Submisso

37 Capítulo 37 - Rastros


Notas iniciais
Olá!!! Sem delongas dessa vez, trago mais um cap.
>Gostei muito de escrevê-lo... Teremos, enfim, algumas confirmações, por Merlin e Morgana!
>Sem Harry nesse, mas com muito dos outros.
>A Rehab do Draco... Sorry, acabou ficando para o próximo, mas dei algumas dicas.
>Obrigada pela moral de vcs, amo os comentários e as dicas, assim como as críticas. Mandem mais!!!

>Sem mais, RASTROS!

Capítulo 37 – Rastros



_Ah, tia Molly... O bolo está muito gostoso. Eu adoro chocolate!

_Que bom, não é? Coma tudo, minha querida. Hermione, não quer mesmo uma fatia? Está uma delícia.

_Não, obrigada. Estou sem fome. E Rony? Ele já deveria estar em casa...

_Ah, parece que acompanhará os superiores numa missão. Recebi uma coruja enquanto você estava com Madeleine. Aliás, vocês duas demoraram... Eu dei uma saidinha e pensei que, quando voltasse, já as encontraria em casa.

Madeleine terminou o bolo com um sorriso enigmático nos lábios rosados. E então, subitamente, disse um “sim, sim! Está lá em cima!” e correu para fora da cozinha, dando um grande susto nas duas mulheres.

_Crianças... – Comentou Molly entre sorridente e curiosa. – Houve algo para que demorassem tanto?

_Não exatamente... Demorei mais que o previsto, porque, depois que saímos de St. Mungus, eu levei Madeleine para tomar um sorvete na Florestan Fernandes. No hospital... Ela agiu de maneira bastante... Peculiar...

Molly indicou uma cadeira, na qual a castanha se sentou e logo já tinha a sua frente uma generosa fatia de bolo, acompanhada por uma xícara de café fresquinho. A matriarca Weasley se serviu apenas de café e se sentou ao lado da nora. Para Molly, comida parecia ser essencial, em todos os momentos.

_Os pais de Madeleine estão no mesmo quarto. Pelo que o medibruxo responsável me explicou, ambos foram atingidos por uma maldição antiga e, até o momento, a contramaldição é desconhecida, se é que existe. Anotei algumas informações sobre a maldição... O curioso é que não me estranha, sabe? Enfim, é mais um dos feitiços puristas... E falou algo sobre outras visitas à Skeeter, o que também me deixou intrigada. Oh, nossa, estou perdendo o foco! O caso é que o comportamento de Madeleine me causou certa estranheza. Toda atenção dela se voltou para a Skeeter, exclusivamente... Era como se... Como dizer? Ah, era como se o homem, bem ao lado da megera, não tivesse nenhuma relação com ela, senhora Weasley. Era como se o pai dela não passasse de um estranho... E algo inusitado: Encontrei com Kings, em St. Mungus.

_Kings está doente?

_Não, não... Ele estava, literalmente, carregando um homem nos braços... Não sei quem era, apenas fingi que conheça para obter algumas informações. Ele parecia mal e foi atendido pelos plantonistas de emergência – e começou a comer a fatia de bolo, enquanto pensava nas palavras da recepcionista. – O homem em questão chamava-se Taylor. E sofreu um ataque de magia veela.

Molly se engasgou com o café.

_Tudo bem?

_Ah, querida... Sim, sim... Está tudo bem. Ataque de magia veela, você disse? E Taylor? Oh, por Merlin! Imaginei, por alguns instantes, que Severus estava apenas sendo um pouco trágico.

Severus? Tragédia? Hermione devorou o resto da fatia de bolo, os olhos faiscando na direção da senhora Weasley. Ela sabia... Sabia de alguma coisa. Queria ter mais um cérebro para poder processar todas as possibilidades que aquelas simples palavras a faziam vislumbrar.

_Hermione, querida, tem que me prometer que não sairá daqui espumando de raiva, depois que eu te contar o que aconteceu. Vai esperar e pensar friamente, como sempre fez. Promete?

_Está me deixando mais preocupada... Ok, eu prometo. Não vou sair daqui... Vou esperar e pensar friamente, como sempre fiz. Antes, por favor, preciso de mais um pedaço de bolo.

Enquanto servia bolo a uma Hermione bastante ansiosa, Molly refletia sobre o modo como contaria a última tragédia ciumenta veela. Quando o pocionista lhe contou o que havia acontecido no escritório do advogado, imaginou que Draco realmente havia sido um pouco agressivo, mas não que, de fato, tivesse deixado o tal Taylor tão mal a ponto de precisar de cuidados médicos emergenciais.

Dispôs-se a contar à jovem namorada do filho o que, exatamente, tinha acontecido, detalhando os fatos e até usando as mesmas palavras de Snape em alguns momentos. Numa torrente de palavras, sem interrupções, revelou os acontecimentos que se desenvolveram e chegaram ao ápice: indulto a Lucius Malfoy, Taylor no hospital, Harry sob cuidados severos e Draco rumando para o Chalé das Conchas.

Hermione se serviu de mais duas xícaras de café, depois de tudo o que ouviu de Molly. Estava, literalmente, espumando de raiva e extravasando preocupação. Harry e Draco eram seus amigos, seus irmãos. Podia imaginar o que sentiam naquele momento. Sabia que ambos precisavam de apoio... Quis aparatar imediatamente em Malfoy Manor, para ajudar Snape a cuidar de Harry, mas o olhar severo da senhora Weasley a manteve bem sentadinha na cadeira.

_Hermione, Severus foi categórico: Harry precisa se acalmar. Se for lá agora, não será de ajuda alguma. Faremos o seguinte: Amanhã cedo, mandamos uma coruja a Severus perguntando como Harry está e se já pode receber visitas.

_E Draco? Draco também precisa de mim.

_Claro que sim. Ele mais que ninguém precisa do nosso apoio. Pedi a Fleur que me avisasse, assim que Draco chegar ao Chalé das Conchas. Ele também estava dormindo quando estive na mansão, Hermione. A magia veela precisa ser controlada, antes de ter contato conosco. Ah, Draco deve estar se martirizando, pobrezinho.

_Então não poderemos fazer nada a não ser esperar?

Molly ficou de pé e se aproximou dela, depois a beijou na bochecha e acariciou seus cabelos. Amava Hermione como se fosse sua filha. Brilhantismo intelectual era apenas uma das qualidades dela. Solidária, preocupada com a família, fiel, carinhosa, decidida... Rony não poderia ter sido mais agraciado.

_E quem disse que aguardar é fácil? Aguardar é uma arte... E, na verdade, não estaríamos aqui sem fazer nada. Eu gostaria que me ajudasse num assunto deveras complicado. Já há alguns dias, Gina me contou algo bastante peculiar. Ela e Gabrielle estão namorando.

O esperado impacto da notícia não foi verificado, fazendo a matriarca sorrir de lado e continuar.

_Você já sabia.

_Desconfiava. Gabrielle é veela, assim como Fleur e Draco. Convivi bastante com Draco e o ouvia falar de Harry sustentando uma expressão de profundo desejo, adoração e admiração... É a mesma expressão de Fleur ao falar de Bill, assim como é a mesma que reconheço em Gabrielle, quando anda perto de Gina. Contudo, por que “peculiar”? A senhora não se espantou em nada com a relação entre Draco e Harry, ou com a de Severus e Sirius.

_Oh, não... Não pense que tenho preconceito. De forma alguma sou contra relações entre pessoas do mesmo sexo, sendo veelas, donceles ou não... Gabrielle e Gina são parceiras ideais – e riu para si mesma, imaginado os netinhos fofos que logo teria. – Enfim, teremos mais um veela na família, e Fleur, minha querida, não foi, nem de longe, a primeira. Há muitos anos, um dos meus irmãos, Gideão Prewett, se envolveu com uma veela, uma alemã chamada Helga. Ela era belíssima e incrivelmente dominante, bem ao estilo Draco – e sorriu saudosa, ao lembrar-se dos tempos felizes que viveram. – Sabe, Hermione... Os meus dois irmãos foram mortos por comensais, na Primeira Guerra Bruxa... Ah, foi tão triste... Gideão estava em estado, Hermione. Ele esperava um bebê... Eu seria titia... Mas tudo o que eu seria, os comensais destruíram. Pode imaginar como a parceira veela ficou? Merlin, matou Helga saber que perdera o marido e o filho. Os pais de Helga, percebendo a desgraça que se abateu sobre ela, chegaram à Londres... O sangue veela cria laços familiares muito profundos, Hermione. Os veelas sentem os parceiros, os filhos e se a herança for forte, até as gerações ascendentes. E os pais dela eram poderosos... Eles sentiram a morte chegar... Eles sabiam o que aconteceria... E ficaram penalizados. Helga faleceu pouco depois... Morreu de tristeza.

Hermione sabia bem o poder do vínculo familiar para os veelas. Eles eram capazes de sentir o parceiro, identificar emoções alheias, localizar o amado, estabeleciam profundos vínculos familiares, além de serem possessivos e territorialistas... Eram seres surpreendentes, enfim.

_Arthur e eu desejamos o melhor para nossos filhos, sempre. Por isso, sabemos que ser parceiro de um veela traz muitas implicações.

_Mas se a senhora já os conhece tão bem... E Gabrielle, bem, ela é um doce...

_Ah, não é isso... Sei que Arthur não criará problemas com Gabrielle. Estou apenas tentando pensar na melhor maneira de contar a Arthur que, a filhinha dele, a primeira filha em gerações, é a parceira ideal de uma veela que, além da própria Gina, acaba de encontrar o segundo parceiro, um varão.

Hermione se afundou na cadeira, retirou a varinha das vestes e convocou o bolo inteiro... Por Merlin, precisava comer! E muito mesmo! E precisava, desesperadamente, daquele segundo cérebro.



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Amava a sensação de ter as mãos grandes do marido sobre si, apertando-o com desejo e acariciando as suas partes mais íntimas. Ah, os toques de Severus eram tão maravilhosos... Como conseguiu viver sem eles por anos inteiros? Não, não poderia chamar aqueles tempos tenebrosos de viver.

_Sirius, não deveríamos estar fazendo isso... Não aqui. Não estamos em casa e já não somos adolescentes cheios de hormônios, faz bastante tempo.

_Fale por você. Eu me sinto muito jovem – e se esfregou ao marido.

_Sirius, por que não saímos da banheira? Precisamos conversar sobre Remus. Estou bastante preocupado com ele. Sabe, conversei com McGonagall e... Ai, Sirius! Doeu!

O animago o ignorou, dedicando-se a mordê-lo mais forte ainda e a conduzir uma daquelas mãos enormes ao seu traseiro, afundando-a na água quentinha, chegando até a sua entrada pulsante.

_Deixe as coisas sérias para depois, Sev. Agora eu quero que você me prepare, bem aí atrás.

Severus estremeceu com o tom lascivo, alem do que o esposo conhecia seus pontos sensíveis... Língua no pescoço? Batalha perdida...

_Estamos no quarto de hóspedes, Harry está bem e com mais feitiços de vigilância sobre ele, do que um auror julgaria necessário. Agora, você precisa cuida de mim... Estive muito abandonado, marido.

Ninguém sabia o que era ser alvo da sedução de um doncel, a menos que tivesse a sorte de ter um sobre si, como Severus desfrutava no momento... A voz carregada de erotismo, o corpo sedutor e atraente, ah... E o sabor dos beijos? Inebriantes e mais preciosos que o oxigênio.

Então o seu esposinho se sentiu abandonado? Resolveria isso... Resolveria isso já. Devorou os lábios carnudos em oposição aos seus, obtendo uma sinfonia deliciosa de gemidos que, evidentemente, serviram para aumentar seu ego e sua libido. Gostava de dar prazer a Sirius... Vê-lo se desmanchar molemente depois de um beijo... Apreciar a beleza daquela pele branca, perolada de pequenas gotas de suor, enquanto entrava nele sem pudor algum... Mordê-lo inteirinho, aumentando o volume dos gritos de desejo... Ah, nunca imaginou que sua vida de solteiro pudesse ser esquecida tão rápido.

Um, dois, três dedos já se encontravam dentro do esposo que, sem vergonha alguma, mexia os quadris, aprofundando as estocadas como podia. Mais gemidos vieram e logo um grito profundo, diferente dos outros... E Severus sabia exatamente o motivo da evidente diferença.

_Acertei – e sorriu faceiro, o rosto perdendo toda a frieza que costumava usar com seus alunos em Hogwarts. – Você gosta quando eu te toco aqui, certo Sirius? – E nisso já tinha os lábios colados ao ouvido do esposo, os dedos torturando-o, incansáveis.

A razão já tinha abandonado o nobre almofadinhas há muito tempo. Derreteu-se num gozo impactante. Sentia tanta necessidade de Severus. Só podia ser algo ligado à gravidez. De alguma maneira muito pervertida, estar grávido aumentara o seu desejo por amor e sexo. Dedos apenas? Não, não era mesmo suficiente... Queria mais... Precisava de mais... Exigiria tudo o que o marido tinha, tudo!

Voltou a beijá-lo, ainda sentindo os efeitos do orgasmo em seu corpo. Agarrou-se com força ao professor, pedindo, rogando pelo que nem ele mesmo sabia definir.

Snape o ergueu e, tomando cuidado para não escorregar, carregou a sua preciosa carga para a cama. Por que eles sempre tinham que se devorar em lugares estranhos ao leito? Banheiro... Boxe... Cozinha... Mesa de jantar (uma tarde memorável na qual Lupin levou Teddy ao parque)... Dispensa (na verdade, começou de forma inocente, com uma briga devido a Sirius estar consumindo muito picles com geleia de morango, acabando com Sirius lambuzado da deliciosa iguaria, sendo degustado por Snape, em meio aos mantimentos que deveriam ir para o lixo)... E até conseguiram a proeza de “foder beirando a inconsciência”, dentro do porão, local que o renomado mestre de poções reservara para seus experimentos acadêmicos (a bagunça foi tão grande então que, desde aquele fodástico dia – o adjetivo foi criaçãod e Sirius Black – o laboratório pessoal de Snape virou um local proibido para o doncel).

O colchão afundou sobre o peso de Sirius e logo, com o de Snape que, mais que desesperado para sentir-se dentro do esposo apertado, se posicionou em cima dele, as pernas bem torneadas sendo abertas ao limite. A ereção pulsava e gotejava e não houve espera alguma, nem mais nenhuma preparação. Nublado pelo desejo, Severus entrou com firmeza em Sirius que gemeu, entre dolorido e profundamente satisfeito, por ter toda a extensão do marido dentro de si.

_Ah, espera um... Pouco... Ah, Morgana Bendita! Você... Você é enorme...

Controlando-se ao extremo (nessas horas, os anos de domínio mental nos longos anos como comensal realmente eram recompensadores), Severus aguardou, até se sentir sendo beijado com lascívia, o que indicava apenas uma coisinha: já podia perder o controle e, feito um animal desenfreado, devorar o doncel abusado.

_Me fode... Agora, Severus. Me fode com tudo.

Obedeceu prontamente. Inclusive, era capaz de agregar mais alguns advérbios: felizmente, urgentemente, eficazmente, desejosamente, imediatamente...

_Meus dedos não são suficientes, certo?

Enquanto era invadido repetidas vezes, murmurava incoerências, ainda que tivesse sido bem claro com alguns "não... Não... Não são suficientes".

Severus não costumava falar muito na cama. Na verdade, Severus não costumava falar muito, ponto! No geral o reservado professor era quase taciturno. Talvez e só talvez, o narigudo estivesse mudando.

_Ah... Ah... Sev...

Sentir o pênis quente e duro estocando dentro de si, massageando, torturando a sua próstata... Não aguentaria muito mais tempo... Podia sentir a culminação de toda aquela dança sensual se aproximando, avassaladora.

O marido o virou, para logo depois erguer seu traseiro e se aproximar da sua entrada. Pouco depois, sentiu a língua sacana entrar nele, simulando as penetrações há pouco sentidas.

_Não, Sev... Sev... Assim não... Eu quero mais...

Quando tentou se desvencilhar e exigir ser fodido como se devia, Snape o impediu, mantendo-o de quatro, a entrada vermelha e pulsante pedindo mais... Pedindo tudo daquele homem.

A estocada veio contínua e profunda, para depois, instantes depois, sentir-se vazio de novo. Mais lambidas e, novamente, mais um pouco do membro de Severus, profundo, sacudindo-o com as sensações experimentadas.

Foram momentos torturantes... Durou o tempo suficiente para Sirius gritar de frustração e desejo contido. Quando estava perto, muito perto de gozar, Severus o impedia... Deveria mordê-lo feito um cão bravio e exigir que parasse de brincar.

Antes que pudesse usar as presas, foi virado novamente, os olhos noturnos o encarando desejosos. Inesperadamente, teve o membro engolido pelo marido, cuja língua, mais uma vez, o fez ver estrelas, sugando-o forte, sem piedade alguma. A força dos lábios ao subir e descer, a língua estimulando seu pênis dolorido de tanta excitação... Severus era mesmo cruel.

Derramou-se inteiro, tendo seu gozo degustado pelo outro. Arfando e cansado, foi novamente invadido. Dessa vez, sem delongas, Snape foi eficaz em sua tarefa, penetrando-o incessantemente, fazendo-o balançar com cada encontro dos corpos de ambos.

_Aaaaah...

Não tinha mais forças... Deixava-se tomar pelo marido, sentindo como seu próprio membro voltava a endurecer. As estocadas certeiras o estremeceram e, tamanho foi o choque de sensações, que teve medo... Teve muito medo de perder de vez o controle, pois cada partícula de Sirius Black estava sensível e clamava por Severus Snape. Mas, olhando para Severus, para o seu balançar cadenciado, para os seus braços fortes que o envolviam, para os seus olhos escuros de necessidade... Ah, que se danasse o controle!

Sirius foi erguido novamente, ficando sentado sobre o marido, cujas mãos grandes comandavam o ritmo. Os lábios de Severus se afundaram na boca esnobe do esposo para, pouco depois, chegarem aos ombros e ao pescoço. O cachorro sabia que aquele narigudo se deliciava com o aroma doce dos seus longos cabelos, mas será que ele sabia o quanto o próprio Sirius amava sentir a proximidade e os carinhos que lhe dispendia?

_Sev... Sev... Eu não aguento mais... – E já tinha os olhos brilhando de lágrimas de puro prazer.

Severus sorriu e acelerou o ritmo, gozando em seguida, ao mesmo tempo em que o esposo extravasava a sua essência entre o abdômen de ambos.

_Eu realmente te amo, Sirius.

Com cuidado, Severus o abraçou antes que desfalecesse, beijando-o mais uma vez...



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_Revelat Comminatio!

O feitiço proferido por Ronald demonstrou não haver nenhuma ameaça em potencial nas proximidades. Era um lago... Um lago utilizado largamente por trouxas, pelo que podia vislumbrar, mas nada que, de fato, tornasse a investigação perigosa.

“Draco já se sente punido ao extremo, Ronald, pelo simples fato de Harry inspirar cuidados.” Essas eram as palavras que martelavam a mente de Ronald, ainda que se mantivesse focado nas tarefas de auror. Logo depois de esbravejar contra a doninha quicante ainda na sala de Podmore, foi orientado pelo chefão, assim como Nulan e Drake, a não divulgar a natureza da condição do loiro, ou seja, nenhum deles estava autorizado a mencionar “COM MAIS NINGUÉM, ENTENDERAM? FECHEM OS BICOS!”, nas suaves recomendações de Estúrgio, o fato de Draco ter uma herança veela poderosa.

Obviamente, concordava com o chefe, afinal, a doncelaria de Harry ter sido noticiada aos quatro cantos do mundo mágico pela cretina da Skeeter já tinha sido ruim o suficiente. Só o que faltava mesmo era ter que lidar com mais uma legião de desocupados / desocupadas, correndo atrás de Draco Malfoy!

Manteve-se perto do loiro e sussurrou um “sente-se bem?”, que apenas o mesmo ouviu. Draco estava bancando uma de “sou-durão-e-nada-me-afeta”, mas ele era também um sangue puro e conhecia profundamente o referido feitiço. Um aceno mudo de cabeça foi a resposta que obteve.

O feitiço era poderosíssimo e exigia muito da magia de quem o recitava. Indicava a localização do sangue ancestral numa linha contínua, obviamente, para trás, o que queria dizer que, assim que tivessem a relíquia da família nas mãos, poderiam retroceder em busca do caminho percorrido pela mesma, retornando, enfim à Azkaban, local do qual nunca deveria ter saído sem o indulto concedido pelo Ministério.

_Estamos sozinhos. Que lugar é esse afinal? – Perguntou Nulan, aproveitando para reforçar o feitiço de ocultamento sobre todos.

Cassandra Baden lançou um feitiço ao redor de si, que fez com que durante alguns instantes, sua pele ganhasse tons cintilantes de azul. Em seguida, da varinha da auror uma espécie de mapa foi projetado no ar, demonstrando exatamente a localização de todos.

_Acreditem ou não, viajamos muito. Estamos na Escócia, mais precisamente no Lago Ness. Como viemos parar aqui sem uma chave de portal potente?

_O feitiço é antiguíssimo, senhorita – revelou Draco. – Quando foi elaborado, não existiam as fronteiras de hoje. E os bruxos eram muito mais poderosos então.

_Lago Ness – começou Drake. – Os trouxas adoram esse lugar. Dizem que há um monstro nas profundezas.

_Trouxas e suas crendices... E então, loiro? Onde está? – A voz de Pansy destilava preocupação. De fato, a sonserina estava mesmo preocupada. Sabia do que aquele feitiço era capaz... E Draco não estava lá muito estável para realizá-lo.

_Pansy, está tudo bem. Fique tranquila – respondeu o veela, respirando fundo e procurando se concentrar.

Draco apenas se afastou dos demais e caminhou com passos cautelosos até a margem do lago. A noite já cairia ao redor deles... Em breve, seriam engolidos pela escuridão. Imaginou o que o aguardava... Apesar de desejar muito enterrar o corpo do pai no mausoléu dos Malfoy, a possibilidade de encontrar bem de perto o esqueleto do pai não era uma opção lá muito animadora.

O feitiço indicou que o motivo de sua busca estava no lago, no fundo dele. Monstro? Ah, por favor... Os monstros dos trouxas, de fato, não existiam... Tratava-se de alguma criatura mágica que, vez por outra, se deixava ver. Respirou pausadamente e empunhou varinha mais com firmeza. O encantamento agora seria bem menos complexo, mas apenas ele deveria realizar, pois ainda estavam sob o efeito do Purum Sanguinem Avorum.

_Accio Lucius Malfoy.

Nada aconteceu. Nada foi convocado. O que só podia significar uma coisa, mesmo que daí proviesse o caos completo.

_Accio Relíquia Ancestral Malfoy.

Instantes depois, uma mínima perturbação nas águas do lago demonstrou o quão eficiente o antigo feitiço era. Projetando-se rápido, um anel com o brasão da nobre e tradicional família de Draco chegou até ele.

_O anel do meu pai, a nossa relíquia... Contudo, meu pai não está aqui.

Pansy enregelou, agarrando-se a Draco. O que aquilo significava?

_Tem certeza, senhor Malfoy? Não há mais nenhum feitiço de busca que possamos realizar?

_Não, senhor Drake. O Purum Sanguinem Avorum está atuando. Seus efeitos são poderosos e se estenderão até que eu deseje que termine. Convoquei o corpo do meu pai e não houve resposta. Lucius não está aqui. Devemos continuar... O feitiço tem ainda mais alguns lugares pelos quais a relíquia passou, antes de chegar ao lago.

Sem perder mais tempo, Nulan esquadrinhou os arredores com um feitiço e se disse:

_Aparentemente não há nada, mas o lugar está marcado e preservado. Em instantes, teremos aurores fazendo uma varredura. Podemos prosseguir!

Draco empunhou a varinha e mentalizou, mais uma vez, a própria família. Foi mais fácil desta vez, pois, de fato, o feitiço prosseguia ativado. A aura mágica se formou e o já conhecido toque das seis mãos foi sentido. Então, preparou-se para, mais uma vez, utilizar uma considerável parte de sua própria magia.

_Purum Sanguinem Avorum...

A força da magia ancestral os puxou, levando-os a uma choupana, um lugar tenebroso e triste. Cassandra logo anunciou: “estamos em Devon, solo inglês, enfim!” O accio foi feito sem, contudo, ter qualquer sucesso. Novamente, não havia nenhum vestígio ali da presença do pai. Era como se tudo tivesse sido cirurgicamente limpo.

_Isso parece trabalho de profissional! – Reclamou Rony, ao não conseguir coletar nada que pudesse confirmara presença de Lucius Malfoy.

_O que quer dizer, novato?

_Quero dizer, Drake, que apenas um auror tem treinamento para fazer um trabalho tão bom em sumir com vestígios ou encobrir os rastros.

_Ah, não fique assustado com as sandices do ruivo, Pitt – brincou Nulan, ao ver a expressão de “como assim?” estampada na cara do auror. – O ruivo tem uma imaginação muito fértil. Deve ter sido afetado pela guerra.

Os aurores se espalharam pela cabana de aspecto repugnante, enquanto Draco beirava o colapso. O feitiço era muito poderoso. E exigiu demais dele, em especial, num dia como aquele. Já Pansy, atenta ao loiro, o apoiou num projeto de mesa e lhe passou um frasquinho, indicando que era uma poção revitalizante. Animado pela perspicácia da amiga, ele bebeu parte do conteúdo, guardando o resto, pois, tinha certeza, ainda precisariam visitar outros locais.

Pansy aguardava o trabalho dos aurores,embora se perguntasse por que, simplesmente, não faziam como fizeram no lago, preservando o local e chamando outra equipe. Precisavam terminar logo com aquilo. Seu loiro estava sofrendo.

_Calma, Pans. Eles estão apenas fazendo o trabalho para o qual foram treinados. Deixe-os por alguns instantes, ao menos até a poção fazer efeito.

_Accio cadeira – e uma cadeira chegou ás mãos da loira. – Sente-se, Draco. E eu não estou pedindo.

O olhar autoritário não dava margem a qualquer reclamação. Sentado e já sentindo os efeitos da poção, Draco podia ver os aurores entrando e saindo e lançando feitiços. Sobre a mesa, jaziam alguns jornais velhos e alguns livros. Teve medo de tocar em algum deles, afinal, poderia prejudicar possíveis investigações, portando, dedicou-se a apenas ler os escritos da capa.

_“Teoria Celta da Elaboração de Feitiços”... “Universidade de Letras Mágicas”...

Pansy se voltou para o amigo, curiosa com o que acabara de ouvir.

_Elaboração de Feitiços? O que um livro desses faria aqui, nesse buraco?

Antes que pudessem confabular mais um pouco, David Nulan se aproximou. Estava visivelmente irritado.

_Senhor Malfoy, aparentemente, não há nada aqui também. Podemos prosseguir. Os feitiços foram lançados e o quartel avisado.

Draco ficou de pé e se preparou para o novo baque em sua magia. Instantes depois, estavam num novo lugar, o que lhe pareceu ser uma casa perfeitamente trouxa, se não fosse por alguns meros detalhes bruxos. O accio novamente não atendeu às expectativas. Lucius também não estava ali. Já era noite agora e pelo que pôde vislumbrar da janela, não precisava ter ouvido a auror Cassandra anunciar: “estamos na Londres Trouxa”. Ele conhecia um pouco da Londres Trouxa, em especial devido à mania de Blaise: beber em pubs londrinos trouxas. Blaise e suas esquisitices.

_David, parece que essa casa já foi alvo de feitiços de busca.

_Oh, por favor, Francis... Não vai dar uma de Weasley você também!

Mais uma vez, os aurores perceberam que o ambiente estava por demais organizado e “sem vestígio algum”, nos resmungos de Rony que, frustrado, dedicou-se a inspecionar o interior da habitação.

_Por que não se senta, Draco?

_Estou bem, Pansy – e caminhou um pouco pela sala.

Era um ambiente austero e de decoração minimalista, mas requintada. Parecia bastante solitário, mas alguns brinquedos de criança quebravam a monotonia. Outro ponto a favor de quem quer que fosse o dono daquela casa: livros... Havia uma infinidade de livros. Livros bruxos, isso Draco podia assegurar, apenas ao ler a lombada dos mesmos, bem organizados nas estantes de madeira escura.

_Pansy, novamente.

_Novamente o quê? – Perguntou Nulan, que já se aproximava do loiro para solicitar que os conduzisse à próxima parada.

_Os livros versam sobre o mesmo tema do livro que vi na cabana.

_Coincidência – comentou Cassandra, nos calcanhares de David.

_Não acho que livros acadêmicos sobre a elaboração de feitiços sejam uma leitura ligeira para ninguém, auror Baden – devolveu Pansy, já disposta a falar mais algumas gracinhas para aquela peituda metida, caso não fosse a chegada repentina de Ronald.

O ruivo trazia algo nas mãos, além de estar, definitivamente, ansioso.

_Senhor, precisamos confirmar agora quem é o dono dessa propriedade.

_A equipe de apoio fará isso, em instantes, depois que partirmos.

_Não é possível esperar, senhor. Creio que... Essa casa... Essa é a casa de Madeleine.

Francis Drake vinha atrás de Ronald e apenas balançou a cabeça, positivamente para David.

_O novato encontrou uma foto da menina, o que só corrobora a minha suspeita inicial. A casa já foi, realmente, analisada pelos aurores.

_O que isso quer dizer? – Questionou Draco, ao mesmo tempo em que consumia o restante da poção revitalizante.

_Quer dizer, senhor Malfoy, que aparentemente, encontramos uma conexão. Nada que possamos avaliar agora, com pressa – respondeu Drake. – Vamos, o quartel já foi avisado. Temos que completar o feitiço de ancestralidade, ou o senhor Malfoy parará em St. Mungus. É possível saber se ainda falta muito?

_Parece que há apenas mais um lugar...

Percebendo o olhar peado de Ronald, Draco sabia que havia muito mais ali do que, “aparentemente” o auror quis lhe dizer. Inconformado, mas ciente de que precisa sim concluir o feitiço, se concentrou ais uma vez, levando todos à enfermaria de Azkaban. O feitiço era mesmo poderoso, pois aparatar em Azkaban era algo impensável. Contudo, estava na companhia de aurores, autorizados pelo Ministério da Magia a entrar e sair da prisão quando bem entendessem...

Realizou o accio mais por desencargo de consciência, afinal, o fato de o corpo do pai não estar ali foi o que os levou a toda a perseguição então empreendida, seguindo o rastro da relíquia ancestral. A enfermaria de Azkaban tinha mesmo aspecto repugnante da choupana que, há pouco, visitaram.

Oh, por Merlin! Em quais condições seu pai fora obrigado a viver? O corpo do pai estaria, irremediavelmente, perdido? Era o fim, o Purum Sanguinem Avorum foi concluído, disso tinha certeza, pois, dali em diante, a sua própria magia já conhecia o rastro da relíquia. Enfim, eram locais nos quais o próprio Draco esteve, na companhia de Lucius, como Malfoy Manor e a Corte Bruxa, no fatídico julgamento.

Sua mente começava a falhar. Sentia-se enjoado e enfraquecido. Ouvia vozes entrecortadas, os aurores discutiam algo que pôde apenas captar a essência.

_O último lugar foi aqui, na enfermaria. E Lucius Malfoy estava vivo, quando foi trazido para cá. Existem duas possibilidades bem concretas. A primeira delas: Lucius Malfoy morreu, fora de Azkaban. A segunda delas: Lucius Malfoy está vivo, fora de Azkaban. A segunda me parece bem mais interessante, pois somente vivo ele poderia ter sido tão útil para que, em todos os lugares que vistamos, tivessem tido tamanha preocupação em serem tão “limpos”.

_Ah, por Merlin! Ruivo, você está alucinando.

_Eu não estou alucinando.

_Draco!

Pansy correu até o amigo, impedindo que se machucasse, sendo logo auxiliada por Francis Drake. O auror agarrou Malfoy e terminou com a discussão.

_Ronald, leve-os daqui – e indicou Pansy e Draco. – Depois, imediatamente depois, novato, volte correndo para cá. Vamos fazer o nosso trabalho.

_Sim, senhor.

Rony foi até os sonserinos e tomou o lugar do seu superior. Logo sentiu as mãos suaves da loira ao redor de seu braço, além de ouvir dela um breve sussurro: “vamos para o Chalé das Conchas, a casa do seu irmão”. Pensou em sugerir St. Mungus, mas o olhar autoritário de Pansy não deixava margem a nenhuma contestação.

Aparatou e o cenário tenebroso de Azkaban ficou para trás, dando lugar ao mar e a sua brisa deliciosa. O chalé era, sem dúvida, um dos lugares mais bonitos que já vira. Lembrou-se de quando passou u tempo ali, ainda durante a guerra, e de como se arrependera então por ter, num rompante de fúria, abandonado dos amigos. Jurou para si mesmo que nunca mais cometeria aquele erro... E, desde então, cumpria esse juramento.

Reforçou o agarre sobre Malfoy e o carregou para dentro do chalé, sendo recebido com carinho por Fleur e Bill... Além de Gabrielle, Gina... E Theodore Nott? E que clima de sedução era aquele? O que, diabos, estava acontecendo?

_Boa Noite... Onde posso deixá-lo?

_Ah, no quarto de frente para a escada. Espere aqui, senhorita. Venha, Ron, eu te ajudo – anunciou Bill, correndo depressinha da sala, mas não sendo o rápido o suficiente para evitar ter que presenciar mais um beijo triplo.

Ronald foi literalmente empurrado escada acima.

_O que... O que foi aquilo? – Perguntou, logo depois ­de deixar Draco repousando sobre a cama.

_Ah, irmão... Você precisa respirar fundo agora.



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Novamente os sonhos estranhos o atormentavam. Nesse último, via a si mesmo sendo levado a uma casa de decoração requintada, com poucos móveis, mas com muitas estantes, abarrotadas de livros. Havia ainda alguns brinquedos de criança espalhados pelo chão. Havia um homem, um homem de idade semelhante a sua, embora bem menos agraciado com cabelos. Por Merlin, como ele parecia apavorado.

“_Ficaremos aqui por um tempo. Até a criança voltar.”

“_Aqui? Não, aqui não... Eu já fiz tudo o que me obrigaram a fazer... Minha filha, o senhor prometeu que não diria nada se eu o ajudasse...”

“_Promessas... Promessas... E a sua? Ainda não fez o mais importante, seu incompetente. O feitiço! Precisamos do feitiço! Crucio!”

Acordou com o grito de dor do homem em seus ouvidos. É, não podia ser um sonho. Era vívido demais... Era uma memória, mais uma delas que, assim como as outras, vagava perdida, em meio ao caos mental que o acometia. Nada tinha muita coerência e, quando acordava, a maior parte delas se esfumaçava no ar, tal como fumaça.

Aconselhado por Frederick, neto de Esther, a bondosa senhora que o acolheu e, desde então o ajudava, passou a anotar informações sobre os sonhos que tinha, repetidamente, quase todas as noites.

_Boa tarde.

_Boa tar... Tarde, Frederick – respondeu, não sem dificuldade. Ainda lhe era muito penoso usar as cordas vocais. Parecia que até elas estavam esgotadas.

_Não se esforce. Trouxe um lanche. O tempo esfriou e deve se agasalhar bem. Vovó foi ao mercado. Já, já estará de volta.

O loiro o encarou. Fred era um jovem muito bonito, ativo e educado. “O orgulho da família”, sempre dizia Esther, a senhora que o adotou como um filho e quem ele adotou como se fosse sua própria mãe, mesmo que não se lembrasse com clareza da sua própria genitora. Pensar nela, na sua própria mãe, fez sua mente trabalhar com rapidez.

Lá estava ela, em toda a sua imponência, ao lado do seu pai, o austero Abraxas. “Lucius, querido, venha. O chá está servido”.

_Lucius... – E seus olhos se encheram de lágrimas ao saber, pelo menos, o seu primeiro nome.

_O que disse? – Perguntou Frederick preocupado, já bem ao seu lado.

_Lem...Lembrei. O meu nome... É... Lucius...


Notas finais
"Que barulhos estranhos... Será que os hóspedes estão com indigestão? Oh, pobrezinho do padrinho do amo Harry! Vou preparar um chá!" Pensamentos de Dobby, o elfo doméstico.