Submisso

7 Capítulo 7 - Aceitação


Notas iniciais
Esse será bem mais leve, para não assustar tanto! Não que eu tenha desistido de assustar... KKKK
Já agradeci e volto a agradecer a todos os comentários! Obrigada por fazer essa pessoa tenebrosa aqui mt feliz!!!
Sem mais, divirtam-se tanto como eu.
XD

Capítulo 7 – Aceitação

Desde quando acordar era algo tão bom e ruim, na mesma medida? Queria acordar e vê-lo dormir a seu lado, ver a luz incidir sobre as sedosas melenas escuras que faziam cosquinha em seu peito. Mas também desejava intensamente continuar dormindo, exatamente como estava: bem agarrado a ele. Ah, quantas possibilidades! Queria experimentar todas... Então, abriu os olhos, tomando coragem para viver o primeiro dia do resto da sua vida.

A cama gigantesca estava sob os dois, testemunha de tudo o que fizeram por horas sem parar. Nunca imaginou que depois de tê-lo tomado e ter sido arrebatado pelo grifinório – Harry era naturalmente sedutor — fosse acordar no meio da madrugada, com o desejo lhe queimando a garganta, desejo de Harry!

Ah, era estranho. Nunca sentira isso assim, tão forte! A necessidade era tão grande que não duvidou nem por um segundo em acordar o esposo, devorando-o num beijo molhado e demandante. Sabia que seria correspondido, sabia que o amado o desejava com a mesma intensidade.

Harry, ainda meio sonolento, demorou a entender o que estava acontecendo. O prazer da primeira vez permanecia entranhado em sua carne, logo, seu corpo ainda estava extasiado pela magia do vínculo formado e pela quietude de ter, enfim, compreendido que não podia ir contra a sua própria natureza.

Certos conflitos caíram por terra em sua mente. Amava Draco, fato1. Nascera para amar Draco, fato 2. Draco era um arrogante incorrigível, fato 3. E, como não seria ele a mudar os fatos, ao menos não os que não precisavam ser mudados, entregou-se a eles, deixando-se fazer pelo marido... Deixando-se beijar no meio da madrugada, mesmo depois de tê-lo dentro de si até beirar a inconsciência – não que estivesse reclamando. Queria Draco, queria ser um com ele sempre e sempre.

A boca do veela subia e descia pelo seu pescoço indo direto a sua nuca, ah, o desgraçado descobrira seu ponto fraco. A nuca... Exatamente na zona limite “cabelo-pele”. Bastava um toque ali e Harry se derretia, gemendo sem pudor algum, esquecendo seu próprio nome e tendo a consciência nublada pelo prazer. Draco mordeu, lambeu, chupou, beijou... Não havia freio naquele veela abusado.

_Dra-Draco... Espera!

Esperar? Harry já devia ter aprendido que entre quatro paredes, esperar desaparecia do léxico do sonserino. Em instantes a dureza do marido já resvalava dentro dele, acompanhada de uma língua travessa que se deslizava de um lado a outro da nuca do herói. Dedos longos alisavam as suas costas com carinho, ainda que o vai e vem fosse forte. Ah, dessa vez ia ser rápido e intenso, muito intenso.

O moreno mal conseguiu apoiar-se na cama, ficando de quatro, inconscientemente abrindo-se mais para receber o marido. Sua racionalidade caía por terra só em sentir a fragrância do loiro, algo afrodisíaco. Seus instintos lhe faziam abrir as pernas, girar, mexer os quadris... Enfim, nem ele sabia de onde vinha aquele conhecimento, somente o usava.

Talvez fosse típico do doncel “conhecer” os meios adequados para enlouquecer o companheiro de prazer. Mas, levando em consideração o fato de que era casado com um veela, um ser de latente natureza sexual, ficava na dúvida. Afinal, quem parecia conhecê-lo até de dentro para fora, era Draco.

_Ah, Harry... Harry...

Quando é que a pronúncia de um nome se transformara em pura volúpia? Oh, Merlin... Só a voz de Draco o fazia quase derramar-se por inteiro.

_Mais, mais... Eu quero mais forte, Draco! Ahhh, aí! Bem aí!

O veela se divertia com as falas do doncel enquanto o fodia enlouquecidamente. Ele era tão verdadeiro! Dizia exatamente o que estava sentindo, uma característica louvável – e raríssima.

_Oh, Draco... Ah...

Penetrou-o com mais ímpeto, arrancando gritos desconexos daquela boca carnuda e avermelha. Envolveu a ereção do grifinório, masturbando-o com precisão. O leite branco não tardou em se espalhar por entre seus dedos longos. Levou-os à boca e sorveu, derramando-se em seguida, dentro de Harry.

O peso do corpo de Draco sobre ele os afundou no colchão, mas logo o loiro o agarrou pela cintura, encaixando-os num ajuste perfeito, verde no cinza se mirando satisfeitos.

_Preciso de um banho. E nem adianta ficar animadinho, Draco. Banho mesmo, entendeu? Com água e sabonete...

_Ora, água, sabonete e você? Interessante.

_Draco! Eu preciso de um banho... E estou morrendo de fome. A gente não pode viver assim, trancado no quarto.

_Ah, não? – E a cara enfezada de Harry foi tão fofa, que foi impossível não rir. – Ok, ok... Banho então, depois café... Mas, podemos ter mais leite no fim da tarde? – e lhe roubou um beijo, junto com o fôlego.

As bochechas de Harry arderam de vergonha. De onde tinha saído aquele lado tão pervertido? Por Circe! O sonserino demonstrava tanta frieza, mas ali, com ele, ah... Era lava pura. Já estava agarrado a ele novamente, os braços mais parecerendo tentáculos!

_Malfoy!

_Ok, ok... – E se afastou. – Se chegamos ao “Malfoy” é hora de tomarmos um banho.

_Tomarmos? Nada disso, eu não incluí vo...

Como foi parar tão rápido dentro da banheira – e com o marido dentro dela – foi inexplicável. Já o banho longo, bem, totalmente explicável... Será que ser erguido e prensado contra a parede de azulejos pintados a mãos, enquanto era deliciosamente devorado por um veela esfomeado, contava como um banho? Ah, o grifinório queria acreditar que sim.

Duas horas depois (duas horas! Ficou até enrugado de tanto tempo dentro da banheira), Harry pôde finalmente caminhar para longe daquela quarto. Ah, fingiu nem ouvir Draco sugerir que comessem “por ali mesmo”, num tom tão casual que enganaria qualquer um. Precisava de mais espaço entre ele e a insaciável necessidade que tinham um do outro.

É, não podia culpar apenas o loiro, quando ele mesmo se refestelava ao ser alvo dos mimos e carinhos. Novamente a frase lhe veio à cabeça: quando ficou tão viadinho? Bem, talvez não fosse bem isso... Com uma só noite, sua percepção dos acontecimentos realmente mudou. Compreendeu que não era um erro estar com Draco, ao contrário... Como sequer imaginar que aquele sentimento que lhe enchia o peito era errado? Como ignorar que seu coração acelerava com um simples sorriso do outro? A confusão sumira: sentia-se mais sereno e mais apaziguador. Agora, no resto, ele continuava a ser Harry Potter e com a magia de volta, estava muito mais seguro de si mesmo.

A mesa posta para dois era um misto de café da manhã e almoço. Dobby a tinha disposto no jardim, próximo às roseiras de Narcisa Black, onde uma agradável brisa os refrecaria. O dedicado elfo mencionou sobre as pilhas de correspondência que estavam chegando desde os primeiros raios de sol da manhã e até selecionou os jornais do dia, caso os mestres desejassem se inteirar de que, para além do quarto, existia um mundo bruxo a pleno vapor! Draco apenas meneou a cabeça, dizendo qualquer coisa sobre o estranho volume de correspondência. Afinal, entre as corujas e Harry, evidentemente ele preferia o moreno.

Curiosamente, Harry só percebeu o quão estava esfomeado quando começou a comer. Suco, café, fruta, pão, ovos com bacon, bolo de chocolate, mais pão, queijo... Nossa! O estômago agia como se tivesse ficado dias sem alimento. E Draco não ficava muito atrás. Na verdade, faltava pouco para o loiro devorar a própria mesa. E durante uns bons vinte minutos nenhum dos dois nada falou, dedicando-se a apreciar a refeição. Permitiram-se olhares carinhosos e leves toques nãos mãos um do outro, mas apenas isso. E não era um silêncio constrangedor. Ambos estavam muito próximos e felizes.

Depois de saciado, a pose esnobe se instalou naquele rosto aristocrático. O loiro mirava a casa as suas costas, a mesa bem organizada, o esposo com um semblante tranquilo – finalmente, por Merlin! – e pensou que nada poderia ser mais perfeito. Ele estudava o que desejava, tinha o amor da sua vida a seu lado (e era correspondido), vencimentos não eram uma preocupação... Ah, sim. Havia uma pequena ranhura nessa imagem perfeita.

_Harry, o que pretende fazer profissionalmente? Deseja prosseguir na área esportiva? – e rogou para qualquer divindade que se compadecesse dele pra que o moreno tivesse mudado de ideia.

_Não pensei muito nisso. Nas últimas semanas eu só conseguia pensar em quebrar a sua cara – e riu gostosamente.

_Mesmo... E ainda quer? – perguntou num claro tom burlesco.

_Ah, sim. Principalmente quando a sua versão “eu-sou-tão-bom-que-nem-o-vento-me-despenteia” está no modo on. Você é um convencido de primeira linha!

_Ha, ha, ha... Amor, eu não sou convencido. Sou realista.

O grifinório riu novamente, sacudindo até os ombros. Draco era surreal.

_Vamos, Harry... Chega de se divertir as minhas custas.

_É difícil, não acha?

_Você pode conversar com Hermione, sabe? Ela é uma ótima conselheira e pode te ajudar. A não ser que queira prosseguir nos campos de quadribol.

Prosseguir nos campos? Ah, nem ele acreditava mais na viabilidade dessa profissão. Quando se inteirou de que era um doncel – e de todas as implicações que o fato trazia ao indivíduo em questão – percebeu um fato inegável: os times de quadribol nunca aceitaram donceles entre as suas fileiras. Algo triste e totalmente preconceituoso, pois sua habilidade de jogar em nada fora prejudicada, mas... Ele realmente não queria ser o pivô de mais uma comoção.

Desejava tranquilidade, só isso. Não queria uma vida turbulenta, cheia de altos e baixos, servindo de alvo ao preconceito dos outros. Já sofrera bastante durante os anos anteriores lutando contra Voldemort. Merecia uma folga, não? Merecia uma vida feliz, ao lado do seu Draco. Ops, seu Draco? É... Estava irremediavelmente perdido!

_Não pensei mesmo nisso, Draco. Eu podia, não sei, tentar a docência. Lecionar sempre me pareceu interessante. Nos tempos da A.D., não sei, eu realmente me sentia feliz e útil ao ensinar.

A.D. Ah, aquilo trouxe ao loiro lembranças tenebrosas, de quando foi ele quem perseguiu Harry e ajudou a acabar com a Armada de Dumbledore. Naquele tempo, queria tanto chamar a atenção do moreno... E Harry nada, só nos agarramentos com Chang.

_Docência? É... Interessante. Harry, desculpe-me por tudo o que eu fiz.

_Do que você está falando?

_Da A.D., das peças que preguei, ah, tudo... Eu fui um imbecil com você, durante anos.

O moreno acariciou as mãos dele, as beijou e depois voltou a comer, sorrindo.

_Draco, esqueça o passado. Fomos dois imbecis. Eu também não ficava atrás e quase te matei uma vez. Se quer tanto assim meu perdão, terá que me perdoar também. Sabe, acho que nada disso teria acontecido se eu tivesse aceitado a sua amizade no primeiro ano. Teria sido tão simples: bastava ter apertado a sua mão.

O loiro sorriu com gosto e o beijou na bochecha. Então Harry ainda lembrava daquilo? Ah, como o amava.

_Não... Eu era um arrogantezinho!

_Era?! Ha, ha, ha...

_Ah, vai insistir nisso, herói beijem-os-meus-pés-porque-eu-sou-o-eleito?

_Loiro falso!

_Testa-rachada!

Os insultos prosseguiram até que, percebendo o ridículo da situação, acharam melhor interromper por ali o andamento daquela conversa. Até porque, Draco já olhava o esposo com um ar sugestivo, um “vamos resolver as diferenças na cama”, bem estampado naquela cara pervertida.

O loiro pegou o jornal e se concentrou nas letras impressas. Seu veela estava controlado, mas nem de longe saciado de Harry, a possibilidade de devorá-lo ali, na mesa do jardim, estava bem presente em sua mente.

_Preciso mesmo conversar com Hermione, não só sobre meus estudos... Ela deve estar preocupada. A situação não estava nada boa quando ela foi embora.

Um aceno de cabeça foi tudo o que obteve do marido que, com um olhar interessado, se dedicava a leitura do Profeta Diário. Ah, ele era tão bonito! E o modo como mexia os lábios, vez por outra, enquanto lia? Droga, de novo sua racionalidade ia embora. O veela deve tê-lo enfeitiçado.

_Oh, por Melin! – E sustentou tamanha cara de espanto, que o moreno se assustou.

_Draco?! O que foi?!

"O CASAMENTO DO ANO”, estampado em letras garrafais, adornava a primeira página do Profeta, seguido de fotos de ambos ainda dos tempos de Hogwarts... Como isso tinha acontecido? Por Merlin! Ah, aquela maldita Rita Skeeter! Que bruxa sórdida. Onde e como teria conseguido aquela informação?

Obviamente um notícia como aquela não ficaria na surdina por muito tempo. Mas até onde ela sabia? Ou melhor, até onde ela tinha inventado? Harry não estava em risco imediato... Não mais. Contudo, o segredo com o qual tudo fora mantido até então era uma proteção extra para o moreno. Harry tinha o pendão de atrair pra si lunáticos com sede de poder... Nem queria imaginar o que aconteceria agora, com o mundo de pervertidos conhecendo a verdade sobre o esposo. Ah, mas ele não toleraria nada que o pusesse em perigo.

Ignorando uma nova pergunta de Harry, passeou os olhos avidamente pela reportagem (se é que poderia chamar aquilo de reportagem) e logo encontrou o que temia: cinco letras apenas, que formavam uma palavra que ainda hoje gerava frenesi na comunidade bruxa: doncel!

_Draco! Você está me assustando – e tirou o jornal das mãos do loiro, a própria face ganhando a mesma expressão aturdida em poucos instantes. – Como aquela...

_Ah, eu vou trucidá-la! – a magia veela explodiu, destruindo tudo o que estava sobre a mesa. Harry ficou apavorado com o descontrole súbito do tão frio Draco Malfoy. – Ela não tinha esse direito! Ela te expôs, Harry!

Harry ficou de pé e agarrou o marido, que já livre da cadeira se preparava para desaparatar. Sabe-se lá o que o loiro pensava em fazer.

_Guarde agora mesmo essa varinha, Malfoy, ou eu vou te socar, entendeu?

Arthur Weasley se aproximava do local indicado por Dobby. Segundo o elfo, os mestres desfrutavam de um café da manhã no jardim, próximo às roseiras, embora já tivesse passado da hora desse tipo de refeição. O ruivo detestava dar notícias ruins, mas era necessário. Sentiu uma lufada mágica, forte e agressiva, e correu. Ver Harry contendo Draco foi estranho.

_GUARDE ESSA VARINHA!

Draco estava cego de raiva, mas não tinha ficado burro. O tom imperioso de Harry o acorrentou e, mesmo furioso, fez o que o moreno exigiu: guardou a varinha e procurou normalizar a respiração, ondas de magia faiscando a sua volta.

_Harry... Draco... Tudo bem?

A voz de Arthur Weasley deixou Harry menos nervoso. Pelo menos teria alguém mais para segurar um veela furioso. Encarou o marido profundamente e, pegando a própria varinha, lançou um reparo e a mesa do café voltou a ficar intacta. Depois apontou a cadeira mais próxima e Draco obedeceu a ordem muda, sentando-se em seguida.

_Que bom que veio, Sr Weasley. Foi bastante oportuno – o tom de alívio na voz de Harry era perceptível. – Também leu o Profeta, certo?

_Profeta? Não, não tive tempo para isso hoje, Harry. Vim aqui porque Sirius não está bem, nada bem. O professor Snape pediu que os levasse a Toca.

Dessa vez, Harry deixou seu corpo amolecido cair sobre uma das cadeiras, empalidecendo em seguida. Draco sentiu o desespero do esposo e a raiva contra a jornalista de quinta esfumaçou por algum tempo. Por Merlin, não teriam tranquilidade nunca?

Notas finais
Ah, o que é o amor sem uma boa dose de paixão, daquelas bem viscerais? Não sei... mas se não for desse jeito, qual é a graça?