Submisso
47 Capítulo 47 - O Silvo da Serpente
Notas iniciais
Capítulo 47 — O Silvo da Serpente
Pansy Parkinson podia ser muitas coisas, algumas nada agradáveis, mas nunca deixava os familiares e os amigos em apuros. E o seu irmãozinho mais novo, como o quarteto costumava chamá-lo, estava precisando dela, desesperadamente. Theodore sempre foi o xodozinho dos três... Recluso e silencioso, quase um eremita, o jovem herdeiro da tradição dos Nott era o mais protegido pelo quarteto venenoso.
Não é que o próprio nobre herdeiro não soubesse se defender, longe disso... Mas ele era o menos sinuoso dentre as serpentes... Certa vez, num arrebato de indignação diante da atitude de Nott numa aula de poções, Snape, o chefe da casa da sonserina, o chamara em alto e bom som de “inocente, ingênuo, bom coração e quase um Lufa-lufa”. O fato era relembrado, vez por outra, por Blaise.
_Ah, Theozinho...
Por sorte era domingo, então a Malfoy's C.O. não exigiria a sua presença física. E muito menos o curso universitário de Draco que já havia recomeçado, sem que o loiro tivesse assistido a uma aula sequer. Bem, entre idas e vindas com a saúde de Harry e o casamento, o seu Chefinho não teve mesmo como ir às aulas. Tinha enviado uma coruja à Hermione e a castanha prometeu que tomaria conta de tudo relacionado aos estudos de Malfoy, então, despreocupou-se.
Já a empresa, ah... Aí era uma questão mais delicada. Draco precisaria retornar em breve, pelo menos alguns dias da semana. Por enquanto, ela mesma conseguia manter tudo sob controle. Ora, ela era uma Parkinson. Nascera para aquele tipo de vida... Imbuída desse sentimento, entrou em contato com dois assistentes da direção, subordinados dela, e indo ou o que deveriam fazer, caso ocorresse algum imprevisto. Rogava que não... Ora, a quem pretendia enganar? Imprevistos aconteciam o tempo todo...
Como bufou mentalmente ao imaginar que, infelizmente, não teria o domingo que, a princípio, imaginara... Sua mente sonserina tinha arquitetado tudo, há séculos... E então, a bomba: Theodore, seu irmãozinho caçula... Grávido!
_Senhora, já preparei o que pediu. Deseja que eu leve até a alcova?
_Oh, não será necessário, obrigada. Eu mesma levo. Sairei logo após o café. Acredito que voltarei apenas à noite. Estarei na casa dos Nott, em Bristol. Cuide de tudo, por favor. – E pegou a bandeja ela mesma, rumando resignada para o quarto, a mente trabalhando nas possíveis maneiras de abordar o assunto com Theo, além de selecionar as vestes do dia.
Bom, pelo menos pôde aproveitar a noite. E como... Feliz e satisfeita, a pele mais que refletindo as atividades deliciosas realizadas na calada da noite, solicitou um café da manhã reforçado... A bandeja estava até pesada, devido à variedade e à quantidade do que sustentava.
Com um simples feitiço não verbal, abriu a porta do quarto. Usava um robe azul acetinado que cobria uma camisola curtíssima, da mesma cor, mas de um tom mais escuro, cheia de detalhes rendados. O tecido era macio e geladinho, combinando perfeitamente com a ocasião. Afinal, ela era sempre um ícone da moda bruxa, até mesmo nas primeiras horas da manhã.
_Hum... – O gemidinho de puro contentamento não foi para o cheiro arrebatador do bolo fresco, nem para a bela omelete que parecia estar mais que suculenta... Havia algo muito mais apetitoso por perto.
A loira subiu na cama com cuidado, depositou a bandeja no colchão e riu-se, sentindo-se muito estúpida por não ter, quando pegou a bandeja, usado um wingardious leviosa.
_Não sabia que ficava tão endemoniadamente apetitoso ao acordar, Blaise... – E o beijou nas costas, num ponto que sabia: o arrepiava inteiro.
_Aaah... – E se virou, encarando-a. – E como poderia saber? Você sempre me expulsa no meio da madrugada, Pans...
_É verdade... – E sorriu enigmática para, em seguida, apontar a bandeja. – Trouxe o café... Aconteceu algo que requer a minha atenção... Na verdade, você deveria vir junto comigo. Theo está com problemas...
_Por Merlin, que problemas ele pode ter? Theo está casado com duas mulheres... E uma delas é uma veela, portanto, ele tem satisfação sexual plena, em todos os sentidos imagináveis.
_Blaise!!! Isso lá é coisa que se diga do nosso irmão caçula? Sabe, começo a pensar que Draco está certo... Você é, de fato, uma má influência...
O homem afastou os lençóis, exibindo o tórax ébano, definido por muito exercício. Estava, literalmente, se mostrando para a loira.
_Não ouvi reclamações ontem à noite...
_E eu reclamei? Claro que não... Disse apenas que Draco deve estar certo, apenas isso, meu caro. Desde quando sigo a risca o que o meu prezado chefinho diz? A sorte de Draco é que eu sim sei o que é melhor para ele.
Os dois se dedicaram a consumir o café da manhã, entre alguns sorrisos, carícias e troca de informações sobre Theodore. Já passava das onze horas da manhã quando chegaram à mansão dos Nott, em Bristol.
_Gosto muito dessa casa... Tivemos bons verões aqui.
_Eu também, Pans. Sem mencionar aqueles tempos ruins para o nosso Theo, especialmente o quinto ano.
_Sim, de fato... Sorte nossa a sua mãe sempre ter tido o pai de Theo nas mãos... Emancipá-lo legalmente aos quinze anos! Arrancou nosso “eremita” das mãos do demônio! Sua mãe é genial, Blaise. Nunca conseguiremos agradecê-la completamente pelo que fez.
Blaise respirou fundo, a mente trabalhando rápido para preenchê-lo de recordações boas.
_Ah, lembra-se de quando estávamos no quinto ano e Theodore e Draco se embebedaram no Café Madame Lumhier?
_Como poderia esquecer... Foi logo depois... Bem, não vamos voltar a esse passado triste. Não viemos aqui para isso. – Comentou a loira, ao mesmo tempo em que caminhava pela nobre sala com Blaise em seus calcanhares em seus calcanhares. – Quanto à bebedeira, foi você, seu geniozinho maldoso, quem incentivou aquela disputa idiota... E para fechar a noite, eu precisei molhar meu vestido novo naquele lago gelado... Onde já se viu? Incentivá-los a mergulhar nus, no meio da madrugada? Theo quase se afogou... E tudo foi culpa sua, Zabini.
_Ah, mas você se divertiu, Parkinson. E, bem... Theodore precisava se libertar. Antes de voltar para Londres, temos que passar pelo Café Madame Lumhier.
A conversa amena foi interrompida pelo som de passos, cujo causador, em instantes, se reuniu com as recentes visitas.
_Pansy... Blaise... Que bom que chegaram!
_Olá, Gabrielle – e foram surpreendidos por abraços e beijos no rosto.
A veela exalava preocupação pelos poros. E estava bastante alterada, o que, evidentemente, não agradou aos sonserinos. Problemas, problemas...
Como se tivessem combinado, Gina apareceu pouco depois, quando os três já estavam bem acomodados num grande sofá, e os cumprimentou de igual forma. Blaise não era tolo, muito menos Pansy. A mesma tensão estava presente na Weasley.
_Muito bem, meninas. Estão me deixando preocupada... O que houve, exatamente? Gina... Você não explicou muito bem a questão... Theo está grávido, ok, entendido. Era mais que evidente que vocês três não eram muito adeptos da castidade – ao que Blaise sorriu maldosamente. – E graças a Merlin por isso. Foi inesperado saber que serei titia mais uma vez... Além de maravilhoso, que fique claro. Então... Por que um filho as deixou assim, nesse estado?
Gabrielle segurou uma das mãos de Gina, um pedido que foi atendido prontamente... Mudamente, a veela pensava: Je vais parler, ma rousse.
_Onde Theo está? – E os olhos de Zabini vasculharam a sala, encontrando apenas com os olhos do antigo e pomposo ancestral dos Nott... Ah, aquele quadro não o deixava em paz. Sempre que o via, iniciava uma longa explanação sobre as mulheres da sua família e seus múltiplos casamentos e, irremediavelmente, os efeitos desse fato na linhagem sanguínea.
_No quarto... Ele está no quarto, desde que contei a ele sobre o nosso bebê... Gina tentou fazer com que comece algo, mas...
_Theo transformou a bandeja em pó... Sabia que não deveria tê-lo ajudado a aperfeiçoar o reducto.
A veela sorriu indulgente e, em seguida, detalhou tudo o que havia acontecido, desde que conheceu Theodore, naquele inacreditável dia no Pub do Confessionário, até a noite anterior, além de relatos pessoais de sua vida antes de conhecer seus dois parceiros ideais, para que assim, num pedido desesperado, os amigos mais fiéis de seu marido pudessem compreender que ela, nunca, nunca mesmo, fez nada para prejudicar o doce Theo.
_Eu pedi que viesse, Pans, porque não sabemos o que fazer... Gabrielle não está mentindo, eu sei disso... Eu posso sentir. Theo também, mas não sei... Talvez a mente sonserina dele esteja em choque. Vocês são a família dele. Fico muito feliz que tenha vindo também, Blaise. Pensei em Draco, mas ele está com Harry... Bem, a questão é que vocês dois e Draco são a família dele. Ajudaram nos momentos mais difíceis... Ele sempre nos disse isso... É tão bonita a relação de vocês quatro. Gabrielle e eu agora fazemos parte dessa família também...
_O que você contou sobre os níveis de magia dele... – Começou a loira, o rosto se contorcendo numa expressão de extrema preocupação. – É um risco muito grande. Theodore pode ter complicações gravíssimas.
Gabrielle tinha os olhos brilhando de lágrimas. Cada palavra negativa era uma punhalada em seu coração.
_Eu sei, Pansy... Mas eu não pretendia... Eu nunca quis isso. Eu geraria esse bebê, com muita felicidade. Meu corpo está mais do que preparado, ou o de Gina... E aí... E aí vem o amor, o desejo e o desconhecido, os três juntos... Eu nunca senti nada tão avassalador antes. Os meus dois amores, ali... Ah, eu... Eu... – E respirou fundo para tentar controlar a emoção que começava a embargar a voz. – Theodore precisa da minha magia, ou então...
_Não complete essa frase, Gabi! Pansy, Blaise... Por favor, nos ajudem. Se algo acontecer... Não suporto nem imaginar!
Blaise encarou as esposas do seu irmãozinho. Era tão evidente a verdade das palavras das duas. Theodore costumava ser um bom leitor de pessoas. Ah, ele deveria estar mesmo possesso para não perceber, ou então... Havia outra possibilidade: o nobre Nott não queria perceber... Não queria aceitar. E isso, bem... Isso complicava tudo.
_Eu sei que deveria ter contado antes, mas eu não consegui... Não quis chateá-lo e agora... Agora ele pensa que eu fiz tudo de propósito, para amarrá-lo a mim e a Gina... Como se eu precisasse disso! Eu o amo... Eu amo a Gina... Não consigo compreender como Theo pode duvidar disso... Ele teme, não sei bem o que, mas ele teme... Por favor, preciso de vocês!
Pansy ouviu tudo com esmerada atenção. Mentalmente, pontuou os detalhes e criou um plano, meio torpe, devido às questões graves envolvidas e à urgência, mas ainda assim era um plano. Enquanto pensava, a loira foi interrompida pela chegada de um elfo trazendo as poções enviadas por Snape, assim como as indicações de como deveriam ser ministradas. Sem esperar que as esposas se adiantassem, ela mesma o fez, segurando o pacote enviado pelo pocionista.
_De acordo com o professor... – Começou a serpente, organizando os frascos e lendo as indicações na letra forte de Snape. – Uma delas deve ser ministrada ainda antes do lanche da tarde e, pelo que disseram, Theo nem quis almoçar. Bem, vou dar um jeito nisso... Peça a um elfo para levar a refeição para o quarto. Vamos subir, Blaise. Temos que colocar certo irmãozinho na linha.
Sem alternativa – quem em sã consciência não a obedeceria? -, Blaise seguiu a loira até o quarto no qual, sabiam, o mais novo dos irmãos do quarteto havia se entrincheirado. A porta não estava trancada, o que permitiu que o recinto fosse “invadido” sem maiores complicações.
Já conheciam a casa inteira de cor, há séculos. Costumavam passar alguns dias das férias na casa dos Nott. Havia só algo diferente... A escuridão. Theodore era sim uma pessoa que curtia períodos de reclusão, de afastamento... Mas ficar perdido em meio às sombras, ah... Só viram aquilo uma vez, quando perdeu o pai para a guerra., mesmo aquele pai... Pansy quis soltar fogos e comemorar a passagem do Sr. Nott para o inferno, mas Theo, o bondoso Theo... Ah, apesar de tudo, ele manteve o amor pelo pai... E conseguir consolá-lo foi uma tarefa hercúlea.
_Ah, de novo não... – Resmungou bem baixinho Blaise, que, com um floreio de varinha, abriu as pesadas cortinas e o quarto de iluminou.
A porta sendo aberta chamou a atenção do ocupante do quarto... Ah, o olhar que lançou sobre os amigos foi, no mínimo, intimidador.
_O que estão fazendo aqui? – Perguntou um mais que irritado Theodore, recostado na cama e enrolado nos lençóis. O semblante que sustentava beirava a piedade. – Eu quero ficar sozinho! Vão embora! – E com um feitiço voltou a fechar as cortinas.
Pansy sorriu, ignorando completamente a reação tão “agressiva” vinda do irmão mais novo. Como toda primogênita – é, fazer o que? Ela era a mais velha dentre os quatro -, ela sabia muito bem como se impor ante os mais novos.
_Espero que esse pedido tão gentil não tenha sido dirigido a nós dois, a sua família. Ficaria muito zangada contigo, Theozinho.
O sonserino em questão apenas revirou os olhos, ainda mais enfurecido por Pansy tratá-lo daquela forma tão infantil. O que estariam fazendo ali? Não conseguiu nem ao menos reclamar do diminutivo ridículo, pois, instantes depois do “Theozinho”, um elfo adentrou o recinto trazendo uma bandeja, que veio a descobrir ser o seu almoço (seguindo precisamente as instruções de Snape – ou seja, uma refeição completamente sem graça). Pansy dispensou o elfo, toda sorrisos...
A loira levou a bandeja até a cama e a dispôs bem na frente do senhor irritação que, ao compreender o que aquilo significava, esbravejou contra os dois mais uma vez. O belo homem negro apenas se aproximou da cama, um olhar de pouquíssimos amigos estampado na face. Ah, se Pansy se considerava a irmã mais velha daquele quarteto, Blaise, por sua vez, agia como um irmão mais velho zeloso, quase um pai mandão e bastante autoritário, não admitindo aquelas atitudes tão representativas da imensa estupidez que, vez por outra, os acometia.
_Expeliarmus!
O feitiço de Zabini desarmou o gestante. Perder a varinha daquela forma vergonhosa o deixou, mesmo que parecesse impossível, três vezes mais furioso.
_O que você pensa que está fazendo, Blaise? Devolva a minha varinha, agora!
_Não. Sua varinha foi confiscada. Só a terá de volta quando o meu sobrinho nascer e a sua saúde estiver fora de risco.
Theodore tentou ficar de pé e socar o amigo, mas falhou miseravelmente. Blaise foi mais rápido que ele e o empurrou de volta para a cama. Theodore o encarou, mas toda a raiva foi substituída por tensão quando identificou no amigo certo olhar de determinação. Ah, Blaise geralmente era calmo e brincalhão, mas, nos momentos nos quais realmente cismava com alguma coisa... Nada o parava.
_Não ouse ficar de pé, nobre senhor Nott. Sei que não deu a menor atenção ao que o professor Snape especificou, com relação a sua saúde, mas nós sim. Não fará magia alguma... Portanto, aceite! E antes de conversarmos sobre o seu atual estado, você vai comer... Sem discussões, Theodore... Estou falando sério.
Pansy indicou a bandeja e se sentou ao lado dele. O jovem estava assustado... As palavras de Blaise não eram vazias... Sabia disso. Enquanto via as cortinas voltarem a se abrir, encarou a bandeja repleta de alimentos e seu estômago protestou. Estava faminto...
_Coma, Theo... Coma... E tomará as poções logo depois, igualmente sem discussões. Eu fiz uma promessa, Theo... Ainda é capaz de se lembrar? Ou será que a torpeza lufa-lufa danificou seu cérebro, permanentemente? – Ralhou Zabini.
Indignado, o gestante se pôs a comer silenciosamente, sem nem ao menos mirar os amigos. A fome o fez comer de forma voraz. Ignorando a refinada educação recebida, degustou tão rápido o que lhe enviaram, que teve que engolir também os risinhos de Pansy. Ah, por Merlin, aquele seria um longo dia.
_Sem biscoitos?
_Nada de biscoitos para você, Theo – concluiu a loira.
Poções... Ah, elas vieram logo depois. E só serviram para deixá-lo bastante enjoado. Fosse o que fosse que Snape colocara naquela beberagem, fez seu estômago pulsar em protesto. Afundou-se mais no colchão, agradecendo à amiga por ter tido sensibilidade suficiente para apenas lhe fazer um cafuné.
Deixou-se mimar um pouco, as mãos indo ao ventre dolorido. Na verdade, seu corpo inteiro estava dolorido... Era como se o estivessem revirando por dentro. Ah, custava a acreditar que estava esperando um bebê. Não queria isso para si mesmo... Não quer dizer que nunca se imaginou sendo pai, claro que não, mas... Era tudo tão novo, tão inesperado...
Sendo o último membro restante da nobre família Nott, o que mais queria era encher a casa de filhos, para assim ter mais alegria a sua volta. Sempre sonhou em ser pai e em fazer exatamente o oposto do que fizeram consigo, ao criar os filhos. Contudo, nunca se imaginou sendo, ninguém mais ninguém menos, que a própria mãe! Só de pensar no que o esperava... Tremia de ansiedade pavor! Não estava com medo de ser pai... A questão era mais complexa. Segundo o seu antigo chefe de casa, seria uma batalha feroz e que, irremediavelmente, mudaria o seu corpo para sempre.
Ah, Gabrielle... Não negava que a amava. Fazer isso seria cometer um imperdoável sacrilégio. Gina e Gabrielle eram a sua vida, parte dele, assim como ele era parte delas. Mas se sentia tão... Traído. É, era isso... Sentia-se traído por Gabrielle ter feito o que fez e nem ao menos ter tido a decência de contar.
O toque gentil em seus cabelos o fragilizou e seus lábios ganharam vida própria, contando aos dois o que estava sentindo, o porquê de estar tão irritado e a dor profunda que o esmagava, pois, mesmo racionalmente compreendendo as palavras da veela, sentia-se sim traído. Traído, enfim... Como sempre foi traído... Como sempre...
_Ah, Theozinho... – Começou a loira, beijando-o na testa. – Sempre tão aferrado a esse mundinho solitário que criou pra si... Quando vai deixá-las entrar? Elas sãos suas esposas e te amam... Assim como nós, os seus irmãos. Gabrielle não te traiu. Ela só não é perfeita, meu amor.
_Autoproteção não é mais tão necessária assim, Theodore Nott. A guerra acabou e o seu pai... – Theo arregalou os olhos, o rosto ficando lívido em instantes.
Blaise se sentou na cama, aproximando-se dos dois. Sabia muito bem o que o amigo estava fazendo. Ele era um especialista na arte de se isolar emocionalmente, fechando-se em si mesmo, como se de uma ostra se tratasse. Quando mais jovens, ainda em Hogwarts, demoraram meses para arrancar de Theo o motivo de estar completamente silencioso e mais taciturno que o próprio Severus Snape.
Ah, foram tempos difíceis aqueles... Lembrava-se disso com verdadeira clareza. O pai de Theodore, o nobre e purista senhor Nott, o pressionava, desde o final do 4º ano... Queria que o amigo, de forma espontânea (ainda um garoto, por Merlin) –, aceitasse a marca negra o mais rápido possível. Agressões físicas e verbais, ameaças, intimidações, constrangimentos... Ah, todo um rol de desgraças se abateu sobre o único filho do Sr. Nott. E ele sofreu calado e sozinho, aguentando tudo aquilo em segredo. Não havia uma Sra. Nott, pois a mãe de Theo morrera anos antes, quando ainda nem completara cinco anos de idade... A morte dela criou uma barreira entre pai e filho... E o menininho, infelizmente, foi criado sem amor, praticamente sendo cuidado apenas pelos elfos domésticos.
Apesar dessa vida solitária, havia muito da mãe em Theodore. Ele era uma alma boa e tinha um coração cálido. Ele cresceu e fez amigos, encontrando neles o amor que nunca mais pôde sentir da única família que lhe restara, o pai. E então o Lorde das Trevas retornou... No quinto ano de Hogwarts, foi ficando evidente que algo não ia bem com o sonserino... Era como se as trevas o tivessem envolvido... O restante do quarteto percebeu que havia algo de podre no ar, afinal, nada de bom poderia vir do contato mais intenso entre Theo e o pai.
Draco, Blaise e Pansy combinaram entre si: ficariam atentos. Chegaram até a instruir Crabbe e Goyle para observarem bem o mais novo, o protegido por todos. Ao mesmo tempo, Theodore se fortalecia, ou achava que se fortalecia, afastando-os, calando-se, guardando para si mesmo todo o sofrimento que passava. Foi apenas quando, na metade do quinto ano, o irmãozinho definhava a passos largos, bem diante de todos, eles puderam finalmente cercá-lo e confrontá-lo.
Era comum naqueles dias a presença mais assídua de pais de alunos na escola. A revelação da volta de Voldemort havia sido feita e, mesmo que o Profeta Diário e o Ministério da Magia negassem veementemente, muitos pais percebiam as incoerências entre os fatos reais e aqueles noticiados... Muitos tornaram-se mais presentes na rotina escolar e, até mesmo, solicitavam a presença dos filhos em casa, com maior frequência. Dumbledore permitiu algumas vistas e saídas não programadas, sempre com a concordância dos chefes das casas, pois não era a sua intenção desestabilizar os pais.
O senhor Nott intensificou as pressões, indo à escola para visitar o “filho amado”, como o chamava quando perto do diretor, ou então solicitava a saída de Theodore por algumas horas, levando-o depois do almoço e trazendo-o a noite. Ah... Naquele fatídico dia, o dia no qual descobriram a verdade, Theo saiu depois do almoço. E foi Draco quem, horas depois, se deu conta do real motivo de toda aquela reclusão.
Como Draco descobriu? Bem, na verdade, foi completamente por acaso. Um feliz, ou infeliz acaso, fica a seu critério. Já passara da hora de dormir e Theo não havia retornado. Os sonserinos, como todos os alunos do castelo, se dedicaram a descansar para um dia posterior repleto de muitas aulas fatigantes. Foi especialmente difícil acalmar Pansy naquela noite.
Por algum motivo, intuição feminina talvez, a demora de Theo a deixou muito inquieta. “Aconteceu alguma coisa... Eu sei que sim!”, era o que repetia, reiteradamente, até que Blaise, usando de toda a persuasão possível, a convenceu de que Theodore estava bem e que deveria estar em casa, dormindo confortável em seu próprio quarto, enquanto ela estava ali, andando de um lado para o outro e ganhando rugas precoces. Depois disso, Pansy resolveu ir se deitar.
Os rapazes, entre sorrisos tensos, fizeram o mesmo. Obviamente não estavam tranquilos, compartilhando do das mesmas preocupações de Parkinson. De madrugada, um som incomum acordou Draco... Naquela noite, não estava conseguindo dormir direito, acordando confuso devido ao barulho.
Depois, novamente o barulho preencheu o vazio do quarto. Parecia o som advindo de algo caindo. Havia ainda o som de água... O banheiro! Havia alguém no banheiro do quarto, no qual ele e os seus amigos dormiam. Olhou ao redor... Todos estavam em suas camas. Todos, menos um. Nem ao menos bateu na porta, imaginando quem seria o responsável por tê-lo despertado... E então o viu. Theo estava lá dentro, os braços apoiados na parede do box, vestindo apenas a parte de baixo das vestes. A água escorria pelas costas dele, avermelhando-se com intensidade.
“Theo!” – E a fala de Draco foi tão urgente, tão tensa, que o retirou de seu torpor. Assustado, Theodore se afastou com a maior velocidade que pôde, fugindo das mãos de Draco e encostando-se à parede, tentando, inutilmente, esconder aquele horror. Mas então, Draco já o vira e, entre horrorizado e furioso, acordou os demais, para que o ajudassem. Em instantes, os outros sonserinos estavam ali dentro, igualmente chocados com o estado no qual o mais novo deles se encontrava. Ninguém soube ao certo como Pansy chegou ali tão rápido, mas lá estava à loira, fazendo todo o possível para curar as grotescas feridas que Theo tinha pelo corpo.
“Quem fez isso, Theo?”, perguntavam Blaise e Draco, enquanto Crabbe e Goyle iam e vinham com toalhas limpas e essência de mortisco, sob o comando rigoroso de Parkinson. Custou muitíssimo, sangue e lágrimas, mas ele contou enfim o que estava acontecendo... “Foi... Foi o meu... O meu pai... Ele se irritou muito com mais uma negativa minha de aceitar a marca e... E...”
Nenhum deles jamais havia visto Blaise tão furioso, tão indignado... Blaise se considerava o protetor de todos eles, dos seus amigos. Ele era o líder daquele ninho de cobras. E nenhum cretino, mesmo que fosse o pai de um deles, sairia impune, não mesmo. Theodore tinha a carne lacerada, hematomas por todo o corpo e sabe-se lá quais outros danos mais profundos.
Os cuidados superficiais não faziam o efeito desejado... As grotescas feridas continuavam a sangrar. E o desespero de todos só aumentava, pois Theo se negava rotundamente a ser avaliado por Madame Pomfrey. Então, numa iluminação incomum, Goyle anunciou que chamaria o professor Snape que, pouco tempo depois, adentrava o quarto, trazendo consigo a sua inseparável maleta.
Severus resolveu o problema em instantes, adormecendo o paciente e curando-o com um florear de varinha. “O senhor Nott foi atacado por um comensal da morte. Esse feitiço é muito usado por eles. Geralmente, o fazem para punir o bruxo atacado. As feridas não se curam com essência de mortisco, nem com qualquer outra maravilha da medicina bruxa. E há apenas uma maneira de amenizar os seus efeitos danosos: o contrafeitiço adequado. De fato, esse feitiço é particularmente cruel. A vítima sente seus efeitos por semanas, até que ele se desfaça naturalmente. O objetivo dessa arte não é matar... É, como posso dizer, castigar e gerar dor, muita dor... Por sorte, eu conheço muito bem as artes das trevas, portanto, ele já está bem e se recuperará em poucos dias. A grande questão é: como o senhor Nott foi atacado por um comensal se, pelo que me consta, esteve com o pai durante o período no qual obteve a concessão do diretor e minha, para sair da escola? Sabem... Pelo que pude perceber, não é a primeira vez que o jovem senhor Nott é vítima das artes das trevas.Convençam-no a deixar de ser tão lufa-lufa e a agir.Numa próxima vez, ele pode não ter tanta sorte.”
As palavras de Snape não poderiam ser mais esclarecedoras. Theodore dormia profundamente enquanto os seus amigos esbravejavam impropérios. Snape estava certo... como sempre. “Foi aquele cretino! Foi o pai dele! Ah, Blaise... Foi o próprio pai dele!”, lamentava-se Pansy. “Meus pais apoiam o Lorde, mas nunca fariam algo tão tenebroso comigo. Nem os de vocês... Mesmo que desejem o mesmo que o cretino... Ah, Theo...”
Naquela mesma noite, imbuído de um extremo instinto superprotetor, Blaise entrou em contato com a sua mãe, a poderosa e belíssima “viúva negra”, como costumavam chamá-la. Ela era uma mulher bem relacionada e conhecedora de inúmeros segredos. Evidentemente, a bela senhora Zabini ficou tão indignada quanto o filho. Algumas horas depois, quando o sol já despontava no horizonte, Theodore já era considerado legalmente emancipado pela Justiça Bruxa, além de estar protegido por uma ordem de restrição, que impedia a aproximação do pai, o cretino.
Vendo o amigo naquele estado, Blaise fez uma promessa, na verdade, todos eles se comprometeram... A guerra não iria separá-los, nem iria destruí-los. Iriam se proteger, com toda e qualquer arma que encontrassem. Seriam sonserinos, como o eram... E nunca, nunca mais mesmo, seriam tão relapsos... Fariam de tudo para nunca mais presenciar uma cena como a que presenciaram no banheiro.
_Isso não tem nenhuma relação com o meu pai... O problema aqui, Blaise, é muito diferente... Gabrielle não me contou... Ela não foi franca comigo! Como eu posso confiar...
_Já chega! Você não é o melhor exemplo para falar em franqueza. E sabe disso. Como então pode ser tão rápido em julgar o comportamento dos outros? Todos temos medos, Theo. Não somos perfeitos... Ela errou sim, concordo contigo. Mas não pode deixar a sua própria experiência te obliterar – vociferou Blaise, as mãos se fechando com raiva. Tinha vontade de sacudi-lo. Será que o seu irmão mais novo não compreendia o que estava acontecendo. – Gabrielle não é perfeita, mas ela te ama. Até eu percebo isso. Algo que você, com esse poderoso vínculo, já sabe... Eu prometi Theo... Prometi que nunca mais permitiria que nenhum de vocês sofresse. E não vou quebrar a minha promessa. Se for preciso te amarrar nessa cama e ajudar Gabrielle a lhe fornecer magia veela, ah, não duvide: eu o farei – e saiu do quarto com os olhos cheios de fúria.
Não havia expressão facial mais admirada que a de Theodore. De onde havia saído aquele comportamento “galinha e pintinhos” de Blaise?, perguntava-se abismado.
_Pans... Ele não estava falando sério, estava?
_Eu não duvidaria de Blaise, irmãozinho. Ele anda bastante... Determinado nos últimos dias.
_Draco nunca faria isso com Harry! Nunca o engravidaria sem autorização!
Pansy riu alto, deixando o amigo desconcertado. Contara alguma piada?
_Ah, Theodore... Há momentos nos quais eu, realmente, preciso concordar com o professor Snape. Não seja tão ingênuo, meu amor...
_Do que está falando, Pans?
_Draco Malfoy, meu rigoroso chefinho, engravidou o esposo de gêmeas, sem que Harry Potter, o doncel mais fofo que conheço, sequer soubesse. Quando Draco contou, certo tempo depois, Harry quase o matou... Literalmente...
O jovem ficou ainda mais desconcertado. Draco e Harry pareciam flutuar numa nuvem cor-de-rosa de amor. Ele nunca poderia imaginar tal coisa.
_Draco não fez de propósito, Theo... Segundo ele, ter o amor de sua vida foi tão arrebatador que...
_Pansy, por favor! Eu não quero saber de detalhes.
_Ha, ha, ha... Tolinho, os detalhes apimentam... E são interessantes. Sabe, eu posso dizer com convicção que os dois, Draco e Harry, resolveram o impasse e estão mais do que grudados... – E se dispôs contar, com detalhes calientes, certa sequência apaixonada na areia da praia que, sem querer, vira há pouco tempo, mesmo com Theodore exigindo que parasse. – Ah, meu Draquinho é mesmo bom em tudo o que faz!
_PANSY! JÁ CHEGA!
A loira riu ainda mais do rosto corado de Theodore.
_Tudo bem, tudo bem... O que estou querendo deixar claro para você, Theo, é que a sua esposa veela não conseguiu se controlar. Tal como Draco, ela engravidou sem querer o parceiro. Acredito nela, piamente, irmãozinho. Gabrielle era, como dizer, essencialmente lésbica, antes de você aparecer na vida dela. Então, ela conhecia bem o “terreno”, quando estava apenas com Gina...
Ah, Theodore queria ser tragado pelos lençóis finos da cama. Como é que Pansy, a descarada, tinha tamanha coragem de falar tão abertamente sobre as intimidades dos outros? Ela era, para todos os efeitos, uma verdadeira pervertida. Assistir na encolha enquanto Draco e Harry... Oh, por Merlin!
_E então vocês três se encontraram. Foi uma explosão imediata, querido. Eu sei porque eu estava lá, lembra-se? Admito que concordo contigo: ela deveria ter contado antes, logo que identificou a magia do bebê. Contudo, Theo, você sabe melhor do que ninguém que, em algumas situações, ocultamos fatos, para não fazer aqueles a quem amamos sofrerem. Acredito que Gabrielle não encontrou o momento adequado para contar e que, não sei, com a rotina veloz que nos abarca... Talvez, a oportunidade nunca tenha chegado. Theodore, olhe bem para mim – e Theo a encarou profundamente, bem no fundo dos olhos claros que a miravam de volta, cheios de sabedoria. – Você realmente duvida do amor que Gina e Gabrielle lhe professam?
_Eu... Eu...
_Sem rodeios, Theodore Nott. Responda-me!
_Eu não duvido, Pans, mas...
_Shiii... Se você não duvida, não perca mais tempo se agarrando a coisas que não podem ser mais mudadas. Você está grávido, não pode mudar isso.
As mãos de Pansy foram até o seu ventre plano e o acariciaram.
_Nós tivemos experiências terríveis... E apesar de tudo, sobrevivemos aos nossos pais. Não desconte esse passado nas suas esposas, nem no seu filho. Permita-se, Theo. Permita-se ser amado... Você é completamente amável. Quem não o amaria? O seu pai foi um tolo... Não seja você mais um. Eu fiz a mesma promessa que Blaise... E tenho o triplo da determinação dele.
Pansy o beijou na testa e saiu do quarto também. Esperava que o seu irmãozinho tivesse entendido. Esperava que ele se permitisse viver de verdade, pela primeira vez. Ele, mais que ninguém, merecia ser feliz.
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Adam Taylor ainda não conseguia acreditar naquela história estranha e, no mínimo, miraculosa. O jovenzinho trouxa era toda uma delícia, logo, não poderia estar sentindo, poderia? Ora, é claro que poderia. Ele era um advogado competente e astuto, portanto, aprendera desde cedo que as pessoas, trouxas ou não, mentiam sim, pelos mais variados motivos.
Entretanto, como o jovem bonito diante de si poderia saber daqueles detalhes? As provas eram irrefutáveis... Andreas se pôs a falar e descarregou sobre ele uma revelação bombástica, corporificada em palavras faladas e escritas. Evidentemente, precisava verificar com cuidado e muito critério a veracidade dos novos fatos. Se fosse verdade, ah, por Merlin, inclusive aquela delícia estava em perigo.
_Lucius está bastante debilitado... Ele disse que o senhor compreenderia o pedido e que faria conforme o solicitado – disse, indicando uma folha de papel que agora estava nas mãos do advogado. – Não foi sem dificuldade que ele lhe escreveu...
_O senhor Malfoy foi um dos primeiros a e dar uma real oportunidade para mim, profissionalmente falando, que fique claro. Trabalhei para os Malfoy, diversas vezes. Fez muito bem em me procurar. – Dobrou o papel com ansiedade contida. – Aguarde um pouco, sim?
Adam sumiu por uma porta, voltando alguns minutos depois. A mudança era evidente, afinal, calça jeans, tênis e camiseta não eram nada comuns a um bruxo.
_Vamos aparatar, rápido...
Andreas foi agarrado pelo braço e em instantes, num piscar de olhos, estavam no centro de Londres. Meio enjoado e se perguntando como diabos havia chegado ali, guiou o senhor Taylor ao metrô. Fariam todo o caminho até a casa da dona Esther por “meios trouxas”, ainda que não soubesse bem o que isso queria dizer.
_Sente-se melhor?
Algumas horas se passaram até ouvir qualquer nova palavra do senhor Taylor.
_Agora sim. Estou bem melhor... O que foi aquilo que fez? Estávamos num lugar e... Do nada... Ah, esqueça. Certamente, é algo que eu não poderia compreender.
Adam riu. Até pensou em dizer algo a respeito, mas optou por não dar continuidade ao tema. Não queria assustar o jovenzinho, ao contrário. Queria deixá-lo o mais confortável possível com tantas novidades.
_Pelo tempo que o senhor mencionou que levaríamos para chegar, creio que não falte muito agora... – Comentou o advogado, enquanto caminhavam por uma rua arborizada e cheia de casas.
_Está correto. É logo ali. Vou avisar. – E retirou um telefone do bolso. – Fred, sou eu. Abra a porta, estamos chegando – e voltou a guardar o aparelho, mas percebeu os olhos curiosos do homem sobre si. – O que foi?
_O que é isso? Algum tipo de coruja transfigurada trouxa?
O grego não respondeu, pois não sabia como responder àquela pergunta esquisita. Coruja? Decidiu apenas balançar a cabeça, negativamente. Para sua sorte, Frederick surgia diante da porta, acenando para ambos. Tinham combinado em não fazer alarde algum sobre Lucius, muito menos sobre a visita provável de quem o loiro mandara buscar. Segundo Lucius, era vital manter o segredo sobre a existência dele.
_Entrem rápido, por favor – pediu o morador, fechando a porta em seguida, mal os dois novos ocupantes passaram pelo batente. – Obrigado por ter vindo, senhor Taylor. Sou Frederick. Lucius está lá em cima. Minha avó está com ele.
_Não agradeça. Podemos? – E indicou a escada, ao que foi atendido prontamente.
Taylor era um homem pomposo e requintado. Imediatamente percebeu que aquela casa não era cheia de luxos, mas era bastante acolhedora. Subiu os degraus, com o coração na boca. Estaria mesmo prestes a reencontrar Lucius Malfoy?
_Vovó? – E abriu a porta do quarto, sendo recebido por um caloroso sorriso. – O senhor Taylor está aqui... Entre, por favor.
Adam adentrou o simples cômodo. Teria se esmerado mais na análise da mobília, mas sua percepção foi dominada pela imagem magnética de Lucius Malfoy. Estava visivelmente bem mais magro e as olheiras lhe davam um aspecto doentio. Contudo, ainda havia muita vida naqueles olhos tempestuosos.
_Senhor Malfoy!
_Obrigado por ter vindo, Adam... Sente-se, temos muito que conversar...
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***OBS: Fiz uma pequena alteração no cap 22. Percebi que cometi um errinho. Pansy diz que as aulas de Draco retornarão na “semana que vem” (no cap 22) e estamos no 47 e ele mesmo nem voltou para a universidade! Kkkk enfim, mudei para “Como o semestre começa em breve, pensei que estenderia as férias e curtiria um pouco mais seu recém-vínculo”. Acontece isso quando a história vira novelão! KKKK BJKS
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