Summer Love
1 Prologue
Notas iniciais
Finalmente as doces, alegres, brilhantes e lindas férias de verão.
Fora meu primeiro pensamento ao me jogar na minha cama.
Não que eu gostasse do verão. Férias: que maravilha. Verão: vamos hibernar no ar-condicionado ligado em 16 graus até acabar o verão desgraçado.
Em três meses eu estaria no último ano. Finalmente. Só mais um ano e eu estaria livre da escola, dos professores ridículos, dos alunos nojentos. E do zelador Fitch, um amor de pessoa. Eu sentiria falta dele.
Eu poderia chorar de tanta felicidade. Poderia, mas não seria de felicidade. Aquelas duas malas do meu lado na cama nunca deixariam que eu ficasse feliz. Não me entenda mal, eu adoraria ir viajar. Com os meus amigos, sozinha, com a minha mãe, até com a escola; mas não com aquela família. Vai por mim. Ninguém iria querer viajar com eles. Mesmo se fosse, sei lá, para a Lua. E olha que eu sempre quis ir para a lua.
Nem tudo na vida são rosas, meus caros.
Assim, eu não poderia hibernar no ar-condicionado ligado em 16 graus até acabar o verão desgraçado. Não. Minha querida e brilhantíssima mãe achou que seria bom mandar sua única filha para uma viajem de três meses com alguém que ela nem ao menos conhecia. Quero dizer, vovó conhecia. Eles eram patrões dela. Mas mesmo assim. Elas não podiam me obrigar, não é? Quero dizer, eu ainda tenho poder de escolha, liberdade de expressão, certo? Errado. Mamãe havia deixado isso bem claro, ao me deixar na porta da escola hoje, “Emma, desculpe-me filha. Sei que você não quer ir nessa viajem. Mas pense bem: isso pode ser bom para você. É Christian Clark, o cara para quem você quer trabalhar. Você vai nessa viajem. E vai adorá-la.”.
Então, sim, eu vou nessa viajem. E vou adorá-la.
E agora eu não poderia dar para trás. Faltava meia hora para nosso avião partir, e minha avó mandou-me uma mensagem dizendo que eles já estavam chegando.
Mamãe quem fez a minha mala. As malas, Emma. Exatamente. Duas enormes malas, mais uma bolsa de mão de brinde. Qual é, eu nem tenho tudo isso de roupa. Ou tinha. Minha mãe, Cassandra — ou Cassie –, fez o favor – doce ironia, olá – de fazer a compra do século – e acabou gastando quase toda nossa poupança. Nem havia espaço para tanta roupa no meu guarda-roupa: ¹⁄4 de toda aquela roupa era a minha roupa de verdade.
Claro que eu estava muito agradecida pelo esforço dela. Mas eu não queria que ela precisasse de esforço para impressionar uma família. Ainda mais eles. Não éramos pobres, mas comparado àquela família, qualquer pessoa era pobre. Não queria que ela precisasse impressionar ninguém. Ela era minha mãe e eu tinha orgulho dela. Ponto.
Vamos pensar positivo. Não pode ser tão ruim assim. Não vai ser tão ruim assim. Certo?
Errado.
E então eu pude ver.
Na entrada do aeroporto, a família Sol-Lá-Si-Dó caminhava em minha direção – com uma mulher alta e nova, sorrindo feito psicopata, como se eu fosse a cura do câncer –, foi a total confirmação de eu não teria um pingo de paz nas minhas férias. Principalmente depois de ver um garotinho pequeno chorando; o outro maior rindo; e outro maior ainda, com raiva.
É. Eu estava totalmente errada. Essas férias podem e vão ser tão ruins quanto eu pensava. Se não pior.
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