Suplício
2 O mais antigo dos golpes
— o que está acontecendo aqui? — Pedro estava começando a recobrar a consciência, então ele olhou para o lado e viu Laura a seu lado, seminua na cama, e então olhou para Sônia – não é nada do que você está imaginando – ele então saltou da cama e começou a se vestir.
— é exatamente o que eu estou imaginando, aliás, imaginando não, eu estou vendo – disse Sônia, porém ela não estava falando com Pedro – eu estou vendo uma piranha que não aceita o fim do relacionamento e está aplicando o mais antigo dos golpes do mundo, o falso flagrante para ver se cria um atrito entre eu e o meu namorado – então Sônia foi até o lado da cama onde Laura estava deitada – é exatamente isso não é?
— Sônia olha só, eu o Pedro temos uma história muito linda e isso é mais forte que nós, não queria que isso viesse a tona desse modo mas aconteceu – disse Laura em um tom de escárnio.
— cala a boca sua imunda, saia dessa cama agora, esse lugar não é teu, ele é meu! — vociferou Sônia.
— calma querida, vamos conversar – disse Laura.
— como é que você veio para na minha cama Laura, que baixaria é essa? — perguntou Pedro.
— você vai levantar daí ou eu vou ter que te arrancar? — disse Sônia.
— nossa, e eu que sou baixa né? Um nega que fez amor comigo, a outra quer resolver tudo no grito e a baixa sou eu? A pro favor – Laura usou um tom tão dissimulado que Sônia perdeu a paciência.
Sônia pegou Laura pelo braço e a levantou da cama a força.
— coloque a roupa e suma daqui sua safada.
— tira as mãos de mim sua miserável, quem está aplicando um golpe antigo aqui é você o golpe do baú – brandou Laura com agressividade – a faxineira que casa com o patrão, seria lindo se não fosse patético aproveitadora, você nunca vai ser mulher suficiente pro Pedro, ele é um homem de lustro de bom trato você é de outro mundo e nunca vai conseguir migrar pro mundo ou eu não me chamo Laura.
— então eu vou fazer você esquecer do teu próprio nome sua piranha, você tem dinheiro mas não tem amor algum, você é uma vazia que precisa implorar pela atenção dos outros e não aceita que o Pedro não te quer mais, o Pedro não te ama, ele não ama você! — gritou Sônia, então Laura deu-lhe uma bofetada na cara que a fez dar alguns passos para o lado.
Sônia ficou chocada e colocou as mãos sobre o rosto, ela não conseguia crer que Laura havia agredido ela.
— baixa o tom pra falar comigo sua miserável – gritou Laura.
— saia do meu quarto agora – gritou Pedro.
— deixa Pedro, eu mesma tiro ela daqui – disse Sônia. Poucas vezes na vida ela havia ficado com tanta raiva.
Sônia pegou Laura pelos cabelos e começou a arrastá-la para longe da cama.
— nunca mais você vai esquecer quem eu sou – gritou Sônia ao jogar Laura no chão. Ela subiu em Laura e imobilizou suas mãos e começou a dar tapas na cara de Laura – agora eu vou te mostrar sua safada, cretina.
— me solta sua louca, sua demente – gritava Laura, ela esperneava e tentava se soltar de Sônia, porém ela era mais forte e as bofetadas que levava na cara a deixavam quase sem conseguir se mover.
— toma o que você merece, você quer sair por aí feito uma vadia deitando na cama dos outros, eu vou te mostrar como se trata uma vadia feito você.
— mas que gritaria é essa, o que está acontecendo aqui? — disse Guilhermina ao entrar no quarto.
— para Sônia, não se rebaixa ao nível dela amor, para – dizia Pedro tentando tirar Sônia de cima de Laura.
Laura a essa altura já estava com alguns arranhões no rosto e sangrava pelo nariz.
— Cleuza, chama a polícia agora pra tirar essa selvagem daqui – gritou Guilhermina para a empregada.
— aprendeu cadela? Aprendeu? É isso que você ganha por deitar pelada por ai na cama dos outros – disse Sônia olhando fixamente nos olhos de Laura, então, ela deu mais um tapa – agora fica aí no chão que é o teu lugar.
Sônia levantou-se.
— chega, se acalma – disse Pedro segurando Sônia pelos ombros.
— eu tô ótima, agora eu estou calmissima – então ela se virou para Guilhermina – não precisa chamar a polícia não, eu já me resolvi com essazinha aí, pode ajuntar o que sobrou dela do chão e eu sei muito bem que foi você quem colocou ela aqui dentro pra fazer essa cena ridícula, mas se ferrou porque isso não vai abalar meu amor pelo Pedro, quanto mais vocês tentam nos separar, mais a gente se une – então ela se virou para Pedro – eu estou indo embora.
— claro amor, vamos pra sua casa.
— vamos? Depois dessa cena deplorável você vai ficar do lado dela? — disparou Guilhermina.
— e você sugere o que? Que eu fique na casa onde me doparam pra armar essa cena deplorável? — Pedro então ficou em frente a mãe e olhou fixamente em seus olhos – foste tu quem colocou algo na minha bebida ou foi ela?
— Pedro eu não permito que você desconfie de mim!
— foi você ou foi ela? — gritou Pedro, fazendo Guilhermina ficar assustada, ela nunca tinha visto o filho naquele estado.
— foi ela – disse Guilhermina, assustada, porém manteve-se firme.
— vamos embora daqui Pedro, vamos embora antes que eu vire a mão na cara da tua mãe – disse Sônia passando pelo lado de Guilhermina e esbarrando em seu ombro
Pedro e Sônia saíram dali sem dizer uma palavra.
— você está bem? — disse Guilhermina ao ver Laura levantando-se.
— eu vou fazer essa desgraçada pagar cada uma desses bofetadas – então Laura se olhou no espelho. Ela estava com o cabelo todo bagunçado e o rosto sangrava e tinha alguns arranhões e algumas manchas vermelhas.
— vamos com calma, depois desse circo de nós agirmos o Pedro nunca mais falará comigo e eu não vou permitir que isso acontece – disse Guilhermina.
Laura olhou para ela.
— me chame um táxi – foi a única coisa que ela disse enquanto limpava o sangue que escorria pelo canto de sua boca.
Quando chegaram na casa de Sônia em um bairro humilde da cidade, eles foram muito bem recepcionados por Paula. Ela gostava muito dele e adorava quando ele ia visitá-las. Ele sempre queria sair fazer programas com todas as três, porém Sônia aceitava apenas em dias próximos ao começo do mês, pois eram os dias em que ela tinha condições de pagar pelo que sua filha e sua mãe consumiam, ela não gostava que Pedro pagasse nada pois Sônia sempre soube que ela era a responsável, e não ele e isso não mudaria nem quando eles casassem.
Pedro pediu uma pizza e os quatro comeram e depois de muito conversarem e se divertirem, Sônia colocou Paula na cama e Estela também foi dormir, então ela e Pedro ficaram na sala assistindo TV e então Pedro deu a sugestão:
— então amor, a gente meio que está evitando o assunto mas precisamos decidir logo o que vamos fazer. Depois daquela cena deplorável de hoje lá em casa eu não tenho mais clima pra ficar lá. Vamos nos mudar o quanto antes?
— amor, acima de tudo a Guilhermina é tua mãe, me perdoe mas eu tenho vontade de meter a mão na cara dela mas não posso pois ela é tua mãe, então o que eu preciso dizer é que eu não quero que você saia da casa dela por minha causa, por mim do jeito que está tá ótimo.
— mas eu quero me mudar logo, eu quero morar com você logo meu amor, eu não tenho mais clima pra voltar lá sabe.
— ai Pedro, me perdoa, por favor, eu não tive a intenção sabe, mas a Laura me tirou do sério quando eu me dei por mim eu já estava em cima dela – Sônia colocou as mãos sobre o rosto – gente que vergonha, eu nunca tinha feito nada parecido, mas ela me bateu, eu nunca tinha levado um tapa na cara nem da minha mãe.
— só não bati nela por que sou homem mas a minha vontade era de ter jogado ela pela janela – Pedro abraçou Sônia – a minha ideia é a seguinte, vamos amanhã mesmo decidir sobre o duplex, vamos nos informar sobre o tempo que vai levar pra ficar pronto e vamos apressar tudo, daí eu fico uns dias aqui na tua casa até que fique pronto.
— você tá louco? — indagou Sônia – amor, minha casa não tem nem um milésimo do conforto que tem a tua.
— tendo você do meu lado, eu não preciso de mais nada – disse ele sorrindo.
No dia seguinte, os dois foram até o duplex que eles haviam visto e então levaria dois meses para ficar pronto.
— amor, sabe o que nós poderíamos fazer? Vamos aproveitar que a Paula está de férias e vamos pra Disney? — disse Pedro, assim que chegaram ao banco.
— mas amor, eu me sinto estranha, sei lá, você pagar pra minha filha viajar, eu acho melhor nãos pois… — Pedro interrompeu Sônia enquanto ela falava.
— eu não vou aceitar não como resposta. Nós vamos sim, você vai hoje mesmo ver sobre os passaportes de vocês três.
Sônia foi atrás de tudo e aceitou que Pedro pagasse a viagem pois ela sabia que seria a maior alegria da vida de sua filha ir para a Disney, ela não poderia negar a sua filha uma chance dessas. Na noite anterior a viagem, Sônia estava em seu quarto arrumando suas coisas e Pedro ainda estava no banco, pois ele quis deixar o trabalho adiantado para os dias em que ficariam fora, Estela foi até o quarto da filha conversar com ela.
— oi meu anjo, posso entrar? — disse Estela ao bater na porta.
— claro mãe, eu também quero falar com você, você está meio apreensiva hoje, está tudo bem?
— é bem sobre isso que eu preciso lhe falar…
Estela estava muito aflita e precisava muito conversar com a filha.
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