Succubus : Esperança.

5 Naturalmente sobrenatural.


Notas iniciais
A partir desde capítulo, além das palavras, haverá também imagens dos personagens. Cada novo capítulo uma nova imagem, onde lhe ajudará a entender melhor a parte física de cada um dos personagens.

O quarto estava completamente destruído. Lís havia se acalmado brevemente, Sinky sentou na cama bagunçada da sua irmã, e observou minuciosamente cada objeto destruído do lugar. Ela permaneceu calada, embora houvessem milhões de perguntas a serem feitas e respostas obtidas as duas optaram pelo silêncio.

Aparentemente toda a balburdia foi silenciosa não só para Sinky, mas para o resto dos empregados, já que ninguém veio ao seu socorro. As mãos da jovem tremiam bruscamente, seus olhos estavam arregalados. Foi a primeira vez que Lís viu sua irmã tão notoriamente abalada.

– O que era aquilo ?

Sinky decidiu quebrar o silêncio.

– Um Etério.

Lís tinha muito mais a dizer, como por exemplo, como eles chegam até o mundo físico, porque se alimentam das almas. Uma infinidade de informações, mas neste momento seriam todas completamente inúteis. Uma vez que elas ainda estavam em choque.

– Foi ele quem matou a Senhora Leona ?

– Provavelmente, eu não sei ...

– Eu acho que sim.

Sinky encerrou seu breve interrogatório. Não havia mais nada que pudesse lhe acalma naquela noite chuvosa. Ela poe-se de pé.

– Acho melhor dormir em outro quarto, até que possamos ajeitar tudo novamente.

Lís apenas concordou balançando a cabeça. Embora tenha pego seus pertences e levado para o quarto da sua mãe, nenhuma das duas dormiu aquela noite. Ela permaneceu sentada na cama, revivendo a cena em que sua irmã mais nova engole uma sombra que costuma ceifar a alma de qualquer coisa viva. E sinky desceu as escadas ainda assustada, sentou-se no grande sofá de veludo verde escuro em frente a lareira, onde o fogo ardia bravamente entre os pedaços de madeira. E em ambientes separados, as duas pensavam em suas maneiras como tocar neste assunto, pela manhã.

O sol nasceu tímido, as nuvens de chuva iam embora vagarosamente, com o vento que soprava forte. As folhas do salgueiro centenário que ficava no quintal voavam ligeiro para longe, deixando os grossos galhos nus. Lís desceu as escadas ligeiro. Suas roupas estavam como antes, claras e alegres. Parecia que a doce menina doente, havia voltado depois de dias presa em um lugar pequeno e escuro.

Sinky sorriu a ver a irmã como antes, talvez o que quer que seja que tenha destruído ontem, tinha relação com a saúde dela.

– Não, eu não estou curada. Ainda estou doente, só que muito mais disposta.
Disse Lís, sem que sua irmã dissesse uma única palavra.

– Você quer saber o que aconteceu ontem, ou prefere que nunca mais toquemos no assunto ?

Sinky pensou por longos minutos. Ela poderia saber o que aconteceu com ela, e até quem sabe com sua mãe. Ou poderiam apenas esquecer, e seguir a vida, afinal havia muito o que ser feito, afinal eram apenas duas garotas, que tinham muita coisa para administrar.

– Eu quero saber.

Disse Sinky, que se arrependeu ligeiramente. Ela nunca gostou muito de aventuras. Era mais fácil aceitar as coisas e dizer a si mesma, que o mundo era assim porque Deus quis.

– Ótimo.

Sorriu a garota. Vamos comer alguma coisa, vamos precisar de uma muito energia. Eu fiz isso apenas uma vez, e voltei faminta. Então comeremos algo e vamos até uma grande amiga.

Lís segurou a mão de Sinky e a levou até a cozinha, onde todos já estavam trabalhando. A mesa estava posta, e farta como sempre. Elas se sentaram e comeram o máximo que puderam. Sinky sempre teve um ótimo apetite, mas todos ficaram impressionados com Lís, que engolia tudo que estava ao seu alcance. Pelo visto seria uma longa viagem. Ao terminar de comer, as duas agradeceram a cozinheira Margô, como todas as manhãs, e subiram juntas ao quarto de Lís.

Ele ainda estava destruído, as janelas estavam abertas e o forte vento entrava com vigor, balançando a cortina fina.

– Sente-se.

Disse Lís, ja sentada no chão, segurando um pequeno cálice de prata. Parecia antigo, havia muitas flores entalhadas nela. Sinky não rejeitou o pedido da sua irmã e sentou-se bem a frente dela.

– E agora ?
– Bom, eu preciso de um pouco do seu sangue e um pouco do meu.
– E como faremos isso ?

Lís sempre foi delicada e sensível, falar sobre sangue, morte e coisas do tipo era muito estranho, até porque Sinky tinha pânico de sangue. E não só sangue dela, sangue de qualquer coisa, animais, humanos, ou até mesmo seivas de plantas de cor vermelha. Ver ela em pânico era como ver uma briga entre uma tartaruga e um rato dentro do aquário. No começo é até engraçado, mas no final, não há nada mais cruel.
Antes que Sinky pudesse ter uma reação adversa, Lís pegou um canivete, ligeiramente afiado, feito do mesmo material que o cálice e igualmente entalhado com inúmeras flores, e então cortou levemente o dedo indicador da sua irmã, e logo em seguida o seu. As duas pressionaram os dedos um contra o outro.

Algumas gotas caíram exatamente dentro do cálice. E foi quando tudo começou a peder a cor. E ficar em silêncio. Mas desta vez vagarosamente. Lís começou a cantar, uma música antiga, sobre flores de cerejeira e uma assassina. Sinky tentou entender a canção, mas seus olhos foram pesando e seu estomago ficando mais sensível.

– Lís, não me sinto bem ...

Lís ouviu, sorriu e continuou cantando. Quando alguém surgiu e tocou os ombros de Sinky.
Os sons e as cores voltaram. Mas não estavam no mesmo lugar.

– Lís ! Onde estamos ?!
As duas meninas estavam no meio de uma rua, onde muitas pessoas passavam apressadas e até mesmo algumas carroças. Era um lugar muito agitado. De todos os lados haviam pessoas, correndo, falando e até mesmo comendo. Nenhum vento, nenhuma chuva, apenas um sol, agradavelmente quente.
– Bom, não era exatamente aqui onde eu queria chegar, mas, devemos estar perto.

Lís se levantou rápido, ainda segurando o cálice e o canivete.

– Não se preocupe irmãzinha, vamos achar a Kim, logo logo.

As duas andaram depressa por entre as pessoas, entrando e saindo em diversos estabelecimentos. Lís parecia empenhada em achar a moça. Ela parecia conhecer intimamente cada centímetro do lugar, e mostrava uma vitalidade nunca antes vista.

No final havia uma casa grande, de dois pavimentos, toda feita em madeira e bambu, delicadamente decorada com muitas flores e lagos pequenos com muitos peixes dentro.

Lís sorriu satisfatoriamente, entrou na casa, e gritou por Kim. E então apareceu uma mulher muito bem vestida. Lembrava muito uma gueixa, mas sem os modos delas.

Lís, minha flor de jabuticaba ! Como é bom vê-la !

Ela correu em direção a ela e abraçou com forma.

– Kim! Como senti sua falta. Ouça, preciso de sua ajuda, mas tem que ser segredo.

Kim fez uma cara que não dava para saber se estava desconfiada e feliz.

Sinky preferiu entender como uma cara de quem gosta de segredos.
A moça as levou para dentro de uma sala, protegida por paredes de bambu e papel de arroz. E dentro desta sala, havia outra porta, que as levou a outra sala exatamente igual, só que um pouco maior, e ironicamente dentro dela, havia outra porta, que as levou para um sala, escura, onde uma única porta dava acesso a ela. E para chegar lá, tinham que descer uma longa escada, feita de concreto e muito mal iluminada.