Succubus : Esperança.
12 Híbrida
Notas iniciais

( Feiticeira nebulosa)
Enquanto Sinky dormia ao lado de sua irmã, Lís devorava cada frase que conseguia ver sob a luz dos raios. Seus olhos brilhavam a cada nova descoberta, e quem diria, aquele livro tinha muito mais para mostrar do que apenas um título interessante. A noite passou silênciosa e ligeira para sorte das duas, e logo Sinky acordou novamente.
– Bom dia ... eu acho. — Disse a mais nova, com a voz rouca e preguiçosa.
– Bom dia ! — Lís estava aparentemente ansiosa para contar algo. — Você é um híbrido, entre duas espécies muito diferentes ! E possui dons próprios. Nenhum dos dois absorve almas.
Mais uma vez, Lís despejou informações demais. Sinky coçou os olhos e esperou mais informações, que com certeza virão aos montes.
– Você, basicamente possui força e poder superior as duas. De acordo com o livro, você pode absorver qualquer coisa, e de qualquer um, desde almas a lembranças. E até mesmo o dialeto de quem for seu alvo. Nada permanente, você precisa usar essas habilidades periodicamente caso queira por exemplo falar a língua dos anjos, ou demônios ou qualquer outra criatura que possa aparecer. E por isso existem poucos como você. Basicamente você é a arma perfeita contra demônios e anjos.
– Não quero ser uma arma. — Foi tudo que Sinky conseguiu falar.
– Claro que não, pra isso precisamos treinar, e entender cada habilidade sua.
– E onde faríamos isso ? Algo me diz, que aqui é um dos piores lugares para isso.
Lís se levantou, segurando o livro cuidadosamente, e com os punhos fechados.
– Vamos procurar a feiticeira nebulosa. Segundo o livro, existem muitas delas, e elas sabem exatamente tudo sobre o que precisamos saber.
Sinky poderia se render, poderia ficar ali, e esperar a morte, mas não poderia fazer isso com a sua irmã, e unico membro da família, e muito menos ignorar o pedido do ser que lhe salvou a vida. Ela então sorriu, pegou a bolsa com os livros, segurou Lís pelas mãos e sairão do casebre.
Lá fora, tudo era lama. Um odor forte de animais mortos, se espalhava no ar. Nonehill parecia um imenso chiqueiro. As duas caminharam devagar, com seus sapatos afundando em lama e sujeira.
– Onde encontramos essa feiticeira ? — Sinky parecia cansada mesmo depois de uma razoável noite de sono.
– Não faço ideia. Mas diz aqui, que ela ficam sempre perto de florestas,bosques, enfim, em lugares calmos, e que tenham muitas árvores. Segundo elas, as árvores são como um neutralizador de poderes.
– Ótimo, então precisamos apenas achar, um lugar com árvores e elas estarão lá.
– Basicamente...
Nonehill era uma vila muito simples e pacata, não havia nada nela, que qualquer outro lugar já
não tivesse. Logo estavam fora de lá. E a frente havia somente um tapete verde quase infinito. No horizonte apenas um veludo verde que seguia até onde os olhos podiam alcançar. Sem árvores, ou pedras, apenas uma planície calma e verde. As duas meninas pararam e olharam para frente, um tanto preocupadas com o novo destino. Então olharam para trás. E viram que embora o medo fosse algo paralisante, não podiam deixar que a morte das pessoas fossem completamente em vão.
Antes de seguirem viagem, duas crianças se aproximaram de liz, e lhes deram um colar feito com uma pequena pedra verde, amarrada em um cordão rústico marrom. E a menor das crianças lhe disse.
– Se você achar meu pai, lhe entregue isso. Eu que fiz, mas não pude entregar.
Lís pegou o colar com os olhos cheios de lágrimas, e o colocou no pescoço.
– Eu entregarei, com toda certeza.
A mais velha, um menino, que segurava a mão do seu irmão mais novo,olhou para Lís, e
quando seus olhos cruzaram, ele voltou os olhos para o chão.
– Vocês voltaram ?
– Sim. — Disse Lís.
– Obrigado.
As duas crianças voltaram para dentro da vila, onde outras crianças a esperavam. Eram apenas almas, que de algum modo, por algum motivo não encontraram o chamam de paraíso. Estava fadadas a esperar e esperar até que alguém possa lhes levar dali. De encontro com um lugar onde não haja dor, nem choro.
– O que houve ? — Sinky não viu, nem sentiu as crianças.
As duas começaram a andar de encontro ao horizonte.
– Lembra quando você perguntou, porque eu era tão frágil, e eu respondi dizendo que, há pessoas que nasceram para proteger pessoas que já se foram ?
Sinky fechou os olhos e suspirando lembrou. Foi no mesmo dia em que Leona morreu.
– Eu e minha mãe, nascemos, com a missão de cuidar e acalentar as almas de quem ja se foi, isso quer dizer que eu vejo almas,eu as vejo, sinto, ouço, como se fossem vivas.
– Entendo.
Com essa retrospectiva. Sinky reviveu em sua mente, a sensação e as lembranças do dia em que encontrou Leona, morta dentro de casa. Seu corpo tremeu.
– Não pense nisso novamente, não temos tempo para isso.
Lís por algum motivo, estava mais durona do que era antes. Estava centrada e objetiva. Não havia mais medo e dúvida em suas palavras e em seus olhares. Parecia um jovem guerreira caminhando sozinha para batalha.
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