Summer Love
5 Second Week, part 2.
Notas iniciais
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Eu devia saber que não era uma boa ideia minha mãe ter concordado em deixar que eu passasse onze semanas com cinco garotos.
A rotina inteira havia mudado. Não tinha mais café da manhã da Teresa, ou os almoços da Teresa. Na quinta-feira de manhã estávamos todos na minivan indo ao mercado. Oliver comprou coisas de café da manhã – pão, cereal, ovos, frutas, etc. -, Zac – que, por incrível que pareça, sabia cozinhar sem botar fogo na cozinha – comprou misturas para almoço e janta, Ethan e Dexter compraram bebidas alcoólicas, o que gerou uma grande confusão, e eu e George compramos os salgadinhos e as bebidas. Ficamos duas horas dentro do mercado, e quando já estávamos nos caixas, Ethan e eu fomos expulsos do mercado.
Claro que a culpa foi do Clark.
Eu estava extremamente cansada de andar, e sentei dentro de um dos carrinhos – estávamos com quatro. Acontece que quem estava levando esse carrinho era o Clark, e ele ficou reclamando que eu estava muito pesada, dizendo que eu tinha que fazer uma dieta. Isso bastou para ele levar um soco na cara.
Logo, já estávamos no chão, eu batendo nele e ele me xingando.
Até esbarrarmos em uma criança e o diabinho começar a berrar no meio do mercado!
– VOCÊS, SEUS BRUTOS! MACHUCARAM MEU FILHINHO.
– Senhora, foi seu filhinho que se meteu no meio da nossa briga. – eu fui educada, até chamei-a de senhora! Mas ela não pensou da mesma maneira.
– Menininha petulante, eu vou chamar o segurança! Sua mãe não te educou não?
– Ela educou, mas eu ignorei tudo.
E aí uma mão enorme me levantou do chão. Eu estava quase borrando as calças.
– Temos alguma confusão aqui? – a voz do brutamonte era extremamente grossa e assustadora.
– Temos sim, segurança. Essa menininha aqui estava brigando com o namorado no meio do mercado, e eles derrubaram meu filhinho!
– ELE NÃO É MEU NAMORADO, SUA LOUCA! E eu já disse, foi seu filho quem se meteu na nossa briga!
– Emma, eu acho melhor você não falar assim com a mulher. – o Clark disse baixinho, de modo que só eu pude ouvir.
– Cala a boca, Clark.
– Está bem, se vocês não quiserem ser banidos para sempre desse mercado eu sugiro que se retirem, agora.
E enxotou-nos do mercado.
Ficamos meia hora sentados no carro, esperando os outros quatro babacas.
[...]
Oliver estava chocado que com um armário no quarto eu ainda não havia desfeito as malas. E eu não iria desfazer. Assim, eu disse que ele poderia usar todo o armário, mas que não era para ele mexer nas minhas coisas do banheiro nem fazer isso agora, porque eu queria dormir. Mas depois que eu dormisse, ele poderia fazer até uma festa no quarto, que eu provavelmente não acordaria.
Acontece que eu realmente não acordei. Nem de manhã, quando Dexter, George e Zac entraram no quarto pulando e fazendo a maior barulheira.
Qual era o problema desses meninos? Onde estão as mães dessas crianças?!
Quando fomos dormir, eu achei que tudo estava perdido e eu iria ter que não somente dormir na mesma cama que outro garoto que eu nem ao menos conhecia, como também iria dormir no mesmo cobertor. Mas aí Oliver tirou um cobertor de dentro da mala e ficou tudo bem.
Bem, mais ou menos.
Estava sendo muito difícil passar todo esse tempo sem Gerry.
Depois de eu enxotar os três imbecis do quarto com um abajur na mão, Oliver saiu do banheiro e disse que faria o café da manhã. Minha Teresa voltou! Com cabelos loiros, sem peitos – murchos – e canelas extremamente finas.
A cena mais constrangedora que eu já vi em todos os meus dezesseis anos fora naquela manhã – CHUVOSA! – de quinta-feira. Oli Canelas Finas estava – com um avental onde estavam estampados dois peitos e duas mãos cobrindo a “perseguida” – tentando pegar as várias panquecas da mão de Ethan, que por sua vez estava com as panquecas lá no alto. George estava em cima de uma cadeira atrás de Ethan, pegando as panquecas e arremessando para Dexter, que estava equilibrando um prato, cheio de panquecas. Zac estava mais atrás com um pote de calda, fazendo uma dança estranha cada vez que Dexter conseguia pegar a panqueca com o prato.
Isso não era o pior. Era apenas eles sendo babacas como apenas eles conseguiam. O constrangedor veio um segundo depois.
Todos estavam sem camisa. E com a bendita calça de moletom.
– Vocês sabiam que tem uma menina na casa com vocês? – e os estúpidos congelaram. Pararam tudo o que estavam fazendo, olhando pra mim. Qual é a deles? Demência coletiva? – PAREM DE ME OLHAR ASSIM!
A panqueca que estava voando em direção ao prato de Dexter caiu no chão, e isso pareceu acordar todos eles.
– EMMA! QUE BOM QUE VOCÊ ACORDOU! – Zac correu em mim direção, gritando.
– Não tenho tanta certeza assim... – murmurei.
– Se estivéssemos em um concurso de beleza, quem você acha que venceria?
Ethan, óbvio. Ou Dexter.
Mas eu não disse isso.
– Em um concurso de beleza eu não sei, mas em um de estupidez, o vencedor, com certeza, seria o Ethan. – E no de beleza também. Ele era realmente bonito, o desgraçado.
– Não consegue me esquecer, Emma? – Ethan desceu da cadeira e entregou as panquecas a Dexter.
– Cala a boca, Clark.
– Em, se estivéssemos no teste para America’s Next Top Model, quem você acha que passaria? – e eles fizeram uma fileira na minha frente, do maior ao menor. Zac, Ethan, os gêmeos e Dexter. Claro que eram só alguns centímetros, mas esses malditos centímetros me faziam ser a mais baixa dentre eles, embora eu tenha lá meus 1,70, o que eu achava ser algo muito grande, até me deparar com Zac.
– Zac, amor da minha vida, eu até te chamo de Efron se você quiser, mas pelo amor de Deus me deixa comer. Eu ‘tô com fome!
– Depois que você responder, você fica com esse prato de panqueca todinho só para você!
– Tanto faz, sei lá, o George. – Clark e Dexter iriam ficar se gabando muito, não gosto disso; ego inflamado.
Eu deveria ter falado Zac.
Zac começou a berrar dizendo que isso era uma calúnia, George e Oliver estavam gritando para “quem era o gêmeo mais bonito” – o que foi um tanto confuso, sendo que eles são idênticos, tirando o porte atlético –, Ethan e Dexter cochichavam alguma coisa. Até que a calda que estava na mão de Zac se estatelou no chão, derramando calda para todo canto e Dexter começou a gritar e então o prato de panquecas foi visitar a calda, fazendo uma mistura de plástico, vidro, calda e panqueca. E lá se foi meu café da manhã.
Meu Deus, como eu sentia falta de Teresa.
[...]
Depois de arrumarmos toda a bagunça, cada um comeu uma tigela de cereal, que acabou.
E como estava chovendo, os meninos ficaram jogando videogame a tarde toda.
E eu fiquei lá, jogada no pufe da sala, os vendo jogar e existindo.
Até resolver fuçar minhas malas, procurando algum livro. Mas minha mãe arrumou minha mala, e não colocou nenhum livro lá dentro! E então, a revelação que salvaria minhas férias: ela havia colocado o notebook! Eu precisava agradecer.
– Oi mamãe. – falei, depois de ela atender, no terceiro toque.
– Olá Emma! Como vai a viajem?
– Está tudo bem, apesar de que o sr., a sr. Clark e o filho mais novo terem ido embora. Os garotos chegaram ontem à noite, eles são legais.
– Estão você não está nem um pouco irritada, filha?
– Na verdade, eu estava. Mas ai eu vi que você colocou o Garry na minha mala e agora estou mais calma. E também, agora que Natalie foi embora, eu posso usar minhas calças e camisetas. – por favor, diz que eu não preciso mais usar vestidos.
– Tudo bem, Em. – risada – você pode deixar de usar vestido.
– Aleluia! Eu estava me sentindo meio pelada usando tanto vestido.
– Olha, filha, eu realmente preciso ir agora. Amo você, divirta-se!
– Eu duvido muito disso... – murmurei depois de ouvir os “tu tu tu” no celular.
[...]
Quando parou de chover, lá pelas quatro horas, os meninos saíram à procura de um colchão para o Sr. Canelas Finas – o Oli, meu novo colega de quarto.
Que passou a ser ex-colega de quarto naquela noite quando as pragas chegaram com um colchão, que logo fora estendido no Quarto dos Meninos.
O pufe da sala fora arrastado para o Quarto dos Meninos, e eu passei o resto da noite jogada nele. De frente para o pufe estavam os garotos, sentados em roda e no centro havia salgadinhos, doces e refrigerantes. Zac queria que eu me enturmasse. E por incrível que pareça, em dois dias eu já havia conseguido me enturmar com o bando de panacas. Menos com Ethan. E já haviam se passado duas semanas.
Lembra da parte do: “Ethan Clark definitivamente não gostava de mim. Bom, não que eu me importe, na verdade eu também não gostava dele. O garoto era um tirano. E iria fazer da minha vida um verdadeiro inferno.”? Era a mais completa verdade.
Clark havia decidido descontar as pequenas peças que eu havia feito com ele. Mas ele não era lá muito criativo.
Basicamente, ele me empurrava da escada – bastante, por sinal. E nunca dava certo. Acabávamos os dois no chão. Ou então ele roubava minha comida. Escondia meus salgadinhos. Sacudia minha Coca-Cola e soltava na minha cara. Claro que eu ficava com raiva, e descontava pior.
Mas no geral, aqueles três últimos dias da semana não foram tão ruins.
Tirando o fato de que eu continuava caindo ou em cima ou com Ethan Clark. E isso era bastante constrangedor.
Principalmente quando todos os garotos – principalmente Zac – ficavam tirando sarro de mim. “A Emma está caidinha pelo Ethan” – George. “Literalmente” – Dexter. Uau, como eles são engraçados!
[...]
Os garotos chegaram quarta-feira à noite. E nada aconteceu na quinta-feira, ou na sexta-feira, ou no sábado. Nada fora do comum, quero dizer. O mercado, as panquecas, a rotineira briga – que sempre me acordava – para ver quem dos meninos iria usar o banheiro primeiro. Oliver era o único esperto – usava o banheiro de baixo. E Ethan me resgatando de uns tombos feios.
Mas sentimento de solidão voltou.
Eles jogavam videogame, Oliver e Zac cozinhavam, todos iam à praia e eu ficava lá, no computador, tirando fotos deles, e existindo.
Eu me sentia muito sozinha porque não tinha ninguém e nenhum barulho e minha voz fazia eco. E também porque toda aquela brancura estava me dava dor de cabeça e fazia com que minha solidão aumentasse em graus extremos; e eu conseguia ver meu reflexo nos vidros.
Era uma grande merda.
Claro que eu tinha tempo só para mim e podia colocar o sono em dia e os livros em dia – pela internet. Podia até escrever.
Mas eu não queria desperdiçar três meses fazendo nada. Eu já fazia isso em casa. Além de estudar.
Por isso que, no sábado à noite, eu estava implorando para que eles me levassem para fazer alguma coisa. Qualquer coisa.
Claro que eu expliquei que não, eu não iria a uma festa. Não viraria uma stripper. Não mancharia minha ficha na polícia. E não me embebedaria até cair.
Expliquei também que eu estava me sentindo sozinha, porque eles eram cheios de coisas para fazer e me largavam sozinha naquela casa branca.
“Porque eu tenho a vida certinha demais – menos a parte de pregar peças em vocês e na Megan – para estragar com festas ou minha possível futura prostituição. Porque eu dava duro para ter essa vida certinha. Mantinha-me longe das festas, das bebidas e de garotos como vocês.” – eu, explicando para Zac porque eu não iria a uma festa. Não viraria uma stripper. Não mancharia minha ficha na polícia. E não me embebedaria até cair.
Eu juro que se eu soubesse que eles levariam a sério a parte do “qualquer coisa” eu teria ficado quieta, e não pediria nada.
Por isso quando nossa segunda semana na Carolina do Sul passou a ser terceira no domingo, e os cinco imbecis vieram pular na minha cama para acordar-me às sete da manhã, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Ou quando Ethan veio pedir-me desculpas, e dizer-me que faríamos uma trégua. Ou quando Dexter mostrou-me os ingressos de um acampamento que eles passaram a madrugada toda procurando e imprimindo. Principalmente quando todas as malas já estavam na van, e nós estávamos na van, e a van estava na estrada.
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