Summer Love
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Chase
Acordo em uma sala branca com cheiro de amônio. Tenho fios enfiados nas minhas veias e mais alguns eletrodos em meu peito e minha cabeça.
Ah sim, o acidente...
CARALHO O ACIDENTE!
Meu Deus, meu Deus. Eu estou fodido. Nós quatro devemos estar.
AI SANTO, ONDE ESTÃO OS OUTROS?
Por quanto tempo fiquei desacordado? Horas? Dias? Passo a mão com dificuldade no queixo. Nenhum sinal de qualquer mínimo indício de fio de barba. Acho que não foi muito tempo. Três dias no máximo dos máximos.
E o resto? Já está acordado? Eu, eu estou acordado? Porque o médico não percebeu que eu estou me mexendo? Ou será que não estou? Os outros estão bem? Como está a situação deles? Qual foi o mais ferido de nós?
Mexo minhas pernas lentamente e faço um esforço enorme nos braços pra me erguer na cama. O médico olha para mim e sorri com piedade.
–Olá. Sou o Dr. Frey e você está no Hospital Central de Los Angeles. Como está a sua memória? – ele fala cautelosamente.
–Acho que boa, não me lembro de esquecer alguma coisa. – Falo um pouco sonso. Dr. Frey ri e eu sorrio entendendo a graça e fingindo que foi proposital.
–Seu senso de humor está bom. Vamos ver. O seu nome? – Ele faz uma série de perguntas e eu as respondo sem nenhum esforço. Logo depois ele faz a revisão geral e eu finalmente vejo a série de hematomas em meu corpo. Não são muitos. Dr. Frey disse que o meu caso é o menos pior.
Aproveito que ele tocou no assunto e pergunto onde estão as outras vítimas do acidente.
–Vocês estão todos no mesmo nível. Por sorte conseguimos quatro quartos no mesmo andar. As duas garotas ainda estão desacordadas. Seu colega, Colin, está bem. Ele bateu a cabeça no vidro do carro, mas acordou um pouco antes. O estado dele não é muito sério, esteve com uma amnésia temporária, mas agora já está melhor. Estou preocupado com as meninas. Elas estavam do lado direito, onde o impacto foi maior, mas acho que a situação não vai ser muito grave.
Assim que ele cita as meninas eu fico nervoso. Eu estava dirigindo. O responsável pelo acidente fui eu. Dr. Frey percebe minha aflição e, quase por pena, me libera para ver Colin.
Ele prepara um suporte móvel para o soro enquanto me explica que nossos pais não estão nos nossos quartos porque a equipe de médicos achou melhor não vermos muita gente agora. Mas que nossos familiares estão todos na sala de espera.
Caminho com dificuldade sentindo dores pelo corpo, até que chego ao quarto do Colin. Duas portas parecem uma eternidade quando você, além de estar todo fodido, precisa carregar um pau de ferro com rodinhas que precisam de um bom óleo.
Dou três batidas na porta e entro. Colin está aparentemente dando em cima da enfermeira enquanto ela põe um pano úmido em sua testa. Assim que entro no ambiente ele ergue o corpo numa velocidade que tu simplesmente não diz “Ah, aquele ali tá aleijado”.
Colin arranca os fios do soro do seu braço e vem correndo me abraçar. Se não estivéssemos na situação em que estamos, daria um soco na cara desse guri. O lugar em que o tubo entrava, começa a ficar vermelho e sai sangue por ele, mas nada muito crítico. A enfermeira se mostra levemente irritada e tenta puxá-lo de volta para a maca, mas sem sucesso.
Ele me abraça e damos tapinhas nas costas. Conversamos e explicamos o nosso estado um para o outro. Colin agora ri do estado de amnésia pelo qual ele passou. Diz que é horrível não saber nem mesmo seu próprio nome.
–Você sabe como estão as gurias? – Pergunto para ele e ele dá de ombros enquanto senta-se na cama para a enfermeira colocar (depois de muitas tentativas) o tubo do soro de volta na sua veia novamente.
–Meu médico foi ver Megan agora. – ele fala nem despreocupado nem extremamente preocupado.
–O meu médico disse que a situação delas está pior que a nossa já que elas estavam no lado em que o impacto foi maior. – Colin reage da mesma forma que eu. Percebe-se que ele perde a fala e o seu olhar fica perdido por um tempo. – A gente vai sair dessa, cara.
Ele concorda levemente com a cabeça. Nós dois sabemos que isso não vai passar tão rápido assim, mas fazer o que. Ser pessimista não ajuda em nada
Depois de um tempo decido voltar para o meu quarto e ficar um pouco quieto. Assim que entro o doutor me explica toda a situação. Fiquei desacordado por sete horas e meia, Chase por sete horas e as meninas ainda estão desacordadas. Os batimentos cardíacos estão melhorando, mas ainda muito fracos. Dr. Frey pediu a meu almoço e recomendou que eu ficasse por um tempo sem fazer nada além dormir ou assistir televisão. Sigo seu conselho e enquanto assistia TV acabo caindo no sono acordando apenas às seis horas da tarde.
E é claro que tive pesadelos.
E é claro que Megan estava no pesadelo.
Acordo e vejo a imagem do Dr. Frey com uma cara preocupada. O pior de tudo é que eu sei que não é por causa do meu estado.
Me sento na cama já perguntando o que aconteceu.
–Megan é a única que ainda não está acordada. Mas o seu coração já está no ritmo usual. – Ele diz como se usasse essa última frase para me acalmar.
Sem falar nada me levanto e procuro o quarto dela. Não me importo com quem está dentro dos outros, ou qual a situação das pessoas neles. Não importa como, quando ou onde, eu vou achar ela.
Obviamente ela está no último quarto do corredor. Abro a porta e vejo seu corpo estirado na cama cheio de aparelhos em volta. Aparentemente ela está bem, mas então começo a perceber cortes em seus braços e um curativo em volta da sua cabeça. Seus batimentos cardíacos estão muito, muito fracos e a respiração é quase imperceptível.
Eu estou parado na frente da porta e uma enfermeira me barra e empurra, com toda a sua força, meu corpo para trás do arco. Corro para o quarto de Colin sem querer ficar preso no meu quarto, mas ele e a enfermeira parecem bem despreocupados com a situação geral. Colin aparentemente esqueceu sua dor e a enfermeira deve ter esquecido que ela está lá para trabalhar.
Não acho a situação estranha. Colin realmente costuma fazer esse tipo de coisa. Uma vez foi numa loja de eletrodomésticos e outra numa loja de roupas. Entro no quarto sem me importar se estou atrapalhando seja lá o que era aquilo. Separo os dois e sacudo Colin. Grito com ele, falo que ele precisa acordar pra vida.
–PELO AMOR DE DEUS COLIN, VOCÊ ESTÁ NUM HOSPITAL! TEM GENTE MORRENDO AQUI! – Pessoas morrem aqui todo dia. Seja lá qual for a causa. Doença ou acidente. Pessoas morrem aqui. Megan está morrendo. – Todo dia. Megan está
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