Submissão

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Hey, people. Sei que deveria postar só na quarta, mas estou tão inspirada que resolvi adiantar. Ah, e queria agradecer a Mrs. Gillian pela maravilhosa e inesperada recomendação. Ah, obrigada aos que estão comentando. Leitores fantasmas, apareçam, queridos.

Eu não acreditava que estava fazendo aquilo.

Só tive total fé nos meus movimentos quando atravessei a porta da galeria e encontrei os olhos azuis de Alexander. Ele me estudou de cima a baixo e deu um sorriso, aprovando. Passei a mão por meu vestido preto e dei um meio sorriso. Dex sempre acertava.

Há exatamente duas horas, Alex havia me ligado apenas para me convidar para ir á uma galeria com ele. Estava pronta para, ou desligar o telefone na cara dele, ou negar o convite e inventar uma desculpa – minha ressaca, por exemplo – mas Dex me impediu. Ficou gesticulando feito um louco, até que no fim, eu apenas assenti e concordei em encontra-lo.

Só tive um pequeno atraso: Chris Evans.

As mulheres que Dex levava lá para casa já estavam acostumadas a me ver fazendo café e lhes oferecendo alguma coisa. Dexter as prevenia do que iriam encontrar. Mas eu, em meu estado de embriaguez, esqueci-me de dizer ao meu acompanhante que dividia o apartamento com alguém. Então foi um pouco engraçado encontra-lo encarando Dex com estranheza total. Ainda mais quando a acompanhante dele apareceu – uma mulata, dessa vez – e sorriu, pegando suco de uva.

“Apenas se sente e aproveite.”, Dex disse á Chris Evans. “Morg faz o melhor café da cidade.”, passou o braço pelo ombro da mulata e sorriu. “Não é mesmo, baby?”

Sorri. Parecia que eu não era a única que não sabia o nome do meu acompanhante.

Chris Evans franziu o cenho, mas se sentou pegando a xícara de café que eu lhe oferecia. Sorri para ele, tentando mostrar que tudo aquilo era normal. Dex apenas de samba canção abraçando uma mulher seminua e eu apenas com um blusão masculino e cueca feminina. A cena de todos os finais de semana.

“Eu sou Evangeline.”, a mulata estendeu suas longas unhas na minha direção. “Mas pode me chamar de Ever.”

Eva, decidi mentalmente enquanto apertava a sua mão. Chris rapidamente se acostumou com tudo o que acontecia ao seu redor, e quando menos esperava, estava ao meu lado dando leves beijos em meu pescoço e dizendo o quanto eu era linda. A julgar pelo tanto de maquiagem que eu havia passado ontem e que eu não havia tirado, achava que era uma mentira.

“Hey, Chris, não minta para Morg.”, Dex disse jogando um pedaço de pão nele. “Ela odeia elogios pela manhã. Prefere um sexo bem feito no chuveiro.”

Estava preparada para tacar a faca na testa dele, quando a expressão confusa de Chris me impediu. Ele encarava Dex com um misto de ironia e dúvida. Não entendi o porquê daquilo até ele dizer:

“Meu nome é Anthony.”

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“Você está belíssima, Morgan.”, Alex disse beijando o meu rosto.

Tive que me segurar para não suspirar. Aqueles lábios continuavam doces como eu bem lembrava. Por um breve segundo, a lembrança deles descendo por meu pescoço me dominou. Estufei o peito, respirando fundo e o vi observando esse movimento com atenção.

“Você também está bonito, Alexander.”, respondi.

E eu não estava mentindo. Alex ficava excitante em uma blusa social semiaberta. E calças pretas. Esse era o tipo de roupa que nunca ficaria bem em Dexter. Era formal e descompromissada ao mesmo tempo. Limpei a garganta, desviando o olhar da sua pele exposta e o vi sorrindo.

“Prefiro que me chame de Alex.”

Encarei-o.

“E eu prefiro que você me chame de Morg.”

Seu sorriso se ampliou.

“Sempre gostei do seu nome completo, Morgan.”

Goze para mim, Morgan.

Engoli em seco.

“Lembro-me muito bem disso, Alex”

Começamos a andar pela exposição sem falar nada de muita importância. Ele me perguntou o que andava fazendo e disse que estava em meu último ano de faculdade de psicologia e fazendo estágio em um hospital. Ele me contou que também estava terminando a faculdade de engenharia e que seu pai já havia lhe oferecido um emprego.

Fiz uma careta com a menção de seus pais. Senhor e Senhora Phillips nunca haviam sido os meus maiores fãs. Na verdade, sua mãe sempre foi contra o seu relacionamento. Esse tinha sido um dos motivos para que tivéssemos terminado. Sua mãe era uma cobra de primeira. Seu pai era um caso á parte. Uma hora parecia gostar de mim, outro momento não queria me ver nem pintada de ouro.

Não iria nem falar na obesa da sua irmã. Ela sempre se fazia de melhor amiga para mim e depois dizia coisas horríveis. Como eu era sonsa, falta e mentirosa. Ainda bem que Alex sabia muito bem no terreno em que estava pisando quando começamos a namorar. Então a irmã dele dizer aquilo era chover no molhado.

“Onde está Rachel?”, me obriguei a perguntar.

Era o último assunto que eu gostaria de tocar, mas sabia que enquanto não tocasse nele, não estaria dando liberdade para que ele perguntasse sobre Dex. E eu queria muito que ele perguntasse. Alex manteve os olhos em um quadro bem á nossa frente e franziu o cenho.

Opa, problemas no paraíso.

“Ela está ocupada com os preparativos do casamento.”, ele respondeu em voz baixa e devagar. Meu estômago se apertou. Tinha que ser tão rápido? Ele deu um pequeno sorriso e me olhou. “Ela quase não tem tempo para mim. Quase me arrependo de tê-la pedido em casamento.”

Forcei um sorriso e continuamos andando pela exposição. Só que em silêncio. A pergunta de Dex ressoou em minha mente. E enquanto eu olhava Alex, tinha cada vez mais certeza. Eu amava esse homem com todas as minhas forças e ficar perto dele era a minha fraqueza. Só que só de pensar em ficar longe dele mais uma vez, parecia que ia arrancar um pedaço de mim.

“E você e Dexter?”, ele perguntou me tirando dos pensamentos. Encarei-o, esperando que ele dissesse exatamente o que queria saber. “Estão juntos á quanto tempo? Sinto que já o vi em algum lugar?”, coçou o queixo.

Fiquei apreensiva.

“Ele é amigo do primo de Caithin.”, esclareci antes que ele se lembrasse de outra ligação óbvia. “Nos conhecemos por aí.”, dei de ombros.

Ele levantou uma sobrancelha.

“E já mora com ele?”, assentiu consigo mesmo. “Ou você gosta muito dele ou estava muito desesperada.”

De repente me lembrei de outro motivo por ter terminado com Alex. Sua mania de dizer as coisas sem pensar. Dex também fazia isso, mas quando era com Alex, me irritava. Não sabia o motivo, mas toda vez que eles dois se assemelhavam, me deixava com raiva. Eles tinham que ser diferentes. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, senti meu celular vibrando. Peguei-o, vendo uma mensagem de Dexter.

Onde está a loira gostosa?

Revirei os olhos e voltei minha atenção para Alex.

“Então, onde está Rachel mesmo?”, perguntei tentando parecer despreocupada enquanto passava os dedos por meus cabelos.

Ele nem me olhou.

“Na igreja St. Vladimir.”, ele respondeu.

Eu assenti devagar e peguei meu celular lentamente enquanto digitava o endereço para Dexter. Esse era o motivo por ele ter insistido tanto para que eu encontrasse Alex. Daria uma brecha para ele ir atrás de Rachel e lançar o seu charme. Eu queria ser uma mosca para saber como ele faria para dar em cima dela em uma igreja. Caramba, Dex iria queimar no fogo do inferno.

Estava tão distraída com meus pensamentos que dei um pulo quando o celular de Alex tocou. Ele se desculpou e foi para o canto, falando rapidamente e passando as mãos pelo cabelo. Observei aquilo com apreciação. O quanto ele não havia mudado em nada. Continuava o mesmo menino brincalhão que conheci em minha adolescência, só que no corpo de um homem.

Ele desligou, caminhando até mim com a expressão preocupada. Uns montes de suposições se passaram por minha mente. A principal era que Rachel havia ligado por alguém ter nos visto juntos e tinha dado um surto de ciúmes. Mas logo a descartei. Se ela estivesse com Dexter, a última coisa que faria era atender o celular.

“Algum problema?”, perguntei tocando em seu ombro.

Deus, como eu precisava desse toque.

“Não, só um imprevisto.”, balançou a cabeça e suspirou. “Está ocupada?”

Na verdade, eu estava louca para tirar aqueles saltos e deitar em minha cama. Meu Deus, a aspirina estava perdendo o efeito e minha cabeça estava começando a latejar. Mas eu apenas sorri e assenti. E quando eu dei por mim, estava sentada em uma confeitaria provando o bolo de casamento com Alex.

Vida, você resolveu me sacanear hoje.

Então, em um surto, eu comecei a rir. Porque, de fato, a cena era irônica. Afinal, eu estava provando um bolo de casamento com meu ex-namorado que eu havia traído. Só que o bolo era do casamento dele com outra. Quando percebi estava gargalhando. Sorte que a confeiteira havia se retirado para pegar mais algumas provas.

“Morgan, está tudo bem com você?”, Alex perguntou lentamente com a expressão confusa e cautelosa. Assenti, limpando as lágrimas do canto dos olhos. Ele sorriu. “Gostaria de saber o motivo dessa crise de risos, mas devo admitir que estivesse com saudades da sua risada.”

“Alex, você não está achando irônica essa cena?”, perguntei gesticulando para a pequena sala ao nosso redor. “Quando namorávamos sempre dizíamos que nunca iriámos nos casar. Que só servíamos para morar juntos por conta do nosso pavio curto. E olhe onde estamos agora? Provando bolos de casamento. E para um casamento que não é meu.”

Mas, isso não o fez rir. Na verdade, ele ficou sério. Seu olhar fez minha costela congelar. Em minha mente, repassava as mesmas palavras, tentando descobrir o que havia dito de errado. Só que apenas tinha dito o que estava em minha mente. Era assim que eu era. Não tinha filtro no que fazia ou no que dizia.

“Poderia ter sido o nosso casamento, Morgan.”, ele finalmente disse ainda sério. “Mas, você me trocou por sexo.”

A raiva substituiu a ironia em questão de segundos.

“Não se faça de santo.”, me aproximei abaixando a voz até que fosse um rosnado. “Você não me tratava bem. Ignorava-me. Merda, Alex. Eu queria voltar e você me trocou por uma garota dois anos mais nova.”

Mas ele estava irredutível.

“Morgan, não sei se você se lembra, mas você quem me traiu.”, ele desviou o olhar e passou os dedos pelos cabelos, nervoso. “Como você acha que eu me senti quando descobri? Quando vi aquelas mensagens no seu celular? Senti-me usado. Senti raiva.”, ele me encarou. Eu estava encolhida com o rosto totalmente corado. Deus, eu iria chorar. “Você quem terminou comigo primeiro, Morgan. Eu apenas retribuí o favor.”

Antes que eu tivesse a chance de ter alguma reação – dar um tapa em seu rosto ou chorar – a confeiteira retornou com uma bandeja cheia de provas. Eu e Alex forçamos um sorriso automaticamente, enquanto ela colocava tudo á nossa frente para que pudéssemos experimentar. Peguei o primeiro de chocolate e ataquei, antes que qualquer um dissesse algo. A confeiteira riu, enquanto a raiva tomava conta de cada membro do meu corpo.

“Parece que a noiva está bastante ansiosa.”, ela deu um leve sorriso, enquanto eu engasgava com o bolo.

Puta merda, ela pensava que eu era a noiva. Pensei em corrigi-la, mas sabia que Dex me mataria se eu perdesse essa oportunidade. Então apenas passei o braço por dentro do de Alex e sorri. Ele ficou tenso, mas logo relaxou, entrando em meu jogo. Passei a língua pelos dentes, tirando todo o resíduo de bolo dele e sorriu.

“Sabe, eu esperei por anos para que ele fizesse o pedido.”, eu disse piscando meus olhos escuros. “Mas, agora que ele fez me sinto a mulher mais feliz do mundo.”, sorri novamente e encarei Alex que voltou a ficar estático. “Ele não tem noção do quanto eu o amo.”, disse em voz baixa.

Nossos olhares se mantiveram presos por alguns segundos enquanto ele absorvia as minhas palavras. Ele sabia que essa última frase não fazia parte da encenação. Eu ainda o amava. Estar perto dele era o meu melhor presente e minha pior loucura. Queria gritar para que ele não se casasse com aquela loira, mas sabia que meu orgulho me calaria.

Então percebi que Dex estava certo. Se eu queria ter Alex de volta, teria que acabar com aquele casamento de uma vez por todas. A mão de Alexander pousou em meu queixo e seu dedo começou a acariciar meu lábio inferior. Sabia que se ficássemos mais alguns segundos assim, iríamos nos beijar.

Mas parece que Deus estava guardando o momento para depois.

“Vocês fazem um belo casal.”, a confeiteira disse, nos fazendo despertar daquele momento. Demos um pulo e eu me afastei um pouco, corando. “Consigo ver que terão um longo futuro juntos.”

Alex sorriu sem desviar os olhos de mim.

“Eu realmente espero que esteja certa.”

Notas finais
Comentem. E... até quarta, eu acho.