Succubus : Esperança.
4 A Sombra e o Fio
Há dois dias, Lís ficava sentada na cadeira que estava quando sua mãe morrera. Ela ficava lá, olhando para o chão, revivendo a cena da sua mãe. Ela mergulhou em uma tristeza profunda e em um luto absoluto. Sua roupas sempre leves e românticas foram queimadas em um fogueira que ela mesmo fez, ao lado do lago. Refez toda a decoração do seu quarto,e assim como suas roupas, era escuro e pesado.
Lís respirava lentamente, pouco falava e mal se alimentava. Quando sua mãe se foi, aparentemente um pedaço de Lís morreu junto.
– Lís, por favor, eu sei que ainda é muito recente,mas por favor, reaja !
Suplicava Sinky, ao ver a sua irmã, estática olhando para o chão, como se o corpo ainda estivesse lá. Lís, não respondeu. Olhou para a sua irmã com semblante triste e cansado, e balançou a cabeça negativamente.
Todos funcionários da casa estavam cada vez mais preocupados com a menina. Doente e sozinha, não havia muitas perspectivas. Lís estava cada dia mais doente, e fraca, e ninguém podia lhe ajudar. Nem mesmo Sinky que todo os dias, fazia o que podia para que Lís ao menos dormisse mais do que duas horas.
Os dias passavam lentamente, como se fosse de propósito. O ambiente estava insuportável, alguns de seus funcionários decidiram deixar a casa, não podiam trabalhar com a imagem aterrorizante da morta na sala. O jardim e o lago, não foram mais cuidados, como antes. O jardineiro foi embora, para outra cidade com a família, para uma casa onde o salário era melhor.
A noite estava chuvosa, uma garoa fina caiam lentamente sobre os vidros das janelas. Sinky estava sentada em frente a lareira, comendo um de seus doces prediletos, quando ouviu alguém correndo no andar acima. Ela levantou-se desconfiada, pois Lís estava deitada há horas, e onde havia barulho, era o seu quarto. Sinky deixou seu bolo em cima do sofá, e andou discretamente até as escadas. E então foi subindo devagar, e sem fazer som algum. Seu quarto era o último cômodo do corredor oeste. As luzes estavam apagadas, e a porta entre aberta. Antes de chegar ao seu quarto, Sinky parou em frente a porta do quarto da sua irmã, e então ouviu algo ali também. Ela abriu a porta bruscamente, e em cima dela, havia uma sombra trêmula e negra. Lís dormia tranquilamente, e um delicado fio azul cintilante ligava a sombra ao corpo da sua irmã.
Sinky sentiu uma dor aguda no peito, e uma falta de ar apavorante, que a fez cair de joelhos imediatamente, ao entrar no quarto. A sombra então deixou a sua irmã, e foi rastejando em direção a ela. Seus olhos eram grandes e amarelos, brilhavam sinistramente como duas moedas de ouro recém feitas. Ela tentou gritar e começou a de debater, até que então lembrou do cordão que ganhou de uma das irmãs do convento ao deixá-la para morar com Leona. Ela o puxou, e nele tinha um pequeno crucifixo de ouro.
E no momento em que a sombra o atacaria, ela levantou o cordão, que brilhou vigorosamente, ele então soltou um grito de horror ao objeto, caiu fraco, e então a dor passou e ela pode respirar novamente.
Lís permanecia na cama, deitada, ela não estava dormindo, Lís nunca dormia tanto depois da morte da mãe, a sombra havia feito algo a sua pobre irmã. Enquanto a sombra ainda se debatia no chão, Sinky, tentou pegá-la do colo mais uma vez e fugir dali. Mas ela parecia estar presa, Ela gritou, e balançou a irmã e todas as maneiras, mas ela não respondia. E então Synki novamente, ouviu um estalo, e nada mais. As imagens pareciam desacelerar. As cores pareciam sumir do mundo. Tudo ficou em silêncio mais uma vez, e em preto e branco. O único som que ela ouvia era da sua respiração ofegante pelo pânico de perder a sua irmã. E então, ela viu que havia ainda um discreto fio claro, que os ligava ainda. Furiosa. ela segurou o fio com as duas mãos, e usando toda força que podia reunir e o puxou, e então os dois não tinham mais ligação alguma. A parte que ligava a sombra ainda estava em suas mãos. Seu coração batia cada vez mais forte Sua irmã ainda não acordara. Ela puxou a sombra pelo fio em direção a ela. com mais força que havia usado antes. Sinky estava com um sorriso macabro nos lábios, na cabeça dela, aquilo havia matado Leona e estava aqui para matar o restante da sua família. Ela continuou puxando, e enquanto a sombra se debatia para tentar desligar-se do fio, a garota abriu a boca, como quem dá uma mordida em uma maçã vermelha, e suculenta, e o sugou para dentro de si.
Tudo estava em silêncio, ela não conseguia ouvir a sua irmã que havia acordado gritando em desespero ao ver a cena da sua cama. Não podia ouvir o grunhido horripilante da sombra ao ser devorada, e nem o barulho da chuva ficando cada vez mais devastadora do lado de fora. Ouvia apenas o seu coração batendo tão forte que seu peito doía.
Finalmente a sombra foi engolida por completo. Apenas o fio ficou em sua mão, e foi sumindo vagarosamente, como cinzas ao vento. E então, as cores voltaram e os sons também, e então ela ouviu Lís gritando, e a segurando pelas mãos. Sinky não sentiu nada antes.
O quarto estava completamente destruído. Sua respiração rápida e profunda. Sua irmã segurando a sua mão, sentada no chão e com o rosto coberto por lágrimas. Synki não sabia o que dizer.
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