Summer Love
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Colin
Muita coisa aconteceu essa noite. A mudança repentina de comportamento da Lia está definitivamente na lista. Ela me desprezava no início da festa e agora está aqui deitada no meu ombro. Não acho isso certo, definitivamente não. Claro que gostei, mas é estranho. Ela mesma diz que não quer ser mais uma na minha lista gigantesca. Eu também não quero ser apenas mais um na noite dela.
O clima no carro está tenso, mas não pesado. Estamos todos quietos. Acho que ficamos cansados de tanto agito em tão pouco tempo.
–O que vocês acham que vão fazer com o lugar? – Megan pergunta e se vira para trás.
–Com certeza vão fechar. – Digo.
–E depois? – Lia pergunta erguendo sua cabeça.
–Talvez transformem em uma loja ou restaurante. Acho que não vão abrir mais uma casa de festas no mesmo lugar. – Chase fala virando o rosto um pouco ara trás.
O telefone de Lia começa a tocar. Olho no visor e vejo o nome de Alex e a foto de um Coala como imagem de identificação.
Ela atende emburrada.
–Fala Alex. – Lia diz com um desdém extremamente explícito na voz. Depois de uma pausa ela fala: — Meu Deus! Desculpa, acho que na confusão acabamos perdendo vocês no caminho. O seu carro não está aí? ... Ah, acho que os seus pais podem pagar, não? – Ela estava tentando segurar o riso com todas as forças que ele podia. – Desculpa Alex, acho que vou ligar pra eles então. – E assim ela desliga.
–O que aconteceu? – Pergunto.
–A polícia pegou eles, fizeram o teste do bafômetro e prenderam os dois. Agora alguém tem que pagar para soltar eles da prisão.
Ela fala aquilo como se estivesse saindo vitoriosa. Como se a prisão de Alex e Ashley fosse um premio.
Há um tempo atrás ela riria da minha desgraça caso eu fosse preso. Ela ficou comigo só por raiva, e isso é mais que óbvio. Eu não quero isso.
Era exatamente isso que ela fazia com Alex. Isso não está certo.
–Colin? – Megan chama minha atenção.
–Desculpa, estava desligado.
–Percebemos. – Lia diz. – Você não tem o telefone dos pais do Alex?
–Alex é meu primo, é claro que eu tenho. – Respondo exatamente como ela responderia pra mim antes dessa noite. Lia me olha e consigo sentir um pouco de dor no seu olhar. Reajo de forma indiferente. Acho bom ela se sentir no meu lugar por um tempo antes de eu me entregar totalmente.
Alcanço meu celular para Lia e depois que ela explica a situação para minha tia, Chase oferece um passeio um pouco diferente.
Nós vamos à loja de conveniências pegamos algumas garrafas de refrigerante e fazemos o retorno para o morro da cidade. São 5 horas da manhã e daqui 50 minutos o sol começa a nascer. A vista de cima do morro é maravilhosa, acho que vamos aproveitá-la.
Ficamos uma meia hora dando voltas pela cidade até achar a entrada para o morro. A cidade de noite fica completamente diferente. É como se estivéssemos em outro lugar.
A rua que leva ao topo é estreita e está totalmente embarrada e esburacada. Perigoso, mas arriscamos. A paisagem vale a pena ser vista.
Assim que chegamos em cima, Chase desliga do carro e nós quatro descemos e sentamos na grama. Todos olhando para a cidade, com o mar atrás de nós esperando o sol. Megan e Chase estão um pouco afastados e eu tento manter o mínimo de contato com Lia, porque sei que assim que encostar minha pele, na dela, não terei mais controle do meu corpo. Infelizmente é esse o efeito que ela tem sobre mim.
Ficamos todos quietos na expectativa, e assim que Megan vê o primeiro indício de luz, a reação é a mesma. Nossos rostos tomam forma de admiração e algum suspiro salta da boca de Lia. Olho para ela com o canto do meu olho. Ela está com as mãos atrás do pescoço e os cotovelos apoiados nos joelhos. Seus olhos brilham mais do que o normal, e o sorriso em seu rosto é simplesmente maravilhoso.
Mas, como eu falei, não posso me deixar levar. Estou dando o troco na mesma moeda, apenas.
Depois de um tempo o sol já está no céu e começa a ficar abafado. Nós levantamos e entramos sonolentos, no carro.
Começamos a descer o morro e Lia pede para Chase ligar o rádio. Mas enquanto Chase tenta sintonizar em alguma FM boa, o carro passa com tudo por um buraco e acaba sendo jogado para fora da estrada de areia derrapando na grama úmida pelo sereno e pegando velocidade à medida que descemos a lateral do morro.
O sacolejo do carro tonteia a todos e faz Chase perder ainda mais o controle do veículo. O carro bate a traseira em uma árvore e segue girando até o fim e batendo a lateral direita com tudo em uma árvore no pé no morro.
Não me lembro de mais nada depois desse momento.
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