Successors
2 Il
Notas iniciais
Eddie me olhou, repreendedor.
– Não. – Mason disse amargo. – Coma o que quiser...
– Sorry – disse, mesmo assim pegando o hambúrguer. O prêmio de insensível vai para... Alyson Blue Carter. Mas qual é, eu estava faminta.
Dei uma mordida no lanche quando Chris falou:
– Galera, o Drake mandou uma mensagem. Quer que o encontremos na pista nove. Sem atrasos.
Assentimos. Sabemos como o Drake odeia atrasos.
Pagamos e fomos aos carros. Iriamos no meu carro, eu dirigindo, Mase no carona e Eddie e Chris atrás.
Pegamos um trânsito daqueles. Só iriamos conseguir pegar a segunda ou a terceira corrida. Merda. Fiquei olhando para a estrada concentrada, até eu avistar a pista. Vários carros e motos, com aros cromados. Vários motoqueiros e algumas prostitutas, pessoas apostando dinheiro e um locutor com cara de drogado. Bebida rolava livre e acho que senti cheiro de fumaça de cigarros. Mas, bem, eu já estava acostumada. A segunda corrida estava no final.
– Mase, tá acordado? – Cochichei para Mason, que estava com a cabeça apoiada na porta. Ele não se mexeu, mas vi seus olhos e cílios tremerem. Ele estava fingindo. Provavelmente para ver o que eu iria fazer. Mason sua criança mal-amada. Neguei com a cabeça. Chris e Eddie olharam para mim, em expectativa. A segunda corrida ainda estava rolando, tínhamos tempo.
Sorri má, Mason você vai aprender uma lição, camarada.
Passei a mão em seus cabelos dourados e vi-o lutando para não se mexer. Passei mas suavemente e nada. Vou ter de usar métodos mais extremos. Olhei para Eddie e Chris e sorri.
Okey, Mase, você que pediu. Beijei sua bochecha direita devagar. Ele se arrepiou, mas continuou fingindo. Achou que eu iria cair nessa né? Idiota.
–Mason — falei em minha voz mais sedutora, beijando seu pescoço. – ACORDA VAGABUNDO! – Grite.
Ele pulou, e como era um pouco alto, bateu a cabeça no teto do carro.
Eddie, Chris e eu ríamos tanto, que chegamos a chorar. Mason me olhava com raiva e vergonha ao mesmo tempo.
Parei de rir quando meu abdômen começou a reclamar.
–Isso foi hilário – disse Chris ainda rindo junto com Eddie, zoando o Mason. Patetas.
Mas eu também estava rindo, o que me fazia uma pateta também. Alyson pateta. Chega, cansei disso.
– Vamos, Drake está esperando agente. – Dei um soco fraco no braço de Mason, tentando deixá-lo mais confortável, e saí do carro.
Ouvi-o murmurar antes de sair do carro: “Doze vezes, Blue.”
O barulho das portas chamou a atenção dos motoqueiros parados na estrada. Alguns, assim que nos reconheceram, voltaram a fazer o que estavam fazendo. Outros, que não nos conheciam, continuaram a nos encarar, quer dizer, me encarar. Mas assim que receberam três olharem raivosos, desviaram o rosto. Ser a caçula da turma às vezes é bom.
–Isso acontece sempre – reclamou Chris.
– O que disse, Walker? – perguntei, descontraída, olhando em volta, checando as aposta de hoje.
– Isso – apontou para alguns motoqueiros que ainda me encaravam, e assim que viram Chris, viraram o rosto. – As pessoas te secando sem nem tentar disfarçar.
–Não posso culpá-los. – Sorri me fazendo de convencida.
Sei que sou bonita pra minha idade. Meu corpo é... Diferente, evoluído demais para minha idade. Meus olhos são azuis, bem azuis mesmo... E meu cabelo é loiro dourado e é ondulado até as costas, mas o pinto de azul escuro. Queria fazer algo diferente, já que iria mudar de estado. A Ideia do azul veio da minha melhor amiga, Ever, pelo irônico fato que meu sobrenome é Blue. Então lá se foram duas adolescentes de quatorze anos pintarem o meu cabelo com tinta de supermercado. Ficou uma merda, eu admito, mas Ever me levou ao salão de beleza e concertou tudo. Então ficou.
–Sua convencida. — Eddie me acusou, embora estivesse rindo.
Os olhares não pararam. O quê? Já viu a garota gostosa do cabelo azul, agora pra quê encarar o tempo todo?
Já ia mandar alguém pra aquele lugar, quando me senti sendo levantada do chão. Mason tinha seus braços me segurando nas costas e nas minhas pernas.
–Mase, o que você tá fazendo? – Sussurrei em seu rosto. – Pirou?
– Quero ver te olharem agora.
Ele estava certo. Todos os olhares cessaram.
Mandei-lhe um sorriso agradecido, quando ouvi uma voz fria tentando soar calorosa.
–Blue, vocês demoraram. – Reclamou Drake de braços cruzados, se aproximando de nós. Ele tinha um sorriso idiota no rosto, que se transformou em confusão e um pouco de raiva quando me viu no colo de Mason. Ele usava camiseta de marca e jeans, e tinha um Piercing no lábio inferior e uma tatuagem de crânio no ombro direito. Típico. Seus olhos castanhos escureceram em malícia quando pararem um mim. Ele meio que tinha uma queda pela minha pessoa, o que era ridículo, pois ele tinha cinco a mais que eu. Mason me colocou no chão.
– Drake. — Mason o cumprimentou de cabeça, um pouco seco. Eles não se gostavam, era fato.
Já Chris e Eddie o cumprimentaram com apertos de mão.
–Vai correr hoje, Blue? – Ele piscou pra mim.
Assenti, olhando a pista dezenove se esvaziar. Um dos carros tinha capotado e a equipe de preparo foi ajudar o cara a remover o automóvel da pista.
–Parece que a corrida acabou mais cedo. – Eddie disse, olhando a pista também.
Chris assobiou.
–Quantos na próxima? – Mason franziu a testa.
– Não sei. – Drake andava de um lado para o outro, chutando pedrinhas e consequentemente poeira. – Vieram poucos corredores hoje, talvez pelo fato que seja terça-feira, ou... – Sorriu, puxando sua cicatriz para baixo. – Talvez pelo fato que eu vou correr hoje.
– Fico com a terça. – Falei, o provocando.
– E eu fico com você, Blue – disse.
Revirei os olhos. Tem gente que gosta de rejeição, Drake era uma delas, infelizmente.
–Hoje são cinco corredores. – Drake disse, olhando um papel. – Eu, você, Mason, Eddie e... Anh? Nessie, é esse o nome?
Puxei o papel para baixo para que eu pudesse ver também. Sim, eu não sou alta. Tenho 1,69.
–Sim, é Nessie. Nunca a vi correndo por aqui – comentei. – Será que é boa?
–Provavelmente não. – Chris disse.
Eddie estalou a língua.
–Não sei, pra entrar em uma corrida com a gente... Não pode ser ruim – disse.
–O que importa? – Ri. – Drake, como estão as apostas hoje?
– Seiscentos em mim, quinhentos e vinte em você, quatrocentos e cinquenta no Mason e quatrocentos no Eddie.
Aposto que ele está dando pulinhos de alegria por saber que tem a aposta mais alta. Não. Risca isso. Drake pode ser arrogante, sarcástico, idiota, malicioso, mas infantil ele não é.
–Nessie? – perguntei.
– Nada. – Ele balançou a cabeça, frustrado. Ficar sem controle da situação não é algo muito legal para Drake. – Não entendo. Ela entrou há menos de uma hora.
– Vai entender. – Dei de ombros, não ligando muito.
Ouvi um ruído de microfone.
–Inscritos da corrida três, por favor, em suas marcas.
– Vou indo – acenei e fui para o meu carro. Vi Mason e Chris acenarem de volta, mas Eddie já estava caminhando rumo ao seu carro.
Vi pelo retrovisor os garotos indo para seus carros no estacionamento. Mason e Eddie deixaram seus carros com o Locutor. Retardados, correndo risco de roubo. Assisti enquanto uma Ferrari prateada ia para sua marca. Deve ser a tal de Nessie.
Abri meu porta-luvas e peguei um CD, o colocando na entrada do rádio. Fiquei mudando as músicas, até achar uma que me agradasse e aumentasse minha adrenalina, que por acaso já estava alta.
–Vamos correr, então – murmurei para mim mesma, agarrando o volante preto de couro com convicção.
Contornei com o carro até a largada.
Jenny , a garota da largada de hoje, chegou a pista mandando olhares maliciosos para todos a sua volta. Ela era a garota de dezenove anos que foi parar lá por causa de uma aposta. Não virou o último Drink então daria a largada de hoje. A plateia deu gritos de animação e alguns de seus amigos algumas vaias seguidas de risos, quando ela tirou a calcinha lentamente e a jogou no chão, indicando o começo da corrida
Arranquei dali com o carro em 140Km. A estrada estava escura e com um pouco de neblina. Via pontos vagos iluminando o caminho. Eu estava em primeiro lugar, mas tinha um carro se aproximando. Não consegui identificar quem era, apenas pisei mais fundo no acelerador. Ouvi carros rangendo logo atrás de mim.
Tive um vislumbre daquele carro prateado de novo. Nessie estava me seguindo, buzinando de um jeito esnobe para mim.
Não, agarrei o volante com fúria, a novata não vai ganhar de mim.
Meu rádio começou a falhar, pipocando entre as estações. Eu não tinha colocado um CD?
Continuei dirigindo rapidamente, sem me importar se rasgaria a cabeça no asfalto.
Eu estava cansada, precisava parar. Meu vício falou mais alto. Eu necessitava tomar café. E rápido. Sei que não é recomendável a uma garota de quinze anos ficar viciada em café, mas isso vinha acontecido comigo à dois anos, não era algo que eu poderia controlar. Era uma dependência como qualquer outra.
Nessie continuava a se aproximar. Comecei a estranhar. Eddie, Mason e Drake são os melhores corredores de pegas que eu já conheci, onde estavam? Não fazia sentido que a novata estivesse logo atrás de mim e eles atrás dela. De jeito nenhum. Será que houve alguma coisa? Acontecera algum acidente?
Só então percebi que estava 90km. Muito rápido certo? Não, para um pega, isso era como andar de bicicleta. Eu estava muito devagar. Se estivesse em outras circunstâncias me sentiria envergonhada. Afinal, era apenas por isso que a novata estava logo atrás de mim, buzinando que nem uma total pirada.
Se estou dirigindo tão devagar, como os garotos não me alcançaram?
Estava tão absorvida na minha pequena teoria, que não notei que aquele estranho barulho começara novamente. O barulho de alguém riscando meu carro.
Eu admito, eu faço as coisas sem pensar. Freei o carro com toda a força que tive e virei na direção oposta da pista, consequentemente ficando na contra mão.
Vi uma luz forte e foi aí que tudo aconteceu.
Eu não tinha ideia que o carro de Nessie estava tão próximo, quando ele se chocou contra mim.
Certo, o barulho foi alto realmente alto. E era pra ser mesmo. Mas o que eu ouvia... O que eu ouvia era algo descomunal. Senti todo o meu ouvido se encolher, mas ao mesmo tempo se expandir para o novo som. Ou devo disser velho som? Sim, era o som de hoje mais cedo, só que multiplicado por cem.
Dor era provocada por conta de sua altura.
E aumentava cada vez mais.
Só que com a altura, o som parecia ter se modificado também. Não parecia mais o som de alguém arranhando meu carro. Parecia alguém gritando. Uma mulher gritando, para se mais exata.
Eu também estava gritando, em uma tentativa falha de amenizar o som.
Minha cabeça girava, enquanto o carro rodava pela pista. Ou melhor, na antiga pista.
O carro derrapou para o lado esquerdo, onde havia árvores. Uma floresta.
Estava com as mãos grudadas na minha orelha, sentindo o carro e o meu corpo chacoalhar por completo. Calculei meio minuto, quando o carro finalmente parou.
De ponta cabeça.
Senti o sangue escorrer para minha cabeça. Eu estava em uma floresta a quilômetros da pista onde eu estava correndo. Ninguém iria me achar ali. Isso se eu não morresse até lá.
Mesmo na minha situação, eu estava com sorte. Os únicos ferimentos que eu tinha era a minha bochecha cortada e meu braço bastante dolorido. Mas a única coisa que importava para mim era que aquele som havia parado.
Tentei formular um plano para sair dali. Percebi que meu pé esquerdo estava preso em um ângulo esquisito em baixo do banco que estava no teto. Tentei move-lo e reprimi um gemido agudo. Adicione um pé quebrado à minha lista de ferimentos.
Dei chutes com o outro pé no banco, tentando soltar o meu pé ferido. Estava doendo, mas pelo o que eu estava vendo estava dando resultado. O banco, antes grudado no meu pé, agora estava meio mole. Eu estava meio chocada com a minha força naquele momento.
Continuei a chutá-lo com toda a minha força. Depois de alguns minutos chutando morrendo de dor de cabeça, finalmente consegui que aquela droga quebrasse. O banco ficou meio pendurado e senti meu pé ficar livre.
Estava tateando todo o automóvel, tentando achar o botão de destravar quando ouvi passos próximos
Ótimo, vieram me salvar! Mesmo quando eu já fiz todo o trabalho sozinha...
Pelo vidro milagrosamente não quebrado do carro pude ver pés se movendo em minha direção. O barulho dos saltos Prada tocando o chão me intrigou. Não tinha notado ninguém com sapatos tão caros na corrida. Ela tinha pernas nuas.
Decidi permanecer no carro.
A mulher estava a milímetros da janela do meu carro, quando foi bruscamente jogada para o outro lado da floresta.
Ouvi o seu impacto em uma árvore.
Congelei. Todos os meus músculos estavam contraídos e eu prendi a respiração.
Eu vi pés, dessa vez masculinos, se aproximarem.
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