Sunrise
3 Atacada por uma Namorada Sinistra
Notas iniciais
Não sei com que cara estamos postando esse novo capítulo, mas estamos. Não vamos nem pedir desculpa pela demora, porque não há perdão para uma situação como essa! xD
Mas, olhem para o lado bom, NÓS NÃO MORREMOS! E, aparentemente, voltamos a ativa! o/
Enquanto esperava (im)pacientemente na porta da diretoria, fiquei criando novas formas de amarrar meu cadarço. Após quase vinte minutos e o recreio perdido, um homem alto, forte, de óculos escuros e pinta de galã, apareceu à minha direita. Ele parecia um pedófilo.
Jurava que iria tentar me seduzir, mas a imitação do Tom Cruise pós-bronzeamento artificial apenas sorriu e acenou para mim, como se me conhecesse de algum lugar.
Imediatamente o batizei de tarado da machadinha. Que tipo de velho fica acenando para as menininhas de um colégio na frente do diretor?! Enfim, entrei na diretoria com a esperança vã de que algo de útil seria dito... é, não rolou.
~ ~ ~
- Como assim não tem mais pizza?! – AGORA AQUELE DIRETOR ME PAGA!
A cantina já estava completamente vazia. O tempo que passei na sala do diretor só me rendeu uma advertência e um intervalo perdido. Nunca tive a chance de me defender uma vez que ele já tinha absoluta certeza de que a culpa tinha sido minha.
Tudo por conta de uma discussãozinha que eu tinha tido com a Jane na semana passada porque estava supostamente – ênfase no “supostamente” – dando em cima do namorado dela. Mas é CLARO que todas as acusações não tem fundamento, eu só... olhei para o lugar errado na hora errada. Quando eu percebi que a direção em que minha cabeça estava virada era exatamente a mesma em o namorado dela estava tirando a camisa... Bem, ela já tinha pulado em cima de mim acabando com qualquer tentativa de explicação.
E depois de toda a injustiça e o tempo que EU tive que gastar balançando a cabeça afirmativamente e assegurando ao diretor que entendia completamente o quão errado foi o que eu fiz – deixando claro que eu não fiz nada, mas quem se importa? Só o que eu queria era sair o mais rápido dali – eu ainda teria que ficar sem a pizza!
- Tá bom... O que ainda tem? – falei emburrada. Só o que me restava a fazer era aceitar que só faltavam cinco minutos para o fim do intervalo e eu precisava comer alguma coisa, nem que fosse uma meia velha.
- Ainda tem... Espere um segundo – a atendente da cantina disse enquanto procura alguma coisa comestível – Nada.
- Como assim?
- Não tem nada para comer.
- Você não tá me entendendo, EU PRECISO COMER! – gritei, quase subindo no balcão de desespero.
- Olha... – ela pensou por alguns instantes, deu mais uma procurada e voltou – tem um sanduíche de queijo.
- SERVE!
- Mas ele é de anteontem e o cheiro já está meio estranho...
- NÃO IMPORTA!
- Mas eu não sei se seria certo eu vender já que ele parece realmente ruim...
- Por favor, POR FAVOR, só aceita meu dinheiro e me deixa ir. – eu falei olhando desesperadamente para o relógio.
- Tá certo, toma o sanduíche. Não precisa nem pagar.
Eu não estou exagerado quando digo que o queijo já estava meio verde e o pão meio mofado. Quando a atendente tinha me falado que estava ruim não imaginei que fosse tanto. O cheiro chegava a ser quase pior que a aparência e acho que não preciso nem dizer o tamanho da coragem que precisei ter para comer aquilo. E com relação ao gosto... Por favor, não me faça lembrar.
Fiquei me perguntando se tudo isso foi mesmo necessário, mas achei melhor não pensar muito sobre isso uma vez que eu já tinha comido o sanduíche.
O intervalo acabou quando engoli o último pedaço. Fui correndo para a quadra já que a próxima aula era Educação Física. Como cheguei um pouquinho atrasada, era única menina no vestiário. Assim que terminei de me trocar, ouvi a porta do vestiário abrir e fechar. Logo em seguida vieram passos e por último a Jane apareceu próxima ao meu armário.
- Oi, Polly! – ela disse com falsa doçura e animação.
- Oi... – respondi, completamente desconfiada.
- Sabe, cansei de você. – ela viu a confusão no meu rosto e logo em seguida acrescentou – Oh, mas não se preocupe, eu já sei o que eu vou fazer com relação a isso.
E de uma hora para outra Jane começou a mudar. De bela líder de torcida ela se transformou em uma criatura pálida, com uma perna feita de bronze e a outra... Bem, a outra devia ser de burro ou sei lá. Os cabelos viraram chamas e presas cresceram.
- Eca! O QUE É VOCÊ?! – perguntei, o que provavelmente não foi a coisa mais genial a se fazer.
- Eu sou uma Empousa!
- E tem uma perna de jumento!
- Não é educado ficar reparando! Agora chega! Vamos logo com isso...
Ela avançou rápido demais para que eu pudesse me esquivar. Um segundo depois, senti o sangue começar a escorrer pelo meu braço. A visão daquele ferimento ensopando minha blusa em poucos segundos, além de me deixar tonta, me fez perceber que ela estava realmente determinada não só a me ferir, mas a me matar. Saber disso me tirou do estado de choque e me fez tentar correr. Mas eu não tinha para onde ir, já que ela bloqueava o caminho para a porta e qualquer tentativa de ir aos boxes seria facilmente interceptada.
Minha única opção era recuar. Jane me alcançou muito facilmente, puxou meu cabelo e bateu minha cabeça em um armário com força suficiente para fazer o sangue molhar meu rosto e pingar no chão. A empousa foi aos poucos se afastando para avaliar o estrago que já tinha feito. Foi aí que soube que não seria morta de uma vez, ela queria se divertir primeiro.
- O seu sangue eu tome depois, agora eu quero ver sua carinha de dor. – Jane sussurrou enquanto me estudava de longe e escolhia qual seria seu próximo passo.
A dor era mesmo horrível e minha vista já começava a escurecer. Estava lutando para não perder a consciência quando percebi uma coisa estranha acontecendo atrás de mim. Havia uma janela e alguns dos raios de sol conseguiam entrar. Da luz foi se formando um arco dourado muito bonito – mas, sinceramente, a beleza era a coisa que menos importava naquela hora.
O arco já tinha uma flecha preparada. O espanto nos olhos de Jane me disse o que eu precisava fazer. Legal, nunca tinha atirado na minha vida, mas não podia ser assim tão difícil (e a minha outra opção era esperar pacientemente até que ela me matasse, então...).
- O que pensa que está fazendo? Não toque nesse arco! – Jane gritou, parecendo só um pouquinho desesperada.
Não obedeci. Ao ver minhas mãos se encaminhando para a arma ela correu em minha direção. Eu não tive tempo de atirar. O máximo que consegui foi segurar o arco na minha frente, mas foi suficiente.
Jane não conseguiu desacelerar quando me viu apontar o arco. Ela colidiu com ele e a flecha que já estava preparada perfurou seu braço. Seu corpo foi se desfazendo, e depois de um tempinho só o que sobrou foi um monte de areia.
Não tive muito tempo para digerir o que tinha acontecido. Reparei no tanto de sangue que tinha perdido. Já não tinha mais forças para continuar com a batalha travada entre a consciência e a inconsciência. A última coisa que senti foi o choque da minha cabeça no chão.
Notas finais
Beijinhos
Cchan, Luu_Potter e JuliePretzito.
PS: Esse capítulo me deu vontade de comer um sanduíche de queijo NÃO-estragado. E pizza, muita, muita pizza.
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