Submissão

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Capítulo fresquinho e uma surpresinha no meio. Só não me matem no final.

“Morgan, porra!”, Dex gritou batendo na porta. Revirei os olhos, continuando a passar o rímel em meus cílios. “Abre a porta. Eu quero mijar. E estamos atrasados.”

Era fim de semana, finalmente. E, ok que Dexter estava apertado, mas dizer que estávamos atrasados era um exagero. A Dark Paradise só começava a esquentar quando nós chegávamos. Éramos o motivo de alguns irem lá. Parecia um exagero, mas foi o que uma mulher disse a Dex e a mim uma vez enquanto estávamos tomando café.

Acho que o nome dela era Monique.

Ou talvez Mônica.

Ou Érika.

O fato era que, eu e Dex tínhamos uma fama no Dark Paradise. E – por mais incrível que pareça – era uma boa fama. Dei um passo para trás e me analisei no grande espelho. Estava usando um vestido preto tubinho e meus cabelos estavam um pouco desalinhados – sugestão de Dexter. Minha maquiagem estava simples. Mesmo eu tendo nascido mulher, maquiagem não era um dom que eu havia adquirido geneticamente.

Estava com botinhas de cano pequeno e saltos altos. Dei uma volta e pisquei um olho esfumaçado para meu reflexo. Meus lábios estavam pintados de vermelho. Eu adorava aquele batom. Dexter bateu mais uma vez na porta e eu sabia que faltava pouco para que ele arrombasse. Pela segunda vez naquele mês.

“Ok, estressado.”

Abri a porta e o recebi com um sorriso bem humorado. Mesmo depois de alguns dias de estranhamento por conta daquele momento – culpa de Roxy – bem íntimo, aos poucos voltamos ao normal. Quero dizer, eu fingia que voltava tudo ao normal. Ver Dex de samba canção todos os dias e lembrar que ele dormia no quarto bem ao lado ainda me trazia arrepios estranhos.

E ele estava um pedaço de mau caminho. Na verdade, ele estava o mau caminho inteiro e mais um pouco da estrada. Estava uma camisa branca, uma jaqueta de couro e calças jeans escuras. A barba por fazer e os cabelos um pouco desalinhados dava uma ar rebelde e sexy á ele. Por um segundo, fui tomada pela atmosfera sexual que nos envolveu enquanto ele me estudava tão detalhadamente quanto eu o estudava.

Sorriu.

“Tenho certeza que irá arrastar alguém que preste para sua cama hoje.”, disse e entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si.

Nenhum comentário sobre ele ser melhor nem nada.

Suspirei. Parecia que não tínhamos voltado a normalidade, afinal.

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“Eu juro que se aquela ruiva não vier até você em menos de cinco minutos, irei te arrastar até ela pelos cabelos.”, eu sussurrei no ouvido de Dex.

Ele tomou mais um gole de sua bebida e riu, olhando diretamente para a ruiva que estava na outra ponta do bar. Ela era bem bonita, com os olhos azuis brilhantes e vestidos tão chamativos quantos seus cabelos, além de um corpo bem curvilíneo. Era o tipo que Dexter levaria para cama sem hesitar.

“Você é muito afobada, Morg.”, ele disse dando uma piscada para a ruiva e voltando a olhar para mim. Levantou uma sobrancelha, bem humorado. “Tão afobada que nem percebeu o moreno te olhando da pista de dança.”, arregalei os olhos, fazendo rir. “Ou talvez esteja bêbada.”

“Não estou bêbada”

Não era uma total verdade. Minhas pernas estavam um pouco bambas e eu sentia meus dedos formigando um pouco. Mas nada muito preocupante quanto Dex queria fazer parecer. Movi meus olhos na direção em que ele apontou anteriormente, encarando os olhos escuros de um moreno do outro lado da pista.

Realmente ele estava me olhando e eu dei um meio sorriso. Ele retribuiu, mas deu um olhar temoroso na direção de Dexter. Bufei. Era óbvio que meu colega de quarto iria atrapalhar minha paquera, mas não era culpa dele. Ou era? Afinal, Dexter já poderia ter ido atrás de sua ruiva e deixado o caminho livre para mim. Mas desde que chegamos, ele parecia um cão de guarda ao meu lado.

“Que se foda.”, tomei o restante da minha bebida e senti todo o meu corpo se esquentando. Quando desci da cadeira, o mundo girou. Dexter me segurou pelo cotovelo, sério. “Estou bem.”

Mas Dexter só me soltou quando teve a plena certeza que meus pés estavam firmes no chão. Passei a mão pelo meu vestido e estufei o peito, botando meu melhor sorriso nos lábios. Senti o olhar de Dexter me acompanhando por todo o caminho até que alcancei o moreno do outro lado da pista.

Em cada extremidade da Dark Paradise tinha um bar e no fundo algumas mesas. O moreno estava sentado no outro bar e quando viu que eu estava me aproximando, se virou para o barman e disse alguma coisa. Me sentei ao seu lado e ele me estendeu uma bebida. Mesmo sabendo que tinha alcançado meu limite, aceitei.

“Espero que seu namorado não se importe de te ver bebendo comigo.”, ele sorriu. “Sou Erick Mastriani.”

“Morgan Night.”, me apresentei. Acenei com a cabeça na direção de Dex e sorri. “Ele é meu amigo. Dividimos um apartamento juntos.”, revirei os olhos e tomei um gole da bebida. “Realmente odeio quando dizem que somos namorados.”

Erick riu. Ele tinha um belo sorriso. Mesmo com uma quantidade exagerada de álcool no meu sistema e a escuridão, pude perceber algumas características dele. Seus olhos eram tão escuros quantos os seus cabelos e ele parecia ter mais ou menos a minha idade ou a de Dex. Tinha a pele dourada que se destacava com as roupas escuras.

Quando ele se virou para pedir outra bebida, percebi que tinha uma tatuagem no pescoço. Não deu pra ver muito bem o que era, mas não importava. Eu achava qualquer tipo de tatuagem sexy. Ele tinha um bom corpo, do tipo de pessoa que malhava, mas não muito forte. Do tipo que conseguiria pegar uma mulher no colo sem derramar uma gota de suor. Eu adoraria que ele me levantasse sem roupa.

“Espero não ter despertado a sua fúria.”, ele disse ainda sorrindo. Percebi que ele tinha uma pinta perto na boca. Eu adoraria beijá-la. Ele se inclinou na minha direção. “Mas eu adoraria te ver feroz em outro lugar.”

Eu ri, continuando bebendo. Ele era direto. Eu gostava disso. Tinha parte de mim que estava me dizendo que ele estava me tratando feito uma garota de programa, por isso não respondi de imediato. Tomei o restante da bebida e ele já me deu outra rapidamente. Ou ele era muito desesperado ou estava querendo me embebedar. Ou os dois.

“Eu sou uma fera em qualquer lugar.”, respondi coma voz mais sexy que conseguia fazer naquele estado. “É só você dizer as coisas certas.”

Ele riu, mas seu olhar se desviou do meu rosto por um segundo.

“Seu colega de apartamento está vindo para cá.”

Toquei em seu braço.

“É exatamente esse tipo de coisa que... Espere!”, me interrompi percebendo o que ele tinha dito e me virei para encarar Dex. Rápido demais. O mundo girou e sabia que todos os meus dedos do pé estavam formigando. “Puta merda.”

Pela expressão de Dexter, alguma coisa estava errada. Constatei esse fato quando ele chegou e colocou o braço ao redor da minha cintura, beijando meu pescoço intimamente. Meu corpo todo se arrepiou e eu deveria tê-lo afastado. Não o fiz. Culpa da bebida, obviamente. Ela estava embaçando o meu bom senso.

Erick estava confuso.

“Desculpe, camarada, mas seu tempo acabou.”, Dex disse sorrindo e pressionou seu peito em minhas costas. Tudo em mim se esquentou. “Essa dama aqui estará ocupada essa noite. Tente na próxima.”, ele abaixou o tom, se aproximando. “Ela é uma fera na cama.”

“Dexter.”, repreendi. Revirei os olhos e me virei para me desculpar com Erick. “Me desculpe. É que ele tem sérios problemas mentais e eu sou estudante de psicologia. Então a mãe dele achou que seria uma boa ideia nos manter juntos. Só que ela estava muito errada.”

Erick assentiu levemente, mas não disse nada. Saiu.

Me virei irritada para Dexter.

“Já disse que você é um filho da puta?”

Ele me ignorou.

“Alex e Rachel estão aqui.”

Meu mundo girou mais uma vez.

“Onde?”

“Do outro lado do Dark Paradise.”, ele apontou e eu senti com o olhar. “Eles me viram e perguntaram de você. E eu realmente não quero me passar por corno.”

Meus olhos finalmente os encontraram. Demorou um pouco por conta da escuridão e da bebida, mas parecia que eu tinha um radar para poder localizar Alex e a vaca da Rachel. Eles estavam bebendo juntos perto do lugar onde Dex e eu estávamos. Rachel sussurrou algo no ouvido de Alex e ele riu. Eles pareciam bastante felizes.

Fiz uma careta.

“Vamos lá.”

Dex levantou uma sobrancelha.

“Tem certeza?”

Peguei o copo e tomei o restante da bebida.

“Absoluta.”

Dexter não discutiu comigo, mas se manteve próximo, caso minhas pernas cedessem á gravidade. Sentir sua mão na base das minhas costas me fez ficar mais segura, mesmo que não demonstrasse. Quando percebi que estávamos pertos, peguei a mão dele que estava em mim e o puxei para o meu lado. Cruzei nossos braços e nos olhamos. Sabíamos que tínhamos que começar o teatro, por isso forçamos sorrisos.

“Alexander. Rachel.”, Dexter cumprimentou alegremente.

Rachel retribuiu o sorriso e abraçou Dex. Ao contrário de mim e Alex, que só trocamos sorrisos educados. Sabia que teria que me esforçar mais para leva-lo para cama. Talvez me fazer de difícil ajudasse. Me virei para o barman e pedi mais uma bebida. Dex apertou minha mão, me puxando para perto de seu corpo novamente.

“Você acha que bebeu demais, amor?”

Peguei minha bebida de teimosia.

“Não, baby.”

Dexter revirou os olhos, mas preferiu não discutir.

“Então, vieram aproveitar a festa mais quente de Chicago?”, Dexter perguntou passando o braço entorno de minha cintura. Os olhos de Alex se estreitaram e ele fez o mesmo com Rachel. Vi humor nos olhos dourados de Dexter, enquanto ele percebia a mesma coisa que eu. “Ou estão comemorando alguma coisa?”

Rachel sorriu e seu caiu no anel em seu dedo.

Por um segundo tive que segurar o impulso de pedir uma faca ao barman e cortar aquele dedo fora. Parecia que Dex estava lendo a minha mente. Sua mão estava tão firme na minha que me impedia de fazer qualquer movimento brusco. Alex mantinha os olhos azuis fixos em mim. E, sinceramente, aquilo estava me irritando. Bebi mais ainda e pedi outro.

“Alex teve a brilhante ideia de adiantar o casamento para o mês que vem.”, Rachel sorriu e deu um gritinho de alegria, seus olhos mel brilhavam em expectativa. “É incrível como esse homem não consegue esperar para ser só meu.”, fixou seus olhos em mim. “Espero que Dexter seja ansioso assim com você.”

Minhas mãos estavam ansiosas para pular no pescoço dela.

“Eu e Morgan estamos indo com calma.”, Dex disse me puxando mais para perto.

Alex soltou um riso amargo.

“Calma? Morando juntos e nem sequer conseguem demonstrar afeto adequadamente.”, ele nos encarou com um desafio. “Nunca vi vocês dois se beijando.”

“Não sou obrigada a te mostrar nada, camarada.”

Alex sorriu.

Dex sorriu.

Mas eu sabia que o clima era tão tenso que estava quase palpável.

Rachel riu, indiferente a tudo o que acontecia. Por isso que odeio loiras.

“Alex tem razão, Morgan.”, escutá-la dizer o meu nome fez a chama do ódio se reacender. Bebi novamente e segurei o copo com tanta força que o escutei rachar por baixo dos meus dedos. “Acho que vocês deveriam demonstrar um pouco mais de afeto.”, manteve os olhos em mim, me desafiando. “Se você não der exatamente o que eles querem, eles podem te deixar um dia, querida. É tão fácil ser trocada.”

Eu iria mata-la. Merda, eu tinha até dado um passo na direção dela, mas Dexter foi mais rápido, prevendo meus movimentos. E devo admitir o quanto ele foi esperto. Se eu avançasse, seriamos expulsos e Rachel provaria o seu ponto. Se eu não avançasse, estaria engolindo o meu orgulho e acabaria descontando em alguém mais tarde. E não seria nada muito bonito.

Impulsionei meu corpo na direção de Rachel, pronta para arrancar cada fio de cabelos loiro dela. Mas Dex me puxou de encontro com seu corpo e quando eu dei por mim, seus lábios estavam pressionados nos meus. Deveria ser um beijo leve, eu percebi, mas alguma coisa mudou. Talvez fosse a bebida em nossos – meu – sistema. Ou a adrenalina e a tensão sexual que nos envolveu durante anos.

Eu me pressionei possessivamente no corpo de Dex, percebendo como ainda nos moldávamos perfeitamente. Consegui senti seu coração batendo contra o meu peito e fiquei surda á tudo aos meu redor. Sua mão foi para a minha nuca e sua língua tocou na minha, fazendo fogo se espalhar por toda a minha pele. Era como se eu estivesse em chamas. Como se larvar estivesse deslizando por mim.

Suspirei, sentindo sua ereção contra minha cintura e sua mão livre apertou minha bunda, me puxando mais de encontro ao seu corpo. Minhas mãos se prenderam em seus cabelos loiros sentindo como eles ainda eram macios e escapavam por entre os meus dedos com facilidade. Dex mordeu meu lábio inferior e eu gemi. Tudo em mim gritava por sua essência. Por prazer. Poderia culpar a bebida, mas tudo o que eu queria naquele momento, era que tirássemos as roupas e fizéssemos sexo a noite inteira.

E quando nos encaramos, ofegantes, percebi que Dexter queria exatamente a mesma coisa.

“Temos que ir”, eu disse sem desviar o olhar do dele.

Os olhos dourados dele pareciam estar pegando fogo.

“Até mais, camarada.”

Ele me segurou pela mão e me puxou com firmeza em direção a saída.

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Dex fechou a porta com o pé, me puxando para mais um beijo quente. Tirei sua jaqueta com rapidez, jogando em algum lugar determinado na sala. Sua camisa foi a segunda peça de roupa a sair. E mesmo que eu o visse todos os dias sem camisa, poder tocar sua pele desnuda novamente era como a realização de todas as mais profundas fantasias.

Ele me pegou no colo e levou-me até o seu quarto. Coloquei os pés no chão lentamente, por conta do álcool e por um segundo tudo rodou. Mas eu sorri para Dex. Mesmo que meus olhos estivessem cansados, ele ainda era muito gostoso para eu deixar passar. Só que... merda. Eu estava com tanto sono. Pus a mão na testa.

“Dex.”, chamei-o. “Está tudo rodando.”

Sua excitação virou preocupação no mesmo segundo. Ele se aproximou me pondo sentada na sua cama e pegou um copo de água na mesa de cabeceira. Bebi lentamente e fiquei feliz que meu estômago não tenha recusado.

“Acho que nossa noite de sexo quente vai ser deixada para mais tarde, não é?”, ele perguntou ainda bem humorado. Abaixei os olhos, culpada. Ele segurou meu queixo, erguendo o meu rosto. “Não se preocupe. Demos a lição que aqueles dois mereciam.”

Isso me fez sorrir.

“Ah, demos mesmo.”, bocejei e cocei os olhos.

Dexter deu um sorriso doce e, sem que eu esperasse, me pegou no colo novamente.

“Vou te colocar para dormir.”

Reclamei um pouco. Não estava segura quanto ao meu estômago.

“Dexter, eu vou vomitar.”

Ele riu.

“Ainda bem que tirei minha jaqueta nova, então.”

Me pôs na cama e foi até minha cômoda, pegando uma das minhas enormes camisas masculinas para dormir. Jogou para mim e virou-se, me dando privacidade para trocar de roupas. Suspirei por um segundo, admirando aquelas costas bem malhadas. Balancei a cabeça e tirei o vestido, colocando a camisa em seguida.

“Por que você está de costas?”, eu perguntei me deitando na cama. Ele entendeu isso como um sinal de que estava tudo bem e se virou novamente para mim. Não consegui identificar aquele olhar. “Você já me viu nua antes.”

“E eu te fodi a noite toda depois disso.”, ele respondeu e sentou do meu lado. Estava sério. Seus cabelos desalinhados me fizeram corar. Afinal, eu que havia os desarrumado. “Na próxima vez em nós dois estivermos nus e prontos para ceder – e eu sei que esse dia vai chegar – quero que esteja sóbria e disposta a lembrar de tudo.”, ele deu um meio sorriso. “E que não coloque a culpa na bebida.”

Fiz uma careta por ele me conhecer tão bem.

“Eu não iria culpar a bebida.”

Isso o fez rir e eu me senti mais aliviada. Alinhei-me entre cobertores e travesseiros e senti a inconsciência me alcançando lentamente. Ainda ouvindo o som de seu riso, suspirei. A escuridão me envolvendo totalmente. Senti suas mãos acariciando os meus cabelos e sua boca tocando minha testa. E antes de apagar totalmente, escutei-o dizer, rindo:

“Ou culparia a mim, como sempre.”

Notas finais
E o que acharam?