Supremos Kings - A Saga

5 Conhecendo meu novo... lar?


Notas iniciais
Amanda precisa agora se adaptar a sua nova vida. Novos amigos. Novo lar. E novo caminho.

Amanda acorda estranhando o fato dela não lembrar de ter dormido. Dessa vez ela está sozinha. Ela não faz ideia de que horas são, nem que dia é.

Ela se senta lentamente na cama, com medo de sua cabeça começar a girar, mesmo se sentindo bem melhor do que antes. Nota que está com a mesma roupa que vestia na última vez que esteve no seu antigo quarto. Decide colocar suas pernas para fora na cama, e deslizando suavemente pela beira da cama, põe-se em pé. O chão era frio, porém não incomodava. O espaço era amplo, ela sentia mesmo como se estivesse em um hospital. No fundo da sala, havia uma porta, Amanda andou em direção dela. Mais em cima da porta, próximo do teto, havia uma câmera que acompanhava seus movimentos. Quando estava bem perto da porta, ela abriu automaticamente, Amanda parou, um corredor revestido de prateado se estendia diante dela, e dava acesso à outra sala, a curiosidade fez Amanda continuar, ela pulou de susto com o barulho da porta se fechando logo após ela entrar no corredor, como não era nada de mais, ela não parou. O ambiente que ela estava entrando era bem maior do que o que ela estava antes. Era uma espécie de salão redondo, o teto bem alto fazia o lugar aparentar ser ainda maior. Do outro lado do salão, bem na sua frente, havia uma passagem para outro corredor, só que mais curto. À sua direita, também tinha um corredor de paredes escuras. Ocupando uma boa parte da parede, um enorme telão ficava do lado esquerdo do salão, acompanhado de dois menores, um de cada lado, e em baixo, ao alcance de todos, um painel cheio de botões chamava a atenção da Amanda.

Enquanto ela caminhava em direção ao painel, observava a decoração do salão. No centro, um degrau dava acesso a um nível um pouco mais alto do chão, onde, próximo do painel, havia uma mesa retangular de mármore preto com cadeiras estofadas do mesmo tom. Um sofá comprido de coro preto em formato de “C”, ficava no meio, de frente para o telão.

Ela subiu mais uns degraus para chegar ao painel, perto dele estava uma cadeira estufada de coro preto também, só que mais convidativa, Amanda não resistiu, e quis experimentar. Era surpreendentemente confortável. Se impulsionando com o pé, ela começou a girar na cadeira, o leve frio na barriga, a fazia querer rir.

—Se divertindo?

Amanda pula da cadeira de tanto susto, ela acaba congelando os braços da cadeira onde ela segurava. Aquele sujeito de máscara assustava mesmo.

—Desculpa, desculpa, e-e-eu...—Amanda não sabia o que dizer, estava muito assustada.—...errr...

—Estava fazendo algo de errado? —Velox estava sério.

—Quem? Eu? Não! —Ela ficava nervosa.

—Então por que está agindo assim? —Ele falava despreocupado.

—É que você me assustou...

—É mesmo?—Irônico.

—Sinto muito pela cadeira, foi sem querer.—Ela olha para o chão esperando a reprovação.

—Eu sei.

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Amanda observa ele, e percebe algo diferente em seus olhos. Imediatamente ele desvia o olhar.

—Errr... Já que está andando por aí, quer dizer que você já está bem. Quer conhecer a base?

—Claro.—Amanda sorriu.

—Aqui onde estamos é o centro da base, nós chamamos de cúpula, esses equipamentos—Ele olhou para o painel. —nos permite ter acesso a vários bancos de dados, monitoramos a cidade daqui e ainda podemos ver TV.

Amanda riu e pôde ver claramente um sorriso coberto pela máscara.

—Me acompanhe. —Velox começou andar para mostrar o resto.

Eles estavam indo para o corredor que Amanda tinha visto primeiro quando chegou ao salão. Ela ia seguindo Velox pelo curto corredor, a porta abriu automaticamente.

—Bom... Apesar da bagunça, aqui é a cozinha, onde geralmente fazemos nossas refeições. —Ele dizia devagar.

Ela não sabia nem onde era a pia, de tanta louça suja que tinha espalhado pelos balcões e mesa, até embalagens vazias e latinhas tinha no meio.

—Não queria que você visse isso, desculpe pela bagunça, mas eu tinha mandado os garotos limparem tudo isso.—Envergonhado, Velox olha Amanda esperando sua reação.

—Que isso! Não se preocupe, eu nem reparo essas coisas. —Amanda riu de sua própria ironia.

—Mesmo assim vou dar uma advertência para eles. —Velox falava de um jeito mais descontraído. —Vem. —Velox deu meia volta e retornou ao salão, a cúpula. Ele foi caminhando para a esquerda, rumo ao corredor de paredes escuras.

—E onde estão os outros? —Amanda continuava a segui-lo.

—Dormindo, eu acho. —Ele disse despreocupado.

—Dormindo? —A garota estranhou o fato.

—Já passou das três da madrugada.

—Nossa! Eu perdi totalmente a noção de tempo... Eu te acordei, não foi? —Amanda esperava por uma resposta rude.

—Não. —A tranquilidade na voz dele fazia ela se sentir à vontade ali.

—O que você tava fazendo acordado então?

Velox para na entrada do corredor e se volta para Amanda.

—Eu não preciso dormir tanto quanto humanos normais. —A voz dele estava calma, Amanda pensou que aquilo não seria possível depois de escutar os garotos falando dele.

—Você não dorme?! —Amanda acha impressionante.

—Eu não disse que não durmo, só não preciso dormir o tanto que você, é que meu organismo produz naturalmente muita energia para acompanhar o ritmo do meu corpo, e se eu não gasto, não preciso descansar, muito menos dormir.

—Faz sentido. —Amanda sorri.

—Aqui fica os dormitórios. —Velox entra no corredor.

Havia sete portas, três de cada lado, e uma no final do corredor.

—Esses dois primeiros quartos estão vagos, se quiser mudar para algum deles, não tem problema algum, mais adiante, aqui, do lado direito também está vago, e do outro é o quarto do Esticado, continuando do lado esquerdo, é o quarto do Einstein, e em frente ao dele, —Velox parou em frente à porta. —é o quarto onde estão suas coisas.

Na porta de cada quarto ocupado tinha o nome do dono, Amanda olhou para porta que ficava no final do corredor, que tinha o nome dele na porta.

—Aquele é seu quarto?

—Sim. —Ele falou rapidamente. —Quer conhecer seu quarto?

—Sim, por favor. —Sorrindo.

—Aqui do lado, —Ele apontou para uma espécie de pequena tela de LCD que ficava na parede. —É o sistema de segurança do quarto, a senha inicial é 123, —Ele inseriu a senha. — depois é só colocar a sua digital aqui. Quer mudar a senha?

—Quero sim.

—É só digitá-la aqui. —Velox se virou para não ver.

Amanda riu, estava adorando aquilo tudo. Ela digitou 321 e tocou com o polegar o local indicado pelo Velox, instantaneamente a porta se abriu. O quarto era todo claro, muito amplo e já tinha alguns móveis: uma cama, um criado-mudo e uma cômoda, além de ter mais duas portas naquele quarto.

—É muito lindo! —Amanda disse olhando para Velox.

—Sinta-se à vontade para fazer a modificação que quiser, é só falar com o Einstein. Mais tarde te mostro o andar de treinamentos, e se você estiver pronta, já pode começar o seu.

—Nossa! Isso tudo ainda é novo pra mim.

—Você vai se acostumar logo. Ah! Já ia me esquecendo, espere um segundo aqui.

E parece que foi mesmo um segundo. No mesmo instante que ele terminou de falar, já estava abrindo a porta do seu quarto, ele entrou e saiu em questão de milésimos.

—Você ainda não pode sair, por enquanto, não até você conseguir se auto-controlar, mas eu já estou te dando esse cartão de crédito, para você gastar no que for necessário. —Ele tinha na mão um cartão azul marinho.

—Não, você já está fazendo muito por mim, eu não posso aceitar esse cartão. —Amanda sorria demonstrando que estava muito grata por tudo.

—Por quê? —Velox estranha inicialmente a reação dela. —Eu estou te dando, todos têm um cartão igual a esse.

Amanda pensou por um breve momento.

—Tá bom, eu aceito. —Ela pega o cartão da mão de Velox. —Alguém trabalha aqui?

—Não. —Velox fica um pouco confuso.

—De onde vem toda essa grana? —Amanda tentava ser o mais simpática possível, para que ele não a interpretasse mal.

Velox fica em silêncio por um instante.

—Por que você quer saber? —Ele tinha voltado a ficar sério.

—É só curiosidade de saber de onde vem esse dinheiro todo. —Amanda estava quase se arrependendo de ter perguntado.

—Tudo o que você precisa saber é que ele é nosso. —Com os olhos cerrados, Velox tentava descobrir se tinha algo a mais por trás daquela pergunta.

—Tudo bem, —Amanda desvia olhar de Velox. —eu só queria saber mais da equipe que me convidou para ser mais um membro dela e eu aceitei. —Ela fica parada na porta do quarto e depois dá as costas para Velox, entrando em seu novo quarto. —Boa noite.

Velox não sabia o porquê, mas se sentiu mal por não ter respondido a pergunta. Era difícil para ele tocar nesse assunto, entretanto, ela de algum jeito o fazia pensar que talvez ele estava agindo errado.

—É do meu pai. —Ele torcia para que ela não fizesse mais nem uma pergunta difícil de responder, não queria ficar com aquela sensação de peso na consciência.

Amanda fica paralisada.

—Pai?! —Ela vira para Velox com um doce sorriso.

—Ele me dá dinheiro para ninguém saber que sou filho dele. Boa noite. —Velox some da porta.

—Velox! —Amanda se arrepende de ter perguntado aquilo, ficou bem claro que aquele era um assunto bem delicado, entretanto já tinha acontecido. A porta fecha logo depois que Velox some. Ela ainda fica um instante ali parada, decide esquecer aquilo por enquanto e vai procurar suas coisas.

Realmente aquele quarto era lindo, ela nunca tinha entrado em lugar parecido, dava uma sensação de tranquilidade, aquelas cores acalmavam, porém ela sabia que não era só aquilo.

A cama era bem espaçosa, quando ela se sentou nela, pode sentir o quanto era confortável. Amanda vai em direção as duas portas que ficavam no fundo do quarto, à medida que se aproximava, percebeu que aquelas portas não se abriam automaticamente, e que tinha um botão de cada lado que provavelmente abririam elas. Ela abriu primeiro a que ficava do lado direito. Era o banheiro. Seguindo a mesma linha de tons do quarto. Havia até uma banheira, coisa que ela nunca tinha visto de perto. Saindo de lá, foi à porta ao lado. Atrás daquela porta ficava o closet, era em um tom cinza-prateado, e em um canto estava a sua mochila, que não combinava nem um pouco com a decoração do quarto. Amanda abriu a mochila e tirou uma muda de roupas limpas. Percebeu que uma das portas do armário não estava bem fechada e resolveu ver o que tinha lá dentro. Eram toalhas, roupões e lençóis. Ela pegou um dos roupões e foi tomar banho na banheira. A novidade fez uma simples atividade do dia-a-dia tornar-se uma diversão. Depois de vestida, penteou seu cabelo e foi se deitar, tomando o cuidado de colocar uma toalha sobre o travesseiro para não molhar. Ela observou que em cima do criado-mudo tinha um controle. A curiosidade fez com ela pegando ele e tentasse descobrir para o que servia, apertou o botão POWER e descobriu uma TV enorme que ficava embutida no teto, próximo da parede de frente a cama. Ela ficou zapeando pelas programações e não encontrou nada de interessante passando em algum canal, então foi testando cada opção do menu da TV, tinha também opções de iluminação e de temperatura. Ela escolheu deixar o quarto bem mais frio do que estava antes, assim ela se sentia mais confortável. Viu pela TV que já se aproximava das seis horas.

O tédio não deixava ela se aquietar, então ela foi procurar o que fazer: foi arrumar as coisas da mochila no closet. Tinha algumas cruzetas, era o suficiente para organizar suas roupas, a mochila, ela colocou em um compartimento mais em cima, e seus livros e cadernos ela achou melhor guardar na gaveta do criado-mudo, mas ficou com um na mão. Um que ela ainda não tinha terminado de ler, aquele livro a fez lembrar de Velox, da noite que ela viu ele pela primeira vez, da sensação boa que ela sentiu quando ele disse que podia ajudar ela, e ele já estava fazendo muito por ela.

Amanda ansiava para começar logo o treinamento, estava disposta a se esforçar ao máximo, ela não via a hora de poder usar seus poderes para ajudar de alguma forma, entretanto, ela ainda tinha medo de fazer algo de errado, machucar alguém.

Já passava das sete da manhã. Ela não aguentava mais ficar naquele quarto e saiu.

Notas finais
Amanda talvez possa agora tirar suas próprias conclusões a respeito do misterioso Velox.
Mas agora não é hora para pensar nisso. Ela precisa se concentrar no treinamento.