Sunshowers
5 Dar o seu melhor
Eram 22:45 quando Usopp retornou para casa e, como já esperava, sua mãe brigou muito com ele! Muito mesmo! O garoto subiu para o seu quarto exausto com tudo aquilo. Sua mãe era o menor dos problemas, se preocupava mais com Zoro e Sanji. Como os dois se encarariam amanhã na escola?
Tomou um banho e caiu na cama depois de um suspiro. Encarava o teto claro de seu quarto e se lembrou do beijo que dera no Luffy, só naquele momento que compreendeu que essa atitude fora estranha. Porém, sabia que Luffy era puro e a última coisa que ele esperaria desse ato seria malícia. Mas por que dera um beijo nele? Usopp sabia que não era normal beijar um amigo, diferente do chapéu de palha, ele tinha malícia... mas pelo menos não dessa vez, certo? Ou será que teve?
Resolveu se levantar da cama e foi até a sua mochila no pé da mesa de estudos. Pegou seu sckethbook e passou a desenhar algo nada a ver com besouros ou outro tipo de insetos, nem mesmo se assemelhava com algum outro animal ou com as árvores secas da alameda. O narigudo desenhava algo que detestava: retratos. Mas era um especial, era um do seu melhor amigo. Seus dedos e sua mente ansiavam o rosto de Luffy, que passou a observar cada detalhe naqueles últimos dois dias.
O sol nasceu tímido, entre nuvens, fazia um certo frio na cidade. Usopp tivera dificuldade de se levantar por conta do cansaço da noite passada e sua mãe teve que tirá-lo aos gritos da cama. Vestiu um casaco e antes de partir, prometeu a sua mãe que não sumiria depois das aulas.
Descia a alameda carregando não só sua mochila, como um guarda-chuva também. Ao seu redor havia alunos da escola fazendo o mesmo trajeto, mas Usopp não encontrou nem Sanji e nem Zoro pelo caminho. Provavelmente aqueles dois faltariam as aulas.
— Usopp!!!
Virou-se e encontrou Luffy vindo correndo, enquanto segurava o chapéu de palha para ficar firme no topo da cabeça.
— Ei, Luffy!!!
O garoto arfava o ar quando parou ao seu lado. — Onde estão Sanji e Zoro?
Usopp coçou o rosto um pouco tímido, achou melhor não contar a verdade para Luffy. — Não faço ideia.
— Isso é mau... Zoro até pode faltar, mas Sanji traz nossa comida.
— É verdade! — Riu.
Eles passaram a andar novamente a caminho da escola, assim que chegaram no hall, o sinal tocou. No primeiro horário tiveram aulas de geometria, física, história e álgebra. Na terceira aula chovera um pouco, mas logo parou. O sinal do intervalo tocou e os dois estavam no terraço, mas naquele dia não brincaram de cuspir na cabeça de alguém, na verdade estavam bem quietos, observando o céu que parecia estar abrindo.
— Tá meio frio, ainda bem que meu irmão me lembrou de vestir um casaco.
Usopp riu ao ouvir isso, era a cara de Luffy vir a escola sem casaco e sem guarda-chuva num dia fechado. Mas Sabo o lembrou desses "detalhes".
— Sobre o que ia dizer ontem... — Murmurou Luffy, o narigudo deixou de observar o céu para observá-lo. — Eu te disse que tenho dois irmãos, né?
— Sim, o Sabo... O outro não sei o nome.
— É Ace. — Usopp deu um aceno e Luffy continuou. — Ele morreu ano passado num acidente de carro. Eu e Sabo estávamos no carro também e Ace que dirigia... Mas um outro carro embriagado nos pegou. Levou o meu irmão e me deu essa cicatriz. — Apontava na cicatriz por debaixo do seu olho esquerdo. — Sabo também tem uma.
Usopp ficou sem palavras e entendeu por que seu melhor amigo lhe parecia triste. Luffy não chorou ao contar essa história, apenas estava com aquele ar melancólico, isso fez com que pensasse se ele já chorara muito ou se aquele tempo todo não havia chorado hora alguma. Apenas dava o sorriso melancólico que disfarçava sua dor.
— E eu fiquei rebelde, saí batendo em um monte de garoto da minha antiga escola e por isso tive que me mudar pra cá. Eu prometi a Sabo que me comportaria, mas no primeiro dia eu te dei um soco.
— Ah... Sobre isso... Acredite, aquilo me fez bem até. — Rodou os ombros do amigo com o seu braço e o puxou para mais perto.
— Eu fiquei tão feliz que você não me dedurou... — Luffy tombou a cabeça na de Usopp. — Mas é porque eu acho que Ace diria aquelas coisas... Usopp, eu sinto muito medo... Tudo que eu disse a você, na verdade, estava querendo dizer para mim.
Usopp escutava Luffy com atenção quando notou que ele chorava. Apertou uma de suas mãos.
— Você é bom em tudo e eu sou bom em nada!!! Sinto inveja de você!!
Pensava o quão egoísta foi por achar que era a pessoa mais problemática do mundo. Abraçou bem forte Luffy, que continuava a chorar. Em nenhum momento disse que tudo ficaria bem, apenas queria que o amigo continuasse a chorar, a colocar tudo pra fora, parar de se conter e quando se deu conta, também chorava.
Na volta para casa, Usopp chamou Luffy para irem numa livraria. Precisava buscar um livro que havia chegado naquele dia, e teria que ser rápido, pois prometera a sua mãe que iria direto para casa.
O sino da porta tocou e a dona deu um sorriso largo ao ver Usopp, saiu por trás do balcão e foi recebê-lo ainda contente. Por ser um cliente assíduo, fizera amizade com Robin, a dona da livraria.
— Ei, Usopp!! — A bela mulher cumprimentou. — Quem é seu amigo?
Luffy corria pelo hall boquiaberto do quanto a livraria era grande. Na verdade havia livrarias maiores, mas como ele nunca foi em uma, estava espantado por ver tantos livros.
— Esse é o Luffy. — Respondeu constrangido. — Vim pegar o livro que reservei.
— Ah, sim!! — A mulher deu mais um sorriso e voltou para trás do balcão se agachando logo em seguida. — Fiz questão de separar dos demais que vieram essa manhã!!
— Não precisava... — Respondeu sem graça.
No entanto, Usopp sentiu um toque em seu ombro. Quando olhou pra trás, encontrou Luffy apontando para a vitrine. Enrugou o cenho e se aproximou de um cartaz colado no vidro. Luffy se manteve ao seu lado, esperando por sua reação.
— Ah, estão curiosos com esse anúncio? — Robin foi até eles. — É um concurso que dará 5 mil Bellies para a melhor história em quadrinho de todas.
— Ei, Usopp, por que não tenta?
— Usopp desenha quadrinhos? — Perguntou Robin, curiosa.
— Ele desenha muito e escreve muito!!!
— Ei, Luffy, não diga a ninguém essas coisas e eu não preciso de 5 mil... Até porque não vou vencer mesmo.
Luffy deu um bico e Robin riu com seu jeito.
Assim que chegou em casa, tomou um banho e resolveu ler o livro que comprara. Mas Usopp não esperava encontrar o formulário de inscrição daquele concurso idiota por dentro dele. Robin deve ter posto, quando não prestava atenção. Suspirou e jogou a folha na lixeira ao lado da mesa de estudos.
Alguns minutos se passaram e o idiota não entendia nada do que estava lendo, porque seus pensamentos estavam no formulário dentro da lixeira. Usopp se lembrou das coisas que Luffy dissera no terraço e pensou que deveria parar de fugir. Não podia desperdiçar seu talento quando havia pessoas no mundo dando o seu melhor. Usopp precisava dar o seu melhor também.
Pegou a folha e preencheu o formulário.
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