Succubus : Esperança.

13 Os olhos rubros


Notas iniciais
Boa leitura !

As duas irmãs andavam por horas, em cima daquele infinito tapete verde. O sol aparecia raramente, e seus raios que chagavam até elas, era tímido e fraco. As nuvens densas pareciam nem mesmo se afastar com a brisa gelada constante.

Naquela altura da caminhada Lís, ja carregava a bolsa e Sinky os alimentos. As duas não haviam se alimentado desde que saíram da casa de Kim. Não tinham fome, e o medo de parar e comer, e talvez por alguns segundos baixar a guardar e serem mortas, afastava qualquer hipótese de sentar e comer.

Lís e Sinky caminhavam em passos ritmados, quase como uma marcha, e nenhuma palavra era dita. No horizonte, nada além de grama baixa. Nenhuma árvore ou pedra ou qualquer sinal de vida. Apenas aquele imenso gramado.

– Por quanto tempo estamos caminhando ? — Indagou Lís.

– Não faço ideia. Perdi qualquer noção de tempo, desde que fomos para a casa da sua conhecida.

Lís suspirou, e as duas continuaram a caminhar em silêncio.

–Sinky, chega, precisamos parar, preciso comer, beber água, preciso dar uma pausa para as minhas pernas.

Era tudo que ela precisava ouvir. Sinky sentou ali mesmo onde estavam. No meio do nada.

– Mas aqui ? Não parece ser aberto demais ? — Lís ficou olhando desconfiada para os lados.

– Não há onde se proteger, nem aqui, nem em lugar nenhum.

Lís concordou, e embora tensas, resolveram comer cada uma, um lata de feijão e dividir um copo de água mineral.

– Lís ...

– Sim — Disse ela com a boca cheia.
–
Como aprendeu a ir para a casa da Kim ?

Lís engoliu rápido, e ficou olhando para a irmã curiosa, sem saber o que dizer.

– Eu ...Conheci uma vez, a alma de um senhor, que apareceu no meu quarto, quando a minha doença era muito mais forte e voraz do que você conheceu. Ele sempre me acalentava, quando eu pensava em acabar com a minha própria vida. E um dia ele disse que precisava ir embora, e ajudar outras crianças. E me deixou uma ampulheta, minuscula, que depois Leona fez dele, um pingente pro meu colar. Um dia eu estava olhando para ela, e notei que havia mesmo areia dentro dela, mesmo sendo minuscula. E eu a virei para vê-la correr para o outro lado. Quando dei por mim, estava naquela cidade. Primeiro eu me assustei, mas depois de uns dias fazendo isso. Eu me acostumei e sempre que me sentia sozinha, visitava Kim.
Sinky limpou os cantos da boca, e bebeu um gole farto da água.

– Mas então para que o cálice e o sangue ?

– Era só um efeito dramático. Minha via sempre foi muito calma e cheia de cuidados. Queria um efeito dramático e aventureiro, sinto muito.

– Dramático foi mesmo, eu quase morri ao ver o sangue.

As duas riram, como a muito tempo não faziam. Desde a morte da mãe, as duas ficaram mais próximas, mas não se atreviam a fazer brincadeiras.

Mesmo depois da humilde refeição,as irmãs ficaram sentadas ali, olhando ao redor como tudo parecia mágico fora de nonehill. O ambiente ainda era pesado e hostil, mas nada comparado ao terror que se instalou na vila. No horizonte uma minuscula silhueta negra andava em direção a elas. O corpo ainda estava muito longe, para ter ideia de quem ou o que era. Mas andava ligeiro, e não carregava nada consigo, exceto pelo pacote em seus braços. As duas se levantaram rapidamente e pensaram em correr para longe, mas o cominho contrário seria para Nonehill, e nada era pior do que voltar para lá.

A forma, foi chegando cada vez mais rápido, e logo viram que era um homem, cujo olhos eram mais cintilantes que o próprio sol. A cor avermelhada, deu uma espécie de calafrios em Lís, que segurou firme a mão da irmã. Sinky ao prestar um pouco mais e atenção, percebeu que o homem, era quem tentou lhe sequestrar no bosque do lago, até que algo interviu.
Quanto mais se aproximava mais detalhes ela podia perceber. Seus olhos estavam quase fechados e inchados. Seu cabelo bagunçado, como se tivesse passado no meio de uma tormenta, e suas mãos cobertas por sangue seco.

– Lís, foi ele.

– Ele quem ? — As duas falavam baixo, como quem não quer acordar alguém que dorme ao lado.

– Quando você me encontrou amarrada no meio da confusão. Ele quem tinha me amarrado.

As duas ficaram lá, em frente a ele fitando-o com desconfiança.

O homem se aproximou. Lís respirou fundo.

Quando Derick, já estava a poucos metros de distancia. Ele a reconheceu. E os dois ficaram se olhando deforma intimidadora.
Então ele continuou andando, até passar por entre elas, e fixar seu olhar ameaçador em Sinky. Que retribuiu de forma hostil.

– Para onde você está indo ?

Lís era a única da situação que conseguia manter total concentração,mesmo em situações de risco.

Derick passou em silêncio. E então Sinky jogou a lata de feijão vazia nas costas dele. Provocando qualquer reação. A lata o tocou e ele mesmo assim, não deu importância. Ela então grita:

– Ela falou com você !

Derick parou de andar, respirou fundo, cerrando os punhos. E sem olhar para trás respondeu:

– Nonehill.

As duas se olharam desconfiadas.

Notas finais
Obrigada por vir ler !