Summer Love
4 Second Week, part 1.
Notas iniciais
Eu deveria saber que estava muito bom para ser verdade. Tudo calmo, minha vida uma beleza, o Clark me dando um tempo – apesar de que eu não estava dando um tempo para ele.
Inspira. Expira. Repita o processo repetidamente. Não se esqueça de continuar fazendo a ação repetidamente. E não grite.
O manual de instruções de como viver que eu mesma havia inventado em situações como aquelas estava sendo repassado em minha cabeça repetidamente. Como se a qualquer momento eu fosse esquecer-me de respirar. E de como me manter viva. O que era tecnicamente plausível, dadas às circunstâncias.
As circunstâncias eram as seguintes: 1. Eu estava pronta – ou nem tanto – para receber a pior notícia da minha vida, e nem era a de que Papai Noel ou Fada do Dente não existe. 2. Eu não poderia abortar a missão – de ficar com eles as férias inteiras. 3. Eu iria passar o resto das minhas maravilhosas férias com cinco pessoas, cheias de testosterona.
Deixei-me explicar: Christian e Natalie estavam sentados de frente para Ethan, Zac e eu contando-nos que iriam precisar voltar para Seattle a trabalho. Christian precisava resolver problemas internos na empresa e Natalie iria acompanhá-lo. Acho que o pior de tudo não foi isso, foram as seguintes palavras de Natalie:
– Não podemos deixar Charlie com vocês, e para não ficar apenas os três aqui, chamamos seus outros três amigos, Ethan, e eles chegam amanhã às oito da noite. Teresa ficou desesperada e pediu desculpas, mas que não poderia cuidar de seis adolescentes. Já liguei para sua mãe, Emma, ela ficou preocupada, mas eu assegurei a ela que você não correria perigo e todos eram maiores de idade e iriam cuidar de você. Eu também pedi a ela que chamasse pelos menos alguns amigos seus, e elas disse que os dois estavam viajando. – ela me olhou com uma cara meio triste, do tipo “você só tem dois amigos?” – Ela me disse que “Isaac havia viajado para a Itália e Megan estava fazendo um tour na Europa inteira”, embora eu realmente não saiba quem são Isaac e Megan.
– São meus amigos, mas de qualquer forma obrigada por tentar trazê-los.
E assim, depois do almoço Charlie, Natalie e Christian estavam indo embora, levando com eles Teresa e minha esperança de ter – ao menos – umas férias descentes.
[...]
O voo de Seattle para Carolina do Sul previsto para chegar à quarta feira às 08h00 PM estava atrasado uma hora. Mas quando já estávamos quase voltando para casa e desistindo de esperar, pudemos ver: dois garotos enormes e cheios de músculos, um loiro e um ruivo, e um loiro magrinho.
Minha. Nossa. Senhora. Da. Bicicletinha.
De onde vieram esses garotos? Por acaso em Seattle tem alguma fábrica de garotos que mesmo sendo completamente diferentes – claro que os gêmeos loiros tinham o mesmo rosto, mas eram diferentes de corpo, de qualquer maneira – são completamente gatos? E como eu nunca descobri dessa fábrica?!
Os três garotos vieram em nossa direção e claro que eu não havia saído do carro e nem estava pensando em sair, mas então o deus grego ruivo gritou:
– QUE MERDA É ESSA, ETHAN? – o quê?
– É só a Emma. – OLHA AQUI SEU BAITOLA EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ DENEGRIR MINHA IMAGEM PARA ESSE GOSTOSO QUE APARENTEMENTE ESTÁ REVOLTADO ME OLHANDO E EU NÃO SEI POR QUÊ. Claro que eu não disse isso.
– Do que você tá falando, doente? – o ruivo, que se me lembro bem se chama Derek olhou para ele como se ele fosse o maior doente mental do mundo – Eu ‘tô’ perguntando que merda de carro é esse? Teu pai deixou um Caravan pra gente?– HÁ! Não era relacionada a mim a revolta dele, e sim a joça – de acordo com Ethan – de carro que Christian deixou para nós: “Vocês estão em seis, precisam de um carro grande” ao qual Ethan retrucou “ISSO NÃO É UM CARRO, É UMA VAN!”. Mas eu não entendi o problema deles com o carro, eu o adorei.
– Ah, bom, essa merda aí foi o carro que meu pai deixou, dizendo que estamos em seis, então não poderia deixar o carro que ele estava usando, porque era de cinco lugares.
– Por isso que eu acho que o Ethan poderia ter ido embora junto com eles, assim seríamos cinco e não precisaríamos lidar com a estupidez de Ethan! – e agora sim fui eu.
E então eu quase me enfiei de novo na minivan, graças a Derek, que finalmente notou minha presença ali:
– Então além de linda, você tem senso de humor?
– NÃO SE ENGANE COM ELA! Ela é enviada pelo demônio. – acho que eu ainda não contei as pequenas peças que eu preguei no babaca do Ethan, não é? Vamos lá:
Na semana passada, quando eu percebi que ele era todo preocupado com o cabelo ao ponto de ficar meia hora entupindo aquela merda de gel, – isso quando ele não deixava todo bagunçado, lógico –, esperei que ele terminasse de passar o gel precioso dele e joguei um balde de água nele. Água gelada. Depois, na janta, coloquei muita pimenta na pizza dele, e no copo de refrigerante que ele bebia. Com a ajuda de Zac, achei pó-de-mico e coloquei nas meias dele. Acontece que ele sente cócegas, e foi hilário assistir ele coçando o pé enquanto ria feito um tapado. Enquanto ele estava tomando banho, deixei farelo de bolo de chocolate na cama dele, e quando ele foi dormir estava cheio de formiga.
E no domingo, quando os meninos estavam saindo para ir à praia, eu disse que iria junto. Zac estava comprando sucos para nós três e Ethan havia acabado de voltar do mar e estava sentando na minha linda e seca toalha, e acabou molhando tudo e me molhando, quando passou uma menina morena, que ficou dando trela para o Clark começando o papinho com um estúpido “Você pode me informar as horas?”. Claro que eu não iria perder a chance de estragar os planos de sedução de Ethan, então passei meus braços pelo corpo de Ethan o olhei para ela com o meu melhor sorriso:
– Por que você não vê no seu celular, que está no bolso do seu short? Aproveita para nos dizer, porque meu namorado esqueceu o dele no nosso quarto, lá no hotel, não é amor?
Isso me rendeu muitos risos com Zac depois, e muitos xingamentos vindo da parte de Ethan.
Claro que eu poderia ser como aquelas garotas que são normais e dão gritinhos e saem pulando quando um garoto lindo as elogia, mas como eu sou Emma Parker e não Megan Evans eu olhei para Zac, que estava rindo da situação junto os gêmeos e voltei meu olhar para Derek e dei-lhe um soco no peito.
– Você não vai começar com essas cantadas estupidas, porque vamos passar três meses juntos e se eu for presa por assassinato nunca vou ver uma carreira de sucesso. Já basta ter que me controlar para não socar o descerebrado do Clark. Então vamos embora e sem mais elogios fajutos, Derek.
E isso bastou para todos ali se retorcerem de rir.
– Do que diabos vocês estão rindo, seus estúpidos?
– Meu nome... não é Dere-k. – o suposto Não-Derek explicou, recuperando o fôlego.
– POR QUE VOCÊ ME DISSE QUE ERA DEREK? – apontei o dedo na cara de Zac, que riu mais ainda.
– Eu não d-disse Derek, eu disse Dexter.
Até que eu mesma comecei a rir da minha estupidez, e então perguntei o nome dos gêmeos, para não cometer o mesmo erro de novo.
– Eu sou o Oliver. – o magrinho.
– Eu sou o George. – o fortão.
Foi meio bizarro, sabe, eles falarem ao mesmo tempo.
– E eu sou a linda e maravilhosa Emma, e agora que estamos todos apresentados, vamos comer.
– Não, a gente vai sair. – Ethan Estúpido Clark.
– Pra onde, meu filho? É quarta-feira, são nove e meia da noite, quer ir pra onde?! – o magrinho. Acho que ele devia ser o mais ajuizado do grupo.
E depois de muita discussão, fomos à pizzaria.
Clark foi dirigindo, Dexter – eu achei que ele tinha mais cara de Derek – no carona, o gêmeo atrás e eu e Zac, por último.
Claro que eu não poderia negar que todos ali eram lindos e tal, e que se Megan estivesse aqui estaria babando, principalmente pelo Dexter. Mas nunca que eu diria isso em voz alta, muito menos sobre o Clark.
Enquanto comíamos a pizza, eles me falaram sobre eles – esses meninos têm que aprender a parar de abrir sua vida a qualquer um. Eu poderia ser uma sequestradora. Mas pelo menos não fora um relato completo, como o de Zac.
Dexter era o mais mulherengo e isso estava na cara. Tinha cabelos ruivos como Charlie – eu já estava sentindo falta dele, meu Deus, esses garotos eram muito idiotas –, e olhos quase negros, e havia feito dezoito anos há dois meses. Suas notas nunca passaram de sete, mas ele conseguiu passar de ano! Só teve uma namorada a vida inteira; e ela dormiu com a escola inteira – mas em compensação, ele dormiu com a escola inteira, inclusive as melhores amigas da garota.
Os gêmeos também tinham dezoito, então imaginei que o único a não ter dezoito anos era o Zac, mas não adiantava de muita coisa, já que o aniversário dele era no mês seguinte. Oliver era magrinho e o mais novo, nascendo dois minutos depois de George; enquanto este era o mais forte e velho. Oliver era muito quieto e tímido, mas Zac me disse que era porque ele ainda não me conhecia direito. George nunca namorou, mas sempre estava com uma garota – às vezes duas – nas festas ou em qualquer outro lugar.
Eles haviam criado o próprio grupo de populares longe do time de futebol. E por incrível que pareça, as garotas preferiam eles ao time.
Quando voltamos a casa, Oliver ficou revoltado por não ter um videogame – ele era viciado em videogames –, reclamando que iria ter que ficar sobrevivendo com o mini game de mão dele, mas Dexter disse que trouxe o dele, e logo já estava instalado na TV da sala, e os garotos estavam jogando corrida. Oliver ganhou, e isso já era de se esperar. O que eles não esperavam era que eu ficaria em segundo.
– Como você conseguiu vencer de mim?! – George.
– Isso porque você é muito ruim.
E então todos já estavam discutindo, até que Oliver fez a pergunta do ano:
– Onde vamos dormir?
Olhei instantaneamente para o Clark.
– Merda! – berrou ele.
– O que foi? – Dexter perguntou de olhos arregalados.
– Meu pai trancou o quarto dele, a Emma está com o quarto de casal e no quarto de solteiro só tem quatro camas, e somos cinco.
Todos correram para o quarto, e Ethan – a de cima – e Zac – a de baixo – já tinham as camas deles, e Dexter rapidamente gritou que a outra cama de cima era dele. Depois, George sentou na de baixo, e, bem, sobrou Oliver.
– Eu vou dormir onde? Não tem nenhum colchão pela casa?
– Você vai ter que ficar lá em baixo, Oli. – George disse, embora não estivesse com uma cara de desculpas para o irmão.
Oliver pegou as malas dele, e começou a sair do quarto com a cara mais triste possível. Claro que eu estava odiando toda essa merda, e que eu iria zoar muito todos eles, mas, se fosse comigo, eu não iria querer dormir na sala.
– Oliver, espera.
– Sim? – virou-se.
– Você pode dormir comigo, lá no quarto. Mas uma gracinha, e eu levo você para castrar. – não que eu achasse que ele fosse fazer alguma coisa, ele era bem infantil e ingênuo, apesar de tudo. Mas nunca se sabe, não é?
– Jura?! – todos eles disseram ao mesmo tempo, uma coisa bem estranha e assustadora.
– Claro. Vamos. – e ele me seguiu até o quarto.
– Ela ainda vai acabar com todos nós, estou avisando, é só uma pegadinha essa história de se fazer de santinha. Ela é a secretária do diabo.
– Clark, querido, eu só vou acabar com você, meu amor, o próprio diabo em pessoa.
– A maioria das secretárias acaba liberando para o patrão...
– Vai à merda, Zachary.
Meu Deus, eu teria muitas histórias para contar ao zelador Fitch.
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