Summer Love

3 First Week, part 2.


Notas iniciais
Olá seres que habitam o planeta Terra! Trouxe à vocês mais um capítulo e dois avisos: mudei a capa e o prólogo, e revisei algumas coisas no primeiro capítulo, então, bom, se quiserem, deem uma olhadinha. Sem mais delongas, boa leitura!

Depois da estranha cena do jantar, as visitas irem embora e cada um ir para o seu quarto, eu comecei a refletir sobre última semana.

Depois do jantar de domingo, cada um foi para o seu quarto às 10h00 PM, e isso se tornou rotina. O café permanecia na mesa das 07h00 AM às 09H00 AM, porque de acordo com a Natalie – que descobri ser nutricionista; o que foi realmente um choque, eu achava que a mulher não fazia nada da vida, além de compras! – era até a hora recomendada. O almoço era servido 12h30 PM; Teresa era muito pontual.

Ethan saía para surfar todos os dias antes do almoço – enquanto Zac ficava observando, paquerando alguma garota, de acordo com ele, procurando A garota certa. Natalie e Christian estavam tendo sua segunda lua de mel durante o final de tarde até a noite, e sempre jantavam a sós, fora. Zac, Ethan, Charlie e eu nunca jantávamos de verdade – pedíamos comida, ou cada um fazia seu próprio sanduíche –, Teresa descansava no, agora eu sabia, quarto extra na parte de baixo. Eu passava minha manhã com Teresa, ajudando-a na cozinha e aprendendo a fazer comidas práticas e rápidas. Após o almoço, ficava com Charlie, vendo desenhos, ou com Zac, jogando algum jogo. Ethan estava sempre em casa, e insistia em ficar deitado na minha cama, apenas me provocando.

Zac e eu estávamos fazendo um projeto. Ainda não tínhamos nome, mas era um jogo de tabuleiro.

Fomos à venda da esquina escondidos de Natalie – que quase não permitia doces na casa – umas duas vezes na semana, e eu comprava doces, salgadinhos e refrigerantes; Zac e Ethan compravam a mesma coisa que eu, mas ambos compravam bebidas. Charlie saía saltitante quando eu lhe pagava um saquinho de jujubas – “SÓ DAS AZUIS, EMMA!”.

Na segunda-feira a rotina já havia começado: eu levantava, tomava café, ficava na sala lendo e todos levantavam. Tomavam café juntos e cada um ia para um canto. Charlie desenhava, Natalie mandava cardápios para pacientes, Christian lia manuscritos que mandavam para ele e os meninos iam surfar.

Eu me sentia sozinha.

A casa era grande, e a casa deles na cidade deveria ser três vezes maior. Qualquer barulho que eu fazia, era respondida com um eco longo e solitário. Por fim, prestes a almoçar, todos se arrumavam, almoçávamos e cada um voltava a seus afazeres. Eu não tinha intimidade com a família, e isso estava me deprimindo. Falava por quinze minutos com a minha mãe, e depois Megan me ligava, contando que tudo continuava do jeito que estava quando eu fui embora. Isaac havia viajado para Itália com o recém-descoberto amor de sua vida. O décimo no ano.

O único dia que saímos da rotina fora no sábado – e na sexta, por causa dos amigos de Christian. Fomos ao cinema. Zac, Ethan e eu. Fora Ethan quem escolhera o filme, dando adeus ao cavalheirismo. Era um filme de terror, e eu, como amante dos filmes de terror, dei graças a Deus que não havia sido Zac quem escolheu – que queria um romance estúpido, “MAS É NOVO LANÇAMENTO!”, protestara.

Meia hora depois de o filme ter começado, Zac estava passando mal e tremendo de medo, mas eu não iria embora. Assim, ele correu para a sala ao lado para ver o romance.

Eu deveria ido embora.

Depois do jantar constrangedor, eu não havia falado com Ethan, a menos que fosse extremamente necessário. E agora estávamos sozinhos no cinema – devia ter pelo menos cinco casais na sala do cinema, cujas mulheres davam pulinhos e gritos nas partes assustadoras do filme. Ou seja, o filme inteiro. Patético.

Mas eu até entendia: Isaac agia do mesmo modo.

Ethan estava muito bonito. Usava uma bermuda jeans e uma camiseta branca, com uma estampa estranha, que eu não conseguia decifrar no escuro. Mas uma coisa era fácil de decifrar: seus músculos. Apesar de não serem tão grandes quanto os de Zac, havia, definitivamente, músculos. Eram mais destacados na barriga – que permitia minha adorável visão pela camisa ser apertada -, mas apesar disso, em seus braços também tinham alguns.

Seu cabelo estava bagunçado, como havia ficado a semana inteira.

Após uma semana, eu já conhecia seus hábitos e suas manias. Não era algo difícil de perceber.

Ethan Clark roía unha. Nunca penteava o cabelo, e dormia de calça de moletom cinza, sem camisa, apesar de dormir com outros dois homens no quarto – embora um tivesse apenas seis anos.

Antes de continuar falando sobre as manias e jeitos de Ethan, deixe-me explicar – não dormi com ele nem nada, pelo amor dos deuses – porque sei que ele dorme de calça de moletom:

“Charlie havia dormido no meu quarto na quinta-feira à tarde, depois de uma cansativa sessão de desenhos, que não eram tão chatos assim. Eu acabei dormindo também. Acordei cinco horas depois, com o barulho do quarto ao lado – Zachary e Ethan deviam estar dando uma festa, meu Deus!

Depois de constatar as horas – Natalie e Christian já deviam ter chego, passava um pouco das dez – e lavar o rosto, peguei Charlie no colo, levando-o para o seu quarto. O barulho, explicou-me Zac no corredor, era porque ele e Ethan haviam discutido. Entrei no quarto todo escuro, e Ethan devia estar no banheiro, pois era possível ver a luz acesa por debaixo da porta do banheiro. Deitei Charlie em uma cama que havia uma pelúcia de seu desenho favorito.

– Conta uma história para mim? – abriu seus olhinhos, fazendo seus enormes cílios encostarem-se às sobrancelhas. Seus cabelos ruivos cacheados estavam uma completa bagunça, mas mesmo assim, enfiei minha mão ali e passei a fazer carinho, contando uma história que papai costumava contar para mim, quando era mais nova.

Ao final da história, Charlie já havia dormido, e eu estava prestes a sair do quarto. Quer dizer, isso se eu conseguisse enxergar alguma coisa. A luz que vinha debaixo da porta já havia sido apagada. Tateado a minha frente para não trombar com nada, acabei por tropeçar em alguma coisa, quase indo de encontro ao chão. Quase. De novo. Suas mãos já conhecidas rondaram minha cintura, e minhas mãos foram para seu pescoço. Depois de me levantar, minhas mãos desceram para seu peitoral, que agora eu havia percebido, estava nu. Minhas bochechas estavam pegando fogo, e se estivesse claro, ele poderia ver que estavam vermelhas como tomates.

Bom, ficou claro.

A luz ascendeu ao mesmo tempo em que a porta fora aberta e a voz de Zac propagou-se pelo quarto.

– Desculpe cara, não fique chatea... – cortou a frase e olhou para mim com um sorriso malicioso, depois que me separei rapidamente de Ethan. Meu rosto ainda devia estar vermelho, e meus cabelos estavam totalmente desarrumados.

– Olha, não é nada disso que parece!

– Não é? – indagou Zac.

– É, não, quero dizer, não é! Ah, licença. Boa noite a vocês dois. – e saí a passadas rápidas do quarto, olhando uma última vez para Ethan, com seus cabelos bagunçados, vestido apenas com uma calça de moletom cinza.”

Viu? Nada de mais aconteceu. Tirando a cena de sempre, mas com isso eu já havia me acostumado. Mais ou menos. Eu sempre corava quando isso acontecia. E Ethan sempre me dava aquele estúpido sorriso dele. Mas voltando a suas manias:

Ele costumava tamborilar os dedos na perna quando estava impaciente, e bater os pés no chão balançando os ombros quando estava ouvindo música, fazendo uma dancinha ridícula.

Ele tinha hálito de menta e canela.

Ele gostava de algumas músicas de algumas bandas de Zac, mas preferia música eletrônica, batida de balada. E garotas. Ele gostava de garotas. De preferência, muitas, e que não fossem difíceis. Com seios grandes e bundas maiores ainda. Ele tinha tudo isso em sua escola.

Ah, e ele entrou um ano atrasado na escola, assim, era o mais velho da turma. E agora seria mais uma vez.

Depois de um bom tempo olhando para Ethan, ele finalmente olhou para mim.

– Emma? Está tudo bem?

– Claro, por que não estaria? – sem ao menos dar tempo de ele responder, levantei. – Vamos embora? Estou cansada e com fome.

– Mas o filme não acabou! – ele protestou, segurando minha mão.

– Não tem problema, você assiste quando sair em DVD. – e, soltando minha mão, sai andando antes que ele me fizesse ficar ali.

[...]

Depois da estranha cena no Quarto dos Meninos – como estava bem explícito na placa pendurada na porta por Charlie: “Quarto dos Meninos – MENINAS SÃO PROIBIDAS (menos a Emma)” – eu corri para o meu quarto. Lavei bem o rosto, para ver se saía àquela estúpida coloração avermelhada. E aquele estúpido tambor no meu peito.

Sentei na cama, tentei ler, dormir, fazer alguma coisa, mas não conseguia. E então eu entendi por quê.

Quando eu tinha uns seis anos, papai voltou muito tarde do trabalho, e a gente já tinha jantado e ido dormir. Então ele entrou no meu quarto falando que tinha um presente para mim, e tirou do meio de uma sacola um unicórnio de pelúcia. O chifre e as patinhas eram roxos, e o pelo era branquinho como algodão e macio. Os olhos eram enormes e pretos, e em volta – onde é o nosso branco – era glitter puro. E ele fazia um barulhinho bonitinho.

Bom, depois disso, eu ia com ele para todo lugar e dormia sempre com ele. Aos dez anos, eu só dormia, e ainda tinha esse hábito. Era o cachorro que eu nunca tive.

Dei o nome dele de Adam, porque naquele ano um garoto chamado Adam havia sido morto e ele era da minha sala, e brincávamos juntos. Ele era meu amigo. E eu sentia falta dele.

Eu nunca mais dormi sem o Adam. Cobria a saudade do Adam-humano com o Adam-pelúcia; e aquilo bastava.

Adam não estava na minha cama, e a última vez que eu o vira foi... CHARLIE!

Abri devagar a porta, correndo para a porta do Quarto dos Meninos, mas parei. Zac e Ethan estavam conversando, ou discutindo.

– Quase beijou a Emma, lá lálá lá lá, ‘tá’ apaixonado, lá lálá lá lá.

– Cala a merda da boca, Zac, eu não quase beijei ela, eu nunca beijaria ela. Eu nem ao menos gosto dela como amiga, quanto mais beijaria ela.

Aquilo foi a gota d’água. Entrei aquela merda de quarto, ignorando o olhar risonho de Zac e o olhar assustado de Ethan. Adam estava no chão ao lado de Charlie, que dormia profundamente, sem ao menos saber da confusão e tensão que crescia em volta dele. Peguei meu unicórnio e saí daquele lugar com falta de oxigênio batendo a porta. Eu não conseguia mais respirar naquela casa fantasma com pessoas fantasmas.

[...]

Zac se recusou a não terminar de ver o filme que estava vendo, e eu e Ethan não iríamos ficar no cinema esperando ele, assim, Ethan mandou uma mensagem para ele, avisando que iríamos ficar em um quiosque na praia, e que era para ele nos encontrar lá, para irmos para casa.

Era uma linda paisagem. O quiosque era de madeira, e um letreiro enorme estava “Lanches, sucos e bebidas da dona Mariana”.

Ethan e eu sentamos em um deck de madeira em silêncio. Dona Mariana veio nos perguntar se havia alguma coisa que iríamos querer, e logo saiu. O silêncio era constrangedor. Ethan olhava para frente, e eu para baixo.

Minutos mais tarde levantei, cansada daquele silêncio. Eu não iria deixa-lo estragar minhas férias estragadas.

– Ethan, eu sei que você não gosta de mim, ma-

– Eu não...

– NÃO ME INTERROMPA! Mas apesar dos pesares, vamos passar três meses dividindo a mesma casa. Doze semanas. Oitenta e quatro dias. Goste você, eu, ou não. Facilita. Não quero ficar nesse silêncio constrangedor mais onze semanas. Vamos fazer alguma coisa. Um castelo de areia, jogo de piadas, brincar de pega-pega, sei lá que diabo. Mas eu não quero ficar parada olhando meus tênis velhos nesse silêncio constrangedor. Vamos fazer essas férias não serem tão ruins.

– Certo, desculpe-me. Vamos tomar um sorvete e andar por aí. E então você me conta porque diabo roubou meu melhor amigo.

Eu não pude deixar de gargalhar da sua falsa expressão de raiva.

[...]

Com o passar dos dias, minha relação com Ethan passou a ficar mais suportável. Até Zac achava estranho. Mas não mudávamos duas coisas: a) eu sempre acabava nos braços dele – mas não no sentido que você está pensando; e b) eu o xingava mais do que conversava, mas isso eu nunca poderia evitar. Ele era um completo idiota.

O sábado se foi e consequentemente o domingo chegou, junto com mais uma semana. Essa semana não seria tão ruim, não é? Quero dizer, eu havia ficado amiga de Zac, Charlie era um amor, Natalie e Christian mal paravam em casa ou falavam comigo, Teresa era um doce de senhora e Ethan, bem, era o estúpido do Ethan.

Não poderia piorar, certo?

Errado.

Eu estava completamente errada. De novo.

Notas finais
tan tan tan tan! Nunca sei o que falar nas notas finais mas who cares. Como deu para perceber, os capítulos não vão ter um padrão de tamanho. Mas vão ser sempre entre duas mil palavras e quatro mil palavras. eu sei que eu poderia ter deixado três mil no primeiro e três mil no segundo e ficado igual, mas não, eu não poderia porque tinha que ser assim. ENFIM, espero que tenham gostado e até o próximo. P.S.: Se vocês tiverem um tumblr, me manda na MP que eu sigo vocês. o meu tá no meu perfil, lumierelame. P.S.:² Vamos comentar para fazer a felicidade dos amiguinhos? Amém. Postado: 06/07/15