Supremos Kings - A Saga
6 Finalmente o treinamento!
Notas iniciais
Einstein tomava seu café-da-manhã na cozinha.
—Bom dia, Velox. —Disse quando sentiu a brisa que Velox faz quando corre.
—Acordado tão cedo? —Ele se escora na frente da geladeira.
—Tenho que dar uma olhada nos exames da Amanda, tô curioso. —A empolgação dele era visível. —Você vai tomar café?
—Estou sem fome.
—Que bom, —Amanda chega sorrateira. —por que já estou pronta para iniciar meu treinamento. —A adrenalina já começava aumentar em seu corpo.
—Nossa, você me assustou, —Einstein disse rindo. —o que tá fazendo fora do laboratório?
—Já estou me sentindo ótima. —Sorrindo.
—Então, tá de alta! —Einstein ergueu sua caneca e tomou um gole do seu conteúdo.
—Coma alguma coisa primeiro. —Velox diz sem olhar para Amanda.
—Estou sem fome também. —Ela lembrava do motivo que talvez ele estaria falando grosso com ela.
—Faz parte do treinamento.
—Tá OK. —Amanda passa por Velox encarando ele e se senta à mesa, ele ignora.
—Quando acabar me procure. —Velox some.
—Se o Esticado estivesse aqui, ele diria “karaca! É imprensão minha ou rolou alguma coisa entre vocês?” —Ele até imitou o jeito do Esticado falar.
—Eu acho que toquei em um assunto delicado para ele. —Amanda falou baixo, fitando a mesa.
—O que foi? —Einstein toma um gole do suco.
—Fiz ele falar do pai. —Seu olhar distante era triste.
No mesmo instante, ele cospe o suco e começa a tossir.
—O quê?! —Einstein fala com intensidade apesar de ser um sussurro. —O que foi que ele disse? Por que você fez isso? O que foi que ele fez? —Ele dizia rapidamente com os olhos esbugalhados.
—Calma, —Amanda se assustou com a reação dele. —e-eu não sabia, não foi por que eu quis!
—Ele deve ter te respondido mal, né? Mas não ligue, ele é assim mesmo. —Ele tinha as sobrancelhas levemente unidas.
—Ele não me respondeu mal, —Amanda olha para Einstein. —só ficou bem chateado...
—Como assim? —Einstein limpava sua boca molhada de suco.
—Eu só perguntei de onde vinha o dinheiro que sustentava tudo isso, ele não queria me dizer, só achei que eu poderia saber dessas coisas, já que sou membro da equipe, então ele me disse que é o pai dele que dá dinheiro para ninguém saber que ele é seu filho. —Amanda mantinha a voz baixa.
—E? —Einstein queria saber mais.
—E ele foi embora.
—Só? —Einstein estranhava a história.
—Só. Você estava esperando mais alguma coisa? —Agora era ela que achava a pergunta estranha.
—Ah, esquece... É paranóia minha... —Einstein se levanta e tira uma caixinha de suco da geladeira. —É melhor você comer mesmo, tome. —Ele entrega a caixinha para ela. —Tem biscoito recheado aí, coma o que quiser.
—Obrigada. —Amanda fura a caixinha com o canudinho que veio junto, era de sabor laranja, também comeu os biscoitos recheados, mesmo não estando acostumada com aquilo no café-da-manhã.
—E o Esticado? —Amanda morde um biscoito.
—Aquele garoto só acorda próximo do almoço, ou quando está com fome. —Ele erguia as sobrancelhas.
—Já terminei. —Falou de boca cheia.
—Boa sorte no treino, vai precisar. —Einstein sorriu.
—Valeu. —Amanda riu e foi para a cúpula.
Velox esperava por ela encostado na parede ao lado da entrada do laboratório. Quando ela estava quase perto dele, ele tirou a luva e tocou um painel de LCD ao seu lado, que ficava na parede. Amanda pode ouvir pequenos ruídos mecânicos, que ela não sabia de onde vinha.
—Fique dentro do circulo. —Velox olha para o chão.
—Que?
Alguma coisa se move sob os pés de Amanda. Rapidamente Velox a puxa para si.
—Eu disse “fique dentro do circulo”. —Velox aponta para onde ela estava. Havia realmente um circulo grande no chão, e ela estava bem em cima da linha, de onde subiu uma parede de vidro.
—Desculpa, eu não tinha entendido. —Amanda olha para Velox, seu coração começa acelerar, ela nunca tinha ficado tão perto dele, pelo menos não consciente, ela podia ver claramente seus olhos.
Velox aos poucos solta o braço da garota.
—O galpão de treino é lá em baixo. —Ele falava automaticamente perdido no olhar da garota.
Ela só percebeu que estava em um elevador quando este começou a descer, isso fez com que ela saísse daquele transe. Amanda olhou para o chão, tentando acalmar seu coração. O silêncio começou incomodá-la.
—Velox... —A voz dela era baixa.
—O que é? —Velox tinha aquele tom sério.
Amanda fitou aqueles olhos negros, para que ele perceba que ela está sendo sincera.
—Desculpe por ontem... Se eu soubesse da sua reação, eu nunca teria tocado naquele assunto.
Velox também fitava os olhos de Amanda, meio surpreso pela situação, pelo jeito que aquela garota olhava para ele.
—Eu só não... —Se interrompe. —...Não se preocupe, tudo bem.
Amanda ficou calada, ainda o fitando.
—Por que tá me olhando assim? —Velox já estava constrangido.
—Você é diferente... —Ela estava tão absorta em pensamentos que não percebia que pensava em voz alta.
—Diferente? —Ele estranha o comentário.
—Não diferente ruim, diferente... Especial... —Ela se enrola para falar e fica nervosa.
—Especial? —Velox estava surpreso.
—Ah, esquece, é bobagem minha... —Amanda ria forçado para disfarçar que também estava constrangida.
—Não, diga. —Ele tentava encorajar ela a continuar.
—Vem cá, esse galpão não chega nunca? —Ela sabia que estava visivelmente corada.
—Já estamos chegando... —Veloz diz de cabeça baixa, para tentar esconder um sorriso.
Ele estava certo, mas aqueles segundos restantes eram torturantes, parecia que nunca iam chegar, até que para o alívio dos dois, eles chegam ao andar do galpão e a porta de vidro se abre.
Eles entram em uma sala, que é pequena em comparação aos outros cômodos, as paredes são brancas, menos a que fica no fundo, que é toda de vidro, e próximo dessa parede fica um painel de controle. Velox vai até o painel e Amanda o acompanha.
—Não é aqui que é o galpão de treino, né? —Ela olhava ao redor.
—Não, não é aqui, —Ele acende as luzes de trás da parede de vidro. —é lá.
Amanda ficou impressionada ao ver o gigantesco galpão de treino, ele ainda se estendia para baixo, as paredes, o teto e o chão eram de chapas de aço.
—Planejamos este galpão para suportar de diversas coisas, até explosões. —Ele mexia no painel de controle.
—Fico curiosa para saber como vocês construíram isso tudo... —Ela se aproxima da parede de vidro.
—Já está tudo certo para você entrar. —Velox olha para Amanda. —Está pronta?
Amanda respirou fundo.
—Por onde é que eu começo? —Um sorriso quase inevitável mostrava o quanto ela estava ansiosa.
Ele pressionou um botão e uma passagem se abriu ao lado.
—Pode descer.
Amanda foi em direção à porta, lá havia um pequeno elevador, assim que ela entrou, ele desceu automaticamente, a descida era bem comprida, mas não demora para ela chegar ao chão.
—Vá mais para o centro do galpão, para que eu possa te ver. —Velox falou através de alto-falantes.
Amanda foi caminhando até o local indicado, mesmo sendo bem longe.
—Aí tá bom. —Velox disse antes dela chegar ao centro.
Ela olhou para a cabine que ficava no alto.
—O que eu faço agora?
—Libere seu poder.
—Mas... Como assim? —Sua voz ecoava pelo galpão.
—Se sinta à vontade para fazer o que quiser, aí você poder usar seus poderes sem problema algum, na pior das hipóteses, só você poderá sair machucada, então, pode começar.
Amanda não sabia muito bem por onde começar. Olhou suas mãos, e lembrou que sempre que acontecia dela congelar alguma coisa, é por que ela estava tocando, menos da vez que ela fez surgir um paredão de gelo para se proteger da garrafa que tinham jogado em sua direção. Ela se ajoelhou no chão, e o tocou com as duas mãos pressionando com força. Nada acontece. Tenta pensar em alguma coisa, porém ela não sabe o que fazer.
—Por que não tenta se lembra do que estava sentindo quando congelou as coisas? —Os auto falantes reproduziam perfeitamente a voz de Velox, parecia até que ele estava ao lado dela.
—Eu não sei direito, eu sentia medo, raiva... Eu tava muito assustada. —Aquelas lembranças torturavam sua mente, ela fechou os olhos para tentar suportar a dor que tinha em seu peito. —Eu só queria que aquele pesadelo acabasse logo, eu não queria machucar ninguém... —seus olhos começam se encher d’água. —... Aquilo aconteceu tão de repente, eu não sabia o que fazer, me senti muito sozinha, eu tava desesperada, aquela sensação é horrível, é uma dor insuportável no peito...
—Amanda...
—Eu sei que não vou passar por aquilo de novo, mas ainda é muito recente...
—Errr... Amanda...
—...E lembrar de tudo aquilo faz renascer aquela dor, é muito ruim se sentir só...
—Chega, Amanda. —Velox tinha urgência na voz.
Amanda despertou de seu pesadelo abrindo os olhos. Ficou em choque quando se viu em um ambiente totalmente diferente daquele que ela estava antes de fechar os olhos. Ela congelou todo o chão, parte das paredes, e parte do vidro da cabine onde Velox estava.
—Parabéns, agora você só precisa fazer isso sem chorar, sem sentir dor, e de preferência com olhos abertos. —Apesar de Velox está falando sério, não dava para passar despercebida a pitada de ironia.
Amanda não sabia se ria, ou chorava, ela estava muito emocionada.
—Você não precisa mais chorar. —O mascarado tentava acalmá-la.
—Eu acho que esse choro agora é de alegria. —Amanda estava feliz.
Velox ficou mais aliviado.
—Quero ver se você consegue congelar sem estar tocando.
Amanda ficou de pé e estendeu a mão em direção ao chão, tentou se concentrar, mas seu esforço parecia em vão, se concentrou novamente, e nada aconteceu, ela respirou fundo e relembrou as memórias ruins, tentou mais uma vez, porém ela não conseguiu, a frustração tomava conta dela.
—Se concentre, Amanda. —Velox falava com intensidade.
—Eu tô me concentrando! —Amanda quase gritava.
—Não é o suficiente. —O mascarado respondeu no mesmo tom.
—Eu sei. —Ela disse mais baixo.
—Não parece! —Ele tinha um pouco de desprezo na voz. —SE CONCENTRE!
—EU JÁ DISSE QUE ESTOU ME CONCENTRANDO! —Ela estava irritada.
—É PRECISO MAIS DO QUE ISSO! NÃO SEJA FRACA!
—EU NÃO SOU FRACA! —Amanda já estava ficando aborrecida com ele.
—ENTÃO, PROVE! —Velox aciona o sistema de treinamento.
Amanda se assusta com um barulho que veio do fundo do galpão. De repente, uma esfera de ferro é lançada em direção da Amanda, agindo por reflexo, ela rapidamente se joga no chão, no mesmo instante, ela escuta o som de outra esfera de ferro cortando o ar vindo em sua direção, ela rola o mais rápido possível para sua direita, parando de peito para cima.
—VELOX!!! AHHH!!! —Amanda grita quando vê outra esfera de ferro prestes a cair em cima dela e rola novamente, dessa vez passou muito perto dela.
—VELOX! O QUE É ISSO?! —Gritou de desespero, ao mesmo tempo, ela se levantava rapidamente, o chão estava escorregadio por causa do gelo, tentou correr dali, entretanto ela escorregou e caiu de costa no chão. Amanda fechou com força os olhos para tentar suportar o choque que sentiu, ela sabia que era perigoso ficar parada ali, então abriu os olhos para se levantar, porém foi surpreendida por uma esfera que estava próxima demais, seu abdômen foi acertado em cheio, o impacto fez o corpo de Amanda ser lançado à metros de distância, chegou até quebrar o gelo fazendo uma pequena cratera por onde ela foi jogada. Ela ficou parada, com medo de ter quebrado alguma coisa, mas quando ouviu novamente os ruídos mecânicos, teve que reunir forças para remover aquela esfera de cima dela. Por incrível que pareça, aquela esfera era mais leve do que aparentava. O que a deixava mortal, era a velocidade com a qual ela estava sendo arremessada. Quando ela a tocou, instantaneamente suas mãos a recobriram com gelo, dessa vez Amanda não se assustou tanto com seu poder.
Ela nem queria imaginar as roxuras que iriam aparecer em seu corpo mais tarde, a dor que estava sentindo não a deixava pensar direito mesmo. Com muito esforço, ela tentava ficar de pé, segurando seu abdômen, mas ficou paralisada quando viu um robô gigante parado não tão distante dela. Amanda se apavorou quando ele apontou o braço em direção a ela, pois viu que acoplado ao braço, havia pequenos mísseis.
—DEFENDA-SE! —Velox
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