Sunrise

2 E nem sempre tudo acaba em pizza...


Notas iniciais
Desculpem pela demora!
Espero que gostem!

Eu estava num lugar perfeito. Um típico paraíso dos contos de fadas. Era encantador. Faria qualquer princesa ajoelhar-se e desejar que aquele fosse seu jardim.

Bem, eu não fazia idéia do que estava fazendo ali.

Era um campo muito amplo, com um riacho de águas cristalinas correndo por entre uma grama alta verde-escura, que fazia com que os lírios espalhados por ali parecessem ainda mais brancos. Dentre as árvores enormes e cheias de frutos, uma cerejeira foi a que mais me chamou a atenção. Estava completamente florida e suas flores não paravam de cair. Peguei uma que caiu na minha frente e senti seu cheiro. Parecia tudo... Tão real!

Um arco-íris cruzava o céu azul, o que me deixava ainda mais intrigada. Quando eu era pequena me falavam que lá ficava um pote de ouro... Bom, deixa pra lá. Olhei adiante e vi que o sol começaria a se por em algumas horas, tive vontade de ficar ali e esperar que ele se escondesse por trás das montanhas.

Mas uma coisa eu quase não reparei no meio a tanta beleza: havia um menino de cabelos loiros sentado numa pedra diante do riacho. Parecia que observava a leve correnteza que, de vez em quando, levava alguns cascalhos.

Olhei pra ele por algum tempo, até que ele se virou. Encarava-me de volta com um sorriso calmo estampado no rosto. Usava uma camisa branca, calças jeans e estava descalço, contudo, pude ver um par de all-stars pretos ali perto.

Ele se aproximou devagar, até que ficou bem próximo de mim. Quando ele abriu a boca e já estava prestes me contar algo, tudo escureceu.

Então que abri os olhos. Claro! Só podia ser um sonho. O mesmo sonho... Vou explicar melhor: tive o mesmo sonho quatro vezes só naquela semana. Levantei e fui lavar o rosto, já que já tinha perdido o sono mesmo.

Olhei-me no espelho e vi a coisa mais feia que alguém pode ver: eu na minha versão matinal.

Meus cabelos cor de caramelo estavam completamente bagunçados e armados, parecia uma daquelas pessoas que levam um choque e o cabelo fica em pé. Estava com enormes olheira, mas não era pra menos, já que não dormi direito. Meus olhos castanhos estavam tendo dificuldade pra ficar abertos. Estava pálida como um cadáver!

Fiquei pronta pra escola, tomei o café da manhã e esperei completamente sozinha lá na sala, dar a hora de ir para o colégio. Me faltou paciência para esperar a Ashley ficar pronta, por isso, parti.

Não sou impaciente, a minha família é que faz de tudo para me tirar do sério! Meu pai? Meu pai é assim... Fantástico! Eu só o vejo domingo, de oito horas da noite. Minha mãe? Uma advogada que passa o dia trancada em um escritório, cheia de casos pra resolver. Minha irmã? Uma peste que passa a maior parte do dia com suas amigas fúteis comprando ou fazendo o quer que seja. Muito embora eu tenha uma leve suspeita de que ela tenta me imitar... Pode parecer solitário, mas pra mim costumava ser uma mão na roda.

– TCHAU, MÃE! — gritei girando a maçaneta da porta. Não que ela fosse me ouvir. — TCHAU, ANIMAL! – gritei pra minha irmã trancando a porta pelo lado de fora e passando a chave por debaixo da porta.

Minha irmã, Ashley, era de fato um animal. Ela mexia sempre no que era meu, quebrava meus brincos, meus colares, meus CDs, meus DVDs, absolutamente TUDO. Não sei como ela conseguia sempre o que queria. Mamãe a protegia com unhas e dentes. Tudo que a minha mãe dava de melhor era à minha irmã. Até um nome melhor ela tinha! Se bem que não é muito difícil ser melhor que Aryanne Apolonia. A propósito, me chame de Polly se tem amor à vida.

Andei pela calçada calmamente. Vi a padaria abrindo, vi os poucos carros que passavam... mais uma manhã comum de sexta-feira.

"Pelo menos amanhã é sábado." pensei sorrindo. "Ah, SÁBADO!" me espreguicei e senti algo peludo roçando na minha perna.

– Oi, Billy! — falei.

Billy era o "meu" cachorro. Bem, eu só cuidava dele. Quando ele aparecia, era o MEU cachorro, ninguém podia tirá-lo de mim. Eu lhe dava água, comida, banho, cortava as unhas e conversava. Billy era o meu confidente. Muito mais que um cachorro, era o meu melhor amigo, em quem mais confiava. Mas vivia perambulando pela vizinhança e eu nem sempre eu o via.

Alisei seus pelos dourados, passei os dedos brincando com suas orelhas, ele latiu e lambeu-me como se dissesse "Bom dia, Polly!".

– Bom dia! — respondi.

A única coisa que não entendia, era sua coleira. Sim, ele tinha uma coleira. Não fui eu que dei, assim que o conheci, ele já a usava. Era vermelha, e se destacava em seu pelo brilhante.

Nela tinha um pingente de bronze que estava com as letras apagadas, só conseguia ver vagamente um "L" e não sei por que, decidi chamá-lo de Billy.

Caminhamos juntos durante todo o caminho e conversamos sobre todos os assuntos que eu tinha em mente.

Na frente do colégio James Shaw, um dos meninos mais bonitos do colégio, veio falar comigo sem nenhum motivo aparente.

– Oi, Polly! Me disseram que você vai na festa da Kelly no domingo. Que você acha de irmos juntos?

– O quê? A sua namorada, Jane, não vai se importar? — perguntei receosa.

– Jane? Nós terminamos. Eu cansei dela. Eu quero alguém diferente, sabe? Alguém inteligente e não só bonita... – ele falou, se aproximando.

– Você vai me achar maluca, mas eu nem sabia que você sabia meu nome – eu disse meio sem graça – e... Eu não sei...

– Vai ser legal. Eu te apresento a uns amigos meus e vamos nos divertir bastante. Confie em mim – já estava perto demais...

– Olha...

– AAAAAAAAAAAAAAAH!

Foi aí que aconteceu. Billy mordeu o garoto como se ele fosse um pedaço de carne (e tecnicamente era, mas meu cachorro não é assassino)! O garoto ficou pulando e gritando e em menos de um minuto todo mundo que passava já estava prestando atenção.

– DE QUEM É ESSA MÁQUINA ASSASSINA?

– NÃO FALE ASSIM DO BILLY! ELE NÃO MORDE! É UM AMOR!

– ENTÃO POR QUE ESSE SARNENTO ME MORDEU?!

– É que ele é ciumento...

Ao dizer isso, todos aqueles que estavam por perto começaram a rir. Antes que eu pudesse me conter, tive uma crise de riso também. Isso foi péssimo porque meu cachorro ainda tinha seus dentes cravados no garoto e porque depois dessa com certeza ele não me levaria mais a festa. A parte boa foi que eu não pareci uma louca desesperada porque meu cachorro estava mordendo um bom partido.

Dei um jeito de sair de fininho da confusão e fui andando o mais rápido possível até a sala. Quando finalmente consegui entrar, percebi que minhas amigas Monica e Jessica já deviam saber de toda a história e estavam rindo como malucas — a rapidez dos meios de comunicação é incrível, não? -, mas mesmo assim elas ainda pediram mais detalhes.

O professor McCartney entrou na sala de aula, dando fim a todas as conversas paralelas. Escreveu alguma coisa no quadro, algo sobre o descobrimento da América... Nada de importante...

Passei a tarde toda desenhando em meu caderno lembrando-me de meu sonho da noite passada. Já tinha muitos desenhos, infelizmente, nenhum como esse. Dessa vez, desenhei o rosto daquele menino por completo. Estranho, me parecia tão familiar... Ah, que burrice a minha! Claro que era familiar! Sonho com ele quase toda a noite!

Estava tão feliz, finalmente poderia mostrar à todos o rosto desse garoto misterioso... Estava tão satisfeita... E não fazia idéia do que que o professor estava falando, pra dizer a verdade.

– E então, quando Pedro Álvares Cabral chegou em terras brasileiras, com suas enormes embarcações, olhou o pau-brasil, uma árvore nativa do Brasil, e pensou...

– CONSEGUI! — gritei. Ou, droga... Agora ferrou.

– Muito bem, senhorita Walker! Ele pensou: "Consegui encontrar uma maneira de enriquecer meu país através desta colônia."

Como ele não percebeu que o que eu tinha falado não tinha nada a ver com o assunto?! Bom, é melhor não reclamar de boca cheia.

Se você parar pra pensar... pior ainda é o professor achar que sabe o que Pedro Álvares Cabral pensou. É, existe louco pra tudo... Até parece que ele foi lá e perguntou pro carinha. Se bem que não duvido nada. O professor Connor McCartney tinha sei lá quantos anos (mais de cem, aparentemente), e eu nem sei por que ainda lecionava. Ele tinha uma voz grave, mas era baixinho, careca e enrugado. Era alvo, com um bigode completamente grisalho e era desdentado, por isso usava dentadura. Sua pele parecia uma uva passa, na minha opinião.

O tempo custava a passar, finalmente, o sinal tocou e saímos para o recreio. Doce, doce recreio. O cheiro de pizza me chamava até a cantina e, para minha infelicidade, antes que eu pudesse chegar até lá, ouvi me chamarem no autofalante.

– SENHORITA ARYANNE APOLONIA WALKER, DA SALA NÚMERO 114, POR FAVOR, COMPAREÇA À DIRETORIA.

O que diabos eles queriam comigo? E POR QUE TINHA DE SER NA HORA DA MINHA PIZZA?! E PIOR, TINHA QUE DIZER A DROGA DO MEU NOME NO AUTOFALANTE? Droga, não podia desobedecer àquela ordem... Segui vagarosamente até a diretoria onde a sala estava trancada. Parecia estar havendo uma discussão entre o diretor e mais alguém lá dentro.

Ai meu Deus, já estou ficando nervosa! Dez minutos, sem pizza, sem amigas, sem caderno para desenhar... O recreio está acabando! Vou morrer de fome desse jeito. Socorro! O que será que querem comigo, meu Deus?!

Notas finais
E então, o q acharam?
Meus queridos, quero anunciar que o próximo cap vai ser feito com uma co-autora nova! Luu_Potter! (que na verdade verdadeira já nos ajudava, mas o nome dela só vai constar "oficialmente" na fic agora).