Submisso
36 Capítulo 36 - Purum Sanguinem Avorum
Notas iniciais
>Sentido-me muito eficiente hj, dediquei-me a escrever Submisso (galera que curte Subtraído tb, aguarde só um pouquinho, pois já estou escrevendo!). Perdoem os erros, ainda vou reler tudo, mais uma vez (um dia!), e solucionar os probleminhas!
>Agradeço a todos os deliciosos comentários! Esse cap ficou meio colcha de retalhos, mas me esforcei (MUITO, PRA KCT, ETC.) para deixá-lo coerente. Espero que curtam (e preciso mesmo da resposta de vcs via comentários). Considero esse cap no meu top dos 10 mais! KKKK, Como sou convencida! XD)
>Aos amantes de SSXSB, eles estão no cap, mas não... Completamente... vcs entenderão. Continuação? Será? KKK
>Draco na Rehab só no próximo, pois não deu pra encaixar nesse! Sorry...
>Sem mais, PURUM SANGUINEM AVORUM!
Capítulo 36 — Purum Sanguinem Avorum[i]
_Sim, sou Hermione Granger... Sou responsável pela menina.
_Certo, senhorita. Aguarde um momento aqui na recepção, por favor. Vou apenas informar que levará a criança.
Madeleine a observava de longe, com o mesmo olhar preocupado de antes. A contragosto estavam ali, as duas, em St. Mungus. Sabia que não podia evitar o encontro, afinal, Madeleine era, ara todos os efeitos, filha de Rita Skeeter e de Ivan Voronin. E desejava encontrar a mãe, pois “mamãe, precisa me ouvir”, nas palavras da própria Madeleine. Curiosamente, desde que Hermione anunciara que iria sim levá-la para visitar os pais no hospital, a garotinha não falou mais palavra alguma sobre Ivan. Era como se o renomado professor não estivesse agonizando, mas ele estava, assim como a jornalista.
No dia da visita em questão, foi buscá-la na Toca e trocou algumas palavras com o senhor Weasley e Draco. Os dois pareciam muito animados ao falar da conversão dos carros trouxas, para a plena utilização dos magos. Assim que eles deixaram a Toca, aproveitou para comentar com a senhora Weasley o estranho comportamento de Madeleine, algo que a afligia, mas Molly apenas a deixou mais preocupada com as suas palavras: “Madeleine sabe o que faz, querida. Ela é uma garotinha por fora... Mas sabe de coisas que não sabemos. Viu os últimos desenhos sobre a mesa da cozinha?”
Como não se impressionar com aqueles desenhos fabulosos? Madeleine era uma artista ímpar. Brilhante e muito habilidosa. Ela desenhava de forma estupenda, do mais insignificante duende de jardim – Madeleine os adorava -, a mais perfeita representação do Chalé das Conchas, com Pansy Parkinson e Draco Malfoy sendo recebidos por Bill e Fleur. Perguntava-se como a garotinha fora capaz de desenhar a loira, braço direito de Malfoy, quando nunca a vira antes. E havia também um desenho de um homem muito bonito, quarentão, cujos traços a fizeram se lembrar da própria Madeleine.
Teria gostado de discutir mais com Molly sobre o assunto, mas o tempo passava rápido e se prosseguisse expondo seus temores, perderiam a hora da visita. Resignada, ouviu ainda uma última recomendação de Molly para que tivesse cuidado no hospital, pois crianças eram muito eficientes na capacidade de desaparecer de perto dos responsáveis, segurou Madeleine pela mão e logo estavam chegando ao hospital, St. Mungus.
_Senhorita Granger, se puder me seguir.
A estudante de medimagia chegou a ficar de pé, mantendo Madeleine por perto, mas não pôde dar mais que dois passos, pois o Primeiro Ministro em pessoa aparatara bem junto de si, trazendo no colo um homem visivelmente inconsciente, cujo pescoço parecia estar em carne viva.
_Senhor ministro! – Disse a recepcionista em reconhecimento e logo, percebendo a situação, prosseguiu. – Rápido, enfermeiros! Há uma emergência!
Mais rápido do que Ron comia as salsichas on café da manhã, o homem inconsciente foi levado pelos enfermeiros. Só então, quando já fornecia dados mínimos acerca do novo paciente de St. Mungus, Kings pareceu reconhecer Hermione, de pé, bem a seu lado.
_Oh, Hermione. O que faz aqui? Está bem?
A castanha sorriu e respondeu.
_Sim, Kings. Estou bem... Vim a St. Mungus para trazer Madeleine – e indicou a menina vestida de azul e rosa, que a aguardava, serenamente sentada numa das poltronas. – É a filha de Rita Skeeter. Ela queria muito ver a mãe. E está vendo aquele sujeito lá do outro lado da sala? – E o ministro seguiu a indicação. – É um dos seus aurores, mas não devemos deixar que descubra que eu sei que ele está lá. – E até Kingsley riu, relaxando minimamente.
_Como vai Hermione? E a universidade? Sabe, sempre pensei que você e Harry também seguiriam a carreira de auror.
_Não, não... Essa vida de perseguições não é para mim, Kings. Tive o suficiente disso, pode acreditar no que digo.
_Ah, mas Rony, ele vem sendo bastante elogiado, sabia?
_Isso é muito bom, Kings!
Os dois se envolveram numa conversa sobre o ruivo e como ele se dedicava ao estágio. O assunto fluiu com gosto, distraindo ambos do que os cercava. Hermione não percebeu que a recepcionista voltara há algum tempo e trazia um pedaço de pergaminho oficial nas mãos e o ministro não notara uma coruja que, a despeito das tentativas da enfermeira de espantá-la, continuava impassível, aguardando que sua carta fosse recolhida pela pessoa indicada.
_Senhor ministro, perdoe-me, mas não podemos deixar uma coruja aqui!
_Uma coruja, por Merlin, só falta ser mais um ataque!
Hermione ficou tensa ao ouvir a palavra “ataque” e mais tensa ainda ao reconhecer a ave. Era uma espécie rara, afinal, e pertencia a ninguém mais, ninguém menos, que Draco Malfoy. Era uma das preferidas dele, sua coruja pessoal. E por que Kingsley, ao ler o conteúdo do pergaminho, ficara ainda mais nervoso do que quando chegara ao hospital?
_Senhor ministro, a família do senhor Taylor já foi avisada. O quadro está estável, como pode ver no boletim inicial do medibruxo responsável – e passou às mãos grandes do ministro um pergaminho. – Comunico ao senhor também acerca da evolução clínica do paciente? – Perguntou a funcionária, bem mais contente agora que a coruja tinha sido despachada.
_Claro que sim, por favor. Bem, Hermione, foi um prazer revê-la. Se me dá licença, preciso ir ao Quartel de Aurores. Até breve...
_Tchau, Kings.
Hermione o observou partir, repreendendo-se por não ter dado uma de curiosa, como bem faria Harry, e disparado milhares de perguntas sobre o que acabara de presenciar. Respirou fundo e se voltou para a recepcionista... Bem, talvez nem tudo estivesse perdido.
_O senhor Taylor ficará bem? – E usou seu tom de voz “estou preocupadíssima”, que funcionou perfeitamente.
_Não tenho certeza, senhorita, mas pelo que pude ver no boletim, o senhor Taylor sofreu um ataque de magia veela. Posso levá-la ao quarto da senhora Skeeter e do senhor Voronin?
_Claro que sim. Madeleine, venha meu amor.
_Que linda criança – falou a recepcionista, sorrindo gentilmente para Madeleine.
_Olá, bom dia – cumprimentou a bonequinha, sorrindo também. – Estou com muita saudade da minha mãe. Podemos ficar até bem tarde, tia Hermione?
Hermione acariciou a cabeça de Madeleine e encarou a mulher a sua frente. Como explicar para uma criança que, infelizmente, poderia permanecer apenas pouco mais de uma hora em companhia da mãe, a mãe que não via há semanas?
– Oh, minha querida, não será possível. São regras do hospital – revelou a enfermeira, salvando Hermione de inventar uma desculpa. – Acredite, se fosse possível, permitiria que ficasse mais tempo, mas além de perder o meu emprego – e riu-se -, teria que cancelar a segunda visita.
_Segunda visita? Mais alguém virá, além de nós?
_Ah, sim, o chefe da senhora Skeeter. Ele a visita quase todos os dias.
_Ele não vem ver a minha mãe... Só eu venho ver a minha mãe. Vamos tia?
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_Weasley!
Rony precisou se contorcer para ser visto. Afundado em pergaminhos, estava escondido por uma pilha de documentos particularmente grande deles, que se sustentava, a julgar, pela simples magia da sala, ou por pura sorte... Ainda não tinha se decido sobre qual das opções deveria ser a verdadeira.
_Estou aqui – e acenou, esticando os longos braços e sendo, enfim, visto pela mulher que o procurava, uma das mais endeusadas do quartel, diga-se de passagem, Cassandra Baden.
A auror era uma das discípulas da dupla de ouro do quartel, certamente uma das preferidas de Nulan. Muito lógica e perspicaz, Cassandra Baden era um pouco mais velha do que ele e estava na profissão já há cinco anos. Era uma mulher de fibra e muito atraente, cujos cachos longos e escuros se perdiam no generoso decote, sua marca registrada.
_O chefão te aguarda. E não parece estar nada feliz.
Rony apenas arqueou uma sobrancelha. Quando é que Podmore parecia estar feliz? Nunca? E, era a resposta certa: nunca mesmo!
_"Traga aquele Weasley aqui. Como é que o desgraçado viu isso?"
A voz dela imitou perfeitamente o tom urgente de Podmore, assim como a sua constante irritação. Cassandra, ou Cassie para os mais íntimos, era uma figura. A auror era mais que conhecida pelas constantes brincadeiras que fazia, desanuviando assim o clima pesado que, vez por outra, os deprimia.
_Não sei o que você fez, ruivo, mas o deixou mais estressado do que há algumas semanas atrás, quando a mulher dele entrou em trabalho de parto.
_Mulher? Pensei que o chefe fosse um solteirão terminal.
_Ha, ha, ha... Ah, ruivo, Podmore? Que nada... Essa é a imagem que ele gosta de passar, sei disso... Mas, acredite, o chefão nunca fica sozinho. Sei de cada babado, novato! Ah, alguns detalhes fariam o seu cabelo ficar ainda mais vermelho – comentou com ar sonhador. – Mas a última é a melhor! – E mal parecia se controlar. Na verdade, Cassandra estava doidinha para soltar a última bomba, bem nas mãos do ruivo. – A mulher em questão, a mãe da filhinha de Podmore, era casada, quando os dois começaram a sair. Chefe safadinho, não? Ha, ha, ha... E o pior de tudo: o chifrudo em questão é um dos heróis da guerra! Todo um escândalo...
Surpresa era pouco para definir a expressão aturdida de Ronald Weasley, o homem que aprendera que o casamento era algo sagrado, indissolúvel e eterno. Cassandra dissera que a mulher em questão estava casada, ou tinha sido casada... Confuso. E com um herói de guerra? Por Merlin!
_Mas é melhor você ir – recomendou a auror, interrompendo o seu raciocínio. – Podmore está espumando! Ah, o senhor ministro também está com ele. Deve ter feito uma merda muito grande, novato...
Bastante preocupado, o estagiário literalmente correu até a sala, cuja porta se abriu antes mesmo que pudesse iniciar a primeira das costumeiras três batidinhas.
_Weasley, entre logo e feche a porta – exigiu o chefão, ao que Rony obedeceu prontamente.
Kings lhe sorriu e parecia estar mais do que feliz ao vê-lo. O ministro transbordava orgulho, apesar de não conseguir saber exatamente o porquê do estranho comportamento. Já seus superiores hierárquicos imediatos, Drake e Nulan, apresentavam o mesmo bizarro comportamento, ainda que David não parecesse muito convicto entre demonstrar estupefação ou irritação.
_Sente-se, ruivo. – Mandou Nulan. – E conte novamente a sua fantástica teoria sobre Lucius Malfoy.
_Despeje logo, Weasley. Parece que vai conseguir, finalmente, visitar Azkaban.
Mesmo confuso e achando que Podmore, Nulan e Drake desejavam apenas ridicularizá-lo diante de Kings, não existiam muitas opções para Ronaldo ao invés de "despejar" tudo, como o chefe dos aurores tão delicadamente solicitou.
Começou a falar e, pela primeira vez em dias, percebeu que estava sendo, de fato, ouvido. Ter uma plateia atenta e interessada o empolgou, fazendo da simples exposição um relato apaixonado.
_Por isso, afirmo que os crimes no mundo trouxa e no mundo bruxo estão relacionados. E, como deixei claro, estão se utilizando da imagem de Malfoy, afinal, para nós ele já está morto e completamente fora de suspeitas.
O primeiro ministro passou às mãos de Ronald um documento de aspecto oficial. Ministério da Magia... Centro Prisional de Alta Periculosidade de Azkaban... Solicitação de Translado... Impossibilidade... Ausência do corpo... Solicitação de Abertura de inquérito... A cada palavra lida, Ronald Weasley ficava mais e mais empolgado.
_Senhor, isso quer dizer que...
_Isso quer dizer, Weasley, que você é um maldito vidente de merda, ou um tremendo sortudo filho da mãe, que Molly me perdoe por isso. Senhor ministro, iniciarei agora mesmo o inquérito e investigaremos o que ocorreu em Azkaban. Nulan e Drake dirijam-se à residência Malfoy. Há um feitiço de ancestralidade para ser feito que pode nos levar diretamente ao nosso objetivo. Levem o ruivo com vocês. E por favor, não o deixem ficar convencido demais...
_Podmore, se me permite, preciso dizer algumas palavras antes que partam para Malfoy Manor – pediu o Ministro, ao que foi atendido prontamente. – Houve um pequeno inconveniente hoje mais cedo, um pequeno mal entendido entre o senhor Draco Malfoy e o senhor Harry Potter. Um descontrole da magia veela...
Drake empalideceu uns cinquenta tons. Veela? Ah, por Merlin, já não bastava ter sido passado para trás por um estagiário? Agora teria que lidar com veelas? Não era possível... Então Draco Malfoy era um veela, era isso mesmo? E casado com um doncel?
_Kings, o que aconteceu? Draco está bem?
_Rony, foi um rompante de ciúme. Draco se descontrolou e foi realmente feio de se ver, acredite.
_Aquela doninha albina fez alguma coisa com Harry?
_Está tudo bem agora, Rony... Tudo bem. Snape me informou que está tudo sob controle.
Apesar de afirmar que tudo estava bem, o tom de voz de Kings denunciava que algo realmente grave acontecera.
_ Se Harry se machucou... Ah, eu mato a doninha!
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Acordou com um grito não proferido, trancado pelos dentes e lábios cerrados. As vestes finas estavam coladas à pele alva, devido ao suor frio cuja origem era pura e simplesmente o medo, um medo terrível. E por que sentira tanto medo? Pesadelos, pesadelos... Novamente, era acometido por pesadelos vívidos e apavorantes, como os que costumava lidar, ainda durante a guerra.
Como bem sabia, a famigerada guerra tinha acabado há alguns anos. Acabou com a vitória da luz sobre as trevas, do bem contra o mal... Contudo, talvez ainda houvesse muita escuridão e maldade aguardando pela ação eficaz das luzes do bem e da razão... Como explicar o sumiço do corpo de seu pai? E o indulto então? Ah, era demais... Era informação demais para a sua mente já cansada absorver.
Enquanto a sua mente esgotada divagava, mantinha os olhos bem grudados ao teto. Bastava olhar... Ele conhecia mesmo Cada pedacinho daquela mansão. Foram anos e anos de brincadeiras solitárias, perdido em meio àquela imensidão de cômodos vazios. Estava num dos cômodos da mansão, na verdade, repousava num dos locais reservados aos hóspedes, um dos mais próximos do seu próprio quarto, o cantinho perfeito que compartilhava com Harry... Ah, Harry...
Lembrar-se de si mesmo sendo tão veela corroia-o de culpa, o que servia apenas para incrementar a sua prostração. Não é que fosse do tipo de bruxo que se deixava abater facilmente, não mesmo, muito menos era um bruxo covarde que, com medo de assumir responsabilidades, ficava eternamente aguardando que uma boa alma caridosa fizesse algo por ele... Ele era um Malfoy no final das contas.
Mas, Merlin, mesmo sendo um Malfoy e toda essa cantilena, não podia deixar de sentir-se meio doente, triste e, definitivamente, arrasado. Harry... Harry... Harry... O motivo da de seus sentimentos, felizes ou não... Sempre era Harry. O moreno não saía de sua mente, um instante sequer. Como esquecer o que o movia a continuar vivo? Como esquecer o seu próprio coração? De fato, era impossível...
Sabia que o tinha tratado de forma, completamente, reprovável. Merecia sim ser escorraçado por ele, disso não restava dúvida alguma... Contudo, conjecturar minimamente a hipótese de Harry, o seu esposo amado, rejeitá-lo... Ah, massacrava-o por dentro... O seu coração ficava mais que esmagado, ele simplesmente desaparecia. E era essa a possibilidade que o paralisava, que o impedia de se movimentar. Perder Harry significava perder seu próprio coração.
_Pretende ficar muito mais tempo chafurdando na culpa, ou podemos começar a ser práticos?
Draco, que até esse momento prosseguia em sua profunda apreciação do teto, mantendo a mente nublada por pensar em tantos problemas, simplesmente odiou a si mesmo por reconhecê-la tão fácil e por ter, por Merlin, lhe dado tamanha intimidade... A cabeça já começava a doer... E por quê? Simples: a dor provinha do reconhecimento de quem era a dona daquela voz: Pansy Parkinson, sua cefaleia particular.
Respirou profundamente e se sentou na cama, as pernas cruzadas numa posição deveras infantil, pouco condizente com a nobreza do sangue puro e do nome ancestral. A amiga estava sentada numa confortável poltrona, observando cada uma de suas reações. Não queria vê-la... Não queria ouvi-la... Pansy sempre tivera o dom de fazer com que despejasse numa torrente sem fim os seus sentimentos e desejos mais íntimos... Como ela conseguia isso?
_O que faz aqui?
_O professor Snape me contou sobre o indulto e sobre a carta vinda de Azkaban... Vim te ajudar. Já sabe o que teremos que fazer, certo?
_Sim... O feitiço... Parece que, depois de tudo, eu vou ter que acabar realizando o feitiço.
_O professor também me contou sobre Harry...
A loira em dois passos chegou à cama, se sentou ao lado do amigo e o abraçou com força. O ato desmanchou o falso semblante de frieza do nobre Malfoy. Em instantes, o calor de Pansy Parkinson derreteu sua couraça, lágrimas sentidas caindo face abaixo. Quando começou a soluçar feito uma donzela virgem? Merlin, que vergonha! Sua língua destravou e ele começou a contar tudo o que acontecera.
_Eu... Eu... Estava na Toca, com o senhor Weasley... Conversávamos sobre carros trouxas e acabamos indo ao Beco Diagonal para visitar um empresário que faz a conversão de carros trouxas para bruxos e... E mal chegamos, eu senti... Senti minha alma sendo lacerada, Pans... Alguém... Alguém estava maculando o meu Harry! Não pensei, não respirei... Apenas aparatei e procurei me desfazer do desgraçado que ousava tocar no meu esposo...
_Calma Draco, precisa se controlar!
_Pans... Eu quis matá-lo, aquele cretino do Taylor! Se Severus não tivesse me segurado... Eu feri meu padrinho... E eu... Eu... – E o os soluços voltaram a sacudi-lo.
_Shiii... Shiii, meu loiro. Vamos resolver isso, sim? Tudo vai ficar bem...
_Pans, Pans... Eu o feri também, Pans... Harry, meus bebês... Eu...
Pansy o apertou contra si, murmurando, bem baixinho, palavras de consolo. Sentir-se acolhido e ser consolado... Era tudo o que Draco precisava. Evidentemente, nada jamais mudaria a realidade dos fatos, contudo, precisava se acalmar para repensar as suas condutas e, lógico, obter o perdão e Harry.
Nenhum dos dois precisou o tempo, afinal, quem estava contando? Foram longos minutos? Ou efêmeras horas? Não importava... Só o que contava mesmo era perceber que a magia de Draco se reestabilizava, finalmente. A herança veela era dotada de vários privilégios, assim como de uma série de grandes provações a serem superadas.
Veelas eram seres mágicos poderosos éter seus genes e suas habilidades não era... O lado ciumento, possessivo, territorialista, agressivo, violento e animalesco nunca foi fácil de manejar. Sabia que deveria ter sido iniciado nessas artes anos atrás, antes mesmo de ter ido para Hogwarts, mas seu pai sempre bradava que da animalidade veela nada restara no sangue puro e ancestral dos Malfoy.
Ah, Lucius... Lucius se enganara demais sobre tantas supostas certezas... Gostaria de, um dia, quando já estivesse em outro plano, reencontrá-lo e explicar, com detalhes, o quanto foi equivocado em seus julgamentos. Amava o pai, sempre o amou. Mas desde que cresceu um pouco, soube que os valores dele eram por demais incoerentes. Apesar de tudo o que sofreu, deter que lidar com a perda precoce, não só dele como a de sua mãe também... Apesar de tudo isso, o perdoara. Lucius Malfoy foi a maior vítima de suas próprias escolhas e perdeu tudo, inclusive a vida.
_Sente-se melhor?
_Sim, Pans... Obrigado. Você é a única amiga verdadeira que tenho. Você, o Theo e o Blaise, é claro.
_Ah, Draco... Somos muito mais do que isso. Somos seus irmãos – e o beijou na bochecha. – E por isso, como parte da sua família, sou a primeira a te repreender pelo que aconteceu. Não vou te julgar, conheço bem os veelas e sei que você não pôde evitar a série de eventos trágicos que se sucederam. Contudo, a partir de agora, vamos impedir que algo desse tipo volte a acontecer, entendeu? Falo muito sério, Draco Malfoy e exigirei seu empenho máximo nessa empreitada.
A loira lhe acariciou os cabelos e sorriu, sem indulgência alguma, mas sorriu. Era fácil compreender o motivo daquele sorriso. Pansy estava dizendo, sem pronunciar palavra alguma: estou com você, meu querido, sempre. Em qualquer situação.
_A senhora Weasley enviou uma coruja ao professor Snape, anunciando que Fleur Delacour o aguarda, no Chalé das Conchas. Ela pediu ainda que fosse primeiro até a Toca e de lá fosse para o chalé, via flu. Fleur e a irmã, pelo que entendi, têm um lado veela poderoso, como você. Bem, talvez até mais poderoso do que o seu... Enfim, elas te ajudarão a controlar a magia veela. Talvez demore alguns dias, mas sei que vai conseguir.
_Alguns dias? Mas, e a empresa? E a universidade? As férias acabaram e...
_Alguns dias, sim senhor. E não causará prejuízo que você não possa superar. Quanto à empresa, deixe comigo. Quanto à universidade, Hermione pode te ajudar mais tarde, quando retornar. Ah, Draco... Empresa? Universidade? Diga logo a verdade!
Draco bufou, corando de vergonha pela maneira tão precisa como Pansy o avaliava.
_Harry não ficará sozinho, tenha certeza disso. E o professor Snape foi categórico: não permitirá que você se aproxime muito de Harry, ao menos até que você consiga controlar o seu “vergonhoso ciúme veela doentio e letal”, nas palavras dele. Engraçado, não é? Parece que o seu esposo gostoso ganhou mais um fã. – E a aura depressiva que se instalou no loiro, fez Pansy ser mais enérgica. – Draco Malfoy, chega! Pare agora mesmo de se afundar em autopiedade. O professor ainda está lá, cuidando freneticamente de Harry. É isso que você deseja, deixá-lo mais e mais doente a cada ataque incontrolável do seu veela? Amor... Precisa fortalecer a sua mente... Antes de ir para o chalé, faremos o feitiço, portanto, levante dessa, tome um banho e desça. Aguardaremos você lá embaixo.
_Aguardaremos? Quem...
_Draquinho, os aurores nos aguardam. Eles irão conosco, seja onde for que o feitiço nos leve. Portanto, apronte-se e acalma-se. Terá que lidar com um Ronald Weasley bastante irritadiço quando descer.
A loira o beijou novamente e saiu do quarto. Antes de se juntar aos aurores, passou pelo quarto do casal Potter-Malfoy. Snape mantinha a mesma expressão de extrema concentração, além de sustentar um frasco de poção. Os olhos negros profundos nem piscavam.
_Professor... Conseguiu encontrar a dosagem adequada?
_Ainda não, Parkinson. Gravidez de gêmeos, hereditariedade, teimosia, doncelaria e magia veela... Um cenário estupendo, não é mesmo? – E ministrou mais um pouco de poção, marcando a hora para, dentro de pouco tempo, verificar a variação da pressão arterial do jovem doncel grávido em questão. – E Draco? Como reagiu?
_Exatamente como o esperado, mas consegui acalmá-lo. E claro, iremos ao chalé após a realização do feitiço.
_Excelente. Ronald esteve aqui para ver o amigo... Aproveitei para explicar a ele certas peculiaridades dos veelas. E acredito que pude fazer com que compreendesse a delicada situação na qual nos encontramos. Ele evitará ser tão defensor de Harry, quando Draco for encontrá-lo.
_Ótimo. Draco precisará de muita estabilidade para realizar o feitiço. Vou descer e aguardá-lo lá embaixo. O senhor continuará aqui?
_Sim, certamente Draco virá se despedir de Harry, portanto, é aqui que devo permanecer. Enviei uma coruja a Sirius, pedindo que viesse para passar a noite aqui. Creio que ele logo chegará. Talvez, Lupin venha também... Enfim, agradeço sua lealdade, Parkinson.
_Eu é que agradeço a confiança, senhor. Draco mencionou que a magia veela também o feriu, professor. O senhor está bem?
Snape apenas meneou a cabeça. É claro que estava bem... Meio dolorido, mas bem.
_Ah, antes de ir, leve essa poção. Pode ser útil – e enviou um fraquinho às mãos da jovem.
_Certo, eu envio notícias em breve. Cuide-se.
Já fora do quarto, Pansy chamou Dobby, solicitando que o elfo preparasse uma maleta com roupas de Draco, e o que mais fosse necessário, para que o esnobe amigo passasse alguns dias fora. Somando-se a isso, pediu ainda que a maleta fosse enviada diretamente à casa dos Weasley, ao que o elfo agiu prontamente.
Mais alguns minutos depois, Pansy estava na sala principal de Malfoy Manor, na qual se encontravam cinco aurores. Foi apresentada a eles mais cedo, embora pelo menos um deles já lhe era, de longa data, conhecido, o tal do Willian Pitt. Ele foi o auror responsável por vasculhar toda a sua casa, em busca de “artefatos mágicos indignos”, toda uma palhaçada ministerial para causar prejuízos às “nobres famílias” bruxas.
Algo naquele auror nunca lhe agradou. Talvez fosse o fato de o seu pai, outro idiota purista, ter lidado com o tal Pitt, antes mesmo da guerra arrebentar na cara de todos e cobrar um preço muito alto de todos os envolvidos, direta ou indiretamente. Depois, estavam os heroizinhos dos aurores, David Nulan e Francis Drake. E aquela mulher que adorava exibir os peitos, já a vira antes também, pois Cassandra Baden fez a varredura na residência Theodore Nott.
_Draco já está vindo...
_Ótimo! Mal posso esperar... – Anunciou Pitt, sorrindo.
Draco se juntou ao grupo cerca de meia hora depois. Vestia roupas leves e sustentava um olhar resignado. O loiro pouco falou. Apenas cumprimentou os aurores e, descaradamente, evitou encarar Ronald por muito tempo, ao que o ruivo riu, ao se lembrar das recentes palavras de Snape: “Draco já se sente punido ao extremo, Ronald, pelo simples fato de Harry inspirar cuidados.”
_Os únicos aqui que conhecem o feitiço de ancestralidade são os senhores – começou Drake, indicando Pansy e Draco – e o novato. Sangue puro corre nas veias de vocês, assim como o conhecimento dessa tradição há muito valorizada. Precisamos que nos digam o que fazer.
_Draco é o único que pode realizar o feitiço, afinal se trata de Lucius Malfoy. O meu pai morreu fora de Azkaban e o senhor Weasley goza de ampla saúde.
_Quando Draco proferir o encantamento, uma aura mágica o envolvera, e ele será capaz de aparatar no exato local no qual se encontra a relíquia da família.
As palavras de Rony incentivaram Malfoy a completar o raciocínio.
_É um feitiço de localização e proteção dos patriarcas e matriarcas das nobres famílias bruxas, apenas isso. Vamos começar... Desejo encontrar meu pai e lhe dar um enterro digno o quanto antes. Como Ronald disse, assim que eu disser as palavras mágicas, o poder do meu sangue e o meu vínculo com a ancestralidade Malfoy se projetará, criando uma aura mágica poderosa que me levará até a relíquia. Quando essa aura for visível precisarão em tocar, e assim irão junto comigo, para onde quer que o feitiço me leve.
_Então, o senhor funcionará como uma espécie de chave de portal?
_Exatamente, senhor Nulan.
_Então, por favor, inicie o feitiço, senhor Malfoy – pediu Cassandra, aproximando-se de Draco, assim como os demais.
Ter seis pessoas ao redor de si era meio claustrofóbico, mas procurou não se deixar dominar por essa sensação, concentrando-se no que deveria ser feito. Sabia que suas palavras deram a entender que feitiço era, em si, muito simples, contudo, não havia nenhum feitiço de ancestralidade que não exigisse muito empenho e uma dose considerável de magia.
Draco empunhou a varinha e mentalizou a própria família, dos avós aos pais, reforçando as memórias acerca de sua linhagem. A magia começou a fluir, o que, por si só, era uma tarefa complexa, ainda mais para ele, cuja herança veela era tão forte. Quando julgou ser suficiente, permitiu que o encantamento abandonasse seus lábios.
_Purum Sanguinem Avorum...
Quando a aura mágica começou a se formar, Draco sentiu o toque de seis mãos e então, segundos depois, foi puxado pela força da magia ancestral, em seu íntimo, torcia para, enfim, encontrar o seu progenitor.
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Severus inspecionou a cozinha e ficou estarrecido com a quantidade de “porcarias” das quais precisou se desfazer. Chamou Dobby e lhe explicou que, caso continuasse a ajudar Harry Potter a burlar a dieta, seria responsável por deixá-lo doente. Assustado, o elfo prometeu que nunca mais prejudicaria o senhor Harry Potter, recitando uma lista enorme de tudo aquilo que nunca mais lhe serviria: ovos, chocolate, cereja, chocolate, tomates, e mais chocolate, feijõezinhos de todos os sabores...
Por Merlin, Severus teve vontade de bater a cabeça na parede. Indicou ao elfo o que deveria ser preparado para o grifinório, assim como o modo de preparo. Permaneceu na cozinha, observando de perto o preparo dos alimentos. Ah, imaginava antecipadamente o inferno que seria aturar um doncel grávido com severas restrições alimentares.
_Dobby, por favor, leve o jantar de Harry para o quarto – pediu Snape, com a bandeja já devidamente pronta. – Creio ser melhor manter o repouso até amanhã. Além do mais, ele dormirá em breve, devido ao efeito das poções.
_Sim, senhor professor. Oh, boa noite senhor Black – e Snape se surpreendeu por não tê-lo sentido se aproximar. É, deveria estar mesmo muito cansado.
_Boa noite, Dobby.
_Vá Dobby – e o elfo foi, delicadamente, despachado, os olhos escuros de Snape voltados unicamente para a beldade que chamava de esposo.
O animago trazia uma pequena maleta nas mãos e estava, por faltar palavras a Snape, magnificamente charmoso e exuberante. Ah, a gravidez caiu como uma luva em Sirius. O doncel extravasava beleza, alegria e felicidade, o que era mais do que arriscado, tendo em vista o resultado do ataque de excitação de Harry Potter mais cedo, naquele mesmo dia.
_Boa noite, marido.
_Boa noite, Sirius.
_Como está o meu afilhado?
_Agora, de fato, bem. Depois de uma tarde particularmente complicada, consegui encontrar a dosagem mais adequada da poção para estabilizar a pressão. Desculpe por ter impedido que viesse antes, mas a sua presença o deixaria mais emocionado ainda...
Sirius meneou a cabeça, como quem diz: tudo bem, não se preocupe. Depois, com movimentos sinuosos, se aproximou do marido, o beijou e lhe estendeu a maleta que trazia nas mãos. As mãos grandes do pocionista eram largas o suficiente para segurar a maleta e também apalpar o esposo, beijando-o novamente.
_Ah, Sev... Para, se continuar a me beijar assim, vamos deixar comprovada a nossa tara por cozinhas.
Severus riu com gosto do comentário, lembrando que, definitivamente, já tinham “batizado” a cozinha de Prince’s House mais de uma vez. Afastou-se do esposo, e o encarou, indicando a maleta.
_Pensei que deveria estar cansado e precisando relaxar. Então, trouxe roupas limpas para você.
_Hum... Meu esposo sendo atencioso comigo... Isso sim é relaxante – e o puxou para si novamente, os lábios encostando de leve no lóbulo esquerdo de Sirius. – Seria bom relaxar dentro de você também, meu amor. Por que não subimos?
_Tarado – e riu. – Vamos subir sim, mas você vai tomar um banho e eu vou ficar com o meu afilhado. Ele deve estar precisando conversar.
_Tudo bem, Sirius. Mas não permita que Harry fique muito emocionado.
Os dois rumaram para o andar superior, despedindo-se com um beijo bem quente. Severus então pousou a maleta sobre a cama, retirando dela roupas limpas – embora constatasse que ali havia também algumas vestes de Sirius – e outros objetos necessários a uma eficaz assepsia. Ainda feliz pelo detalhe do esposo, entrou no banheiro, abrindo a torneira e deixando a banheira encher, enquanto de livrava das próprias vestes.
Olhando-se no espelho, pôde notar o estrago causado pela magia veela. Marcas avermelhadas se espalhavam pelo tórax e pela parte interna dos braços. Estranhamente, apenas nesse momento permitiu-se sentir dor. Como havia contado à Pansy, ele havia sim tomado poções para se reestabelecer, mas foi tamanha a preocupação com Harry, que não pôde nem retirar a roupa e verificar a extensão dos danos externos.
Geralmente, os bruxos tinham essência de murtisco nos armários dos banheiros, juntamente com uma série de outros medicamentos de efeito rápido. Torcendo para que os infinitos banheiros daquela casa fossem, todos eles, abastecidos com o medicamento, abriu o armário e feliz, alcançou o vidrinho, fazendo uso de seu conteúdo imediatamente.
O alívio foi imediato e as marcas regrediram, ficando levemente avermelhado, nada que não sumisse em algumas horas. Ignorando o reflexo no espelho, entrou na banheira cheia de água quentinha, a qual foi misturada uma boa porção de sais de banho. Relaxante era pouco. Percebeu que seus músculos aplaudiam o ato, tamanha a tensão experimentada desde que Draco aparatara no escritório de Adam Taylor.
Demorou-se no banho, aproveitando para descansar minimamente no processo. Fechou os olhos e permitiu que a mente divagasse, eliminando o excesso de informações daquele dia atribulado. Ter fechado os olhos foi suficiente para dormitar e, vergonhosamente, sonhar com o esposo, vestido apenas com uma coleira de couro preta...
_Sev... Sev... – E sentiu toques molhados sobre si. – Acorda, Severus.
O pocionista abriu os olhos e notou que ainda estava na banheira, embora não estivesse mais sozinho. Sua divindade particular viera lhe fazer companhia. E ele, como fiel seguidor, prestaria todas as devidas homenagens aquele deus.
_Conversei bastante com Harry – beijos -, ajudei no banho – mais beijos – e ele dormiu um pouquinho mais feliz, bem nos meus braços – Mais beijos. – Você cuidou muito bem do meu afilhado, amor. Obrigado...
O doncel estava nu e molhado, bem junto dele, dentro da mesma banheira. E lhe beijava com devoção e desejo! Por Merlin, ele não poderia pedir mais nada da vida, não mesmo. Receber aquela dádiva em forma de esposo... Hum, gotejava só de se imaginar dentro daquele canal apertadinho.
_Agora, amor, eu vou cuidar de você – e sentiu o corpo de Sirius sobre o seu, a língua quente invadindo sua orelha de forma pecaminosa. – E vou te morder inteiro – e lhe mordeu, para depois passear a língua pelo pescoço.
_Ah, Sirius...
[i] Sangue Puro Ancestral (créditos: oráculo Google tradutor).
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