Summer Love.
13 Can you stay with me?
Acordei com uma ardência no meu estomago e quis morrer por um segundo, tentei me mexer, mas Summer dormia por cima do meu braço, sorri quando se mexeu por um momento. Tentei sair sem acorda-la, mas quando olhei ela já estava sentando.
– Hey, não precisa levantar, eu só preciso ir ao banheiro. – Falei levantando e literalmente correndo até o banheiro. Fiz minhas necessidades e voltei para o quarto, Summer estava sentada no sofá e uma enfermeira estava arrumando a cama, peguei minha mochila.– Posso trocar de roupa, certo? – Perguntei a enfermeira e ela riu baixinho acenando que sim. Voltei para banheiro e me vesti. Quando sai Summer sorriu e sentei ao seu lado.– Tá se sentindo bem? – Perguntou segurando minha mão.– Sim, estou bem melhor. – Coloquei minha mão na barriga e ela riu. – Mas eu to com uma fome.– Imagino! – Summer riu.– Obrigado por ficar comigo.– Fiz questão. – Summer pegou minha mão que estava na minha barriga e deitou a cabeça no meu ombro, sorri de leve. Ficamos assim por um tempo até John e minha avó entrarem no quarto.– Está melhor, filho? – Minha avó perguntou sorrindo.– Sim, só quero ir pra casa. – Peguei minha mochila e seguimos pra casa, John, minha avó e Summer conversavam animadamente, eu ainda me sentia cansado, mas tentava participar da conversa. Quando descemos do carro eu vi um carrão em frente à casa de Summer, ela sorria enquanto andava ao meu lado, mas sua expressão ficou séria quando viu o carro e olhou para seu pai que bufou.– Você tá bem? – Perguntei e ela me olhou.– Sim, são só meus avós, falo com você depois. – Summer beijou minha bochecha e se juntou ao pai, sentados na varanda estavam um casal, a mulher era elegante e metida, e o homem, bom ele tinha cara que fazia dinheiro ao ir ao banheiro, ajudei minha avó a abrir a porta, mas não tirava os olhos da casa ao lado. Granny foi tomar um banho e sentei no sofá, mas na verdade eu queria saber o que estava acontecendo na casa ao lado, então eu tive a ideia mais idiota da vida. Sai pela porta da cozinha e fiquei debaixo da janela da sala dos Scotts. Estava me esforçando pra escutar, mas quando eles começaram a gritar foi ai que a merda fedeu.– Mas eu não vou morar com vocês, que coisa chata! – Summer gritava e dava pra sentir a raiva em sua voz.– Você viveria bem melhor. – O cara falou na cara dura e imaginei John nessa hora.– Cala a boca! – Filha.... – John falou.– Não pai, olha como eles te tratam. – Ela ficou calada por uns segundos. – Saiam da nossa casa, agora!– Sua mãe.... – A mulher começou a falar, mas foi interrompida.– Minha mãe morreu, tá legal? Anos atrás, superem. Eu não sou ela! E nunca vou ser, agora saiam daqui! As vozes se calaram e eu fiquei olhando o chão, ouvi batidas de porta e me escondi no mato, sim, e o pior foi a cara da minha avó quando estava jogando o lixo fora.– Really? – Ela riu da minha cara e puxou meu cabelo.– Eu tava curioso, ué. – Falei fechando a porta. – Me fala o que rola ali.– São os pais da mãe dela, Kate. Ela morreu anos atrás. – Minha avó começou a contar e pelo que entendi, os pais da Kate foram contra o relacionamento deles e quando ela morreu, eles tentaram a guarda da Summer. – Mas que tipo de pessoa ia tirar a filha do pai, não é?– Babacas! – Minha avó riu. – E a Summer sempre nega?– Sempre! Eles perturbam o pobre coitado do John o tempo todo! – E quando a Kate ainda estava por aqui, era assim?– Sim, mas ela era forte demais. Sempre mandava eles procurarem seus lugares.– Nossa! O John parece ser um pai legal.– O melhor. – Minha avó sorriu. – Sente falta do seu?– Vó! – Que é? Eu sei que antes da briga vocês eram próximos.– Jogávamos futebol e essas coisas.– E sente falta?– Yes! – Minha avó me abraçou e fechei meus olhos, queria chorar, eu sentia falta deles, do Jack e até do frio de Londres. – Seu celular tá vibrando.– É sua mãe.– Fala que to dormindo, mas que estou com saudades. – Não esperei a resposta e subi, tomei um banho e me joguei na cama, passei um e-mail pro meu melhor amigo e comecei a desenhar, mas acabei dormindo, sonhei com minha mãe. Estava babando quando minha avó me acordo surtada. Eu ainda estava um pouco lerdo e acordei com dificuldades, olhei no celular e eram 5h da manhã.– Vó, são 5h da manhã... – Deitei novamente.– Filho, a Summer sumiu. – Aquilo doeu no ouvido, levantei num pulo e já fui vestindo minha calça, sim, as vezes dormia de cueca.– Mas o que houve? – John acordou e ela tinha sumido. – Coloquei uma camisa xadrez que estava em cima da cadeira por cima da regata.– As 5h da manhã?– Alexandre! – Minha avó bateu na minha testa enquanto eu calçava o sofá.– Eu vou achar a Summer, fica com o John enquanto eu procuro. Vou tentar ligar pros amigos dela. – Falei enquanto descia as escadas. – Ligo se achar.– Ok, eu também ligo se ela voltar. – Beijei a testa da minha avó e fechei a porta. Fui andando até a lanchonete e ela estava fechada, passei pela casa de Charlie e nada de Summer, então fui a praia, andei meia hora pelo calçadão antes de ver alguém sentado na areia, me aproximei um pouco, estava de casaco com capuz, vi o pequeno coração que ela tinha tatuado em seu dedo e parei ao seu lado.
– Você tá legal? – Perguntei enquanto manda mensagem pra minha avó.– Yes! – Summer falou olhando pro mar.– Quer conversar? – Nops! – Disse mexendo seus pés na areia. Me virei para deixa-la sozinha e fui interrompido.– Can you stay with me? – Summer perguntou com uma voz rouca, sentei ao seu lado e ela sorriu. Seus olhos estavam um pouco vermelhos. Coloquei meu braço em seu ombro e a puxei pra perto, Summer se aconchegou em mim e beijei sua cabeça. Ficamos ali sentados vendo o pôr do sol sem trocar uma palavra, só apreciando a vista.
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