Summer Love

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Não tá lá muito legal... Mas

Megan

–Os batimentos estão melhorando. – Ouço vozes desconhecidas e distantes.

–É o mínimo que poderia acontecer depois de 24h. – Depois do quê?

–Acho que o estado dela tem grandes chances de melhorar. – A mesma voz grossa e falhada fala.

Faço um enorme esforço para abrir os olhos e assim que o faço, quatro mãos começam a me tocar e mexer nos aparelhos a minha volta. Um homem de cabelos castanhos já vencidos pela idade e barba rala para em minha frente e com uma voz contínua e almofadada pergunta como eu me sinto.

–Um pouco confusa. – Respondo bocejando.

–Vou tentar explicar a situação para você. Os seus amigos e você sofreram um acidente há umas 36 horas. Todos os outros já se recuperaram, só estamos fazendo os exames finais. O seu caso foi o mais grave.

–O que aconteceu comigo exatamente, doutor... – Me esforço para ler seu nome no crachá em seu peito.

–Dr. James, querida. Basicamente você bateu com a cabeça duas vezes com muita força no mesmo lugar. Acreditamos que você tenha perdido parte da sua memória. – Meu corpo congela. Se eu perdi parte da memória, o que eu posso ter esquecido? – Mas se este for o caso, você deve ter esquecido pequenas coisas da sua infância, nada muito relevante.

–Onde estão os outros? – Pergunto mudando de assunto repentinamente. Não estou a fim de falar sobre o meu estado.

–Estão em seus quartos. Não sei quantas vezes perguntaram sobre você. Megan, você tem amigos muito fiéis. É uma menina de sorte. – Ele diz sorrindo. Sorrio de volta e agradeço. – Vou lhe pedir para ficar deitada por mais um tempo. Ainda temos que fazer alguns exames em você. Ao meio dia te levaremos para fazer o exame final em seu cérebro. – Ele sorri e então se retira.

Repouso minha cabeça no travesseiro e fecho os olhos, mas não para dormir. Apenas os fecho.

Penso no acidente. O meu caso não é dos piores, tenho que agradecer por estar bem. Não sei como ficou o estado do carro, mas pelo gesso em meu braço direito, acredito que a batida amassou grande parte do veículo. Aproveito que o médico saiu e olho em volta. Vejo a prancheta com os meus dados e meu estado atual. Cuido para que a enfermeira não perceba o que eu estou fazendo e, com grande esforço, pego a prancheta no “criado mudo” que está ao lado da maca.

Eu quebrei o cotovelo e estou sim com um transtorno de memória. Precisaram remover alguns cacos de vidro que ficaram presos no lado direito do meu corpo e me deram duas doses de anestesia nessas 36hrs que eu estive desacordada e também me deram morfina para conseguirem retirar os cacos de vidro. Eles também injetaram uma lista de medicamentos no meu soro que eu prefiro nem citar aqui.

A enfermeira infelizmente me viu com a prancheta e se afastou da janela para retirá-la de mim.

–Tá bem, pronto, larguei! – Digo impaciente deixando a prancheta na mesa ao lado. A enfermeira olha para mim com um sorriso solidário e então propõe:

–O que você acha de ir dar um “oi” aos seus amigos? – Ela diz enquanto mexe no soro transportando-o a uma base portátil. Sento na cama com dificuldade, mas sem mostrá-la. Vai que a enfermeira decide que é melhor não me levar enquanto eu não estiver 100% bem?

Caminhamos pelo corredor e ela me guia até a porta do quarto de Lia.

Assim que minha amiga me vê, ela se levanta da cama num salto e vem correndo em minha direção. Faço o mesmo até ela o nos abraçamos.

–Meu Deus, você está bem! – Ela fala com a cabeça enterrada em meu pescoço me apertando cada vez mais. – Megan, você estava morrendo, seu coração estava batendo tão fraco. Eu quase pensei por um minuto que você poderia...

–Shhh, para. Para, não fala isso. Eu to aqui, eu to bem. – Digo me segurando para não chorar. Ficamos abraçadas por um bom tempo. Até que ela se afasta e limpa os olhos, respira fundo e então fala:

–Ficamos todos tão preocupados, Megan. Você ficou desacordada por 24 horas, sendo 7 horas com aquela máscara de oxigênio na cara porque você estava respirando com dificuldade... – Okay, isso não estava anotado na pranchetinha. – Sua mãe está uma fera. Está jogando toda a culpa em Chase e nas primeiras 4 horas ela ficou gritando com os pais dele.

–Nossa. – Eu falo, mas minha voz quase não se é ouvida. – Não sabia desse lado da minha mãe.

–Nem eu. – Lia concorda.

Nós ficamos juntas conversando por mais um tempo. Contei a ela do exame que vou ter que fazer para checar a minha memória e ela disse que passou pelo mesmo processo há mais ou menos 2 horas. Disse que não teve nada de novo no cérebro dela e que está tudo em ordem.

Minha enfermeira me chamou pra me levar à sala de exames e Lia me desejou boa sorte alegando que ia dar tudo certo.

Os médicos me colocam em uma maca (não sei por que, afinal, vim caminhando até aqui) e me levam até a sala de exames. No caminho, um menino loiro está bebendo água, recostado na parede.

Meu coração acelera, afinal, sei muito bem quem é. Sei de cor cada detalhe do seu corpo, seu rosto e seu cabelo.

Assustado com o barulho das rodinhas, ele se vira e assim que me vê, vem em minha direção.

Os médicos o barram e Chase chama meu nome acompanhando o carrinho. Levanto meu braço e pego em sua mão.

“Eu vou ficar bem” Movimento minha boca sorrindo. Chase sorri de volta e responde “Eu sei que vai”. Largando assim, minha mão.

Notas finais
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