Summer Rest
2 Rumo a viagem dos sonhos
Notas iniciais
A semana tinha voado desde que comecei a planejar nossa viagem para Bahamas. Já que sou a representante da turma, tomei a liberdade de organizar a programação de tudo e conferir a lista dos alunos que iriam. Deu trabalho, mas por sorte tive a Alya ao meu lado pra me ajudar.
Fiquei aliviada ao saber que o Adrien iria e que eu ainda poderia convidá-lo para ir comigo no avião. Sexta feira, três dias antes da excursão, tomei coragem e fui ao encontro dele na saída.
— Adrien…!- Chamei por seu nome nas escadarias. Ele estava com Nino, e sua lemousine já tinha chegado, mas mesmo assim aqueles olhos verdes se voltaram pra mim e vieram em minha direção.
Meu coração saltava pra fora do peito.
— Oi Marinette! O que foi?
—Bom, eu… Estive pensando sobre a viagem, e, bem… Sabe… Eu, hã…
Senti seus olhos me encarando com atenção. Respirei fundo e tentei prosseguir:
— Você não gostaria de ir comigo durante a ida, no avião? — Soltei, finalmente.
Nossos olhares se encontraram por alguns breves instantes e ele respondeu, gentil:
— É claro. Será ótimo ter sua companhia.
Pensei que meu corpo fosse falhar e que eu fosse desmaiar ali mesmo, mas me segurei.
— Ó-ótimo…! – Tentei soar natural- Nos vemos segunda, então…!
— Até mais!
Adrien virou-se e foi até sua lemousine. Deveria ter agradecido por seu tempo, e tentei correr de novo até ele para fazê-lo, mas meus pensamentos foram completamente interrompidos por uma figura de nariz arrebitado, cabelos cheios de fixador prendidos num rabo de cavalo, e maquiagem até talo.
Chloe.
— Hmpf! Marinette, não acredito na vergonha que você passou tentando convidar o meu Adrien pra ir nessa viagenzinha mixuruca da escola. Há há há, foi cômico, quase filmei a sua cara…– Ela ria enquanto debochava de mim com aquela vozinha irritante que faria de tudo pra deixar no mudo. Deus, como eu odiava aquela garota. – Enfim, muito boa tentativa, mas tenho certeza que o Adrien só foi educado ao te aceitar, porque quando chegar o dia, ele vai vir correndo pra mim. Há, há, há! Ei, meu cabelo! Sabrina, vai buscar mais gel pra mim!
— Vamos ver então. Duvido muito.
Desvei o olhar e passei reto por ela sem dizer mais nada.
Quem aquela pequena víborazinha pensava que era? Francamente…
Só tentei ignorar o ocorrido e ir contar pra Alya sobre meu sucesso. Apesar daquelas palavras de dúvida martelando na minha cabeça, não podia deixar de ficar feliz por saber que (provavelmente) eu iria passar horas de viagem dentro de um avião perto do Adrien. E isso já servia de satisfação pra mim.
~
Uma noite antes do grande dia, deixei minhas malas prontas. Soube que em Bahamas haviam muitas praias lindas e que o clima estaria bom, então decidi costurar uma roupa de banho para usar.
Passei muito tempo trabalhando em um biquíni vermelho com bolinhas pretas, decorado com alguns babadinhos em cima e preso por uma pequena alcinha que passava envolta do meu pescoço. Fiquei orgulhosa do resultado final e me senti melhor ainda ao ouvir da Tikki que havia caído bem em mim.
— Ficou linda! Está parecendo uma Ladybug- Disse, em meio à pequenas risadinhas.
— Obrigada, Tikki- Respondi, lisonjeada.
Aquilo me fez lembrar que também deixaria minhas responsabilidades como Ladybug de lado por um curto período de tempo. Deixaria tudo nas mãos do Chat Noir, e esperava que ele desse conta… Mas tentei não me preocupar muito.
Acabei de arrumar minhas coisas e fechei a mala. No geral, estava levando roupas, artigos para praia, câmera fotográfica, remédios, meu diário e uma pequeno kit de costura caso precisasse. Discuti com a Tikki sobre tirar os brincos enquanto estivéssemos na praia, por segurança, então levei a caixinha para guardá-los também.
Ao meu ver, tudo estava pronto. Me preparei para dormir e fui para cama.
Mas, ao fechar os olhos, comecei a tremer de ansiedade.
Milhões de questões começaram a surgir na minha cabeça, como um furacão de inseguranças, e percebi que ainda não tinha refletido cuidadosamente que iria passar horas sentada ao lado da minha maior paixão, e não fazia ideia do que falaria.
Sobre o que perguntaria de sua vida? Como poderia fazer ele ter uma boa impressão de mim e melhorar nossa relação? O que ficaríamos fazendo? Seria este o momento pra finalmente dizer a ele como me sinto?
Simplesmente não consegui mais pensar direito e caí no sono, sem decidir nada.
~
Na manhã seguinte o alarme tocou bem cedo, e por sorte ainda tive tempo de tomar café e ir ao aeroporto.
Durante o caminho me lembrei de tudo o que havia deixado inacabado na noite anterior. Ainda tinha que pensar no que iria conversar com o Adrien e qual seria o momento certo pra me declarar…
Infelizmente nosso destino chegou rápido demais. Me despedi dos meus pais, peguei as malas e fui encontrar a Alya no terminal. Encontrei-a algum tempo depois, acenando pra mim ao lado do Nino e do… Adrien.
Balancei a cabeça na tentativa de esquecer o nervosismo e corri até eles.
— Ufa! Um dia em que consegui chegar no horário – Brinquei, enquanto cumprimentava-os.
Dei um oi simples ao Nino, e quando fui acenar ao Adrien, ele me surpreendeu com uma sacola.
— E aí, Marinette- Perguntou, enquanto tentava esconder a sacola atrás das costas, com um sorriso brincalhão no rosto. – Tá pronta?
— Hum, sim… E você ? O que trouxe aí além da bagagem?- Perguntei, tentando soar brincalhona também.
— Aah, isso?- Respondeu, fingindo-se de desentendido- Você não deve querer saber o que é…
— É claro que quero! Me mostra, vai!
Tentei arrancar a sacola dele, enquanto suas mãos esquivavam-se e seus braços mexiam- se em sinal de porvocação. Depois de muitas tentativas, ele finalmente cedeu.
— Ah, você me pegou. – Riu um pouco, e depois me entregou uma sacola amarela que parecia conter outra caixa dentro- Toma, é pra você.
Peguei o pequeno embrulho em minhas mãos.
— P-pra mim?
— Sim. Por ter dedicado tanto tempo ajudando na viagem e também pra deixar as próximas horas menos entediantes.
Fiquei sem palavras e simplesmente abri o presente. Me deparei com uma caixa retangular branca, que continha uma pequena fita dourada em cima, decorando. Abri a caixinha e quase pulei pra trás de susto.
Era um videogame portátil rosa, cheio de estrelinhas em volta. Há tempos tinha visto um desses vendendo em um site de compras e quis comprar, mas era muito caro.
— A-Adrien. Isto é…
— Nós lembramos que você era ótima em videogames e gostava muito também.
— “Nós“?
— Sim. Eu, o Nino e a Alya quisemos te dar em agradecimento ao seu esforço nos últimos dias e por ter organizado uma programação incrível. E Eu também trouxe o meu, podemos jogar juntos durante a viagem.
—M-mas… Gente- Virei a cabeça pros lados, dessa vez direcionando a palavra a Alya e o Nino também- Isso é caríssimo, eu não posso aceitar…
— Deixa disso, menina- Disse a Alya- Não foi nada, não.
— É, Marinette, você merece- Completou Nino.
Meus olhos encheram de lágrimas, mas pisquei os olhos para detê-las.
— Nossa gente, obrigada… Mesmo.
A voz de uma recepcionista anunciou que o portão do nosso vôo já estava aberto, e fomos encontrar o resto da turma.
Já tinha visto na lista que não era todo mundo que estaria presente. A Mylène e o Max por exemplo, não puderam ir por motivos familiares, e o Nathanaël não tinha confirmado presença. Mas no saguão do aeroporto só estavam cerca de 5 pessoas. Provavelmente ainda era muito cedo, e mais gente poderia chegar, mas notei de primeira que Chloe não estava lá.
Ficamos um tempo esperando no saguão e fomos conversar com outros alunos. Mais 4 pessoas chegaram e o embarque foi anunciado. Ainda assim, a Chloe não apareceu. E ela era uma das pessoas que tinha confirmado presença.
Comecei a perceber então, enquanto entrávamos no avião, que todos os meus problemas que até noite passada me atormentavam a ponto de não me deixar pensar direito, já haviam sido quase solucionados. Eu já tinha uma ótima distração durante o vôo, desculpas pra puxar papo com o Adrien, e a ameaça da Chloe sobre mim havia sido apagada pelo fato de que ela nem estava lá. Não que isso também fosse um problema, mas foi aliviante…
Sentamos em nossas poltronas, e eu fiquei ao lado da janela. A Alya e o Nino ficaram do outro lado do corredor, o que foi bom, pois assim eu e o Adrien teríamos um pouco mais de privacidade.
Antes de decolarmos, o Adrien me cutucou.
-Ei, Marinette.
—H-hm ?
— Estou feliz por estarmos viajando juntos. Sabe, é muito frustante ficar quase o tempo todo preso em casa e só poder sair pra ir pra escola, ainda sendo vigiado e protegido 24 horas por dia. Então fiquei muito empolgado ao ouvir que poderíamos ir pra algum lugar diferente. É claro, foi um desafio e tanto convencer meu pai a me deixar ir sozinho, mas no final pude perceber que ele demonstrou confiança em mim dessa vez.
Enquanto falava, esboçava um sorriso terno e satisfatório, como se realmente estivesse falando algo muito profundo de dentro de si. Fiquei lisonjada em saber que ele confiava em mim pra compartilhar daquele assunto.
— Tenho certeza que seu pai ama muito você e só quer o seu bem, Adrien. Ele protege você por medo de te perder, alguns pais são radicais a esse ponto. E agora, você pode ver que, quando você sente necessidade de ficar um pouco sozinho, ele está começando a te deixar sair… Ser livre, sabe? E eu acho que esta é uma ótima fase pra mostrar que você confia nele e que ele pode cofiar em você também.
Ele me encarou sério por alguns instantes. Tive medo de ter dito algo errado.
— Obrigado, Marinette. – Pude perceber o alívo em sua voz.- Era exatamente o que eu queria ouvir.
Ficamos um tempo sorrindo um para o outro,até que ele finalmente voltou a si:
— Você devia ser psicológa além de designer de moda, sabia? Leva jeito pra isso.
— V-você acha?- Falei, corada.
— Acho. Quem sabe eu também não vire um jogador de esgrima ou um pianista, não é?
Nós dois rimos enquanto o avião finalmente decolou rumo a viagem dos sonhos.
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