Hey heart, on the road again
Moving on forward
Stick and stones won't break our bones
We're in the car on the highway
It's a magical feeling that no one's got a home
You're out calling, still young, happiness in all

POV – Rose Weasley

As mãos de Scorpius estavam cobrindo meus olhos, enquanto aparatávamos. E assim que nossos pés fixaram-se novamente no chão, pude ouvir a música alta e agitada. Música eletrônica.

– Merlin – digo e sorrio afastando sua mão dos meus olhos.

– Gostou? – perguntou me abraçando por trás. Era como um enorme campo. Um palco estava a alguns metros a nossa frente, onde o DJ reproduzia as músicas e algumas garotas dançavam como loucas. Percebo que a maioria das pessoas tinha o rosto, braços e outras partes do corpo pintados por tintas colorias e florescentes – Vem comigo – ele pede no meu ouvido e me agarra pela mãe me puxando dali enquanto eu encara tudo meio maravilhada, meio embasbacada.

– Aonde vamos? – pergunto e ele olha de um lado para o outro para ter certeza de que ninguém olhava para nós, e então com um aceno discreto da varinha faz com que uma cabine surja a nosso redor. Arregalo os olhos- Está maluco, Scorpius? E se alguém tivesse nos visto? E que feitiço foi esse?

– Shh! – ele diz e pressiona os dedos nos meus lábios – Quer se pintar?

– E você tinha que deslocar uma cabine para isso? – pergunto erguendo uma sobrancelha, ainda confusa por ele saber um feitiço que eu não sabia.

– Não, isso era só para ficar trancado em um cubículo minúsculo com você por alguns minutos – ele sorri a abre uma bolso separado da mochila e me entrega um estojinho com tintas fluorescentes, e então dá um passo para trás – que era o máximo que dava para dar ali dentro – e tira a camisa da forma mais sexy que eu já vira na vida – Quer pintar o meu corpo?

– Precisa perguntar? – giro os olhos e abro o estojinho me aproximando. El ri e se encosta na parede da cabine, que a propósito era bem mais sólida do que eu esperava – Que cor você quer?

– Você escolhe.

– E o que quer que eu faça?

– Você escolhe, Rosie – ele sorri e eu passo o dedo na tinta azul e começo a passar no seu pescoço – Tudo bem? – assinto com a cabeça e ele franze a sobrancelha – Acho que você não está respirando.

– Ah – digo corando ao perceber que, de fato, eu estava segurando a respiração.

– O que foi?

– Seu corpo me deixa insegura – digo fitando os pés – Maldito Quadribol.

– Eu realmente preciso te mostrar o quão perfeito é. Mas preciso pensar em outra forma – diz a última parte de forma pensativa.

– Outra forma?

– É que... eu tinha pensado em uma coisa, mas está fora de questão.

– Que coisa? Por que está fora de questão?

– Porque é muito cedo para nós – diz e eu engulo em seco.

– Está se referindo a sexo?

– Não! – diz rapidamente – Não literalmente sexo.

– Então por que não pode fazer? Estou curiosa.

– Imaginei que ficaria.

– Se trata do que?

– De te mostrar a forma como te vejo – ele dá de ombros e eu reviro os olhos.

– Ta, isso eu já entendi, o que quero entender é como.

– Rose...

– Eu quero fazer isso – concluo e ele suspira revirando os olhos.

– Você nem ao menos sabe do que se trata.

– Mas confio em você, sei que não me obrigaria a nada e que pararia o que quer que seja se eu pedisse. Mesmo que não seja sexo, ou literalmente sexo.

– Você não vai tirar isso da cabeça, não é? – pergunta e eu nego enquanto faço alguns traços em seu rosto – Você é impossível.

– Eu sei – sorrio da forma mais angelical que conheço e ele agarra minha cintura – Ei! Vai borrar tudo!

– Uhum – ele concorda sem dar a mínima atenção e me beija deslizando até o chão, de forma que fico sentada em seu colo com uma perna de cada lado do corpo.

– Agora sossega, eu quero ir lá para fora – digo e ele ri e passa o dedo na tinta rosa e a amarela começa a fazer qualquer coisa no meu rosto.

Desenho um R em seu peito esquerdo e ele sorri ao ver.

– Estamos pintados o suficiente? Por favor, diz que estamos – peço juntando as mãos.

– Eu não pintei seu corpo.

– Você pode pintar ele em casa, quantas vezes quiser – prometo e ele pensa por um segundo e assente guardando a tinta.

– Tudo bem, essas tintas chamam bastante atenção e eu não estou afim de socar alguém por estar olhando para você.

– Ciúmes, Malfoy? – pergunto em um tom debochado e ele agarra minha coxa para poder ficar em pé comigo ainda em seu colo. A cabine desaparece ao nosso redor, e magicamente – ah, jura? – parece que ninguém percebeu.

Scorpius me põe no chão e eu sorrio que nem uma idiota enquanto olho ao redor.

– Vem, vamos dançar! – ele diz e me puxa mais para multidão.

– Ei – digo me virando para trás para ficar cara a cara com ele que me encara confuso – Obrigada, por hoje e por sábado, e pelo dia no supermercado. Por tudo.

– De nada – ele sorri e eu o abraço pelo pescoço com força – Eu quero que você tenha as férias da sua vida. E quero que seja comigo.

– Você está conseguindo isso – prometo e ele segura o meu queixo para me puxar para um beijo.

Eu geralmente teria ficado um pouco desconfortável de ser beijada daquele jeito em público, mas com Scorpius eu esquecia completamente qualquer coisa ao meu redor e tudo em que conseguia pensar era aprofundar mais e mais o beijo até ficar sem fôlego.

– Guarde um pouco de energia para mais tarde – ele brinca e eu mordisco seu lábio rindo.

– Você pode me recarregar – dou de ombros e ele ri.

– Você é insaciável, sabia disso? – sinto minhas bochechas corarem, mas dou uma risadinha antes de virar de costas para ele de novo – Amo suas bochechas coradas.

– Cala boca – resmungo em resposta e ele dá um beijo estalado na minha bochecha e ri.

Pulamos como loucos na batida da música, meu cabelo já estava soado e grudado nas minhas costas e parecia que minha cede nunca iria acabar, não importa quantas cervejas Scorpius comprasse.

Tiramos mais fotos, nos beijamos mais e eu desejo que esta noite dure para sempre.

Mas infelizmente chega uma hora em que o festival acaba e é hora de voltar para casa.

– Vem – Scorpius me puxa para um canto e aparatamos na praia em frente à casa.

– Eu estou morrendo de fome – digo quando entramos na casa e ele ri.

– O que você quer comer?

– Sei lá.

– Panquecas de chocolate? É uma das únicas coisas que eu sei fazer direito – ele faz uma careta e eu sorrio.

– Você tem um fetiche por chocolates, não é?

– Talvez um pouco – ele concorda rindo e eu assinto.

– Panquecas de chocolate então.

– Pode subir e tomar banho se quiser, eu levo lá – ele diz enquanto pega as coisas na geladeira.

– Certo – subo as escadas de dois em dois degraus, tentando não fazer barulho, já eram duas da manhã e todos já deviam estar dormindo.

Entro no meu quarto e pego minha toalha e a blusa de Scorpius antes de me trancar no banheiro. A água gelada é tão boa que só agora percebo que minhas pernas estão doloridas pelas horas que pulei como uma retardada. Lavo o cabelo e me visto saindo do banheiro, quase solto um grito quando percebo que Scorpius já estava ali.

– Você me assustou – digo com a mão no peito.

– Foi mal, mas eu trouxe panquecas – sorrio e pego um pente indo até ele para me sentar ao seu lado.

– Você quer me deixar obesa, mas eu amo panquecas e amo chocolate – digo desembaraçando o cabelo e ele pega o pente da minha mão – O que?

– Vira – ele pede e eu franzo as sobrancelhas ficando de costas para ele.

– O que você vai fazer?

– Desembaraçar seu cabelo – ele diz começando a passar o pente e eu solto uma risada.

– Boa sorte.

– Shh!

Scorpius era surpreendentemente mais paciente comigo quando o assunto era desembaraçar a cabeleira ruiva, eu geralmente tentava por dois minutos e largava o pente de lado.

– Eu gosto do seu cabelo – ele diz e me entrega o pente.

– Percebi, você tem mais paciência do que eu.

– Qualquer um tem mais paciência que você – ele dá de ombros e eu lhe mostro a língua pegando uma panqueca – Já volto.

– Aonde você vai?

– Meu quarto.

– Pensei que você fosse passar a noite aqui – digo percebendo tarde demais as palavras que deixei sair. Ele sorri e volta até mim para me dar um selinho.

– Se é o que você quer, é o que vou fazer. Só um minuto, okay?

– Ta legal – concordo e ele atravessa o corredor até o seu quarto. Volto minha atenção para as panquecas deliciosas no meu prato.

– Voltei – ele diz alguns minutos depois – Vou tombar banho no seu banheiro, ta legal?

– Vai em frente – dou de ombros e ele tranca a porta do banheiro.

Pego o meu celular e vejo as notificações, percebendo a cambada que tinha curtido ou comentado nossa foto no iate.

– Não tem mais o que fazer – reviro os olhos e deixo o celular de lado.

– Eu já disse o quanto amo você com essa blusa? – ele pergunta saindo do banheiro alguns minutos depois e eu pisco algumas vezes. Ele estava só de cueca, já que dormia sempre assim, e o cabelo molhado pingava em seu corpo perfeitamente malhado.

– O que? – pergunto e ele ri deixando a toalha de lado e vindo até a cama.

– Você é gostosa demais, Rosie.

– Você também, acredite.

– Eu tenho uma coisa para você – ele diz e eu arqueio a sobrancelha.

– O que?

– Um minuto – ele entra no banheiro novamente e volta com uma embalagem pequena.

– Scorpius!

– Feliz Aniversário – ele sorri e me entrega a caixinha comprida.

– Isso não é justo, você já me deu meu presente.

– Não dei não, te levei para comemorar seu aniversário – ele dá de ombros e eu giro os olhos.

– Você não existe, de verdade.

– Abre – ele pede e eu desfaço o lacinho e rasgo o embrulho rosa abrindo a caixinha.

– Merlin – digo num fio de voz e quase deixo a caixinha cair.

– Você gostou?

– Você é maluco – digo e ele revira os olhos e puxa a caixinha da minha mão tirando a pulseira dali a colocando no meu braço.

– E então? – pergunta estendendo meu braço à frente do corpo e eu suspiro.

– Eu não posso aceitar isso, Scorpius, é maluquice.

– Você não gostou?

– É claro que eu gostei, mas é demais – digo e faço uma careta – Estamos ficando a três dias e você me compra uma pulseira dessas? Deve ter sido cara para caramba.

– É por causa do preço? Porque você sabe que eu não ligo nem um pouco para isso.

– É claro que é por causa do preço – digo e ele ri balançando a cabeça – Qual a graça?

– Você é tão diferente das outras garotas, e ainda acha isso uma coisa ruim.

– Por que acha que sou diferente das outras garotas?

– Você ainda pergunta? – ele arqueia uma sobrancelha e eu dou de ombros, sabia muito bem sua resposta – Você é simplesmente perfeita, eu nunca vou me cansar de você.

– Vai sim, quando voltarmos para Hogwarts e todas as garotas estiverem aos seus pés você se esquecerá de mim – brinco e ele fecha a cara – Desculpa.

– Eu to falando sério.

– Desculpa – repito e ele me puxa para mais perto para me abraçar.

– Nunca duvide de si mesma, promete?

– Prometo.

– Agora vamos dormir, estou morrendo de sono – ele diz se deitando sem me soltar e eu dou uma gargalhada.

– Você vai esmagar meu braço – digo puxando o braço de baixo dele e o abraçando pela cintura – Boa noite, Scorp.

– Boa noite, Rosie.

This is your heart, it's alive
It's pumping blood
And it's your heart, it's alive
It's pumping blood
And the whole wide world is whistling
And it's whistling