Sugar
1 Açúcar
Notas iniciais
Welp, é como eu disse nas notas da história, essa fic vai ser bem calminha e com a maioria dos capítulos curtinhos ♥ Vai ter drama mais pra frente, mas não planejo nada que faça chorar ou coisa do tipo. Só muito amor e muita fofura. Aliás, tá vendo o título? Sugar. Açúcar. É. mUITO AÇÚCAR
MUITO SWEET SWEET VANILLA
Você foi avisadx.
Espero que goste e boa leitura! ♥
Apesar das aparências, A-ya sempre preferiu coisas doces a amargas. Ele era um rapaz fora do comum, com os cabelos sempre desarrumados num tom fosco de preto, olhos castanhos — que, dependendo da luz, poderiam apresentar um belíssimo brilho avermelhado — bem fundos nas órbitas, dando-lhe um ar quase assustador. Seus traços eram delicados, quase femininos, com um nariz fino e empinado em conjunto dos lábios finos e secos, rachados. A pele extremamente branca e o corpo esguio, muito magro, deixavam-no com uma aparência ainda mais estranha. Algumas pessoas ousavam descrevê-lo como "fantasmagórico".
Todos achavam-no medonho. Com exceção de C-ta. Para o jovem de olhos verdes, A-ya era uma das pessoas mais belas que já conhecera.
C-ta sempre achou graça na maneira como os garçons e garçonetes da cafeteria nunca levavam sachês de açúcar junto do café de A-ya. Com sorte, ele ganhava um chocolate. Mas açúcar? Nunca.
Era hábito dos dois ir àquela cafeteria depois das aulas para conversar. Sempre pegavam a mesa ao lado da janela à direita do estabelecimento, aquela que vinha com uma agradabilíssima sombra de árvores em dias de sol e estava suficientemente próxima do aquecedor nos dias frios — além de ser uma das quatro maravilhosas mesas com assentos acolchoados, é claro. Depois de se sentarem, A-ya pedia um café expresso e C-ta um bola de sorvete sabor café. A-ya sempre reviraria os olhos com o pedido, alegando ser infantilidade comer doces antes do almoço, e C-ta daria risada, já que sempre tinha uma colherada roubada pelo amigo.
Esse era mais um desses dias. O tempo estava agradavelmente quente, e a sombrinha acima da mesa dos dois era vencida por alguns raios de sol furtivos, deixando manchas douradas na madeira e porcelanato. Assim que sentados, um na frente do outro, começaram a conversar sobre os mais diversos assuntos; ou, pelo menos, tentaram. No final, tudo se voltava para as grandes "aventuras" de A-ya ao espalhar boatos pela escola e ser confrontado por suas vítimas desgostosas. Só perceberam que já haviam feito seus pedidos quando o café e o sorvete chegaram, tão absortos estavam na conversa.
C-ta observou, pela milésima vez, enquanto A-ya dava um gole cauteloso em seu café, com cuidado para não queimar a língua. Ele viu como ele semicerrava os olhos inconscientemente, como seus lábios pálidos se apertavam para soprar o vapor e, então, irem tão calmamente de encontro à porcelana da xícara. Como alguém poderia não achá-lo lindo?, C-ta se perguntava. Não conseguia entender.
Quando A-ya provou o café, entretanto, torceu o nariz e apertou os lábios numa careta. C-ta riu, já sabendo o problema, e apoiou a cabeça numa mão.
— Açúcar?
— Sim, por favor.
Com a mão livre, C-ta pegou a colher, pegou um pouco de seu sorvete e, ao invés de tomá-lo ele mesmo, jogou o doce dentro do café, que por pouco não transbordou.
— Ei! — A-ya protestou, contendo um sorriso ao tentar se fazer de bravo.
C-ta, lançando-lhe um sorriso desafiador, ergueu as sobrancelhas.
— Quer que eu tire?
— Não — resmungou A-ya, revirando os olhos e levando a xícara aos lábios novamente. — Idiota.
— Você fala isso toda vez — C-ta retrucou, sorrindo.
— Só porque você nunca aprende — e tomou um gole.
Copiando-o, C-ta deu uma segunda colherada em seu sorvete e comeu.
— Não mesmo — defendeu-se, entre lambidas nos lábios. — Você adora quando eu faço isso.
— Não que eu tenha escolha.
Após alguns segundos de estranho silêncio, A-ya, antes focado em seu café, olhou para C-ta, que o encarava, o canto de seu lábio apertando a bochecha numa expressão cética.
— Tá bom — A-ya suspirou, as orelhas vermelhas. — Fica gostoso.
O rosto de C-ta se iluminou.
— Eu sei.
Era assim que passavam as tardes, conversando, se provocando. Eram a imagem perfeita de bons amigos, mesmo sendo tão diferentes um do outro — física e mentalmente. C-ta não queria que nada daquilo mudasse; ele amava as tardes descontraídas que passava com o amigo, as conversas inúteis. Amava o modo como suas mãos às vezes se tocavam por sobre a mesa e nenhum dos dois parecia se importar, ou como andavam juntos, um ao lado do outro, pelas calçadas, conversando e rindo enquanto os ombros se esbarravam eventualmente.
Era uma das melhores sensações que ele poderia imaginar. Ele se sentia leve, em paz. Era como se tudo fosse bom desde que ele estivesse com A-ya, desde que eles continuassem sempre juntos. Se nada mudasse, C-ta ficaria bem. Tudo ficaria bem.
Ele só desejava que, um dia, talvez, A-ya fosse capaz de realmente olhá-lo nos olhos.
Notas finais
É isso. Até o próximo capítulo (vamos torcer para que saia logo)! ♥
gentecomoéquefazpradeixarsuspenseemhistóriasemmistérioohmy
Fale com o autor