Notas iniciais
Boa leitura! ♥

– Filho? Você está bem? Dong, eu acho que Chanyeollie não consegue nos ouvir... – do outro lado da linha, a mãe parecia preocupada, e até dava alguns tapas sobre o telefone, achando que aquilo pudesse resolver alguma coisa.

E Chanyeol continuava lá, estático, sem mover um músculo sequer.

– Chanyeol-ah, pensei em pedir comida por telefone e... – Baekhyun saía do banheiro, e com uma toalha, enxugava os cabelos tão úmidos pela água. Mas, ao ver seu irmão tão imóvel, os olhos se arregalaram, e tinha medo do que havia acontecido para deixá-lo assim. – Chanyeol...?

O olhar era de desapontamento. Como Baekhyun poderia ter mentido para o mais novo? Não havia um laço além de fraternidade unindo os dois? Era como se uma nuvem acinzentada, quase negra, se aproximasse de ambos e tapando o lindo sol para então começar a chover. Era horrível a sensação no coração do dongsaeng, e o mesmo apanhou mais uma vez o telefone, desligando ao verificar que sua mãe desligara a chamada.

Baekhyun estava lá sem entender nada.

Os olhos do maior se encheram d'água, deixando o hyung preocupado.

– Você sabia, não sabia?

– Chanyeol, o que... – Baek não entendia o que se passava ali. O tom de voz era baixo e a preocupação era grande, mas tentava captar o motivo do outro reagir tão mal.

Até que o mesmo o respondeu.

– Você vai se casar e não me disse nada. – riu pelo nervosismo, logo começando a prantear. As bochechas se tornavam tão úmidas quanto os fios castanhos de seu irmão mais velho. – Me fez de idiota todo esse tempo...

– Chanyeol, eu tive meus motivos... – tentou se aproximar do outro, mas Chanyeol ergueu a mão, mostrando a palma; um gesto para que Baekhyun não se aproximasse. – Eu não quis isso, eu...

– Chega! – exclamou. – Cala a boca, Baekhyun. – fora a primeira vez em doze anos que Yeol tratava seu irmão daquela forma, sendo tão grosseiro. Baek o respeitou, sabendo seus motivos agora, e sentindo-se um lixo por conta daquilo. O menor chorava junto do outro, e fora o pior momento na vida dos dois irmãos em todos aqueles anos. – Não diga mais nada sobre isso, ok? Somos irmãos, e eu deveria apoiar seu casamento.

O conformismo não era, de fato, agradável. A angústia apertava no coração dos dois, e as lágrimas rolando sobre a face de ambos era apenas consequência daquilo. Baekhyun se sentia um lixo, e aquele que antes era seu super-herói simplesmente perdera a vontade de vê-lo.

Chanyeol deu as costas, subindo as escadas com pressa para se dirigir ao seu quarto.

E, quando o maior se afastou, Baek levou as mãos ao próprio peito, tocando-o por cima do tecido de sua camiseta.

– Eu te amo, Chanyeollie... – estava certo de seus sentimentos. Pena que o outro não pudesse ouvi-los.

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Sentiam-se solitários.

A casa ficara silenciosa após a briga. Chanyeol não implicava mais com Baekhyun da forma como o fazia, aos beijos, mordidas e toques, assim como Baekhyun não insistiu em dividir a cama com o mais novo. Tentava superar, sozinho, suas fobias, mesmo parecendo uma tarefa árdua e até mesmo impossível. Agora o dongsaeng arrumava a sala de estar, assim como seu irmão se encarregava da cozinha.

Silêncio.

Exceto pelo barulho das chaves. Os pombinhos apaixonados entravam na casa, agora arrumada e cheirosa, com a comida pronta sobre a mesa, e mal imaginavam o motivo do silêncio que tomava conta do ambiente.

– Meninos, a viagem foi incrível! – a mulher parecia empolgada, enquanto o marido guardava as coisas. – Passamos os dias juntos e nada nos impediu. Até aproveitamos pra arrumar as coisas pro seu casamento, filho! – o assunto fora direcionado a Baek, e nesse momento, Chanyeol o olhava torto.

Ciúmes.

– Sua mãe comprou tanta coisa no mercadinho... Eu fiquei com medo de sair muito caro, mas era tudo barato! – o pai ficava tão animado quando a moça, e os dois pareciam sentir o cheiro de alguma coisa. – Nossa, que cheiro bom!

– E-eu preparei algo pra vocês, porque eu sabia que chegariam hoje... – respondeu o irmão mais velho.

– Está ótimo, filho! Quer ver os convites para seu casamento? – a mãe logo tornava ao assunto do casamento, fazendo o mais novo, entre todos, dar as costas e subir as escadas, completamente irritado. – O que deu nesse menino? Ele tá tão estranho...

– Talvez... É que semana que vem completará quatorze anos que a mãe dele faleceu... – o pai dava o palpite, mas Baek sabia muito bem do que se tratava.

– Não, mas nos outros anos ele superou tão bem... Hoje ele é um adulto, deveria ter superado... – a mãe parecia mesmo preocupada. – Já sei. Baekhyunnie, vá falar com seu irmão.

O menor arregalou os olhos.

– O quê?

– Sim, filho, vá falar com ele. Entre todos, Yifan e você são os mais próximos dele, então vá conversar com seu irmão. – o senhor Park pedia, então Baek não teve outra escolha, a não ser ir falar com o maior.

Seguiu pelas escadas, sendo observado por seus pais, e ao subir todos os degraus, fora em direção ao quarto de Chanyeol, que ficava de frente para o seu. Mesmo que ele tivesse todos os motivos do mundo para odiá-lo, não queria levar um fora de seu dongsaeng, mesmo se arriscando a bater três vezes na porta de madeira, sem força alguma. Encostou a testa contra a porta, e ao ouvir o barulho da maçaneta, se afastou, com o outro abrindo a porta para ele.

– Olá irmãozinho. – fora irônico, abrindo um sorriso. – Quer que eu te ajude a escolher o paletó? Tudo bem, eu ajudo. Irmãos são pra isso.

– Chanyeol, para... Eu vim aqui pra outra coisa.

– Eles pediram pra você vir conversar comigo, não foi? Pois bem, entre, hyung. – cedeu espaço para que o mais velho entrasse, e o mesmo o fez, ficando de pé enquanto o dongsaeng encostava a porta e se jogava sobre a cama, com as costas no colchão. – Pode falar, bro.

– Chanyeol, não me chame assim, não me trate assim. Eu não sabia da história do casamento até ontem... Minha mãe falou que eu teria de me casar por ter ascendência chinesa, e que isso era incontestável. Você sabe que eu não queria estragar a felicidade dela...

Yeol riu de forma sarcástica, sacudindo a cabeça.

– Poderia ter me dito. Doeria bem menos saindo da sua boca que dela. E minha nossa, pleno século vinte e um e ainda existe casamento arranjado? – riu mais uma vez.

– Chanyeollie, eu não quero me casar...

Parou de rir ao ouvi-lo, ficando em silêncio. Não o ignorava; pelo contrário, prestava atenção em cada palavra que era dita pelo menor.

– Sabe, em doze anos você me protegeu e... Nossa, eu me apeguei tanto a você...

Mais uma vez sem dizer nada.

– Não quero que isso acabe, porque eu sei dos meus sentimentos e das minhas vontades. Eu não quero me casar, mas quero morar com você durante a faculdade e depois... Eu não quero só laços fraternais com você, Yeollie...

Por fim, perguntou.

– O que você sente por mim, Baek?

O mais velho abriu um sorriso, triste, porém um sorriso.

E sem demorar tanto, estava aos prantos.

– Amor.

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Chanyeol era mesmo um idiota, e assim pensava ele.

Não resistiu em tocar o corpo de Baek após a declaração do mesmo, chorando em meio aos toques mais profundos e sensuais no corpo alheio. Era como se, mesmo perto, ele estivesse longe, já que logo ele pertenceria a outra pessoa; uma mulher. Aquilo o desmontava, o tirava do sério... Era inimaginável e inaceitável que outra pessoa pudesse tocar o corpo de seu amado de forma tão erótica como ele o fazia, e que seria a tal pessoa a protegê-lo do escuro, beijá-lo em meio ao suor que unia os dois corpos.

Em seu interior, o mais novo simplesmente não aceitava aquilo.

Tentou disfarçar animação com o casamento, mas foi numa noite de terça-feira que do nada resolveu sair de casa, em meio a chuva, enquanto os pais de Baekhyun e o próprio tiveram de sair para que o irmão mais velho pudesse conhecer sua noiva. Chanyeol estava doente, então não pôde ir, mas teimou consigo mesmo em sair escondido, com o guarda-chuva tão precário à situação daquela noite.

Encostou-se à uma parede, o local protegido pela marquise, evitando que o garoto se molhasse tanto, mesmo em meio à violenta chuva. A rua estava deserta e os comércios fechados, e pouquíssimos carros transitavam pelo lugar. Apanhou seu celular, discando o número de seu melhor amigo.

Só precisava de um conselho.

– Channie? – ele reconhecia pelo número, talvez.

– Yifan...

– Você tá bem? Onde você está? Quer que eu te busque?

– Não, é que... Eu só preciso de um conselho seu...

– Que conselho?

– Se você amasse um cara, e abrisse mão de quase tudo por ele e... Ele ainda mentisse pra você e te enganasse... O que você faria?

– Bom... Às vezes vale a pena perdoar. Ele pediu seu perdão?

– Sim...

– Então o perdoe se estiver pronto para isso.

Chanyeol pareceu suspirar pesadamente, mas logo se voltou à ligação.

– Obrigado, cara...

– Não me agradeça, Channie. – o mais novo desligou a chamada, guardando o celular em seu bolso.

Além de ter o corpo cada vez mais quente pela febre, seu corpo estremecia pelo frio que sentia, completamente vulnerável àquela tempestade.

Não se lembrava de mais nada até então, além de voltar a caminhar, ficando sob o guarda-chuva, arriscando sua própria saúde ali.

Então largou o objeto, não podendo enxergar mais nada, sentindo apenas a dor de ter o corpo sendo chocado sobre o chão molhado.

Havia desmaiado.

Notas finais
AYO WADDUP LEITORES DE SUPER HERO! ♥
Então, primeiro quero pedir desculpas pelo atraso e pelos erros no cap. Minha irmã não sabe o que significa "privacidade" e "escrever em paz", e isso resulta em quê? Ela ouvindo as músicas dela no volume máximo e eu broxando pra escrever. Mas acho que consegui, e eu espero isso.
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Enfim, pra quem lê SH e não viu os comentários de Coagulation, eu aviso por aqui. SH será atualizada nas quintas-feiras, porém, isso pode ser mudado de acordo com alguns imprevistos, mas sempre deixarei todos avisados via Twitter, eu prometo. ♥
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E quero agradecer o carinho de vocês e a recomendação linda que a Nathy deixou pra mim. ♥
E sobre os reviews, eu responderei (ou tentarei q) os atuais, dos novos caps, até porque o pessoal deve ter dúvidas e eu precisaria esclarecer, mas não me achem antipática se eu não respondo... ;; Eu sou uma pessoa bem lerda e faço tudo devagar. Eu só queria retribuir o carinho de vocês comigo, mas às vezes sou meio bobona. (?)
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E o que acharam do cap? Não ficou tão bom porque eu odeio clima ruim e ;; Tadinho do Chanyeol, tão jovem e desmaiando na rua. >:
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Obrigada por acompanharem! ♥