Submissão

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Novo capítulo recém saído do forno. Espero que gostem dele.

“Eu não acredito que vocês quase se beijaram.”, Harper gritou do outro lado da linha.

Tinha ligado para ela porque queria companhia até a casa de Alexander. Fechei os olhos por um segundo, me lembrando de toda a atmosfera sexual que havia envolvido a mim e a Dex minutos atrás. Respirei fundo, amaldiçoando o táxi por ir tão rápido. Tinha uma parte de mim que estava ansiosa para saber o que Alex diria. Outra que estava se segurando para não voltar correndo para os braços de Dex.

“Foi um erro, Taylor.”, eu soltei o ar e passei a mão por meus cabelos meticulosamente arrumados. “Na verdade, um quase erro. Alex ligou bem na hora.”

Escutei-a bufando.

“Você só está fugindo do inevitável.”

Percebi que estava chegando.

“Você não entende, Harper, mas tudo bem.”

“Para você me chamar pelo primeiro nome, só pode ser coisa séria.”, sua voz se amenizou um pouco. “Quando precisar, pode me falar o que quiser, amiga. Meu celular vai estar ligado 24 horas. Ah!”, ela exclamou enquanto eu pagava o táxi. “Liam me ligou esses dias.”, sua voz se abaixou um pouco. “O quer você acha?”

Segurei um palavrão.

“Eu acho burrice dar uma chance para ele.”, me recostei na parede do prédio de Alex e me pus a prestar atenção no problema de minha amiga. “Nós duas entramos em furadas ao mesmo tempo: Dex e Liam. Eu me livrei de Dex e Liam se livrou de você.”, mesmo sendo palavras duras, elas precisavam ser ditas. “E nem teve a delicadeza de te avisar que tinha voltado com a ex. Então, não. Você não deveria dar uma chance para ele. Na verdade, você deveria manda-lo ir para o inferno.”

Ela suspirou.

“Eu sei.”

“Desculpe.”

Ela deu um riso amargo.

“Não, Morgan, tudo bem.”, ela suspirou e parecia estar segurando o choro. “Eu pedi a sua opinião e você está certa. É só que eu queria que ele mudasse, sabe?”

“Eu também.”, disse em um sussurro inaudível.

“O quê?”

Balancei a cabeça.

“Nada.”, limpei a garganta e encarei o prédio, respirando fundo. Apertei a campainha e esperei. “Eu cheguei. Vou desligar. Qualquer coisa, pode me ligar.”

Ela riu.

“Acho que prefiro esperar a sua ligação. Vai que ligo em um momento inconveniente.”

“Não vou transar com Alex.”

“Tem certeza?”

Só que não foi Harper que perguntou isso. Quando me virei, encarei os olhos azuis e bem humorados de Alex. Senti meu rosto corando lentamente e desliguei, sem me despedir devidamente de Harper. Caramba, não acreditava que tinha dito aquilo na frente dele. Alex sorria bem humorado e abriu espaço para que eu entrasse.

Ele estava menos sério hoje. Uma camisa branca e bermuda preta. Os cabelos bem alinhados, como sempre e chinelos. Tinha que admitir que estava um dia bem quente. Por isso eu estava usando um vestido amarelo leve e sapatilhas. Dex não reclamou da minha roupa. Mas também não disse nada que mostrasse que havia aprovado. Quando saí, ele estava no telefone com alguns amigos e apenas acenou com a cabeça.

Alex me levou até o seu apartamento e por um segundo tive que segurar a língua para perguntar se os pais dele estavam bancando aquilo. Ele nunca havia sido o tipo de pessoa que tentava conseguir as coisas com o próprio suor. Claro, tinha sua querida mãe para ajuda-lo. Conforme eu estudava ainda mais o espaço, percebia pequenos detalhes da presença de Rachel.

Alguns arranjos pequenos e discretos. Louça com detalhes de flores. Almofadas. Nossa. Nem no meu apartamento tinha almofadas. Eu e Dex nunca tivemos paciência para sair e comprar algumas. Ele dizia que isso feria a masculinidade dele. Parecia que Alex estava bastante confiante com a dele.

“Sente-se.”, ele disse indicando o sofá. Assenti. Ele se sentou ao meu lado. “Está tudo bem? Desculpe por ter te ligado tão tarde. Sei que trabalha cedo.”

Balancei a mão, como se não importasse.

“Tudo bem.”, então, me lembrando do disfarce que mantinha, acrescentei: “Dex que não gostou muito da minha saída repentina, mas eu disse que iria na casa de Harper.”, dei de ombros.

Alex levantou uma sobrancelha e se aproximou um pouco.

“Não acha que anda mentindo demais para o seu namorado?”

Dei um meio sorriso.

“E como foi seu dia em casa no domingo?”, perguntei retoricamente. Ele franziu o cenho e meu sorriso cresceu. “Foi o que eu pensei. Estamos no mesmo barco, Phillips.”

Passou os dedos pelos cabelos escuros, nervoso, mas me deu um olhar bem humorado.

“Claro, Senhora Phillips.”

Desviei o olhar e o escutei rindo.

“Aquilo...”

“Não se preocupe, Morgan.”, pegou em minha mão. Voltei a encará-lo e fiquei um pouco perdida na intensidade de seu olhar. Ele parecia acariciar meu nome com a mesma leveza com que seu dedo tocava minha palma. “Eu gostei.”

E eu estava naquela batalha interna novamente. Sabia que o motivo inicial para tudo aquilo era ter Alex de volta, mas, olhando ao meu redor, não sabia se tinha espaço para ele na minha nova vida. Ele não havia mudado em nada fisicamente, então quem me garantiria que seus pensamentos haviam mudado? O modo como ele me julgava e falava tudo sem pensar. Como me irritava. Fechei os olhos por um segundo e respirei fundo.

Mas, eu não poderia recuar. Dex e eu tínhamos um objetivo. E se Alex tivesse realmente mudado? E se ele estivesse fazendo a coisa errada? Me lembrei do sentimento de perda e devastação de quando ele terminou comigo. Eu fiquei com raiva, mas fiquei com medo. Não queria sentir aquilo novamente.

Abri os olhos e resolvi continuar com aquele jogo.

“Alex, eu tenho namorado.”, me levantei, soltando-me de seu toque e indo para a porta.

Sabia que ele iria me alcançar e tive que esconder o meu sorriso. Tinha me esquecido o quanto Alex era manipulável.

“Você não pensou nisso quando me traiu, se lembra?”, ele disse me puxando de encontro ao seu corpo.

Eu poderia ter deixado tudo seguir o seu curso se ele não tivesse tocado naquela ferida. A raiva cresceu, mas continuei com a expressão vazia. Ele parecia estar com raiva também. Me encarava como se estivesse esperando algo. Se fosse um pedido de desculpas, iria esperar sentado. Dei um passo para trás, a raiva vencendo momentaneamente. Alex continuou me segurando e falando. Sabia que aquilo estava preso em sua garganta durante muito tempo. Ele só não sabia que nós dois tínhamos coisas para desabafar.

“Por que com ele é diferente?”, Alex perguntou e deu um passo para frente, deixando nossos rostos bastante próximos. “Tenho certeza que você disse que me amava na confeitaria.”

Respirei fundo, controlando todos os meus instintos para não gritar que havia sido um erro. Mas, antes que eu pudesse dizer algo que acabasse com meu plano de vez, Alex soltou a verdadeira bomba em meu colo.

“Quem era o seu amante, Morgan?”, seus olhos se estreitaram. “Eu o conhecia?”

“Morgan?”

Todos na sala me olharam, esperando que eu dissesse tudo o que era esperado depois da bela indireta que Alex havia me jogado. Mas eu não conseguia. Meus olhos estavam presos naqueles orbes douradas. Meu peito se apertou de saudade, só que não deixei que isso transparecesse em meu rosto.

“Dexter.”

Acenei e o vi terminando de descer as escadas ao lado do primo de Caithin, William. Havia esquecido totalmente que eles eram amigos. A apreensão me tocou a cada passo que ele dava em minha direção. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios e ele me abraçou. Sentir o contato de seu corpo no meu depois de tanto tempo me causou uma enxurrada de lembranças inapropriadas. E pelo brilho em seus olhos, eu não era a única com esses pensamentos.

Depois desse pequeno cumprimento, ele analisou todos os outros que estavam na sala. E seu olhar caiu em Alexander. Mordi o lábio inferior, sentindo toda a minha determinação se deteriorando diante de meus olhos. Eles apertaram as mãos e deram sorrisos amigáveis, mas Dex tinha um ar de deboche quase imperceptível em seu expressão.

Só uma pessoa que o conhecia muito bem notaria.

Uma pessoa como eu.

“Eu sempre esqueço que vocês se conhecem.”, Caithin disse sorrindo.

Eu não me mexia. Dex colocou um braço entorno de meus ombros. Era quase como se não fizessem quase 3 meses que havíamos terminado. E, merda, ele estava um gato. Uma camisa preta, delineando todos os seus músculos e bermuda, mesmo que o tempo estivesse mudando. Seus cabelos claros estavam crescendo. Me perguntei quando ele o cortaria.

“Nos conhecemos por acaso.”, Dex disse sem tirar aquele sorriso irritante dos lábios. Seus olhar se fixou em mim. “Não é mesmo, Morg?”

Assenti. O sarcasmo pingando de minhas palavras.

“Claro.”, dei um meio sorriso. “Super por acaso.”

Por acaso ele era o meu amante, mas nada muito importante para ser citado, certo?

“Não.”, balancei minha cabeça, negando. “Você nunca o conheceu.”

Seus olhos ficaram ainda mais estreitos.

“Morgan, namoramos por quase um ano.”, cruzou os braços e eu suspirei aliviada por ter me soltado. “Eu sei quando você está mentindo.”

A raiva finalmente me venceu.

“Então você sabe que eu estava mentindo quando eu disse que te amava, certo?”, rosnei. Ele recuou, mas permaneceu em silêncio. “Sabe que eu menti quando, há cinco anos, eu disse que havia te esquecido? Eu sonhava toda a noite com você, Alex. Todas as noites. Mas, em uma dessas noites eu acabei percebendo que você nunca voltaria atrás. O seu ódio e ressentimento por mim eram mais fortes que seu amor.”

Quando dei por mim, estava parada a sua frente, respirando com força e o dedo em seu peito. Havia tanta tensão nos rondando que estava difícil manter o foco. Os olhos azuis de Alex estavam arregalados pela minha explosão repentina. Eu estava assustada com a minha explosão, mas me sentia mais aliviada. Meu rosto estava quente, dei um passo para trás e desviei o olhar.

“Me desculpe...”, balancei a cabeça e passei a mão pelo rosto. “Só estou cansada. Esqueça o que eu te disse. É melhor eu ir embora.”

“Morgan...”

Abri a porta.

“Até mais, Alex.”

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Pensei que chegaria e apenas deitaria e dormiria. Mas Dex havia cumprido a sua palavra e havia chamado alguns dos seus amigos para o apartamento. Mesmo sendo bastante tarde e meado de semana. Eu conhecia todos e gostava deles. William, primo de Caithin estava ali. Dimitri e Paul também. Todos sentados no sofá vendo televisão e tomando cerveja.

“Hey, Morgan.”, William me cumprimentou levantando a cerveja e me lançando um sorriso.

“Hey.”

Fui até a geladeira e peguei uma cerveja. Voltei para o sofá e Dex – depois de se espremer entre os garotos – bateu no espaço ao seu lado. Me sentei e coloquei minhas pernas por cima das suas. Como de hábito, ele tirou os meus saltos e começou a acariciar minhas pernas. Os outros estavam concentrados no jogo. Dex tinha um olhar compreensivo, diferente do olhar frio que me deu quando saí. Parece que minha expressão dizia tudo.

“Foi muito ruim?”, ele perguntou em voz baixa.

É, realmente minha expressão dizia tudo.

“Uma merda.”, respondi ao mesmo tempo em que os garotos gritaram. “Mas eu ainda estou firme nesse plano.”

Queria que Alex sofresse, pelo menos, a metade do que eu sofri.

Ele deu um sorriso amargo e desviou o olhar para a televisão.

“Sei que você não desiste quando quer algo.”

Assenti. Mas, por um segundo me perguntei o que realmente eu queria.