Alfred não se lembrava de alguma vez lhe ter dito alguma coisa sobre esse assunto, até porque não apreciava pensar nele com muita frequência.
_ Bem… isso é diferente.
_ Como é que é diferente? Trata-me da mesma forma como o trataste.
_ Eu nunca te faria tal coisa!? – Soltou Alfred, horrorizado.
Arthur não disse nada por momentos, limitando-se a fitá-lo com extrema desconfiança. O seu rosto foi mudando gradualmente até ganhar uma expressão algo receosa.
_ O que… o que raio é que fazias quando estavas com ele?
_ Nada de que me orgulhe.
_ Não pode ser assim tão mau. – Então o seu rosto iluminou-se com compreensão – Aw, foste passivo e não gostaste? Não há que ter vergonha, Alfred, nem toda a gente tem a sorte de gostar, vai de pessoa para pessoa e…
_ O quê? Eu não fui passivo coisa nenhuma! – Disse Alfred defensivamente – Podemos não falar disto, por favor? Pensar nessa altura da minha vida deixa-me frouxo.
Mas Arthur conseguia ser mais curioso do que parecia.
_ Mas eu quero saber. Os factos que me dás não fazem grande sentido. Está bem, podes não ter sido passivo, mas fizeste sexo com um gajo e nunca lhe tocaste no caralho! – Franziu as suas sobrancelhas – Que raio de mau sexo é que andavas a fazer?
_ Podemos falar disto depois de NÓS termos sexo?
_ Não, ou vou passar o tempo todo tentar imaginar o que é que andavas a fazer com o Ivan.
Alfred suspirou, desanimado. Aquela não era uma conversa que queria ter durante atividades carnais com outra pessoa. Era claro que depois dos momentos passados juntos, a relação entre ele e Ivan tinha ficado um bocado mais amigável, mas isso não fazia com que eles tivessem sido menos vergonhosos para ele.
_ O Ivan… ele gosta de certas coisas e eu na altura estava frustrado o suficiente para as fazer.
_ Alfred, agora estás a assustar-me.
_ Olha… não era como nós. Não havia beijos nem apalpões. – Viu que Arthur ficava cada vez mais confuso, provavelmente a perguntar-se se havia sexo decente sem tais coisas maravilhosas e essenciais – O Ivan gosta de… bem… ser dominado? Mas não daquela maneira e que chegamos ao pé de alguém e dizemos: hei, bitch, dobra-te aí em cima da mesa para que eu te possa foder até os teu miolos estarem cá fora! – Suspirou e contorceu-se um pouco, desconfortável – Acho que não me importaria tanto se assim fosse.
_ Queres dizer… que ele…
_ Não havia qualquer tipo de carinho nas nossas sessões. Depois delas, claro, até porque me sentia um bocado culpado, por isso fazia-lhe sempre um bolo ou comprava-lhe gelados. Era estranho, sabes? Andamos sempre a brigar um com o outro durante a adolescência e depois descubro que ele confia em mim o suficiente para me pedir essas coisas. Foi na altura da Universidade, e eu andava cheio de nervos, então achava essas escapadelas uma boa forma de libertar as energias negativas.
_ Parece que não fui o único a descobrir coisas novas na Universidade. – Disse Arthur estupidamente. Ele tinha um ar idiota estampado no rosto, uma expressão incrédula quase cómica. Alfred afagou-lhe o cabelo.
_ No início nem era muito mau, sabes. Não era bem sexual. Era mais… bem, é difícil explicar… era como se quando fechássemos as portas, transformávamo-nos em pessoas totalmente diferentes. E apesar de eu estar ali como “dominante” da relação, na verdade só fazia o que ele queria. Antes de cada sessão ele dizia: “Alfred, quero que me faças isto ou aquilo” ou “Alfred, quero que me obrigues a fazer assim e assado”, e eu obedecia. Até era agradável.
_ Porque é que pararam? – Perguntou o arquiteto com curiosidade. Alfred estava admirado com a facilidade com que Arthur estava a engolir aquilo tudo. Ainda que parecesse vagamente perturbado pelas notícias, ele não mostrava qualquer repulsa ou julgamento.
Tal coisa não devia fazer o coração de Alfred palpitar com uma evasão de ternura, no entanto ali saltitava ele, no seu peito.
_ Ele começou a pedir coisas que eu não queria dar. Queria dor verdadeira, queria que eu o deixasse dorido durante semanas, queria sangrar. Eu não lhe podia dar isso. Eu… eu gosto de pensar em mim como alguém que liga muito aos desejos dos seus parceiros, mas tenho os meus limites. Isso aplica-se a ti também.
_ E eu aqui com ideias de enfiar um ananás em certos sítios obscuros. – Respondeu Arthur secamente – Não te preocupes, no que diz respeito a sexo gay, sou completamente normal e aborrecido.
_ Não és nada aborrecido, até agora tens tido uma performance excelente. – Disse Alfred com doçura e inclinou-se para o compensar com um beijo. – Agora podemos parar de pensar no Ivan? Podes voltar a admirar a minha pila, se quiseres, ainda que ainda ache isso estranho.
_ Meh, já não está tão gloriosa como estava há bocado. – Arthur tinha os olhos postos no membro agora meio murcho de Alfred, que enrubesceu com embaraçamento.
_ Eu disse-te que esta conversa deixava-me frouxo.
_ Dá-me dois minutos e estás pronto outra vez.
Alfred, curioso, deixou-o fazer o que queria. Manteve-se quieto, apenas retribuindo os beijos que eram depositados nos seus lábios. Mãos passearam novamente pelo seu tronco e os arrepios de luxuria regressaram e atravessaram a sua espinha com uma velocidade feroz. No entanto, quando Arthur começou a beijar e lamber um trilho pelo seu corpo a baixo, o pânico instalou-se uma vez que realizara as intensões do inglês.
_ Hei, hei, não faças isso! – Exclamou num fio de voz enquanto agarrava a cabeça de Arthur e o puxava para cima com alguma brusquidão, para grande protesto dele.
_ Oh meu Deus, o que é agora?!
_ Não quero que faças esse tipo de coisas!
_... Alfred, se nunca te chuparam a pila antes, lamento dizer-te, mas a tua vida sexual até agora tem sido uma porcaria. – Retorquiu Arthur, num tom tão impaciente que parecia que ia explodir.
_ É claro que já me… eu não quero que TU o faças!
_ Porque não? Já o fiz antes e acho que sou relativamente bom na matéria. – Começou a baixar-se outra vez mas Alfred manteve-o no sítio.
_ Hoje não, está bem? Isto é sobre ti, não sobre mim.
_ É sobre nós! Sexo é uma coisa que se faz em conjunto, não me venhas com tretas. Achas que meter a boca no pénis de alguém que aprecio é algum tipo de tortura para mim? Pois bem, notícias do dia: Não é. Eu gosto de o fazer e se o quero fazer, então faço-o, e não és tu que me vais impedir.
_ É do meu pénis que estamos a falar, acho que te posso impedir se bem quiser!
_ Queres mesmo ter sexo comigo? – Perguntou Arthur com frieza, mas a dor e insegurança eram óbvias no seu olhar.
A pergunta apanhou Alfred despercebido e ele viu-se a pestanejar idioticamente em direção do seu melhor amigo, que continuava a observá-lo com uma expressão séria.
_ É claro que quero dormir contigo! – Nem sabia porque é que Arthur haveria de duvidar tal coisa, não provara ele que o desejava quando o espremera contra o balcão da cozinha por duas vezes?
_ Tens a certeza? Foste muito espontâneo na noite em que destruímos a casa de banho e também no dia em que a Emma nasceu, mas hoje estás tão… inseguro, como se tivesses medo de tudo. Começo achar que só estás a fazer isto para me fazer feliz e não porque queres mesmo.
_ Não, não, eu quero fazer isto, a sério que sim! – Teve uma súbita vontade de o tocar, de o abraçar, beijar e dizer que estava tudo bem. Mas limitou-se a entrelaçar os dedos aos do inglês e levou a mão do outro até de perto do seu peito – Eu quero fazer sexo contigo, Arthur. Já queria antes de fazeres a proposta, mas rejeitava esses pensamentos porque achava que eram estranho e inapropriados.
_ Então qual é o teu problema?
_ Isto vai parecer muito estupido, mas… acho que me sinto intimidado, porque sei que não vou chegar nem remotamente perto ao melhor homem que já tiveste.
Arthur ficou a olhar para ele durante muito tempo. Demasiado, até. Alfred apertou a sua mão com um pouco mais de força para encontrar coragem e não se sentir tão envergonhado com as suas próprias incertezas.
_ Eu já sabia que não ias ser nenhum deus, seu imbecil. – Retorquiu Arthur naquele seu tom sem paciência – Achas realmente que eu tinha enormes espectativas quanto a um homem que só comeu mulheres até hoje? Não precisas de ficar tão assustado de me tocar ou ser tocado por mim, se não correr bem hoje, corre melhor para a próxima.
Arthur realmente tinha que parar de dizer coisas, pois Alfred sentia que o seu peito ia explodir com um sentimento irreconhecível e inexplicável. Se saber bem o que fazia, agarrou o rosto do amigo e beijou-o com toda a força. O alívio varreu a maior parte do medo e nervos que sentira praticamente toda a noite. O arquiteto tinha razão, ele estava a ser estúpido. A pôr-se nervoso por razões estupidas, onde raio é que tinha a cabeça?
Mesmo assim ainda sentia o leve morder do receio, mas Arthur parece ter notado nisso e puxou-os novamente para baixo, no fim de ficarem ambos estendidos na cama. Alfred lançou um pequeno grunhido de surpresa ao cair em cima do amigo, mas a língua do inglês rapidamente o fez esquecer de tudo quando passou pelos seus lábios.
_ Não te preocupes, está bem? – Murmurou Arthur contra a sua boca e acariciou-lhe a face com as pontas dos dedos – Vai correr tudo bem. – Os olhos dele tinham sido assim sempre tão assim? Um verde brilhante e intoxicante? – Toca-me, beija-me e depois eu digo-te o que fazer a seguir.
Alfred assim o fez e aproveitou tal oportunidade para descobrir os pontos sensíveis do corpo delgado e pálido do seu melhor amigo. Aprendeu que Arthur gostava que lhe tocassem no peito e de mordidelas gentis na linha do pescoço. Qualquer outra pessoa provavelmente diria que ele perdeu muito tempo a mordiscar e massajar os mamilos do arquiteto, mas ambos tinha ficado um pouco flácidos com tantas conversas e discussões e qualquer tipo de estímulo era necessário para os levar de novo à luxuria extrema. Além disso gostava de ouvir os sons que Arthur fazia de cada vez que Alfred passava gentilmente os dentes pelo seu peito.
Hesitou novamente quando foi para tocar no membro de Arthur, mas não perguntou ou pediu permissão. Tocou-lhe com delicadeza, analisando-o com curiosidade quase académica. Não era grande nem era pequeno, era apenas um pénis normal que pertencia a um homem igualmente normal. E era fofo, supunha Alfred, que acabou por achar esse pensamento estranho, pois quem raio é que acha um pénis fofo? Mas era o pénis de Arthur e na sua mente não havia coisa mais fofa que o inglês, por isso não o podiam condenar por achar o seu falo adorável.
_ Eu conheço esse olhar. – Comentou Arthur com a voz estagnada pelo desejo – Estás a dar adjetivos ridículos à minha pila, não estás?
_ Yep.
_ Posso saber quais são?
_ Nope.
E beijou-o outra vez antes que Arthur fizesse questão de saber todos os seus pensamentos. O assunto foi posto de lado enquanto outra corrente de ósculos e encontros de língua se passava, e Alfred continuou as suas explorações, erguendo-se levemente para que Arthur tivesse o direito de fazer o mesmo. Percorreu o tronco branco do inglês, passou pelas ancas e examinou as suas pernas, cobrindo-as de beijos e chupões.
Já não havia aquela parede de nervos a separar os dois e Alfred sentia-se muito mais confortável a tocar em Arthur intimamente. Houve uma espécie de vitória na sua mente quando as suas mãos encontraram as sempre firmes e perfeitas nádegas de Arthur, que estavam despidas só para si pela primeira vez em toda a sua vida e eram lindas e gloriosas e Alfred poderia passar toda a noite só a tocar-lhes.
Mas, aparentemente, Arthur tinha outras ideias.
Num pestanejar, uma mão quase lhe espetou o frasquinho de lubrificante na cara. Alfred despegou-se um pouco para trás para não ser atingido. Arthur tinha o rosto repleto de espectativa e perversão e o americano decidiu que tal expressão até lhe ficava bem.
_ Queres fazer isso agora? Não é demasiado cedo?
_ Alfred, eu já não tenho sexo há dois anos, e depois desse tempo todo sem nenhum, encontro-me na situação erótica mais constrangedora e demorada da minha vida, por isso não, não é demasiado cedo.
Alfred pegou no frasquinho e ficou a olhar para ele, indeciso. Arthur, uma alma caridosa, agarrou-lhe nas mãos e encarou-o firmemente.
_ Eu já me preparei um pouco no banho. – Informou ele pesadamente – Achei que seria melhor porque quando cheguei parecia que ias vomitar as tuas entranhas.
_ Isso é considerativo da tua parte. – Disse Alfred, que tentava não imaginar Arthur a fazer tal coisa na sua banheira, todo molhado e brilhante, a gemer baixinho… pelo menos não tinha problemas em continuar excitado.
_ Ainda preciso de mais um bocadinho antes de passarmos a assuntos mais sérios. Queres que eu o faça, ou queres ser tu?
Ele articulava num tom tão profissional que era intimidante.
_ Eu… eu faço-o. – Murmurou Alfred com timidez e apertou o frasco como se a sua vida dependesse disso.
Arthur sorriu e afagou-lhe o cabelo. Tirou-lhe o lubrificante da mão e abriu a tampinha do frasco. A mão direita de Alfred foi agarrada, de palma virada para cima e umas gotas consideráveis de líquido pegajoso caiu-lhe sobre os dedos.
_ Mexe os dedos, assim, uns contra os outros para os aquecer, essa coisa é fria como o raio e, a não ser que seja um dia de verão, não é agradável. – Instruiu Arthur. Falava com gentileza, como se tivesse medo que Alfred voltasse a ficar uma bola de medo e insegurança.
Alfred seguiu as suas instruções, aqueceu o lubrificante nos seus dedos e respirou fundo. Sentia-se um bocado ridículo, pois Arthur é que ia ser o passivo e ele é que estava assutado. Beijou a testa de Arthur num gesto para se acalmar a si mesmo.
Arthur deitou-se de barriga para baixo, com a informação de que seria mais fácil para Alfred trabalhar daquela forma. Um dedo de cada vez, disse ele, e sem ser apressado. O americano anuiu inutilmente porque não era como se o outro estivesse a olhar para ele de momento. Colocou a mão limpa numa das nádegas de Arthur, afastou-a da outra e ficou a olhar.
Não sabe quanto tempo é que ficou a observar o traseiro do melhor amigo e admirar toda a sua beleza, mas Arthur pareceu ficar incomodado e quando olhou por cima do ombro, tinha o rosto vermelho.
_ Vais ficar a olhar a noite toda ou vais fazer alguma coisa?
_ Não! Eu só…! Tens um rabo sexy. – Murmurou Alfred, embaraçado por ter sido apanhado a olhar de forma tão descarada.
Arthur deitou novamente a cabeça em cima da almofada com um grunhido e um minúsculo e envergonhado “obrigado”.
Alfred fez o melhor que conseguiu para preparar Arthur. Seguia obedientemente as suas ordens; como provocar, quando inserir outro dedo, aplicar mais lubrificante se achasse que era necessário, para não ter medo de o magoar, como mover os dígitos e o que fazer com eles.
E Alfred descobriu que gostava de estimular a próstata de Arthur. Só descobriu o que era quando o inglês de súbito ficou tenso e mandou um alto gemido e o cozinheiro quase caiu da cama com o susto e pânico. Depois de acartar com as gargalhadas de Arthur pela sua reação exagerada, levou uma explicação de como aquela glândula era importante e que ele lhe devia prestar a devida atenção durante o sexo, ou consequências pouco agradáveis iriam acontecer.
Depois de mais uns minutos a aprender mais sobre o corpo do seu melhor amigo, Alfred viu-se sentado no centro da cama, com Arthur ajoelhado à sua frente com um pacote de preservativo na mão.
_ Eu… eu posso fazer isso se quiseres. – Disse Alfred num tom estrangulado e tentou tirar o objeto da mão de Arthur, que se afastou fora do seu alcance.
_ Tenho mãos e vou usa-las. Agora fica calado e aproveita.
Arthur rasgou o pacote com os dentes, ato que Alfred não deveria achar sensual, mas a sua mente ultimamente trabalhava contra ele. Estremeceu quando um pouco de líquido frio que lubrificava o preservativo escorreu pelo seu membro, sensação que não sabia se a achava agradável ou não, e conteve um gemido quando o contracetivo foi desenrolado sobre a sua intimidade.
Lançou um olhar nervoso a Arthur e pela primeira vez notou que este não estava assim tão calmo e passível como parecia. Havia inquietação nos seus olhos, um pequeno medo pelo futuro, sem duvida, não pelo ato que estavam prestes a fazer, mas por o que aconteceria depois.
Alfred beijou-o até os receios de ambos serem temporariamente esquecidos. Arthur abraçou-o e roçou os corpos sensíveis e excitados, um contra o outro e gemeram nos seus ósculos. Alfred tentou dizer-lhe por gestos que nada mudaria, que ele continuaria a ser o seu melhor amigo, que depois daquilo estaria tudo igual e voltariam cada um à sua vida.
Mas, por alguma razão, não conseguia acreditar nos seus próprios pensamentos.
_ Como é que queres fazer isto? – Perguntou Arthur ao afastar-se – Acho que devia-mos fazê-lo de gatas, talvez fosse mais fácil para ti e…
_ Não, eu quero olhar para ti! – Interrompeu Alfred, praticamente ofendido pelas palavras do outro. Sempre gostava de apreciar o rosto do seu parceiro durante o ato.
_ Alfred, isso foi tão gay.
_ Acabei de enfiar os meus dedos no teu rabo e tu achas que o facto de eu querer olhar para ti enquanto te fodo é a coisa mais gay da noite?
Arthur riu-se baixinho e colocou um beijo na sua bochecha antes de se deitar e abrir as pernas. Como uma traça hipnotizada pela luz, Alfred ficou parado a observa-lo.
_ Estás a olhar feito parvo outra vez. – Reclamou Arthur. O constrangimento era obvio pela tensão do seu corpo e Alfred sentiu-se culpado por o deixar envergonhado.
_ Desculpa. – Murmurou enquanto se colocava em cima dele, depositando-se entre as suas belas pernas e beijou-lhe o joelho – De vez em quando apanhas-me de surpresa com o teu corpo sexy.
Arthur ergueu uma sobrancelha num gesto cético. Alfred olhou para entre os seus corpos e depois lançou uma pergunta silenciosa com a sua expressão facial e corporal. O inglês passou os dedos pelo seu cabelo, desalinhando-os, e respirou fundo.
_ Muito bem… — Murmurou num tom de decisão, abriu mais as pernas e mexeu as ancas para se meter mais confortável – Tem cuidado, vai devagar e se me dás alguma chapada durante a foda, eu juro que te parto a cara toda.
_ Não tenho costume de ser tão violento. – Retorquiu Alfred com um sorriso trémulo. Posicionou-se de forma a ter o melhor acesso possível e agarrou no seu membro, rijo e latejante pela excitação.
_ Ok… mete devagar. – Guiou Arthur num sussurro – Isso… isso… hei, eu disse devagar!
_ Desculpa, escorregou! Magoei-te? – Alfred retirou-se logo como se Arthur fosse subitamente feito de lava.
_ Não… ok, doeu um bocadinho, mas é tudo principalmente pela falta de uso. Agora mete isso lá dentro outra vez e vai devagar.
E Alfred voltou a penetrá-lo, lenta e cuidadosamente, com o rosto franzido pela concentração. Arthur tomava grandes goles de ar e expirava lentamente. Por vezes lançava palavras de encorajamento ao americano para que este continuasse a ir sem pressas mas para não parar. Depois do que pareceu ser uma eternidade, Alfred estava completamente embebido em Arthur, que lhe comandou ficar quieto durante algum tempo por alguma razão que não explicou. Fez o melhor que pôde, mas o inglês era quente, húmido, apertado e absolutamente delicioso, e Alfred não queria fazer nada mais do que mexer as ancas e aproveitar ao máximo todo aquele prazer, mas conseguiu conter-se pelo bem de Arthur.
_ Estás bem? – Perguntou com a boca encostada à bochecha do arquiteto, que anuiu – Vês, se estivesses de gatas, eu não te podia dar beijinhos.
_ Beijavas-me os ombros. Por Vénus, tens tão pouco imaginação para estas coisas. – Reclamou Arthur, mas a sua voz estava fraca, rouca e sem qualquer irritação.
_ Eu dei-te uma massagem!
_ E vais-me dar outra depois disto acabar.
_ És tão mandão!
_ Pois sou. Agora ordeno-te a calares o bico, mexeres o teu rabo balofo e foderes-me até eu não conseguir pensar. – Deu uma palmada nas costas de Alfred para dar entoação à sua ordem.
Alfred lançou-lhe um olhar desagradado ao ter o seu rabo chamado de “balofo”, porque não era, muito obrigado, e, mexeu as ancas tentativamente, saindo com lentidão de dentro de Arthur e entrando novamente com a mesma velocidade.
Oh, bem, era bom. Muito bom. Talvez fosse o facto de ele não ter dormido com ninguém há uns meses, mas aquilo sabia tudo muito melhor do que normal. Ou talvez o rabo de Arthur era sagrado, ou coisa parecida. Ele não sabia. Estava cansado e excitado e o seu cérebro já não funcionava como se deve ser, de tão enevoado como estava.
Ocupou-se a investir repetidamente dentro de Arthur e a deliciar-se com o seu corpo e gemidos lançados. Colocou a boca no pescoço do arquiteto, algo que fazia muitas vezes durante o sexo, pois gostava de morder e sugar enquanto fodia alguém… não era crime, e ele nunca tivera reclamações.
_ Alfred…! – Arquejou Arthur sem fôlego. Tinha as mãos presas nos seus ombros, unhas enterradas na pele bronzeada – Alfred, lembras-te do que eu te disse… sobre a próstata?
Sobre a quem? De que raio é que ele estava a falar? Seria Arthur uma daquelas pessoas que dizia parvoíces durante o sexo? Isso parecia um bocado estranho, mas tudo bem, porque de resto ele parecia bastante sensual e… oh! Próstata! Pois! Certo! Onde é que isso ficava outra vez? Ele não se lembrava muito bem onde tinha tocado durante a preparação… uhg… talvez se movesse as ancas um bocado mais para baixo… não, isso não fazia sentido, os órgãos genitais não iam para essa direção. Esperem, ele lembrou-se vagamente das suas aulas de biologia! Qualquer coisa sobre ser útil para produzir qualquer coisa que estava no sémen.
Arthur lançou um grunhido frustrado, mexeu os quadris e investiu para cima de forma a Alfred entrar da forma como ele queria. Gemeu e atirou a cabeça para trás ao tremer com deleite. Depois lançou um olhar irritado ao homem que se encontrava em cima dele.
_ É aí, seu filho da puta.
Que rude, não era preciso chamar nomes. Alfred beijou-o num misto de desculpa pelo seu descuido e descontentamento por ser chamado tal coisa. Colocou as mãos nas ancas de Arthur e ergueu-as um pouco para melhor movimentação e deslocou as ancas em direção do ângulo desejado.
Decidiu que gostava de ver Arthur assim, todo vermelho, suado, trémulo e a gemer de prazer. De facto, gostava tanto que achava que nunca se cansaria de tal visão. Beijou, mordeu e tocou ao mesmo tempo que o penetrava e saía apenas para ver que reações conseguia retirar do seu geralmente rabugento amigo, e era tudo adoravelmente glorioso.
Mas tudo o que era bom chegava sempre a um fim, e Alfred sentia o seu a aproximar-se. Descolou a boca do mamilo de Arthur para o avisar, mas tudo o que saiu foi um gemido incompreensível. Ele parecia não conseguir lembrar-se de como falar, mas esperava que o movimento desesperado das suas ancas avisasse o inglês de que não demoraria muito a atingir o orgasmo.
Uma mãozinha agarrou o seu pulso direito e puxou o seu braço em direção da intimidade de Arthur. Alfred abrandou os seus movimentos sem grande vontade, encarando o rosto rubro e desesperado do amigo.
_ Toca-me. – Pediu ele, atormentado, e Alfred não lhe conseguiu negar nada.
Rodeou o membro do inglês com a sua mão e moveu-a com a mesma urgência com que investia as ancas. Mergulhou a cabeça para engolir o som de deleite e alivio que Arthur soltou. Cada toque queimava docemente, a sua visão começava a turvar e tudo desapareceu a não ser a criatura deliciosa que se encontrava debaixo de si.
Ouviu um som estrangulado e a sua mão ficou subitamente húmida. Abriu os olhos que não tinha consciência de os ter fechado e a visão de Arthur a tremer, suado, vermelho e muito satisfeito foi o suficiente para levar Alfred ao seu próprio orgasmo. Gemeu alto e enterrou-se o máximo que conseguiu dentro do inglês, o seu melhor amigo, uma das pessoas mais importantes da sua vida, que agora estava ali, tão perdido no prazer físico quanto ele.
Caiu sem cerimónias em cima de Arthur que, apesar do grunhido primário, nada fez para o afastar. Ignorou o desconforto e estranheza de sentir os fluidos de outra pessoa todos espalhados pela sua mão e barriga e enroscou a cara ao pescoço de Arthur. Sentiu os dedos do inglês acariciar-lhe o coro cabeludo e ronronou com satisfação.
_ Vês… — Segredou Arthur no tom mais relaxado que Alfred alguma vez tinha ouvido vinda dos seus lábios – Não foi assim tão mau. Tanta preocupação para nada.
_ Hmmm… não comeces a reclamar agora, é muito cedo, gosto de aproveitar os primeiros minutos pós-orgasmo em silêncio.
_ Eu estava a elogiar-te, seu imbecil.
_ Chamaste-me filho da puta durante o coito.
_ Estavas a ser um filho da puta. E sai de cima, és mais pesado do que pareces.
Alfred grunhiu e rolou para o lado. Sentiu Arthur mexer-se e viu-o pegar na camisola que tinha sido abandonada anteriormente. Limpou o peito e membro flácido com ela e depois pegou na mão suja de Alfred e retirou o máximo de resíduos de fluido que conseguiu.
_ Hmm, talvez também deva usar um preservativo na próxima vez. – Disse Arthur enquanto atirava a camisola para o sítio onde estava, no chão – Assim faço menos porcaria.
_ Não há problema, eu não me importo. Mas faz o que achares melhor. – Alfred virou-se de lado para o encarar e lançou-lhe um sorriso esperançado – Hei, gostas de te enroscar romanticamente depois de teres sexo? Porque eu adoro.
_ Por Merlin, até metes nojo. – Fez num desdém falso e virou-lhe as costas – Eu gosto de ser a conchinha pequena, mas se dizes isso a alguém, eu mato-te.
Alfred sorriu e abraçou-o por trás, aninhando-se ao seu corpo com um suspiro de contentamento. Arthur era quentinho e aconchegava, como um ursinho de pelúcia gigante.
_ Dormes cá? – Perguntou o americano contra o cabelo do amigo.
_ São duas da manhã, achas mesmo que vou a algum lado?
_ Não é suposto sexo deixar-te dócil e meiguinho?
_ Já me conheces há quase vinte anos, alguma vez pareci minimamente dócil e meiguinho para ti?
_ Quando queres até és um amor. – Alfred apertou-o com mais força contra si e esfregou a sua cara ao ombro de Arthur, que grunhiu qualquer coisa incompreensível e entrelaçou os seus dedos aos do americano.
Alfred não conseguiu impedir o estranho sentimento quente que lhe preencheu o peito perante tal gesto, que era tão simples, deixou-o sem palavras e tudo o que conseguiu fazer for puxar Arthur mais de perto contra o seu peito e colocar as suas mãos entrelaçadas contra o coração calmo do inglês, que já tinha entrado num sono leve.
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