Submissão
1 Prólogo
Notas iniciais
“Pode me deixar aqui mesmo”, disse ao motorista do táxi entregando o dinheiro.
Ele nem me deu um segundo olhar enquanto acelerava o carro atrás da próxima corrida. Olhei o lugar ao meu redor e dei um meio sorriso enquanto colocava os óculos escuros, ocultando os meus olhos castanhos. As pessoas me encaravam enquanto eu atravessava a movimentada praça em direção á casa da minha amiga.
Com certeza ele estaria lá.
Com ela.
Meu sorriso se tornou maior com esse pensamento, ao mesmo tempo em que notei alguns olhares masculinos em meu corpo, marcado pela calça de couro e o top preto estrategicamente escondido pela jaqueta. Minhas botas de cano médio me faziam alta e poderosa. Deus, eu me sentia uma perfeita vilã de filme.
Parei em frente á um portão de madeira e bati. Olhei ao meu redor, vendo que as pessoas ainda estavam me observando. Fiz uma careta. Pelo jeito que Caithin se vestia, eles já deveriam estar acostumados. Mas, pelo visto, acostumado, era a última palavra do dicionário deles.
A porta se abriu e eu encarei os olhos arregalados cor de mel de Caithin. Seu cabelo estava pintado de rosa nas pontas e seu lápis de olho estava tão forte que a fazia parecer mais pálida do que já era. Ela me olhou de cima a baixo e assentiu, aprovando, enquanto sorria.
“Nossa, bela mudança.”, comentou abrindo a porta para mim. “E o que é tudo isso?”
“Faculdade.”, sorri tirando os óculos e encarando todos na sala.
Como se fosse um imã, meus olhos recaíram nele. Ele me deu um sorriso fraco que eu não fiz questão de retribuir. Ao seu lado estava a Senhorita fofa-e-doce. Estavam de mãos dadas, o que me fez revirar os olhos e me sentar ao lado de outros antigos amigos meus.
Tirei a jaqueta, atraindo a atenção de todos para as minhas costas. Eu sorri. Sabia que todos iriam reparar na minha tatuagem de pássaros que desciam desde meu ombro até o final na minha coluna. Vi os olhos da Senhorita fofa-e-doce se estreitando, por seu namorado fiel também estar olhando para mim com mais atenção do que o necessário.
“Não acredito que fez uma tatuagem, Morgan.”, meu amigo, Dante disse tocando em minhas costas. Permiti, por ele não gostar da fruta. “Faculdade realmente te fez corajosa. E olhar que está apenas no primeiro ano.”
“Rapel, tatuagem.”, Caithin comentou. “Qual é o próximo passo?”
“Um namorado, talvez.”, meu querido ex deixou escapar.
O silêncio que tomou a sala foi assustador. Mas saber que eu tinha sido a causadora dele me fez ficar bastante vangloriada. Levantei-me lentamente, sabendo que ninguém iria me impedir. Caminhei até parar a sua frente e abri a boca pronta para falar tudo o que estava entalado durando esses sete meses. Mas uma movimentação na escada me pausou.
E me vi encarando um par de olhos dourado, que também me olhavam abismado, senti meu corpo gelando. E todas as palavras que deslizaram de minha boca foram:
“Puta merda.”
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